sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Compromissos pelo Desmatamento Zero são mais eficientes que mesas redondas.
Os compromissos de mercado vem contribuindo para evitar o avanço do agronegócio sobre a Amazônia. Foto: © Greenpeace / Ricardo Beliel.

Por Redação do Greenpeace Brasil –

Estudo revela que a Moratória da Soja e o Compromisso Público da Pecuária são atualmente os mecanismos de controle mais eficientes no combate ao desmatamento –

Um estudo recém publicado pela pesquisadora Karen S. Meijer, do Instituto Alemão de Desenvolvimento, comparou a eficácia de quatro iniciativas de controle da cadeia produtiva de commodities, aplicadas no Brasil e na Indonésia. E, apesar da excelente notícia, o resultado não é exatamente uma novidade para o Greenpeace: A Moratória da Soja e o Compromisso Público da Pecuária foram considerados os mecanismos mais eficientes para conter o desmatamento.

O artigo, intitulado “Uma Análise Comparativa da Eficácia das quatro iniciativas da cadeia de fornecimento para reduzir o desmatamento“, comparou o grau de eficácia destes dois mecanismos, ambos impulsionados pelo Greenpeace, com os resultados obtidos pela Mesa Redonda sobre Soja Responsável (RTRS) e a Mesa Redonda de Óleo de Palma Sustentável na Indonésia (RSPO). Todas as iniciativas tem como meta acabar com o desmatamento relacionado à produção.

De acordo com o estudo, os compromissos de mercado tem um índice maior de sucesso do que as certificações e mesas redondas, pois, no caso dos acordos, os critérios para reduzir o desmatamento são mais rigorosos e ambiciosos. Enquanto as outras iniciativas dependem de negociações entre diversos atores e setores e do consenso das partes, o que em geral resulta em metas menos ambiciosas.

Desde 2005 o Greenpeace investiga o impacto da produção de commodities em larga escala no desmatamento da Amazônia. Graças aos relatórios (Comendo a Amazônia e A farra do boi da Amazônia), que expuseram a relação perversa entre a produção de soja e gado com a destruição da floresta, gigantes do setor viram-se obrigados a promover a mudança que a sociedade e o mercado exigiam, assumindo a responsabilidade que lhes cabia para acabar com a destruição da floresta.

A pesquisadora Karen Meijer reforça que, nesse sentido, o risco de perder mercado desempenhou um papel significativo, como uma grande “motivação” para que as empresas aderissem publicamente aos compromissos.

“Parte do sucesso destes compromissos se deve ao fato de que as empresas que assumiram os acordos se comprometeram a adquirir produtos apenas de fazendas monitoradas geograficamente, o que serve de ferramenta para evitar a compra de fornecedores envolvidos com desmatamento, invasão de terra indígena, uso de trabalho escravo e conflitos agrários”, observa Adriana Charoux, da campanha Amazônia do Greenpeace.

Segundo Karen, os atores envolvidos na Moratória da Soja representam 90% do mercado brasileiro de produção da commodity e 40% do mercado de pecuária. A autora ressalta, entretanto, que para que estes acordos tenham um impacto ainda maior é preciso ampliar a participação de empresas do setor e outras commodities, para impedir o vazamento de produtos fabricados a partir de desmatamento e demais ílicitos sociais.

Essa não é a primeira vez que a Moratória da Soja e o Acordo da Pecuária tem sua eficácia reconhecida. Há alguns meses a pesquisadora Holly Gibbs, do Departamento de Estudos Ambientais da Universidade de Wisconsin (USA), chegou as mesmas conclusões em seu estudo sobre a Moratória. Outro levantamento, publicado pela mesma autora na revista norte-americana Conservation Letters, destacou os efeitos positivos do Compromisso da Pecuária na redução do desmatamento da Amazônia. As iniciativas também tiveram o reconhecimento da Union of Concerned Scientists – UCS.

Estes resultados mostram que é possível liderar o mercado mesmo assumindo compromissos mais ambiciosos, como o Desmatamento Zero. O Brasil pode continuar a produzir, mas não a qualquer custo. Se estas empresas estão conseguindo êxito na luta para acabar com o desmatamento, não há mais desculpas para que todo o mercado siga este caminho.

O próximo passo nessa jornada é ter o Desmatamento Zero como regra no Brasil, para todas as cadeias de produção. Pois acabar com o desmatamento não é mais uma opção, mas uma necessidade imediata para a sobrevivência das atuais e futuras gerações.

Apoie o movimento pelo Desmatamento Zero. Assine a petição.


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