sexta-feira, 4 de setembro de 2015

ONU celebra assistência humanitária.
Por Thalif Deen, da IPS – 
Homem dentro do acampamento 27 de Fevereiro, de refugiados saharauis, perto de Tindouf, na Argélia, em 24 de junho de 2010. Foto: Martine Perret/ONU.

Nações Unidas, 20/8/2015 – A Organização das Nações Unidas (ONU) celebrou, no dia 19, o Dia Mundial da Assistência Humanitária, com o início da divulgação de “inspiradoras” histórias de sobrevivência, embora descreva a atual crise de refugiados como a pior em quase um quarto de século. A previsão é que esta campanha, que acontece principalmente por meio do Facebook, Twitter e Instagram, inunde as redes sociais com relatos de resiliência e esperança de todo o mundo. Também será realizado um concerto em Nova York.

“É verdade que nunca houve maior necessidade de ajuda humanitária desde que a ONU foi fundada”, afirmou seu porta-voz, Stephane Dujarric. “E a cada dia falo sobre pessoas e uso números, e os números são esmagadores: dez mil, 50 mil”, lamentou.

Mais de quatro milhões de sírios estão refugiados atualmente em países vizinhos, como Turquia, Iraque e Líbano, sem contar as centenas que morrem a cada semana em pleno mar tentando chegar à Europa para fugir dos horrores de sua guerra. Além disso, pelo menos outros 7,6 milhões de pessoas – todas necessitadas de ajuda humanitária – são refugiados dentro da Síria e mais de 220 mil morreram no conflito militar que está em seu quinto ano.

“Com quase 60 milhões de refugiados pela força em todo o mundo, enfrentamos uma crise em uma escalada nunca vista em várias gerações”, pontuou o coordenador de Alívio de Emergência da ONU, Stephen O’Brien. Este, no começo de agosto, decidiu liberar cerca de US$ 70 milhões de uma reserva da ONU chamada Fundo Central para a Ação em Casos de Emergência (Cerf), que se dedica principalmente às operações de assistência que sofrem subfinanciamento crônico.

Além de Síria, Afeganistão e Iêmen, a crise humanitária também tem forte impacto no Sudão, Sudão do Sul, países do Chifre da África, Chade, República Centro-Africana, Birmânia e Bangladesh, entre outros países.

Noah Gottschalk, alto assessor para a resposta humanitária da organização Oxfam Internacional, ressaltou à IPS que o sistema humanitário mundial, criado há décadas, salvou incontáveis vidas, mas agora está “sobrecarregado e subfinanciado”, e isto justamente quando se projeta que os perigos naturais aumentarão em frequência e severidade, enquanto o mundo deve responder a crises tão prolongadas como o conflito na Síria. “Alguns doadores são muito generosos e seu apoio é crucial e muito valorizado, mas simplesmente não basta para atender às crescentes necessidades”, acrescentou.

A ONU e o sistema humanitário mais amplo têm que ser reformados para serem mais eficientes e responderem melhor às necessidades, apoiando os líderes e as capacidades locais, financiando programas que ajudem as comunidades a reduzirem o impacto dos desastres antes que ocorram emergências.

Enquanto isso, a campanha #ShareHumanity, atualmente em curso, espera criar impulso para a primeira Cúpula Humanitária Mundial da história, programada para maio do próximo ano em Istambul, na Turquia. Segundo o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha), a campanha do Dia Mundial de Assistência Humanitária reflete um mundo em que as necessidades humanitárias superam de longe a capacidade da comunidade da assistência de ajudar os milhares de afetados por desastres naturais, conflitos, fome ou doenças.

Gottschalk pontuou à IPS que esta data é uma oportunidade importante para se parar e homenagear as mulheres e os homens valentes que trabalham incansavelmente em todo o mundo, a cada dia, para salvar vidas em circunstâncias incrivelmente difíceis. Frequentemente os socorristas locais são os primeiros a responder quando ocorre uma crise, acrescentou, e raramente lhes é dado o reconhecimento e o apoio que merecem por liderar as respostas em seus próprios países.

A Oxfam vem dando forte impulso às contribuições obrigatórias dos Estados membros da ONU para financiar respostas humanitárias que, segundo afirma, proporcionarão uma corrente de financiamento mais consistente e forte. Mais desse financiamento deveria fluir diretamente para o nível local, e ser usado de modo transparente, para que os doadores possam rastrear o impacto e as comunidades possam fazer um acompanhamento da ajuda, forçando seus líderes a prestarem contas, destaca.

Segundo Gottschalk, milhões de pessoas em todo o mundo dependem do sistema humanitário global, e esta quantidade não é maior graças àqueles que, com sua empatia e seu compromisso, se esforçam para fazer funcionar o sistema, apesar da redução dos recursos e do aumento da necessidade. Essas reformas tornarão mais efetivo o sistema e equiparão melhor esses socorristas dedicados a salvar vidas e aliviar o sofrimento, acrescentou.

Os conflitos militares em curso também cobraram vidas de centenas de trabalhadores da saúde, afirmou a Organização Mundial da Saúde (OMS) em Genebra, na Suíça. Só no ano passado, a entidade disse ter recebido informes de 372 ataques contra trabalhadores da saúde em 32 países, deixando 603 mortos e 958 feridos, sendo que este ano foram registrados incidentes semelhantes.

“A OMS está comprometida em salvar vidas e reduzir o sofrimento em tempos de crise. Os ataques contra trabalhadores e centros de saúde são violações flagrantes do direito humanitário internacional”, enfatizou Margaret Chan, diretora geral da entidade, em comunicado divulgado pelo Dia Mundial da Assistência Humanitária. Segundo Chan, os trabalhadores da saúde têm a obrigação de tratar dos doentes e feridos sem nenhuma discriminação. “Todas as partes do conflito devem respeitar essa obrigação”, ressaltou.


Fonte: ENVOLVERDE

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