terça-feira, 27 de novembro de 2018


ONU e governo federal mapeiam boas práticas de sustentabilidade para órgãos públicos.

A ONU Meio Ambiente e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) recebem até 23 de novembro inscrições para mapeamento de experiências positivas em sustentabilidade que possam inspirar boas práticas na administração pública.

A chamada, que faz parte do programa Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), fará o levantamento de atividades, projetos e políticas que cortem gastos e tornem processos mais eficientes, enquanto protegem a natureza.
Ações como coleta seletiva, sistemas para evitar o desperdício de água e licitações que seguem critérios de sustentabilidade são exemplos de iniciativas que podem ser submetidas ao processo seletivo. Foto: Pedro França/Agência Senado.

A ONU Meio Ambiente e o Ministério do Meio Ambiente (MMA) recebem até 23 de novembro inscrições para mapeamento de experiências positivas em sustentabilidade que possam inspirar boas práticas na administração pública.

A chamada, que faz parte do programa Agenda Ambiental na Administração Pública (A3P), fará o levantamento de atividades, projetos e políticas que cortem gastos e tornem processos mais eficientes, enquanto protegem a natureza.

O objetivo é auxiliar prefeitos, secretários e outros gestores públicos a implementar programas de sustentabilidade em seus órgãos.

A participação é gratuita e aberta às iniciativas de Executivo, Legislativo e Judiciário, tanto na esfera municipal quanto estadual e federal, além de instituições de ensino e pesquisa, empresas públicas e privadas, cooperativas e organizações não governamentais.

O edital receberá a inscrição de iniciativas em execução ou finalizadas, que já apresentem resultados positivos concretos, em onze áreas temáticas: 1. Uso racional da água; 2. Uso racional da energia e eficiência energética; 3. Tecnologia da informação aplicada à sustentabilidade; 4. Tecnologia de equipamentos; 5. Uso racional da madeira; 6. Gestão de resíduos sólidos; 7. Uso do papel; 8. Qualidade de vida dos servidores; 9. Mobilidade/transporte; 10. Compras/licitações sustentáveis; e 11. Construções sustentáveis.

Ações como coleta seletiva, sistemas para evitar o desperdício de água e licitações que seguem critérios de sustentabilidade são exemplos de iniciativas que podem ser submetidas ao processo seletivo.

Cada proposta será avaliada segundo seus impactos ambientais, sociais e econômicos por meio de 15 indicadores, que vão desde o ciclo de vida dos produtos utilizados, nível de emissão de carbono na implementação até o nível de participação social e custo para descarte do resíduo gerado, entre outros, que podem ser conferidos no edital.

As 20 melhores práticas de cada tema serão disponibilizadas no site do Ministério do Meio Ambiente, para possibilitar troca de experiências, enriquecimento do tema e fomento a responsabilidade socioambiental entre os gestores públicos dos 5.570 municípios brasileiros.


Fonte: ONUBR

Empresas brasileiras lançam campanha digital sobre objetivos globais.

Empresas signatárias da Rede Brasil do Pacto Global, vinculada ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, lançaram nesta semana, por meio de sua Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC), ação inédita para fortalecer a implementação da Agenda 2030 no país.

Intitulada “Campanha ODS e Setor Empresarial”, a iniciativa envolve mais de 80 empresas e organizações. Até março de 2019, as páginas nas redes sociais dos participantes divulgarão mensagens e dados sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
Município de São João das Missões no norte de Minas Gerais, uma região de um dos menores IDH do Brasil. Foto: Renato Jorge Marcelo – ODS 1 – Acabar com a pobreza em todas as suas formas, em todos os lugares.

Empresas signatárias da Rede Brasil do Pacto Global, vinculada ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) no Brasil, lançaram nesta semana, por meio de sua Comissão de Engajamento e Comunicação (CEC), ação inédita para fortalecer a implementação da Agenda 2030 no país.

Intitulada “Campanha ODS e Setor Empresarial”, a iniciativa envolve mais de 80 empresas e organizações. Até março de 2019, as páginas nas redes sociais dos participantes divulgarão mensagens e dados sobre os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.

Para fortalecer o papel do setor privado no alcance das metas da Agenda 2030, as empresas e organizações que participam da campanha também ressaltarão, por meio de Facebook, Twitter e Linkedin, como suas ações dialogam com os ODS.

As publicações também abordarão os desafios do setor privado na implementação da Agenda 2030, bem como apresentarão ao público as oportunidades de desenvolvimento sustentável que as empresas podem gerar a partir de ações que dialogam com o crescimento econômico, a inclusão social e a proteção do planeta.

“O engajamento com a campanha e a disposição das empresas e organizações que fazem parte da nossa rede mostram a maturidade do setor privado brasileiro e o comprometimento com o desenvolvimento sustentável, em linha com a Agenda 2030”, afirmou o secretário-executivo da Rede Brasil do Pacto Global, Carlo Pereira.

Na avaliação do copresidente do Grupo Assessor do Sistema ONU para a Agenda 2030 e assessor sênior do PNUD, Haroldo Machado Filho, as empresas tem papel central no alcance dos ODS, principalmente na construção de soluções duradouras e sustentáveis.

“O engajamento do setor privado é de fundamental importância para acelerar o cumprimento de uma agenda tão ambiciosa. É crescente o pensamento de que a interface entre negócios e problemas sociais e ambientais tem um grande potencial de sinergias, particularmente em uma perspectiva de longo prazo.”

“Boa parte da inovação no mundo hoje é para explorar essa interface, e uma série de produtos e serviços fantásticos está surgindo, o que mostra ser possível gerar lucro e, ao mesmo tempo, reduzir o uso de recursos naturais e gerar novas oportunidades às pessoas.”

Pacto Global

Lançado em 2000, o Pacto Global nasceu da necessidade de mobilizar a comunidade empresarial do mundo para a adoção de valores fundamentais e internacionalmente aceitos em suas práticas de negócio.

A iniciativa global é um avanço na implementação de um Regime de Direitos Humanos e Sustentabilidade empresarial. Atualmente são quase 13 mil signatários articulados em mais de 160 países.

Fazem parte pequenas, médias e grandes empresas, além de organizações da sociedade relacionadas ao setor privado. No Brasil, a Rede conta hoje com mais de 770 signatários, entre empresas, federações de indústrias e organizações da sociedade civil. A Rede Brasil do Pacto Global é entidade vinculada ao PNUD.


Fonte: ONUBR

quarta-feira, 21 de novembro de 2018


Leitura recomendada – ‘Morcegos: além dos mitos’, para leitura e/ou download.

Os morcegos são mamíferos voadores envoltos em vários mitos, sendo o mais conhecido o vampirismo. Neste livro, tratamos dos mitos e buscamos ir além, pois são animais que têm papéis importantes nos ecossistemas, tanto naturais, quanto urbanos. (…).

