Modelo matemático para diluir
agrotóxicos diminui risco de contaminação ambiental.
por Diego Freire, da
Agência Fapesp
Resultados de pesquisa
feita na Embrapa com apoio da FAPESP foram publicados em revista científica do
governo espanhol. Foto: Arquivo Embrapa.
Agência Fapesp – A mais recente edição da Spanish
Journal of Agricultural Research, revista científica do Instituto Nacional
de Investigación y Tecnologia Agraria y Alimentaria do Ministério de Economia e
Competitividade espanhol, traz um modelo matemático capaz de estimar o volume
de água cinza necessário para diluir misturas de agrotóxicos na água e
minimizar os riscos ao ambiente aquático. A novidade foi desenvolvida por
pesquisadores da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O termo “água cinza” é usado para se referir à
água residual de diferentes processos, desde a que foi utilizada no banho até a
da produção industrial. Na agricultura, é um dos componentes da pegada hídrica,
a soma de todo o consumo de água envolvido na produção, incluindo a verde,
vinda da chuva e contida no solo, a azul (da irrigação) e a cinza, que assimila
a carga de pesticidas e fertilizantes.
O artigo A mathematical model to estimate the
volume of grey water of pesticide mixtures, de Lourival Paraíba, Ricardo
Pazianotto, Alfredo Luiz, Aline Maia e Claudio Jonsson, da Embrapa Meio
Ambiente, em Jaguariúna (SP), apresenta cálculos com valores de concentrações
letais de diversos agrotóxicos em organismos indicadores da qualidade hídrica,
como algas, peixes e microcrustáceos, chegando aos volumes de água necessários
para diluir a carga dos pesticidas e minimizar os riscos para a vida aquática e
o homem.
O desenvolvimento do modelo contou com apoio da
FAPESP na pesquisa “Alterações Bioquímicas, Hematológicas e Acúmulo em Tilápia pela
Exposição a Misturas de Herbicidas da Cultura Canavieira”, fornecendo
subsídios teóricos para a estimativa da água cinza de herbicidas usados em
cultivos de cana-de-açúcar para a produção de açúcar e álcool.
Para os pesquisadores, a contaminação das fontes
de água doce naturais está resultando em um passivo ambiental elevado que põe
em perigo os ecossistemas terrestres. Além disso, o crescimento da produção
agrícola por conta da expansão da produção global de recursos de energia
biológica evidencia o risco de escassez de água. “Em qualquer sistema agrícola
sustentável, para a manutenção da vida em todas as suas dimensões, é necessário
manter a qualidade de água doce”, disse Paraíba.
O modelo da Embrapa calcula os valores adequados
para diluição de agrotóxicos sem prejuízo à água.
Tradicionalmente, para fazer esses cálculos é
necessário conhecer a carga de pesticidas usada no cultivo e os limites máximos
de resíduos na água. Mas nos cultivos agrícolas brasileiros são utilizados
vários pesticidas cujos limites permitidos em água não estão definidos. Além
disso, o procedimento clássico não considera em seus cálculos o efeito dessa
água residual em organismos aquáticos.
O modelo matemático desenvolvido pelos
pesquisadores da Embrapa estima o volume de água cinza que deveria ser
necessário para proteger as espécies aquáticas sensíveis e indicadoras da
qualidade da água do ambiente, de acordo com critérios estabelecidos pela União
Europeia.
Foram consideradas as características
físico-químicas ds pesticidas, as doses recomendadas e as concentrações que
causam efeitos letais em 50% da população de organismos aquáticos indicadores da
qualidade da água.
Dessa forma, foi proposto um método numérico que
estima o volume total de água necessário para diluir concentrações de misturas
do conjunto total de pesticidas utilizado em um cultivo agrícola.
Além de estimar o volume de água que seria
necessário para diluir, ao mesmo tempo, todos os pesticidas que poderiam ser
encontrados, o modelo também inclui um indicador numérico que exprime o volume
de água cinza que seria produzido por cada pesticida.
De acordo com Paraíba, esses valores poderiam ser
informados nas embalagens dos pesticidas, orientando o produtor sobre quais são
os volumes de água cinza decorrentes da utilização do produto.
“Isso possibilitaria a redução desses volumes.
Seria como o que faz o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia
(Inmetro), ao indicar o consumo de energia de uma lâmpada ou de um
eletrodoméstico”, exemplificou.
Como exemplo do modelo matemático, o artigula
publicado na Spanish Journal of Agricultural Research traz uma lista
dos 17 principais pesticidas utilizados na cana-de-açúcar e a estimativa do
volume de água necessário para diluir no ambiente a mistura deles. A íntegra
pode ser lida em revistas.inia.es/index.php/sjar/article/view/4059.
O trabalho dos pesquisadores da Embrapa foi
premiado em primeiro lugar no Congresso Brasileiro de Ecotoxicologia 2012,
promovido pela Sociedade Brasileira de Ecotoxicologia, filiada à Society of
Environmental Toxicology and Chemistry.
Fonte: Agência
Fapesp

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