terça-feira, 19 de junho de 2018


Livro explica sobre sustentabilidade e quais suas aplicações.

Muito tem se falado a respeito de sustentabilidade, mas muita gente ainda tem dúvidas sobre como fazer uso deste conceito no seu dia a dia. Com o objetivo de esclarecer as pessoas sobre como é possível colocar as ideias do desenvolvimento sustentável em prática em suas vidas, o professor de graduação e MBA da ESPM, Marcus Nakagawa, decidiu escrever o livro 101 dias com ações mais sustentáveis para mudar o mundo, produzido pela Editora Labrador.

O prefácio do livro 101 Dias com Ações mais Sustentáveis é assinado pela Klabin, uma de suas patrocinadoras. A orelha do livro traz, ainda, os depoimentos de Fabiano Rangel, Presidente da ABRAPS – Associação Brasileira dos Profissionais do Desenvolvimento Sustentável e de Carlo Pereira, Secretário Executivo da Rede Brasil do Pacto Global da ONU.

Para a realização do projeto, Nakagawa contou com a colaboração de diversas pessoas e empresas que contribuíram financeiramente, por meio de uma campanha de crowdfunding na plataforma Kickante.

Segundo o autor, a ideia do livro surgiu a partir de questionamentos que sempre lhe são feitos, sobre como colocar a sustentabilidade em prática? “Comecei a listar várias ações que podem ser praticadas por todo cidadão e quando percebi já tinha 101 atividades listadas. Desde ações simples como apagar a luz ao sair de um ambiente, passando por ações de descarte correto, até energia solar e compostagem, por exemplo,” explica Nakagawa.

O livro é direcionado a todos que tenham interesse em começar a realizar algum movimento sustentável pensando no meio ambiente e nas pessoas, seja em casa, na empresa, ou na escola. Está dividido por ação, cada capítulo traz uma que pode ser implantada no dia a dia. Dessa forma, o leitor percebe que é simples praticar ações sustentáveis, basta mudar seus hábitos e com algumas mudanças ou adaptações é possível melhorar o Planeta.

Fonte: ENVOLVERDE

EXCLUSIVO: IPCC muda paradigma, sai do carbono para ingressar no social.

Júlio Ottoboni, jornalista e editor-chefe da Envolverde

A vice-presidente do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, Thelma Krug, pesquisadora do INPE, fez uma revelação surpreendente que mudará os rumos das orientações científicas às Nações Unidas na pauta do aquecimento global. E dada com exclusividade pela Envolverde.

“O IPCC está deixando de ser carbocêntrico para seguir rumo a questão social. As mudanças societárias serão imensamente profundas, será tão intensa que inclusive a questão do consumo passará a ser abordado com mais enfase, tanto que hoje o IPCC já começa a falar até em mudança de dieta, a questão da pobreza, da desigualdade passa a ter outro peso nas avaliações científicas e para as nações”, comenta a pesquisadora que se apoia nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável ( ODS) para justificar a guinada.

Isso está longe de sepultar a questão das emissões, principalmente no segmento da geração de energia. O setor é atualmente responsável por 35% das emissões e o setor agrícola e pecuário alcança a casa dos 24% das emissões de gases do efeito estufa. A questão central está no aquecimento oceânico. Mesmo que houvesse uma suspensão neste instante das emissões e todas as medidas mitigadoras passassem a ser aplicados no planeta, a subida de temperatura nas águas não retrocederia. 

Ou seja, o ponto de não retorno e as reações planetárias já começaram e um novo cenário climático se vislumbra num horizonte um tanto turvo e preocupante.

“Será no IPCC uma mudança de paradigma imensa, deixamos de ser carbocêntricos para ir ao encontro muito mais do social como a erradicação da pobreza, redução das desigualdades e o aumento das colaborações das nações”, afirmou a cientista. A sustentabilidade do planeta e principalmente sua resiliência das espécies sob essa nova Era, o Antropoceno, colocará a capacidade adaptativa do homem sob prova. E o próximo relatório, em 2021, trará um capitulo todo somente sobre como se tornar sustentável. Enquanto ainda há tempo. Ou melhor, esperança.

Fonte: ENVOLVERDE

Falta de estudos afeta diagnósticos do IPCC para clima no Brasil.

Júlio Ottoboni é jornalista e editor-chefe da Envolverde

Por falta de pesquisas cientificas, o IPCC não consegue afirmar com precisão quais eventos são naturais ou já de influência antrópica no hemisfério sul do planeta, inclusive em extremos climáticos. O alerta vem da vice-presidente do órgão que assessora as Nações Unidas, Thelma Krug.

Apesar de ter acompanhado a tempestade e a série de tornados que devastaram diversas cidades no Rio Grande do Sul, na semana passada, inclusive com mortos e prejuízos ainda incalculáveis, ela disse que não dá para cravar que foi por causa das mudanças climáticas provocadas pela ação humana. “Mas foi um quadro de extremo climático sem dúvida”, comentou.

As cidades gaúchas tinha uma temperatura a noite, no momento da tempestade, na casa dos 28 graus centígrados. Tornados variando de intensidade entre F3 e F4 varreram fazendas, cidades, estradas deixando um rastro de destruição impressionante. Em menos de 24 horas, nevou e geou em várias regiões, inclusive as atingidas pela onda de calor e tornados.

No entanto, a dirigente do IPCC, órgão científico máximo em mudanças no clima, afirmou que por falta de estudos para essas situações na região se torna impossível se taxativa sobre a situação. Ela, inclusive, pede que as universidades dos países sul americanos se voltem para o problema. Hoje, no Brasil, quase a totalidade dos estudos são direcionados à Amazônia.

Apesar de ficar evidente que exista a potencialização dos fenômenos extremos, com o aumento da frequência e da intensidade, inclusive destas tempestades com tornados e do calor em latitudes médias. “ Isso tem ocorrido em várias regiões do planeta que tinham uma estabilidade climática e estão se transformando rapidamente”, observou a cientista.