Entre os serviços ecossistêmicos que os morcegos desempenham estão: o consumo de insetos e o consequente controle de pragas; a dispersão de sementes, relacionada ao consumo de frutos; e a polinização, decorrente do hábito de consumo do néctar em flores de algumas espécies vegetais.

O nosso objetivo foi o de organizar uma obra que contribuísse para dar visibilidade à diversidade e importância ecológica dos morcegos, assim como abordar os mitos, como o vampirismo, e riscos à saúde. Além disto, queremos que os textos e propostas didáticas aqui apresentados cheguem até professores de educação básica para serem usadas durantes suas aulas. Através deste livro, buscamos aproximar pesquisadores e um público mais amplo, por meio de textos simples, didáticos e interessantes.

Os capítulos deste livro tratam da diversidade de espécies de morcegos na natureza e em áreas urbanas, seus hábitos alimentares, sua importância de reservas ecológicas para a conservação das espécies, bioindicação e o que as pessoas pensam destes animais, incluindo os diversos mitos sobre que transitam em nossa cultura.

Ao todo, são 19 capítulos de 38 autores pertencentes a 19 diferentes instituições de todas as regiões do país. Deste esforço coletivo, nasceu Morcegos: além dos mitos, o qual esperamos que seja de agradável leitura e útil para ações educativas.

Trecho da apresentação do livro por Valdir Lamim-Guedes e Luciana M. Costa.
Conheça a obra completa e faça o download gratuitamente através da aba livros.
Confira: Chamada de capítulos para livro sobre a atuação do biólogo – novos prazos
https://editoranaraiz.wordpress.com/chamadas-para-publicacao/

Valdir Lamim-Guedes
Biólogo e Mestre em Ecologia – UFOP
Doutorando em Educação – USP
Docente na Centro Universitário Senac-SP


Fonte: EcoDebate

Apenas nove estados brasileiros monitoram a qualidade do ar.

Qualidade do Ar – “Abaixa cobertura de estações de monitoramento significa que na maior parte do país a população não sabe o ar que está respirando”

Por Isis R. Nóbile Diniz
poluição
Dos 27 estados do Brasil, apenas nove realizam o monitoramento da qualidade do ar. São eles Bahia, Espírito Santo, Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Goiás e Distrito Federal.

Embora o estado com melhor cobertura do monitoramento seja São Paulo, em geral, a cobertura da rede é insuficiente no país, sendo mais crítica nas regiões Nordeste e Centro-Oeste; e no Norte, onde não há nenhum monitoramento. Atualmente sete poluentes são regulados no Brasil por seus reconhecidos danos à saúde: partículas totais em suspensão (PTS), partículas inaláveis (MP10), fumaça, dióxido de enxofre (SO2), dióxido de nitrogênio (NO2), monóxido de carbono (CO) e ozônio (O3). Sendo que o material particulado fino (MP2,5) e o ozônio são os poluentes cujo o controle das concentrações é mais desafiador. Esses poluentes são pouco acompanhados, apesar de seus impactos à saúde, o MP2,5 é monitorado em apenas quatro estados e o ozônio, em sete.

Esses e outros dados sobre a poluição do ar no Brasil estão compilados na nova versão da Plataforma Nacional de Qualidade do Ar (http://qualidadedoar.org.br/) desenvolvida e lançada dia 14 de novembro pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (http://www.energiaeambiente.org.br/), organização sem fins lucrativos que produz dados técnicos para influenciar políticas públicas. A ferramenta online é a única no país a reunir dados de concentração de poluentes e a indicar as ultrapassagens dos padrões nacionais e das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS), o que pode auxiliar especialistas e gestores na avaliação dos efeitos da poluição do ar na saúde.

A baixa cobertura de estações de monitoramento significa que na maior parte do país a população não sabe o ar que está respirando”, diz a meteorologista Beatriz Oyama, analista de qualidade do ar do IEMA. “O monitoramento de qualidade do ar é uma ferramenta importante para a gestão pública.” Com monitoramento adequado nas cidades, é possível saber quando o ar está inadequado e tomar medidas para reduzir as emissões de poluentes, como restringir algumas atividades industriais e o uso de automóveis e incentivar o uso do transporte público. No limite, é possível recomendar que os cidadãos e os profissionais de saúde fiquem mais alertas nos dias mais críticos.

O monitoramento pode ajudar a identificar as fontes poluentes, como indústrias específicas ou locais com trânsito intenso de veículos, e agir para reduzir essas emissões. Medir a qualidade do ar é também um dos instrumentos relevantes para verificar a eficácia do programa de controle veicular (Proconve), que regulamenta a tecnologia dos motores e a qualidade dos combustíveis. Também é uma informação necessária para o poder público autorizar a instalação de novas indústrias em áreas sensíveis para a saúde da população.

Referência para a OMS desde 2016, a nova versão da Plataforma do IEMA disponibiliza informação detalhada sobre a distribuição das estações de monitoramento e sobre as variações das concentrações de poluentes monitorados. Ela também está mais interativa e prática de consultar, mas a maior novidade são os dados de concentração por hora do dia. Eles permitem saber, por exemplo, quais são os horários do dia com picos de um tipo específico de poluente, os meses do ano em que se observam maiores concentrações.

Uma vez que cada estado tem sua metodologia para calcular concentrações de poluentes, após estudar essas diferentes metodologias adotadas, a plataforma do IEMA empregou o método utilizado pela maior parte dos estados para padronizar os cálculos tornando dados de diferentes estados comparáveis.

Entre os poluentes atualmente medidos no Brasil, os únicos que não apresentam uma tendência clara de queda são o material particulado fino e o ozônio. Assim, esses são os poluentes que mais preocupam por representarem altos riscos para a saúde quando em concentrações elevadas.

O material particulado mais fino (MP2,5) é um dos maiores responsáveis por doenças respiratórias e cardiovasculares no mundo. Ele é emitido pela queima de combustíveis nas indústrias e nos veículos, essa segunda fonte se torna ainda mais relevantes nos centros mais urbanizados. Também é formado na atmosfera a partir de reações químicas com outros gases e poluentes. Embora o MP2,5 tenha seus danos à saúde cientificamente comprovados, somente quatro estados fazem o monitoramento desse poluente: Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, e Espírito Santo, sendo que somente nesses dois últimos o MP2,5 é regulado. Na Plataforma de Qualidade do Ar, é possível verificar como a concentração de material particulado evoluiu em vários pontos do país. Na estação do bairro de Cerqueira César, na região da Avenida Paulista, da cidade de São Paulo, a concentração média anual de material particulado teve uma queda de 24 para 16 microgramas por metro cúbico entre os anos 2000 e 2009. Depois começou a oscilar sem queda aparente. Sempre acima da concentração de 10 microgramas por metro cúbico, recomendada pela OMS.

