segunda-feira, 3 de setembro de 2018


No Brasil, nem metade da população adulta alcança o Ensino Médio.

Por Camila Costa

O Ensino Médio no Brasil é um gargalo a ser superado pelas escolas e pelo Estado, para que o país avance na educação. A defasagem da qualidade do ensino nesta etapa sugere mudanças na matriz educacional do País. Apenas 58,5% dos jovens concluem a educação básica até os 19 anos de idade; e a maioria dos que conseguem concluir sai despreparada para o mercado de trabalho. Como consequência, o Brasil mantém um elevado número da sua população adulta que não concluiu o Ensino Médio. Em 2017, 811 mil pessoas recorreram à Educação de Jovens e Adultos (EJA) para finalizar o processo de escolarização.

A informação é da Pesquisa, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua 2016-2017 (Pnad 2016-2017), elaborada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O número de pessoas frequentando o EJA no ano passado na etapa do ensino médio é 10,6% maior do que a registrada em 2016. Leia mais aqui.

Em certa medida, a reforma do ensino médio é positiva nessa direção. Estabelece deveres positivos e, como somos uma democracia, e uma democracia inclusiva, e é importante o alcance integral do entendimento dessa palavra, temos no Brasil grande contingente da população adulta brasileira com baixa escolaridade, e tem que se dar atenção a esse contingente até porque é o contingente, sociologicamente falando, mais fragilizado”, pondera o diretor-geral do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), Rafael Lucchesi.
A oferta de ensino médio articulado com a educação profissional no Brasil permitiria o desenvolvimento de competências pertinentes ao mundo do trabalho, com vistas à melhoria da qualidade desta etapa de ensino e à inserção profissional dos jovens, segundo Lucchesi.

A recomendação do setor da indústria, enviada aos candidatos à presidência da República nestas eleições, é criar condições para implantar a nova Lei do Ensino Médio e revisar marcos regulatórios, a exemplo da aprendizagem profissional. Confira aqui.

Dados da Pnad indicam que o País abriga cerca de 70 milhões de pessoas com mais de 18 anos sem o Ensino Médio completo. “Estamos tendo um grande desafio de aumentar o contingente de jovens que vão fazer o ensino médio, ajustar a adequação idade série, bem como melhorar a qualidade aberta à educação, concomitantemente, temos que corrigir o problema da matriz educacional”, observa Lucchesi. Para o grupo etário de 15 a 17 anos, o ideal seria frequentar o ensino médio, porém, apenas 68,4% estavam na idade/série adequada em 2017, mesma de 2016 (68,0%), de acordo com a Pnad contínua.

O olhar, segundo ele, deve se voltar, principalmente neste momento, para a reforma do Ensino Médio (Veja Quadro). Para a especialista em gestão escolar Juliana Diniz, os tempos mudaram e a educação pede dinamismo e um ajuste às novas tecnologias. “Num contexto da modernidade com todas essas possibilidades de mudanças aceleradas, quando você considera esse cenário e coloca um componente de qual lugar estamos nas escolas no país, claro que temos cases de sucesso, mas de regra estão com a cabeça e mentalidade do século 19, 20, educando alunos do século 21, quando pensa nesse lapso, nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinadas habilidades e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, considerando ele pessoa de potência”, declara Juliana.


Fonte: EcoDebate

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