Fonte: ENVOLVERDE

Museu promove discussão sobre despoluição de águas urbanas.

Com o avanço das ameaças aos ecossistemas marinhos, o Museu do Amanhã, com a plataforma Baía de Todos Nós, promove debate sobre os desafios enfrentados na despoluição de recursos hídricos globais. Como parte das discussões do Mês do Meio Ambiente, o auditório recebe, na próxima terça-feira (19/6), o evento internacional Águas Urbanas – Despoluição e participação social. Além do panorama e de perspectivas sobre a Baía de Guanabara, serão apresentados diagnósticos das baías de Tóquio e de Sydney, e do delta urbano da Holanda.

A plataforma Baías de Todos Nós é uma iniciativa do Museu do Amanhã, em parceria com o Instituto CCR, que iniciou em 2016, para discutir os desafios do saneamento da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Desde então, já foram realizados quatro eventos sobre o tema: Baía Urbana, com apresentação do documentário Baía Urbana, do biólogo e cineasta brasileiro Ricardo Gomes (02/18); A Baía do Amanhã – Sociedade (11/17); A Baía do Amanhã – Biodiversidade (10/17); Baía de Guanabara – Consulta Pública (04/16).

E para esse ano, estão previstas mais atividades. A temática das baías será, a partir de agosto, permanente na Exposição Principal do Museu do Amanhã, com o lançamento do novo conteúdo interativo Baías de Todos Nós. A experiência apresentará informações sobre as baías de Guanabara, Sydney, Tóquio, Jacarta e de Chesapeake.

O evento contará com a presença de especialistas internacionais, como Shigeru Ueda, engenheiro que acompanhou o programa de despoluição da Baía de Tóquio (Japão); Jeremy Dawkins, professor de gestão urbana da Universidade de Camberra (Austrália) e Jos Schouwenaars, especialista em Gerenciamento de Água e Hidrologia da Autoridade Regional da Água em Fryslan (Holanda), que coordenou também projetos de saneamento em Moçambique. Outra convidada é a brasileira Eloisa Torres, engenheira civil e consultora independente na área de saneamento.

Fonte: ENVOLVERDE

A Volvo terá 25% de plástico reciclável em seus veículos a partir de 2025.

A Volvo Cars anunciou que, a partir de 2025, pelo menos 25% dos plásticos utilizados em todos os novos modelos serão de material reciclado. A marca sueca também pediu aos fornecedores da indústria automotiva que trabalhem mais de perto com os fabricantes de automóveis para desenvolver componentes da próxima geração que sejam tão sustentáveis quanto possível, especialmente no que diz respeito ao uso de mais plásticos reciclados.

Para demonstrar a viabilidade desse compromisso, a empresa revelou uma versão especialmente construída do XC60 T8, seu utilitário esportivo híbrido plug-in, idêntico ao modelo existente, mas com vários de seus componentes plásticos substituídos por equivalentes de material reciclado.

“A Volvo Cars está comprometida em minimizar sua operação ambiental global”, disse Håkan Samuelsson, presidente e CEO da Volvo Cars. “O cuidado com o meio ambiente é um dos valores centrais da Volvo e continuaremos a encontrar novas maneiras de incorporar isso ao nosso negócio. Esse carro e nossa ambição em relação ao uso de plásticos reciclados são exemplos desse compromisso”.

O interior especial do XC60 tem um console de fibras renováveis e plásticos de redes de pesca e cordas marítimas descartadas. No piso, o carpete contém fibras feitas de garrafas PET e uma mistura de algodão reciclado de sobras de fabricantes de roupas. Os assentos também usam fibras PET de garrafas plásticas. Bancos de carros usados da Volvo foram usados para criar o material absorvente de som sob o capô do modelo.

Fonte: ENVOLVERDE

sexta-feira, 15 de junho de 2018


Desperdício de água em 2016 foi semelhante seis vezes o sistema Cantareira.

Um estudo da Trata Brasil aponta que o país desperdiçou 7 mil piscinas olímpicas por dia ou seis vezes a capacidade do Cantareira cheio em 2016. A perda financeira quase alcançou valor total de investimento do setor de saneamento básico no país no ano, de R$ 11,5 bilhões. O desperdício é causado no geral por vazamentos nas tubulações, erros de leitura de hidrômetros, roubos e fraudes.

Os dados são do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) de 2016, os mais recentes, divulgados pelo governo neste ano. O estudo ainda aponta que o índice de perdas na distribuição de água no país em 2016 é o maior em 5 anos. Entre 2012 e 2015, o percentual variou pouco, de 36,7% para 37%, apontando uma estabilidade. Em 2016, porém, a tendência foi de alta, chegando a 38,1%.

O estudo esclarece que faz parte da cultura do brasileiro que mora em grandes metrópoles sempre utilizar mais água do que o necessário. “De acordo com a ONU, cada pessoa necessita de 110 litros de água para consumo e higiene, porém no Brasil, o consumo ultrapassa 200 litros para cada pessoa. 

O desperdício é muito grande e, se os brasileiros conseguissem reduzir em 10% o consumo de água, o país economizaria cerca de R$1,3 bilhão em recursos”, garante Marco Aurélio Teixeira é especialista em técnicas de medição de água há mais de dez anos. Implantou o projeto de medidores individualizados de água homologado pela Sabesp em São Paulo, que já foi instalado em mais de 40 mil pontos na cidade.

Teixeira também dá consultoria de como economizar água. Por exemplo, qual tipo de chuveiro é ideal para cada tipo de família, quais as novas tecnologias que podem ser implantadas, quais hábitos devem ser mudados, a instalação de caldeira de água em prédios com aquecimento a gás e como um medidor individual é importante para entender o gasto de água.