O ozônio é outro poluente que tem apresentado concentrações bem acima dos valores recomendados pela OMS. Quem se expõe a ele regularmente, corre risco de desenvolver asma e outras doenças cardiovasculares e de ter sua capacidade pulmonar reduzida. Como não é emitido diretamente por nenhuma fonte poluente, o controle do ozônio é um grande desafio. Ele é formado durante o dia, a partir da reação entre poluentes originados de processos incompletos de queima (combustíveis, queimadas).

A Plataforma de Qualidade do Ar também permite verificar as concentrações de ozônio em várias cidades.  A máxima média de 8 horas de ozônio, no Parque do Ibirapuera em São Paulo, variou entre cerca de 200 e 160 microgramas por metro cúbico entre os anos de 2013 e 2016. Ou seja, ainda acima das recomendações da OMS, de 100 microgramas por metro cúbico.

A plataforma mostra como os poluentes mais críticos hoje são o MP2,5 e O3, além dos demais poluentes regulados. Por outro lado, a boa notícia da plataforma é que outros poluentes apresentam queda. É o caso de material particulado (MP10), o dióxido de enxofre (SO2), monóxido de carbono (CO) e dióxido de nitrogênio (NO2). Todos esses poluentes têm apresentado uma tendência de redução das concentrações ao longo dos anos e, na maioria das estações, têm atendido as recomendações da OMS.

Link para a Plataforma de Qualidade do Ar do IEMA

Fonte: EcoDebate

Em uma nova perspectiva, cientistas pedem mais atenção ao derretimento da superfície da Antártida.

University of Colorado Boulder
A Antártida é alta e seca e, na maioria das vezes, muito fria, e é fácil pensar no gelo e na neve trancados em um freezer, protegidos do derretimento, exceto em torno de suas costas baixas e plataformas de gelo flutuantes. Mas essa visão pode estar errada.

A água de degelo está agora se acumulando na superfície do gelo interior da Antártica e em lagos maiores e mais numerosos nas plataformas de gelo que cercam o continente. Isso cria tensões que poderiam romper as plataformas de gelo, que sustentam o gelo interior, de forma mais rápida para o oceano. E os modelos sugerem que, até o final deste século, será um ar mais quente – em vez de água do oceano mais quente – que desempenhará o maior papel na condução das contribuições da Antártida para a elevação do nível do mar.

“É crucial que desenvolvamos uma melhor compreensão da dinâmica dos 190 pés (58 m) de aumento potencial do nível do mar da Antártida, congelados no continente”, disse Alison Banwell , bolsista visitante da CIRES* e co-autora de uma avaliação publicada. esta semana na Nature Climate Change . “Nós ganhamos algumas percepções da Groenlândia, onde há muito mais derretimento superficial ocorrendo hoje, e uma série de diferentes processos estão em jogo. Por exemplo, se houver derretimento suficiente da superfície no gelo triturado da Antártida, parte dessa água poderá chegar até a base da camada de gelo e afetar o fluxo do gelo no oceano, como já ocorre em grande parte da camada de gelo da Groenlândia. ”

Em suas perspectivas, Banwell e seus colegas – do Observatório da Terra Lamont-Doherty da Universidade de Colúmbia e da Universidade Rowan – identificam lacunas importantes na compreensão dos cientistas sobre a Antártida. Eles discutem a necessidade de mais pesquisas sobre, por exemplo, como a neve no continente se compacta em fogo e depois o gelo; como e se o derretimento da superfície pode finalmente atingir a base da camada de gelo; e a possibilidade de lagos de superfície e subsuperfície mais comuns se formarem em plataformas de gelo.

Compreender e ser capaz de prever a ocorrência de tais processos é crucial para os cientistas que querem entender o aumento do nível do mar global e os riscos para os habitantes do litoral em todo o mundo.

Em última análise, compreender o futuro da Antártida requer o reconhecimento de que o continente está mudando de novas maneiras, disse Banwell. “E isso, em última análise, requer um esforço multidisciplinar e internacional crescente. Precisamos de observações hoje, de equipes de campo em terra, aviões e satélites, e é crucial que os modelos de gelo e clima sejam capazes de representar com precisão os diversos processos que afetam o derretimento, a hidrologia e a dinâmica da camada de gelo da Antártica. ”

A CIRES é uma parceria da NOAA e da UC Boulder
Referência: 
Antarctic surface hydrology and impacts on ice-sheet mass balance Robin E. Bell, Alison F. Banwell, Luke D. Trusel & Jonathan Kingslake Nature Climate Change (2018) https://doi.org/10.1038/s41558-018-0326-3
Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.


Fonte: EcoDebate

Sabe quando sei que sustentabilidade não é para valer?

Ricardo Voltolini*

Como de costume há seis anos, compartilho com o leitor algumas “pérolas” recolhidas ao longo de 20 anos como consultor em sustentabilidade empresarial. A uma primeira olhada, as 13 aqui apresentadas podem soar caricatas. Mas, asseguro, correspondem a situações reais enfrentadas no dia a dia do meu trabalho.

Ao reuni-las numa lista, revista e ampliada com a experiência mais recente de 2017, espero juntar munição suficiente para responder à pergunta provocativa do título deste artigo. A ideia é chamar a atenção, sem ser chato ou professoral, para o desafio importante de equiparar a prática com o discurso de sustentabilidade empresarial, quase sempre imerso em terreno arenoso e encoberto por névoas de desconfiança. É um desafio de cada profissional que trabalha com o tema. Mas, sobretudo, de líderes.

Sei que sustentabilidade não é para valer …

1) Quando um alto executivo me diz, sem corar de vergonha, que sustentabilidade é importante, mas as ações para inseri-la na gestão do negócio podem ficar para o ano que vem, quem sabe daqui a dois ou três anos, já que a empresa não se encontra “preparada” para as mudanças necessárias. Ao tentar explicar o que significa “preparada”, os argumentos são tão frágeis quanto a sua noção sobre o conceito ou a sua convicção sobre sua aplicação prática. Mal conseguem encobrir o que importa: não há interesse efetivo no encaminhamento do “assunto” e pronto.

2) Quando a responsabilidade pelo “assunto” é transferida a um profissional júnior, escondido num departamento meramente funcional, sem qualquer poder na organização, que só conhece o CEO por fotografia. A diferença entre sustentabilidade “para valer” e “para constar” está em quanto o tema se encontra mais próximo de quem toma decisões.

3) Quando um executivo afirma que sustentabilidade “está no DNA” da empresa e que, portanto, ela não precisa fazer nada para ser sustentável. Esta afirmação um tanto mítica se baseia na retórica desinformada de que um tema contemporâneo – como é a sustentabilidade – já venha sendo praticado pela empresa há 50, 80 ou 100 anos, porque seus fundadores eram “visionários.”
4) Quando um alto executivo resolve “comunicar” a sustentabilidade “para fora”, sem ter construído a sustentabilidade “para dentro”. A pressa se deve em parte à impaciência na condução de processos de mudança (inclusive de modelo mental) em parte à ansiedade de colher benefícios pontuais de imagem da mensagem de sustentabilidade, antes da ou por causa da concorrência. Se a empresa não consegue convencer os mais próximos de que se preocupa, de verdade, com a sustentabilidade, como espera persuadir os consumidores e a sociedade?