Desde 2000, a CAS aplica tecnologia, ciência e engenharia para desenvolver soluções inteligentes para redes de água, energia e gás. Com abordagem ponta-a-ponta e integradora para redes inteligentes, a CAS é capaz de prover a tecnologia como ferramenta valiosa para a eficiência dos negócios e como um aliado para a sociedade em resposta aos desafios ambientais.

Fonte: ENVOLVERDE

Em 24 horas, gaúchos vão de calor e tornados para geadas e neve.

Júlio Ottoboni, jornalista e editor-chefe da Envolverde

Menos de dois dias após diversos tornados acompanhando uma severa tempestade terem devastado várias cidades do Rio Grande do Sul, deixando duas vítimas fatais e milhares de animais mortos, carretas tombadas e casas e carros destruídos, onde até então as temperaturas giravam na faixa de 28 graus a noite, receberam o alerta da Defesa Civil do estado para outro extremo climático.

O Rio Grande do Sul emitiu um alerta sobre a possibilidade de geada e temperaturas negativas “em várias regiões” do Estado entre quarta-feira (13) e sábado (16). Na manhã desta quarta-feira, os ventos chegaram a 51 km/h em Porto Alegre e atingiram 70 km/h em Cagunçu, no sul do Estado. Segundo a Somar Meteorologia, a frente fria se afastou do Rio Grande do Sul e deu lugar a uma massa de ar frio, que deixou as temperaturas baixas.
A sensação térmica de frio foi drasticamente intensificada pelos ventos que sopram sobre a região dos pampas. E chegou a ser negativa em diversas áreas do Estado, como na Campanha, nas Missões e na Serra Gaúcha. Ainda há a possibilidade de nevar em algumas localidades. Segundo moradores do interior do estado, na região dos pampas, onde há intensa atividade agropecuária, as pessoas estão amedrontadas com as variações repentinas no clima e com a ferocidade dos eventos.


Fonte: ENVOLVERDE

Estudo mostra novo perfil do migrante no Brasil.

O perfil dos imigrantes que estão inseridos no mercado de trabalho brasileiro está mudando, revela um estudo do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), divulgado durante o 3º Seminário da Rede de Observatórios do Trabalho, que começou na segunda (11) e terminou nesta terça-feira (12), na sede do Ministério do Trabalho, em Brasília. “A pesquisa mostra mudança no perfil dos imigrantes internacionais no mercado de trabalho brasileiro a partir de 2010. Houve uma nova composição de imigrantes, que agora vêm principalmente do chamado Sul Global, mas não de países de fronteira, como os bolivianos ou paraguaios, nem do Norte Global, como espanhóis, italianos e portugueses”, comenta o diretor do Observatório das Migrações Internacionais (OBMigra), Leonardo Cavalcanti.

Hoje, os haitianos compõem o maior coletivo de imigrantes no mercado de trabalho brasileiro. Eles eram “algumas dezenas em 2010”, mas o número aumentou a partir daquele ano e, em 2013, já formavam o grupo mais numeroso, situação que se mantém até hoje, com cerca de 30 mil a 40 mil haitianos no mercado de trabalho formal brasileiro. Além deles, o estudo mostrou a presença de senegaleses e bengalis, assim como dos tradicionais portugueses, bolivianos e paraguaios.

Agronegócio – Segundo o OBMigra, o Brasil tem hoje em torno de 130 mil imigrantes no mercado de trabalho formal. Eles atuam sobretudo no final da cadeia produtiva do agronegócio, principalmente no Brasil meridional, abrangendo São Paulo e os três estados do Sul do País – Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. “Estão atuando em abate de frangos e de suínos, ou no corte de frango halal (produzido conforme os princípios do islã) para exportação. Foi essa indústria que absorveu esse novo fluxo dos imigrantes”, diz Cavalcanti.

Ele explica que esses estudos são essenciais porque permitem definir o perfil do trabalhador, revelando itens como sexo, país de origem, incorporação no mercado de trabalho, salário e possíveis inconsistências, o que ajuda a elaborar políticas públicas voltadas para esses trabalhadores. “Existem alguns profissionais com formação de engenheiro, de arquiteto, de médico, trabalhando em construção, em abate de aves e em outras situações de inconsistência de status”, salienta o diretor da organização. “Então, é fundamental ter esse conhecimento profundo do campo e da realidade para construir políticas públicas que permitam a inserção dos imigrantes no mercado de trabalho e na sociedade brasileira.”

Já a situação dos venezuelanos aponta para um perfil diferenciado, porque eles estão concentrados na porta de entrada, que é Boa Vista. Os que estão se interiorizando, indo para São Paulo e Cuiabá, estão trabalhando no setor de serviços e no atendimento ao público, como em bares e restaurantes. “Mas eles não se misturaram, nem substituíram os imigrantes haitianos. É outro perfil, outra realidade migratória”, enfatiza Cavalcanti.

A diferença principal é que os haitianos vieram depois de um terremoto no país de origem, enquanto os venezuelanos chegaram devido a questões políticas e econômicas. Muitos deles ainda resistem à interiorização e ficam em Boa Vista porque têm a expectativa de que a situação vai melhorar no país de origem e poderão voltar.

O mais importante, de acordo com o diretor do OBMigra, é que ambos os perfis têm um monitoramento estatístico, com dados sobre inserção no mercado de trabalho, admissão, demissão e estoque dos imigrantes, enquanto estão entrando e saindo do país. Esse levantamento é publicado pelo Conselho Nacional de Imigração (CNIg), ligado ao Ministério do Trabalho. Os dados permitem que o CNIg defina resoluções normativas para os imigrantes, aplicando políticas específicas e normatizando questões relevantes para o Brasil.


Papa Francisco pede urgência na mudança de rota para o futuro.

Na conclusão do Simpósio promovido pelo Vaticano “Transição de energia e cuidado do lar comum”, o Dicastério para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral divulgou um comunicado, a pedido do papa Francisco.