5) Quando o CEO cria um comitê de sustentabilidade e não aparece nem na primeira reunião para deixar claras suas crenças e expectativas. Este tipo de atitude revela que (1) sustentabilidade não é um tema suficientemente importante para o líder investir nele o seu precioso tempo; (2) enquanto não sabe o que fazer com sustentabilidade, cria uma instância interna para dar a impressão de estar preocupado com o tema. Uma pena. Comitês de sustentabilidade, quando bem liderados, podem ser extremamente úteis e efetivos. Mal conduzidos, servem para o debate de boas intenções.

6) Quando pergunto a um diretor se a empresa tem uma estratégia de sustentabilidade integrada à estratégia de negócio e ele responde que sim, claro, mas só faz enumerar uma lista de projetos pontuais, periféricos e… completamente descolados da estratégia de negócio.

7) Quando existe um discurso bonito sobre inovação em sustentabilidade mas, na prática, nenhuma evidência de ambiente favorável que valorize as contribuições vindas dos colaboradores, fornecedores, clientes e comunidades.

8) Quando o CEO diz já investir o necessário em sustentabilidade. E que só o fará mais quando houver métricas “confiáveis” que assegurem o retorno para o negócio. A objeção “científica”, neste caso, esconde, quase sempre, um desinteresse pelo tema.

9) Quando o CEO recém-empossado decide interromper as ações de sustentabilidade do antecessor, utilizando argumentos velhos conhecidos de guerra como “reduzir custos”, “resgatar o foco” e “concentrar energia no essencial. Pior: recebe aplausos do chefe da matriz que elogiava os programas de sustentabilidade e o “espírito contemporâneo” do antecessor.
10) Quando mesmo depois de ser apresentado ao conceito de diversidade, o executivo continua achando que isso não tem nada a ver com a “lógica” do negócio. É o mesmo que diz em público que sustentabilidade está na “estratégia do negócio”, e no privado, afirma que ela representa só custo e desvio de foco. Em público, faz às vezes de embaixador da diversidade. No privado, emite comentários preconceituosos contra mulheres, negros e homossexuais.

11) Quando, antes de uma reunião com o CEO, meu zeloso interlocutor resolve fazer um alerta sobre o que ele “gosta ou não gosta” de ouvir sobre sustentabilidade. Encerrada a missa, pede-me para que não ultrapasse 15 minutos de apresentação, já ele não tem muita “paciência” para assuntos que não sejam “do negócio”.

12) Quando a executiva de RH da empresa recita em fóruns externos a importância de criar cultura de sustentabilidade nas organizações, mas, em sua própria empresa, aceita fácil a ideia de investir o mínimo básico necessário em programas de desenvolvimento de pessoas para o tema, esquece os valores de sustentabilidade nos processos de recrutamento e seleção e os ignora por completo na perspectiva de carreira das pessoas.

13) Quando os interlocutores diretos na empresa se apoiam no discurso de ética, diálogo franco e transparência, valores que constituem a sustentabilidade, mas interrompem processos sem explicação, dialogam com os parceiros só e quando conveniente e se apropriam de ideias sem remunerar os autores.

*Ricardo Voltolini é consultor, escritor, palestrante, diretor-presidente de Ideia Sustentável: Estratégia e Inteligência em Sustentabilidade, idealizador da Plataforma Liderança Sustentável e autor, entre outros, de Conversas com Líderes Sustentáveis (Senac-SP), Escolas de Líderes Sustentáveis (Elsevier), e Sustentabilidade como Fonte de Inovação (Ideia Sustentável)


Fonte: ENVOLVERDE

Relatório alerta que há 45 barragens sob ameaça de desabamento.


Por Agência Brasil

Relatório da Agência Nacional de Águas (ANA) aponta que aumentou de 25 barragens, em 2016, para 45 em 2017 o número de áreas com risco de desabamento no país. A maioria está localizada no Norte e Nordeste, em estados como Acre, Alagoas e Bahia. De acordo com os técnicos, há problemas de baixo nível de conservação, insuficiência do vertedor e falta de documentos que comprovem a estabilidade da barragem.

As informações constam do Relatório de Segurança de Barragens – 2017 (RBS), de 84 páginas, coordenado anualmente pela ANA, divulgado hoje (19). No período coberto pelo relatório foram identificados 14 episódios de acidentes e incidentes, sem vítimas fatais.

Das 45 barragens, 25 pertencem a órgãos e entidades públicas, segundo a agência. No país há um cadastro que reúne 24.092 barragens para diferentes finalidades, como acúmulo de água, de rejeitos de minérios ou industriais e para geração de energia.

Porém, os técnicos calculam que o número de represamento artificiais espelhados pelo país seja pelo menos três vezes maior. De acordo com a ANA, a quantidade exata só será conhecida quando os órgãos e entidades fiscalizadoras cadastrarem todas as barragens sob sua jurisdição.

Das 24.092 barragens registradas, 3.545 foram classificadas pelos agentes fiscalizadores segundo a Categoria de Risco (CRI) e 5.459 quanto ao Dano Potencial Associado (DPA). Das barragens cadastradas, 723, o equivalente a 13%, foram classificadas simultaneamente como de CRI e DPA altos.

O Brasil possui 43 potenciais agentes fiscalizadores, dos quais quatro são federais e 39, estaduais. No ano passado, 31 órgãos atuavam efetivamente como fiscalizadores por terem instaladas sob sua jurisdição empreendimentos com as características especificadas pela PNSB.

Investimentos

A ANA informou que foram aplicados R$ 34 milhões, no ano passado, para serviços de operação, manutenção e recuperação de barragens. Em 2016, foram investidos R$ 12 milhões.

Elaborado anualmente, sob a coordenação da ANA, o relatório se baseia em informações enviadas pelas entidades ou órgãos fiscalizadores de segurança de barragens no Brasil. O documento é remetido pela agência ao Conselho Nacional de Recursos Hídricos (CNRH), que o remete ao Congresso Nacional.

Tragédia Mariana

Canteiro de obras da Nova Bento Rodrigues.

A tragédia de Mariana, em Minas Gerais, completou três anos na última segunda-feira (5). Na ocasião, uma barragem da mineradora Samarco se rompeu liberando rejeitos de mineração no ambiente. No episódio, 19 pessoas morreram e comunidades foram destruídas, como o distrito de Bento Rodrigues. Houve também poluição da bacia do Rio Doce e devastação de vegetação. Desde novembro de 2016, tramita na Justiça Federal de Ponte Nova (MG) uma ação criminal sobre a tragédia, que se tornou o maior desastre ambiental já registrado no país.