“Enfrentar essa crise sócio ecológica requer uma mudança radical em todos os níveis, tanto pessoal quanto coletivo”, escreve o Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, na conclusão do simpósio “Transição energética e cuidado do lar comum”, realizado entre 7 e 9 de junho na Casina Pio IV, nos Jardins Vaticanos.

O encontro – também promovido pela Universidade de Notre Dame – Mendoza College of Business – contou com a participação de dirigentes das principais empresas líderes nos setores de petróleo, gás natural e outros relacionados à energia, para discutir a transição energética, as oportunidades e riscos para o meio ambiente e para os pobres.

Segundo os especialistas envolvidos no evento, há necessidade de se ter uma visão de longo prazo. 

Os participantes, recebidos pelo Papa Francisco no dia 9 de junho, concordaram com a necessidade de “uma transição para uma economia com baixas emissões”, examinando “riscos, oportunidades e caminhos possíveis”, incluindo “as implicações do preço do carvão e a necessidade de distribuir a renda às pessoas desfavorecidas”.

Particular ênfase foi dada à necessidade de uma “visão de longo prazo”, especialmente pensando nas gerações futuras, e no fato de que “nem a transição energética nem a mudança climática podem ser reduzidas a apenas problemas econômicos, tecnológicos e regulatórios”, mas é preciso uma “voz moral”.

Fonte: ENVOLVERDE

Uma década para evitar desastre global, diz artigo na Nature.

Estudo publicado na Nature por um grupo de cientistas polares, que inclui um português, lança o alerta: temos uma década para reduzir ao mínimo as emissões de gases com efeito de estufa. Ou o clima e o planeta vão mesmo mudar para pior.

São dez anos – uma década. É esta a janela que hoje resta aos decisores políticos e económicos, mas também aos cidadãos, para fazer (ou não) um corte drástico nas emissões de gases com efeito de estufa, e com isso permitir que a Antártida e a sua imensa cobertura de gelo, com os seus três a cinco quilómetros de espessura, se mantenha mais ou menos intacta durante o próximo meio século. Só isso evitará efeitos negativos para todo o planeta, e para a humanidade. Um deles é a subida do nível do mar em mais 30 cm, que, a acontecer, vai mudar a face das zonas costeiras em todos os continentes.

O alerta é dado esta quarta-feira na revista Nature por um grupo de nove cientistas polares veteranos e premiados, entre os quais o português José Xavier, professor e investigador da Universidade de Coimbra.

No artigo “Choosing the future of Antárctica”, (Escolher o futuro da Antártida), os especialistas mostram que se as emissões de gases com efeito de estufa se mantiverem como até agora durante os próximos 10 anos, haverá grandes alterações na Antártida, como o degelo, “que a partir de certo ponto se tornam irreversíveis”, explica José Xavier ao DN. “Se continuarmos durante os próximos anos no cenário mais negativo, com o atual nível de emissões, torna-se impossível retardar o degelo, como demonstramos no nosso artigo”, sublinha. As consequências não serão bonitas.

O estudo parte de dois cenários climáticos, do conjunto de quatro elaborados pelo IPCC (o Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas) no seu último relatório, de 2013, e faz uma simulação do que vai acontecer ao longo do próximo meio século a todos os níveis:­ na temperatura, no degelo, no ecossistema e biodiversidade marinha, no próprio sistema climático e nos custos económicos disso tudo – tanto para a Antártida, como a nível planetário.

Os dois cenários do IPCC escolhidos pela equipa são os dois extremos: o mais negativo, em que as emissões de gases com efeito de estufa continuam mais ou menos como são neste preciso momento, e o mais benéfico, “em que tudo corre bem, com o Acordo de Paris a ser posto em prática sem problemas”, como explica José Xavier, notando que “uma das coisas mais importante deste trabalho é o fato de ambos os cenários serem plausíveis”.

Em vez de se lançarem em exercícios de futurismo e em estimativas, no entanto, os autores decidiram fazer o contrário. Corridos os modelos nos computadores e obtidos os dados para cada um dos dois cenários, criaram duas narrativas, a mais negativa e a menos problemática, e escrevem o artigo a partir do futuro, como se fossem observadores que, no ano de 2070, estivessem a olhar para o passado da Antártida, e do planeta. Além das conclusões propriamente ditas do estudo, esse formato acaba por dar “força e impacto ao artigo”, acredita José Xavier.

A ideia, afirma, “é alertar a comunidade política” para a necessidade de tomar as decisões que se impõem “nos próximos 10 anos, para evitar grandes mudanças no planeta, como acontece no pior cenário, com um aumento da temperatura global da ordem dos 3 graus Célsius, a subida do nível do mar em mais 30 cm, e grandes mudanças ambientais, quer para a biodiversidade, quer para os oceanos”.

No pior cenário, a diminuição da cobertura gelada da Antártica, por exemplo, sofre uma redução de 23%, e no verão, a perda de gelo oceânico no mar austral pode chegar aos 43%. Ao mesmo tempo, as águas, pela absorção contínua de dióxido de carbono (CO2), tornar-se-ão mais ácidas, afetando as espécies de carapaça, como os crustáceos. Num efeito de cascata, isso acabará por se repercutir também na produtividade dos ecossistemas e em toda a cadeia alimentar.

Evitar esse cenário próximo da catástrofe, que terá custos anuais de quase dois biliões de euros pelos cálculos dos cientistas, passa por “promover a redução das emissões de gases com efeito de estufa, através de um acompanhamento do Acordo de Paris, de uma boa gestão do Tratado da Antártida, e da adoção de tecnologias verdes, entre outras decisões”, sublinha José Xavier.

Porquê este olhar, agora, sobre a Antártida? A resposta é simples. Ao contrário do que se possa imaginar, aquele não é apenas um local remoto e quase imaculado da Terra, onde uma mão-cheia de cientistas se afadigam todos os anos a realizar estudos complexos. O que acontece na Antártida, sabe-se hoje, tem implicações globais. Ou, como afirma José Xavier, “as mudanças que ali ocorrerem podem ter efeitos importantes no clima, no nível do mar e nos ecossistemas marinhos do resto do mundo”. Por isso, sublinha, “precisamos de atuar já, é muito importante perceber que mesmo no cenário mais positivo também vai haver efeitos negativos”.

Se no pior cenário o aumento da temperatura fica uma unidade acima dos tais dois graus (em relação à era pré-industrial), que os especialistas têm considerado como o limite máximo para que o sistema climático não entre em desequilíbrio, no cenário mais positivo avaliado neste artigo, a temperatura sofre mesmo assim (até 2070) uma subida de um grau, em relação à era pré-industrial, e o os oceanos ganham mais seis centímetros de altura.

Nesse futuro melhor, a cobertura gelada da Antártida terá uma redução de 8% e a perda de gelo oceânico no verão não ultrapassará os 12%. Os custos económicos calculados para mitigar os efeitos costeiros, entre outros, serão menores neste cenário, mas rondarão de qualquer forma os 50 mil milhões de euros.

Resta saber qual dos cenários será o do futuro. Isso vai depender “do que se decidir politicamente na próxima década” em relação ao ambiente, como diz José Xavier. “Ainda é tempo de agir”, garante, mas já estamos em contagem decrescente. Um outro estudo, publicado hoje também na Nature, mostra que o degelo no Polo Sul está, neste preciso momento, a acelerar.

Fonte: ENVOLVERDE

segunda-feira, 11 de junho de 2018


2ª edição do e-book de Amyra El Khalili: COMMODITIES AMBIENTAIS EM MISSÃO DE PAZ, pela Editora Heresis Sustentabilidade (acesse gratuitamente).

Amyra tem demonstrado que é possível inverter a pirâmide da economia tradicional e colocar os excluídos no poder de um novo modelo, ambientalmente sustentável e socialmente mais justo. Amyra nos faz acreditar que um mundo melhor não só é possível, mas está bem ao alcance de nossas mãos.”

Vilmar Sidnei Demamam Berna

Jornalista e escritor, Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente, fundador da REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental – e editor do portal, do jornal e da Revista do Meio Ambiente.

E o mais louvável é o seu caráter probo e democrático. Em seus informativos virtuais, ela sempre abriu espaço para as mais diversas e até antagônicas opiniões. Por este motivo, sofreu pressões e insultos daqueles que temem a liberdade. Embora uma grande distância espacial nos separasse, estávamos juntos em ideias. Economista progressista, diversas foram as vezes em que Amyra se levantou contra os economistas frios e quantitativos, lembrando-os sempre dos valores humanos e da existência do meio ambiente.”

Arthur Soffiati

Ecohistoriador e ecologista, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, mestre e doutor em História Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor vários artigos e livros  sobre meio ambiente e cultura.

Ela é palestino-brasileira, mas bem poderia ser judia, africana ou mesmo tibetana, pois seu trabalho está muito e muito distante, senão totalmente desligado, de qualquer fanatismo ou segregação, típicos de nossos tempos, que tanto têm perseguido e estigmatizado esta vencedora. Apesar das correntezas que enfrenta em sua vida pública e em seu trabalho, Amyra permanece imune à corrupção ou a qualquer outra dessas indignidades. Portanto, respeito e credibilidade são coisas que não se enraízam num ser humano do dia para a noite”

Marcelo Baglione

Publicitário e escritor

Acompanho Amyra El Khalili desde sempre, por seu pioneirismo na concepção de um novo modelo econômico e financeiro, que tem por base o ecodesenvolvimento. Nunca soube da existência de outra pessoa com esta proposta.”
Lucas Matheron

Ecologista francês radicado no Brasil há 30 anos, participou de diversas organizações, dirigiu projetos educacionais, de agroecologia e de educação ambiental. Tradutor independente e membro da Aliança RECOS desde 1999, da qual é co-editor internacional para os países francófonos.

Nos últimos anos, testemunhei constantemente os questionamentos sobre eventual mudança do paradigma econômico vigente, em virtude dos trabalhos desenvolvidos por Amyra El Khalili, relacionados ao seu objetivo de desenvolvimento das ‘commodities ambientais’. Como é de seu feitio, Amyra não foge de sua responsabilidade e, por intermédio das ideias contidas nesta obra, sinaliza a necessidade de inclusão de agentes econômicos para compartilhar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, o que se justifica em face do iminente colapso social, econômico e ambiental dos tempos atuais.”

Rodrigo Pereira Porto

Servidor do Banco Central do Brasil, pós-graduado em Finanças pelo IBMEC e mestre em Economia pela Universidade de Brasília (Unb).

Para fazer o download do e-book clique no link: 180611Commodities ambientais ebook

Assista a entrevista AMYRA EL KHALILI:

Economia Socioambiental versus Economia Verde

Rondônia TV (Globo Rondônia)

Acesse: PRODUÇÃO e ECONOMIA REAL VERSUS FINANÇAS

A responsabilidade socioambiental corporativa versus as demandas das comunidades.1ª Parte: http://www.youtube.com:80/watch?v=C1IiavpiOU0
2ª Parte:
http://www.youtube.com:80/watch?v=czCtz4mOakY
3ª Parte:
http://www.youtube.com:80/watch?v=q_mV16ZmLJE

Vilmar Berna, editor da REBIA, recomenda:

A Rebia tem sempre o prazer renovado em divulgar o trabalho e o pensamento da professora e economista Amyra El Khalili (http://revistaecoturismo.com.br/…/a-trajetoria-de-amyra-el…/ ) amiga da Rebia e das mídias socioambientais sérias.