3 anos da tragédia de Mariana 

Mesmo após o reassentamento nos distritos reconstruídos, previsto para começar em 2020, os atingidos manterão a propriedade dos antigos terrenos, mas o que será feito do local onde um dia eles moraram ainda será debatido com a prefeitura e com o Conselho do Patrimônio de Mariana (Compat). As comunidades devastadas de Bento Rodrigues e Paracatu, atualmente, estão interditadas pela Defesa Civil. O acesso só é permitido com autorização. Os atingidos têm passe livre.


sexta-feira, 16 de novembro de 2018


Camada de ozônio pode se recuperar por completo até 2060.

A importância dela para a existência humana é algo que você escuta desde a aula de ciências: sem a proteção da camada de ozônio, uma película de gases que envolve a Terra a 18 km de altura, a vida que levamos hoje simplesmente não seria possível. Se essa barreira invisível sumisse, abrindo passagem para todo raio ultravioleta ultrapassar a atmosfera, um simples banho de Sol de cinco minutos já seria suficiente para tostar nossa pele – algo que ameaçaria animais, tornaria o solo infértil e extinguiria variedades inteiras de plantas, por tabela.

O famigerado “buraco”, que a cada dia diminuía a proteção de ozônio do planeta, se tornou uma preocupação ambiental tão grave quanto o aumento da temperatura dos oceanos. Em 1974, com uma descoberta que arremataria o Nobel de Química anos mais tarde, os gases CFC (clorofluorcarbonetos) assumiram o posto de grandes vilões a serem combatidos. Eliminados para o ar com o borrifo de aerossóis ou pelo funcionamento de ar-condicionados e geladeiras, tais gases eram nocivos à proteção natural da atmosfera. Isso porque os átomos de cloro, presentes nos CFCs, quando em contato com o ozônio (O3) quebram suas moléculas.

Estava dado o ultimato. Se não quiséssemos virar camarões já a partir das décadas seguintes, tínhamos de frear a utilização de gases do tipo. O chamado Acordo de Montreal, assinado em 24 países em 1987, foi a primeira grande medida que limitou a aplicação dos CFCs. Isso fez a indústria de eletrodomésticos passar a pesquisar alternativas. Em 2010, o uso de químicos do tipo acabou completamente banido – com exceção da China, outro poluidor de peso.

E foi importante que tenha acontecido exatamente assim. Se o tratado climático não tivesse vingado, o rombo na película protetora poderia ser de 40% até 2013, projetavam os cientistas em um levantamento feito há três anos.

Na linha do que sinalizou uma pesquisa publicada na revista científica Nature em 2016, um relatório elaborado pela ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que a camada de ozônio está se recuperando, e já não corre tanto risco.

Agora, dá até para fazer projeções mais otimistas: os dados estimam que, se não tirarmos o pé das medidas que já vêm dando certo, podemos recuperar por completo a camada de ozônio até a década de 2060. Em certas áreas, como as polares, é possível que a recuperação aconteça até antes. Acredita-se que zonas como o Ártico e latitudes médias possam chegar lá ainda em 2030.

Algo que pode jogar água no chope, contudo, é o aumento da emissão de gases de efeito estufa. 

Como aponta o relatório, tal fator pode alterar a circulação de massas de ar atmosféricas, e causar uma distribuição desigual do ozônio. Com o aquecimento global, é possível que haja menor concentração de ozônio em regiões tropicais (o que inclui o Brasil), no Ártico e nas áreas de latitudes médias – onde a camada de ozônio já é menos densa.

Alegria de terráqueo costuma mesmo durar pouco. O que, no caso, pode até ser um bom sinal. Pelo menos assim, não relaxamos com o ambiente – e jogamos pela janela o que demorou algumas décadas para começarmos a consertar.



Comissão Interamericana de Direitos Humanos pede reparação aos impactados por Belo Monte.

Por ISA (Instituto Socioambiental)

A Comissão destacou o caso do povo Juruna, da Terra Indígena Paquiçamba (PA), que vive próximo à barragem e sofre graves consequências da implantação do empreendimento.

No encerramento de sua visita ao país, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) chamou a atenção das autoridades e da sociedade em geral para visibilizar, atender e solucionar urgentemente a situação de repetida violação dos direitos humanos dos povos indígenas. A CIDH também destacou o caso do povo Juruna, afetado pela implementação da usina hidrelétrica (UHE) Belo Monte, no Pará.

No Brasil, os povos indígenas “sofrem episódios frequentes de violência e falta de atenção por parte dos serviços públicos, além de enfrentar dificuldades e obstáculos crescentes na demarcação de suas terras”, disse Antônia Urrejola Noguera, relatora da CIDH para o Brasil, ao apresentar as conclusões preliminares.

“O Brasil tem sido um dos maiores violadores dos direitos humanos dos povos indígenas. Nessa audiência com a CIDH, a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) levou esses casos e a preocupação com o cenário político atual, onde o discurso de ódio e racismo tem sido cada vez maior, inclusive pela via institucional” relatou Luiz Eloy Terena, assessor jurídico da Apib.

No último dia 7 de novembro, a delegação da CIDH visitou a aldeia Mïratu, na Terra Indígena Paquiçamba, do povo Juruna, uma das comunidades indígenas afetadas pela barragem de Belo Monte. É a primeira vez que a Comissão foi ao local.
Bel e Gilliarde Juruna apresentam os impactos de Belo Monte sobre seu território e modo de vida Pedro Prado-Farpa-CIDH.

Ali, a CIDH ouviu os depoimentos de indígenas e ribeirinhos que lutam para manter seu modo de vida tradicional apesar da morte de milhares de peixes, da contaminação do Xingu, do despejo forçado de suas terras sem um remanejamento para perto do rio e o desenvolvimento de projetos produtivos inadequados. As lideranças relataram que esses impactos afetam de maneira diferenciada à mulheres e crianças. A Comissão também ouviu representantes da cidade de Altamira.

“Nós ressaltamos a importância da visita histórica da Comissão à TI Paquiçamba,e o reconhecimento dos impactos negativos que Belo Monte causou nos direitos humanos dos habitantes do Xingu”, disse Astrid Puentes, codiretora da Associação Interamericana para a Defesa do meio ambiente (AIDA). 

“Corresponde agora ao governo do Brasil adotar decisões e recomendações da CIDH, cumprindo com normas de direito e à proteção das pessoas de seu país”, complementou.

Durante a visita as pessoas se mostraram particularmente preocupadas com a implementação, no próximo ano, do plano de manejo para o fluxo do rio Xingu, chamado de Hidrograma de Consenso. O hidrograma não prevê um fluxo de água suficiente que garanta a sobrevivência das comunidades indígenas e ribeirinhas da região, e pode levar à extinção diversas espécies de plantas e animais.

“Os comissionários tiveram a oportunidade de confirmar a gravidade dos impactos e a urgência de revisar os critérios para definir a vazão residual que o rio Xingu deve manter na região da Volta Grande para garantir a subsitência física e cultura dos ribeirinhos e indígenas”, comenta Biviany Rojas, advogada do ISA.

Em 2011, as comunidades do indígenas e ribeirinhas do Xingu, representadas pela AIDA, Sociedade Paraense para a Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), Movimento Xingu Vivo para Sempre, Prelazia do Xingu, Conselho Indigenista Missionário (Cimi) e Justiça Global, apresentaram uma denúncia contra o Brasil pelo caso. No mesmo ano, a Comissão concedeu medidas urgentes de protecção aos povos indígenas afetados.

O caso foi iniciado formalmente em dezembro de 2015 e, em maio deste ano, as organizações apresentaram os argumentos finais. Com base nesse documento e nos argumentos do estado brasileiro, a Comissão publicará um relatório no qual concluirá se houve ou não violações aos direitos humanos, podendo emitir recomendações de reparação que deverão ser cumpridas pelo Brasil.


Fonte: ENVOLVERDE

O que falta para o Acordo de Paris funcionar?

por Caroline Prolo

Adotado por aclamação em dezembro de 2015, o Acordo de Paris entrou efetivamente em vigor menos de um ano depois, em 4 de novembro de 2016, quando 55 países responsáveis por mais de 55% das emissões de gases de efeito estufa do mundo comunicaram à ONU que “ratificaram” o acordo, ou seja, deram a ele o status de lei doméstica. Isso aconteceu em tempo recorde para um acordo internacional — o Protocolo de Kyoto, antecessor do acordo do clima, levou oito anos para atingir o mínimo de ratificações necessárias. Tão rápido que não deu tempo de “organizar a casa” para o acordo começar a funcionar. Em outras palavras, não deu tempo de regulamentar os processos, fluxos de informações, composição e competência dos órgãos e até a substância de algumas obrigações, como, por exemplo, que tipo de informação precisa ser apresentada pelos países em sua Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC, na sigla em inglês).
Negociadores tentam resolver diferenças na plenária da conferência do clima de Marrakesh, em 2016 (Foto: Claudio Angelo/OC).

Por essa razão, desde novembro de 2016 as negociações de mudanças climáticas da ONU estão voltadas para a implementação do chamado “livro de regras”, sem o qual o acordo não consegue efetivamente funcionar. O objetivo era que o processo de elaboração desse manual de instruções levasse três anos — ou seja, até o final deste ano de 2018, durante a 24ª Conferência das Partes da Convenção da ONU sobre Mudanças do Clima (COP24), momento em que elas seriam aprovadas pelo órgão de tomada de decisão do Acordo de Paris, a chamada CMA. Faltando poucas semanas para a COP24, em Katowice, na Polônia, como estamos na elaboração dessas regras? Bem, podíamos estar melhor.

Na data em que este artigo foi escrito, 181 países haviam ratificado o Acordo de Paris. Com esta abrangência, o acordo está muito perto de ser universal e, portanto, inclui uma diversidade imensa de países: há ricos e pobres; muito ricos e muito pobres; países cujas economias dependem predominantemente da exploração do petróleo ou da queima do carvão; e, dentre os pobres, há ainda aqueles que estão à beira da extinção em virtude dos efeitos nefastos do aquecimento global, como as nações insulares do Pacífico, que já perdem território por causa do crescente aumento do nível dos oceanos.

Todos esses países estão sentados à mesma mesa de negociações, tentando fazer o Acordo de Paris funcionar. E todos precisam concordar em consensopara que as decisões do acordo sejam aprovadas, inclusive as decisões relativas ao tal livro de regras. Agora considere que todas essas decisões são tomadas dentro de um processo diplomático, em que cada país deve ter assegurado o direito de manifestar sua opinião, mesmo que ela não seja construtiva (como tem sido mais recentemente a postura dos Estados Unidos após a decisão da saída do Acordo de Paris pelo governo Trump). Isso significa que são necessárias muitas e muitas rodadas de negociações para que todos esses países com realidades tão heterogêneas concordem com um mínimo de tomada de ação. Sendo assim, se três anos para criar o livro de regras do Acordo de Paris parece muito tempo, dentro da lógica do regime da UNFCCC (sigla em inglês para a Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima) esse longo percurso até que faz sentido. E faz mais sentido principalmente porque é a primeira vez que se tem um acordo tão universal em termos de obrigações de combate ao aquecimento global: diferentemente do Protocolo de Kyoto, o Acordo de Paris não exclui o comprometimento de países em desenvolvimento; todos os países sem exceção são obrigados a contribuir de alguma forma.

Dentre os aspectos mais conturbados do livro de regras estão os instrumentos que vão garantir a transparência no cumprimento das obrigações do Acordo de Paris. O artigo 13 do Acordo prevê que os países deverão reportar: (i) seus inventários de emissões de gases de efeito estufa; e (ii) como estão implementando suas NDCs. Além disso, (iii) países desenvolvidos devem reportar como estão ajudando financeiramente os países vulneráveis que precisam de auxílio para concretizar ações de mitigação à mudança do clima. Questões como formato, conteúdo e periodicidade desses relatórios ainda estão em aberto, bem como o processo para revisão dos relatórios pelo grupo de especialistas técnicos da convenção, o chamado SBSTA. Esta é questão das mais críticas, pois é o processo de transparência que permitirá identificar de forma concreta o desempenho dos países na redução das emissões de gases de efeito estufa dentro do Acordo de Paris. De outro lado, o acordo reconhece que países com problemas de capacidade para produzir tais relatórios deverão receber recursos dos países desenvolvidos para cumprir as obrigações de reportar, mas a forma como estas obrigações estarão atreladas ainda não está clara.

Outro mecanismo que ainda precisará ser regulamentado é o chamado comitê “para facilitar a implementação e promover compliance” (cumprimento) das disposições do Acordo de Paris. Seria mais fácil chamar logo de “comitê de compliance”, mas isso não é visto com bons olhos nas negociações, pois soa como se fosse um comitê de investigação e punição dos países que não estiverem em compliance com o Acordo de Paris. Segundo o artigo 15, o comitê deve funcionar de forma facilitadora, “não-adversarial” e “não-punitiva”. Isto significa que o comitê não vai ter poderes para exigir qualquer ação por parte dos países, tampouco poderá aplicar sanções, mas eventualmente poderá propor um plano de ação para sanar problemas individuais de não-compliance e reportar o caso, inclusive para a CMA. Nada disso está decidido tampouco. Nas negociações, alguns países (inclusive o Brasil) têm adotado o entendimento de que este comitê só pode ser acionado com o consentimento prévio do país que vai ser “investigado”. Se essa visão prevalecer, dificilmente o comitê terá alguma demanda de trabalho para fazer.