Aqui, neste vídeo no YouTube – que recomendamos com entusiasmo -, Amyra põe o pingo nos ‘is’ mostrando o quanto existe de manipulação da informação em torno da ‘economia verde’, nome que ela repudia, e explica muito bem os porquês, e prefere ‘economia socioambiental’. Vale a pena ver e divulgar. Parabéns, Amyra, nossa admiracao e reconhecimento desde sempre!

Sobre a autora:

Amyra El Khalili é beduína palestino-brasileira, da linhagem do Shayk Muhammad al-Khalili*.

É professora de economia socioambiental. Foi economista com mais de duas décadas de experiência nos mercados de capitais.

É fundadora e editora da rede Movimento Mulheres pela P@Z! e Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras.

Colaboradora de diversas mídias especializadas em meio ambiente, direitos humanos e economia.

Foi indicada por diversos grupos, com endosso de pacifistas israelo-palestinos, para o Prêmio “Mil Mulheres para o Nobel da Paz”, 2004.

Foi indicada ainda para o Prêmio Bertha Lutz, 2005, pela Comunidade Baha´í do Brasil e, em 2007, pela Confederação das Fearab-Brasil.

Foi homenageada pela rádio Câmara dos Deputados (DF) no Dia Internacional da Mulher, em 2006, e, em 2008, com outras personalidades (homens) de origem árabe, na comemoração dos 56 anos da fundação do Clube Sírio- Libanês de Santos.

Conferencista e debatedora em diversos seminários, fóruns e eventos, para ministérios, forças armadas, movimentos sociais e ambientais, no Brasil e no exterior.

*Shayk Muhammd al-Khalili – Nascido no primeiro mês muçulmano de Shaban do Hijra do ano 1139, que corresponde ao ano A.D. 1724, era o líder da Irmandade Qadiri Sufi e talvez o “homem santo” mais famoso do seu tempo na Palestina.


Leia também:


O que são commodities ambientais e como podem ajudar o desenvolvimento sustentável?

Publicado em:
Publicado em 24/05/2018
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Capturado em 17/02/2018
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Capturado em 15/03/2018
Publicado em 19/02/2018
Capturado em 15/03/2018
Publicado em 21/02/2018
Capturado em 15/05/2018
Publicado em 21/02/2018


Fonte: EcoDebate

MPF e MP/PA pedem suspensão de licenciamento de oito pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) na bacia do Tapajós.

Processo judicial iniciado em Santarém demonstra ausência de estudos sobre impactos cumulativos e sustenta que licença não pode ser concedida pelo estado do Pará

Mapa mostra usinas e pequenas centrais hidrelétricas estudadas ou planejadas na bacia do Tapajós. Fonte: ação civil pública

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA) ajuizaram ação civil pública apontando uma série irregularidades no licenciamento de dois complexos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), em um total de oito PCHs, no rio Cupari, tributário da bacia do Tapajós, no município de Rurópolis, oeste do Pará. Por causa da gravidade dos problemas detectados, a ação pede a suspensão imediata do licenciamento, que ele seja retirado do âmbito da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e passe para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

A federalização do licenciamento é necessária, dizem os procuradores da República e promotores de Justiça, por causa dos impactos em Unidades de Conservação e pelo fato de a bacia do Tapajós cortar dois estados, Pará e Mato Grosso. Ao contrário do que afirma o setor elétrico nas propagandas sobre PCHs, elas não têm o impacto reduzido, já que são instaladas dezenas na calha de um mesmo rio. “Em seu conjunto, elas acabam equivalendo a uma hidrelétrica de grande porte, senão se tornando até piores em termos de impactos. Como o licenciamento de cada uma é feito isoladamente, não é possível aferir nos estudos os impactos globais que serão gerados pelo conjunto de empreendimentos”, diz a ação judicial.

Quinze procuradores da República e três promotoras de Justiça assinam a ação judicial e sustentam que, “ao contrário do que é afirmado, a geração de energia por pequenas centrais hidrelétricas não objetiva preservar o meio ambiente, mas sim dificultar o controle e dimensionamento dos impactos reais que serão gerados pelo conjunto das centrais hidrelétricas instaladas na mesma bacia hidrográfica”. A ação também aponta que o objetivo é “transferir à Semas a atribuição para o licenciamento, ciente das limitações técnicas das secretarias estaduais para efetuar análise aprofundada dos estudos ambientais apresentados pelo empreendedor”, concluem.

Supostamente, por serem menores, essas pequenas centrais gerariam menores impactos ao meio ambiente. Por conta disso, o processo de outorga e concessão dos potenciais é simplificado, assim como o licenciamento. Todavia, quando analisado o cenário do planejamento do governo federal para implantação das PCHs e a forma de licenciamento delas, verifica-se que os impactos ambientais e sociais podem ser até maiores do que os das grandes usinas, sem qualquer controle ou previsibilidade sobre a extensão e a dimensão desses impactos.

Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no caso de pequenas centrais, não há estudos acerca da quantidade e viabilidade ambiental das PCHs previstas por bacia. 

A instalação dessas PCHs nas mesmas corrente de água e bacia leva em conta exclusivamente o potencial de geração de energia da bacia ou do rio em questão. As outorgas obedecem à lógica do livre mercado. Só no Cupari, foram inventariadas outras 21 PCHs, além das oito que já estão em licenciamento. Em toda a bacia do Tapajós, são 44 empreendimentos hidrelétricos identificados pela Aneel e 40 PCHs planejadas ou inventariadas, além de 13 que já estão em funcionamento nos rios Juruena, Formiga, Gravari, Sacre e Sangue, todas na bacia do Juruena, formador do Tapajós, no Mato Grosso.

Decisão judicial – Na ação, os procuradores e promotores lembram que, no caso das grandes barragens planejadas para a bacia do Tapajós, a própria Justiça Federal ordenou a realização de uma Avaliação Ambiental Integrada, instrumento previsto na legislação ambiental brasileira. A decisão, em 2012, foi cumprida e avaliados os impactos das várias barragens previstas para a bacia, mas os estudos não abrangeram os empreendimentos do rio Cupari, que na época ainda não haviam sido inventariados pela Aneel. Menos de um mês depois da decisão judicial que obrigou a realização da avaliação ambiental integrada, foram aprovados os empreendimentos do Cupari, mas eles não foram incluídos no estudo.

Os empreendimentos do rio Cupari também terão impactos sobre unidades de conservação federais – a Floresta Nacional do Tapajós e a Floresta Nacional do Trairão – mas o órgão que está conduzindo o licenciamento, a Semas, sequer consultou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelas áreas de proteção ambiental.

Sem respostas – Quando questionada pelo ICMBio, a Semas não prestou esclarecimentos sobre os impactos na área do complexo e das linhas de transmissão de energia. O ICMBio ficou sem respostas sobre se foi ou não feito estudo sobre a qualidade da água e sobre como o empreendimento afetará as comunidades tradicionais da floresta nacional (Flona) do Tapajós, tendo em vista que os estudos ambientais apontam que são esperadas “modificações nas características químicas decorrentes do barramento, tais como o aumento na concentração de nutrientes em função da retenção e alterações no transporte” e “modificações nas características físicas e químicas da água [que] têm como consequência as alterações nos padrões de estrutura, composição e diversidade das comunidades biológicas”.

Entre outros pontos, também não houve resposta a questionamento sobre a existência de estudo relativo à fauna aquática, especialmente sobre os peixes, assim como se o empreendimento afetará os estoques pesqueiros disponíveis nas comunidades ribeirinhas, tendo em vista que os estudos apresentados informam o seguinte: “durante o enchimento dos reservatórios do complexo hidrelétrico Cupari Braço Leste haverá redução temporária da vazão do rio Cupari à jusante dos barramentos. 

Consequentemente, modificações das comunidades de peixes poderão ocorrer em virtude das alterações do fluxo da água. Outro fator a ser avaliado é a interferência das barragens nos processos migratórios de determinadas espécies, provocando a interrupção do fluxo migratório dos peixes”.

O MPF e o MP/PA pedem na ação que os licenciamentos das PCHs no rio Cupari sejam suspensos imediatamente em decisão liminar. Pedem ainda que a Justiça obrigue o Ibama a fazer nova avaliação ambiental integrada levando em conta todos os empreendimentos hidrelétricos previstos para o rio Cupari e demais afluentes e sub-bacias da bacia do Tapajós; que sejam declaradas nulas quaisquer licenças emitidas pela Semas em favor dos empreendimentos; que seja determinado ao Ibama que assuma o licenciamento ambiental dos Complexos Hidrelétricos Cupari Braço Leste e Cupari Braço Oeste; que sejam complementados os estudos de impacto ambiental deficientes e resolvidas suas lacunas; e que seja determinado ao Ibama que realiza novas audiências públicas no município de Rurópolis, considerando os impactos ambientais integrados.


Processo nº 1000147-45.2018.4.01.3902


SP: Morar perto de ciclovias e ciclofaixas aumentou em 154% a chance de usar a bicicleta como meio de transporte.
Construção de ciclovias em São Paulo incentiva uso de bicicletas.

Por Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP
Ciclovia (foto: Daniel Antônio / Agência FAPESP)
Pesquisas feitas em diversas partes do mundo mostram que existe uma forte relação entre a instalação de ciclovias e o aumento de ciclistas em uma cidade. Em São Paulo, isso não é diferente.

Um estudo mostrou que o fato de haver ciclovia perto de casa – a 500 metros de distância – bem como o acesso a estações de trem ou metrô – a até 1.500 metros de distância de casa – foram incentivos importantes para o uso da bicicleta como meio de transporte.

O trabalho, apoiado pela FAPESP, foi feito por pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, em colaboração com colegas da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Resultados publicados na revista International Journal of Environment Research and Public Health mostram que moradores de áreas próximas às ciclovias têm a chance aumentada de usar a bicicleta como meio de transporte em 154%. Para aqueles que moram perto de estações de trem ou metrô, o aumento ficou em 107%, independentemente de fatores como sexo, idade, nível educacional ou bairro.

“A grande discussão é saber quanto a ciclovia pode contribuir para que as pessoas usem mais a bicicleta. Na época que tivemos uma política de construção de ciclovias em São Paulo, nos últimos três anos, muito se criticou que ninguém as estava usando. Esse é um pensamento imediatista. Nosso estudo reforça que primeiro é preciso garantir o espaço, principalmente em uma cidade como São Paulo que tem um trânsito tão violento e capaz de inibir o uso da bicicleta”, disse Alex Florindo, professor da EACH-USP e primeiro autor do estudo.

De acordo com o artigo, a lógica de que as ciclovias impulsionam o uso da bicicleta e não o contrário ocorre também em países de renda alta. “Países considerados referência em ciclismo, como Dinamarca e Holanda – onde mais de 25% das viagens são realizadas de bicicleta –, passaram primeiro por um processo de garantia de espaço para os ciclistas, para depois haver um aumento significativo do uso das bicicletas”, disse Florindo à Agência FAPESP.

Mesmo com o impulso dado pelas ciclovias, a prevalência do uso de bicicletas como meio de transporte continua baixa em São Paulo. Apenas 5,1% da população de adultos as utiliza para se locomover pela cidade. De acordo com o estudo, esse contingente é formado principalmente por homens, solteiros e que têm bicicletas próprias.

“A prevalência de 5,1% é um índice muito baixo. O uso das bicicletas está atrelado a vários benefícios tanto individuais como para toda a cidade. O uso da bicicleta aumenta a prática de atividade física, previne obesidade e doenças relacionadas ao sedentarismo como as cardiovasculares, além de contribuir para melhorar o trânsito, diminuindo a quantidade de automóveis, e reduzir a poluição”, disse Florindo.