Completando os mecanismos de “revisão” da implementação do Acordo de Paris, o global stocktake é mais uma medida inovadora do acordo para medir o desempenho coletivo dos países no cumprimento do Acordo de Paris. Especificamente, o global stocktake a cada cinco anos fará um balanço de onde estamos na trajetória de descarbonização mundial, tendo em vista a meta de manter o aumento de temperatura bem abaixo de 2°C com esforços para não superar 1,5°C. O problema é como estruturar a forma com que esse “balanço” vai ser conduzido: será simplesmente mais uma rodada de discussões entre os países? Haverá algum órgão constituído para gerenciar o processo? De quais instituições virão as informações a serem consideradas? ONG também pode fornecer dados? Uma pergunta especialmente polêmica é: nesse balanço vão ser também contabilizadas as perdas e danos causados pela mudança do clima?

Por fim, outro aspecto que precisa evoluir nas negociações do livro de regras é o dos mecanismos de mercado de carbono. O Acordo de Paris admite que os países possam trabalhar de forma cooperativa na redução de suas emissões, inclusive por meio de mercados de emissões pelos quais possam trocar entre si “excedentes” de permissões para emitir gases de efeito estufa. Essas trocas podem inclusive acontecer por meio da implantação de projetos de baixo carbono em um determinado país, cujos créditos sejam usados para contabilizar positivamente na NDC de um outro país, que financie estes projetos. Este último modelo é semelhante ao do famoso Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL) do Protocolo de Kyoto, que permitia que países em desenvolvimento hospedassem projetos para geração de créditos de carbono que seriam abatidos dos compromissos dos países desenvolvidos junto ao Protocolo. A diferença do MDL para o novo mecanismo é que agora tanto países desenvolvidos quanto países em desenvolvimento podem indistintamente hospedar ou financiar projetos.

Há quem não goste, contudo, da utilização do MDL como referencial para o novo mercado do Acordo de Paris, pois há muitas controvérsias sobre a integridade de alguns projetos, tais como projetos de geração de energia hidrelétrica que foram objeto de denúncias de violação de direitos humanos. O Brasil tem advogado pela permanência do modelo do MDL, e inclusive que os projetos de MDL já existentes sejam abatidos das metas dos países em desenvolvimento que hospedaram esses projetos no passado, o que é bastante polêmico.

Como sói acontecer na UNFCCC, as decisões importantes são deixadas para o último minuto, e há outros diversos aspectos críticos que precisam ser regulamentados pelo livro de regras do Acordo de Paris na COP24. Por exemplo, as obrigações dos países desenvolvidos de prestar apoio financeiro aos países em desenvolvimento no cumprimento das medidas de corte de emissões e adaptação às mudanças do clima é um ponto ainda muito travado nas negociações. Os países desenvolvidos estão dificultando o detalhamento dessas obrigações. Da forma como hoje consta no acordo, a obrigação de financiamento é coletiva, e não é possível individualizá-la por país desenvolvido sem um processo detalhado de como o cumprimento desta obrigação vai ocorrer. Sem isso, a exigência de financiamento climático coletivo tem pouca ou nenhuma eficácia.

Por fim, as regras sobre a revisão das NDCs (elas devem ser revisadas pelo menos a cada cinco anos de maneira que representem um progresso em relação à contribuição anterior) também ainda precisam ser decididas em Katowice. Para aderir ao Acordo de Paris, os países necessariamente precisaram apresentar uma NDC, válida até 2025 ou 2030. Essas NDCs já apresentadas foram elaboradas sem termo de referência nem critérios mínimos que permitam comparabilidade entre as contribuições. Por exemplo, algumas contribuições vieram na forma de meta de redução de emissões absoluta em relação à toda a economia do país, enquanto outras vieram na forma de ações específicas que o país vai adotar em relação a determinados setores carbono-intensivos. Na próxima rodada de apresentação da NDC progressiva, este problema deverá ser superado ou será inviável mensurar o progresso das NDCs ou o desempenho coletivo no âmbito do global stocktake. Também aqui as negociações travaram na velha discussão sobre o princípio das responsabilidades comuns porém diferenciadas: os países em desenvolvimento querem tratamento diferenciado na obrigação de submeter uma NDC e no tipo e conteúdo das contribuições.

Com todas essas pendências e dificuldades, contudo, a UNFCCC sempre surpreende pela capacidade de entregar algum resultado, mesmo que seja um plano de ações ainda dependente de novas rodadas de negociação. Foi assim em Paris: até o último dia as negociações estavam tensas e desesperançadas, com muitos pontos de divergência cruciais ainda pendentes e parecendo insuperáveis. No final, ficam as decisões sobre os temas realmente difíceis, e estas são tomadas pelos altos níveis de governo, mediante trocas e barganhas, tudo no intuito de garantir a continuidade do processo multilateral internacional de cooperação para o combate às mudanças do clima. Os dados alarmantes do novo relatório do IPCC sobre o cenário de aquecimento global acima de 1,5°C podem reforçar a vontade política dos chefes de Estado para decisões um pouco mais robustas em Katowice. Ainda assim, se esse processo vai conseguir entregar em termos de efetividade na redução dos efeitos do clima, vai depender do que acontecer fora do Acordo de Paris, nas ações concretas adotadas domesticamente pelos governos nacionais, regionais, subnacionais, no engajamento dos mercados e da sociedade civil, para implementação das NDCs. O objetivo das negociações diplomáticas da UNFCCC cada vez mais é garantir que “a peteca não vai cair”; o resto é com a gente.

*Caroline Prolo é advogada, chefe do departamento de direito ambiental do escritório Stocche Forbes, consultora do International Institute for Environment and Development (IIED) e advogada do grupo dos países menos desenvolvidos nas negociações de mudanças climáticas da ONU.


Fonte: ENVOLVERDE

É possível prever e evitar incêndios florestais?

Por Chris Baraniuk – BBC Future

Mark Finney, do Serviço Florestal dos EUA, e seus colegas às vezes fazem o impensável – ateiam fogo em arbustos, por exemplo.

Eles não são, porém, incendiários – e tampouco o fogo ao qual dão início vai se alastrar ou se tornar altamente destrutivo. Trata-se de queimas controladas da vegetação para munir cientistas de mais informações sobre como as chamas passam de um galho a outro. Isso pode ajuda a prever como os incêndios se alastram.

Entre as medidas levadas em consideração por Finney e sua equipe estão a duração das chamas, sua velocidade de propagação e o tipo de troca de calor nesse processo. A equipe realiza o experimento na Nova Zelândia em áreas isoladas por barreiras para impedir que se perca o controle do fogo.
Uma série de modelos tenta prever os locais de ocorrência e a intensidade dos incêndios JOSH EDELSON/GETTY IMAGES.

“Temos drones que nos dão uma visão do que está acontecendo do alto e temos câmeras protegidas em caixas de isolamento que são colocadas dentro do fogo”, afirma.

“Geralmente, levamos um dia ou mais para arrumar todos os equipamentos e, claro, também é preciso que as condições climáticas cooperem”.

Um momento crucial da história da evolução humana foi a descoberta do fogo. Já a indagação do homem moderno é saber o que faz o fogo se propagar. O fogo antecede os primeiros passos do homem na Terra.