Programas de incentivo

O estudo foi feito com base nos dados do Inquérito de Saúde de São Paulo (ISA), em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, realizado em 2015 – período em que houve uma política de construção de ciclovias e ciclofaixas pela cidade.

Para os pesquisadores, no entanto, a baixa aderência ao uso de bicicleta como meio de transporte na cidade de São Paulo mostra a necessidade de programas de incentivo, como campanhas educacionais e sistemas de compartilhamento de bicicletas.

“É preciso estimular as pessoas, as famílias principalmente, a usar as bicicletas. Atualmente, ela continua sendo vista como um risco grande em um trânsito violento e muitas vezes hostil aos ciclistas. Por isso, ciclofaixas em fim de semana são tão importantes para que as pessoas comecem a usar bicicleta. É preciso também melhorar o sistema de compartilhamento de bicicletas e os bicicletários nas estações de trem e de metrô”, disse Florindo.

O artigo também faz uma comparação da realidade da capital paulista com outras cidades brasileiras. A média nacional de prevalência do uso de bicicleta como meio de transporte foi de 13,3% da população adulta, variando de, por exemplo, 8,8% em Vitória a 16,6% no Recife. Em países europeus conhecidos pelo uso da bicicleta, como a Holanda, a média chega a 27% da população adulta.

A equipe de pesquisadores agora fará um estudo longitudinal do assunto. “Vamos entrevistar as mesmas pessoas do estudo de 2015, para verificar o que mudou em relação ao ambiente construído e esse incremento de ciclovia. Sabemos que houve uma descontinuidade dessa política de incentivo a ciclovias na cidade. Vamos ver o quanto isso impactou no uso de bicicletas”, disse Florindo.

No novo estudo, os pesquisadores vão medir também outras variáveis do ambiente, como parques, praças e fatores relacionados com a saúde – como prática de atividade física, alimentação, peso corporal. “Assim, poderemos ter uma resposta dos possíveis impactos do ambiente nestes desfechos de saúde”, disse Florindo.

O artigo Cycling for Transportation in Sao Paulo City: Associations with Bike Paths, Train and Subway Stations(doi:10.3390/ijerph15040562), de Alex Antonio Florindo, Ligia Vizeu Barrozo, Gavin Turrell, João Paulo dos Anjos Souza Barbosa, William Cabral-Miranda, Chester Luiz Galvão Cesar e Moisés Goldbaum, pode ser lido na Int. J. Environ. Res. Public Health em www.mdpi.com/1660-4601/15/4/562.



Mais de 50% da flora que só existe no Rio estão ameaçadas de extinção.


ABr

A flora do estado do Rio de Janeiro tem 884 espécies que não podem ser encontradas em nenhuma outra parte do mundo, mas 513 delas estão ameaçadas de extinção em algum grau. Os dados constam no Livro Vermelho da Flora Endêmica do Estado do Rio de Janeiro, que foi lançado na Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O estudo foi desenvolvido ao longo de três anos e meio e contou com a participação de 160 pesquisadores e técnicos. A coordenação foi do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), e os R$ 3,8 milhões em recursos utilizados vieram da Câmara de Compensação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro, que recebe recursos de compensação de empreendimentos que causam danos ao meio ambiente.

O coordenador da pesquisa, Gustavo Martinelli, aponta boas e más notícias entre as conclusões. 

Segundo os dados, 86% das espécies ameaçadas podem ser encontradas em unidades de coordenação, o que mostra que o sistema de conservação é efetivo para preservá-las. Apesar disso, 20% das que estão criticamente ameaçadas não estão presentes nessas áreas.

Outra publicação divulgada hoje traz 16 ações transversais que devem ser tomadas para proteger as espécies endêmicas da flora fluminense e mais 30 ações específicas para casos particulares. Entre as ações propostas estão a criação e ampliação de unidades de conservação, aumentar a capacitação do corpo técnico dos órgãos licenciadores e ações de conscientização e educação.

“O Brasil tem tradição de fazer listas de espécies ameaçadas, mas não de como tirar da lista. Não adianta só dizer que está ameaçado, é preciso tirar as espécies dali”.

Além do Livro Vermelho, a pesquisa também resultou nas publicações Áreas Prioritárias para conservação da flora endêmica ameaçada, Lista da Flora das Unidades de Conservação Estaduais, e Guia de Campo da Flora Endêmica.

Detetive botânico

Outro dado relevante do levantamento é que 431 espécies não são vistas há mais de 30 anos, e algumas não são encontradas há mais de 150. Martinelli explicou que isso não significa que essas espécies foram extintas, mas que falta coleta de dados e pesquisa de campo. Exemplos disso, segundo ele, são espécies que já eram dadas como extintas e foram reencontradas durante os três anos e meio de pesquisa.

Uma ação que deve ser implementada nos próximos meses para envolver a sociedade na busca de espécies endêmicas ameaçadas é a campanha Procura-se, em que qualquer pessoa poderá usar um aplicativo para informar sobre uma possível planta ameaçada que encontrar em seu caminho pelas trilhas dos parques do estado. A campanha vai espalhar fotos de espécies ameaçadas nas entradas de unidades de conservação e nas cidades movimentadas pelo ecoturismo, para que os visitantes das reservas cheguem à mata com essas espécies na memória.

Coordenadora técnica do CNC Flora, Eline Martins explica que uma equipe de especialistas vai receber esses dados e avaliar se eles podem corresponder às espécies “procuradas”, e os usuários receberão uma pontuação, como em um jogo virtual.

“O usuário vai poder falar, inclusive, sobre as ameaças que estão ao redor da planta. Ele vai preencher campos de informação, enviar fotos da planta inteira, da folha, das flores, caso esteja em floração, e de frutas. Ele vai respondendo perguntas que vão encaminhá-lo para possíveis respostas”.

O aplicativo está sendo desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e deve ser lançado até agosto. “Está praticamente finalizado”, afirmou Elaine Martins.