E hoje, longe de estar sob controle, o fogo frequentemente assume a forma de um desastre causado pelo homem. Nos EUA, mais de 80% dos incêndios são causados por pessoas.

Verões muito secos e quentes

Este ano, assim como no ano passado, várias partes do planeta tiveram verões muito quentes e secos, aumentando as chances de incêndios florestais. Matas queimaram na Grécia, Suécia e Sibéria, entre outros locais.

O Estado da Califórnia, no sudoeste dos EUA, enfrenta um dos incêndios florestais mais letais de sua história. Até a noite desta terça-feira, 42 pessoas haviam morrido. A cidade de Paradise, no norte do Estado, foi reduzida a cinzas.

Há 228 desaparecidas e mais de 7 mil estruturas foram destruídas. Em todo o Estado, mais de 300 mil pessoas já foram forçadas a deixar suas casas.

Ainda não se sabe o que deu início ao fogo, mas as autoridades afirmam que, independentemente da causa, a baixa umidade e a secura do solo após um mês praticamente sem chuvas criaram as condições ideais para que as chamas se espalhassem.
O Serviço Florestal dos EUA toma precauções especiais para garantir que os testes com fogo não fujam do controle IAN GROB/US FOREST SERVICE.

Finney espera que os dados de seus experimentos melhorem os modelos existentes usados para combater o alastramento de incêndios e ajude a proteger cidades e comunidades sob risco de destruição. Alguns dos modelos atuais são muito simplistas, ele explica.

“Há muitos fatores que não podem ser aplicados aos modelos atuais, como a variabilidade do vento, que nunca é constante em velocidade ou direção”, afirma o especialista, explicando que os modelos atuais só permitem incorporar uma informação para vento, e não sua variação.

Aumento da precisão de modelos

Ao longo do tempo, contudo, a precisão dessas ferramentas tem melhorado. Em julho, foi publicada uma revisão dos modelos de incêndio da Austrália usados para prever a dispersão de fogo.

Descobriu-se na ocasião que houve um aumento significativo na acurácia dos sistemas nos últimos anos, com redução de mais de 50% no volume de erros.

E como prever os incêndios antes de eles começarem? Embora previsões exatas sejam praticamente impossíveis, a Ciência está nos dando novas e melhores formas de calcular o risco de fogo – e está nos ajudando a entender como grandes incêndios se intensificam.

Max Joseph, que se dedica a desvendar os segredos dos dados, é um desses atores. Ele é coautor de um estudo – em processo de revisão – que explorou a possibilidade de prever quais regiões nos EUA continental estão propensas a incêndios florestais com base em seus ecossistemas e características climáticas.

A equipe reuniu dados climáticos desde 1984 com informações sobre incêndios florestais que ocorreram desde então. Um modelo de computador analisou a relação entre padrões climáticos e o início do fogo.

Eles concluíram que períodos de baixa umidade – ar seco – e altas temperaturas são fortes indicadores do risco de incêndios. E são mais relevantes até do que a pluviosidade.
O incêndio de Carr, entre julho e agosto de 2018, queimou 230 mil acres da paisagem da Califórnia TERRAY SYLVESTER.

A forma como tais condições influenciam a disseminação do fogo varia muito de uma “ecorregião” para a outra – áreas que diferem em terreno e vegetação. Mas, ao acumular padrões de dados entre os anos 1984 e 2010, o modelo definiu com precisão a ocorrência de fogo em regiões específicas nos cinco anos subsequentes.

Segundo Joseph, 99% das ocorrências foram previstas pelo modelo.

Estimar a intensidade dos incêndios foi uma tarefa mais difícil, mas o sistema deu a Joseph esperança de que é possível melhorar a compreensão de quais áreas podem sofrer com incêndios em determinados períodos, contanto que dados meteorológicos precisos estejam disponíveis com antecedência.

“Acho que, se tivermos boas previsões do tempo, poderemos ter uma ideia muito boa do que acontecerá no ano seguinte com base neste trabalho”, afirma.

Densidade de casas

Dominique Bachelet, cientista climática da Universidade do Estado de Oregon, exalta o esforço da equipe, mas sugere que há formas mais sutis de analisar os fatores abordados pelo estudo – observando, por exemplo, a densidade de moradias das regiões observadas.

O senso comum pode nos levar a crer que o risco de incêndio é diretamente proporcional à quantidade de casas em uma área – mas ele depende em grande medida da vegetação que está “disponível” para a queima.

Uma pequena habitação em uma área com vegetação muito inflamável, por exemplo, já pode provocar grande estrago.

A gama de fatores e métodos de interpretação das análises estatísticas relacionadas ao fogo é muito ampla. Por exemplo, um estudo publicado na PNAS em fevereiro descobriu a correlação entre o números de dias com mais de 2,54 mm de pluviosidade e incêndios florestais no oeste dos EUA.

Essa é uma métrica ligeiramente diferente da usada pelo grupo de Joseph, mas está em sintonia com seus achados – menos chuvas significam menos água disponível para evaporar e contribuir com a umidade. Ou seja, o ar seco é um gatilho para incêndios.
Curiosos observam o chamado Fogo Sagrado, na Califórnia, em agosto de 2018 ROBYN BECK.

“Se a tendência de redução da precipitação continuar, o resultado será um contínuo padrão de verões quentes e secos que levarão ao aumento de períodos de graves incêndios”, pontuam os autores.

Park Williams, do Observatório da Terra Lamont-Doherty, da Universidade de Columbia, diz que o verão quente de 2018 já foi uma indicação de que o ano traria incêndios intensos na Califórnia.

“Houve recordes de temperatura ao longo de toda a Califórnia no verão”, ele explica. “Quando se atingem aquelas temperaturas, há fortes chances de incêndios de grandes proporções.”

Localizando pontos de interesse

Para as pessoas diretamente afetadas pelos incêndios florestais, o que realmente importa é saber com antecedência se a área em que elas vivem está ameaçada.

A imprevisibilidade do clima é um fator complicador. Mas o combustível – a vegetação “disponível” para a queima – também é difícil de quantificar. O quão denso, exatamente, é um trecho da floresta? O quão seco estão os galhos caídos este verão? Há esforços para acompanhar isto, mas ainda são trabalhos em andamento.

Além disso, como humanos e a iluminação artificial são responsáveis pela maioria dos incêndios florestais, torna-se extremamente difícil, senão impossível, prever exatamente quando e onde as chamas vão surgir. Mas isto não significa que não podemos ter uma ideia.

As previsões climáticas mais precisas, com alguns dias de antecedência, são usadas por agências para criar mapas de locais propensos a incêndios nos EUA. “Mapas são produzidos todo dia e atualizados com base em condições climáticas que podem ser críticas para incêndios”, afirma Finney.

Isto pode ajudar autoridades a fazer evacuações e a deslocar recursos contra incêndio aos lugares certos antes de um desastre.
A equipe do Serviço Florestal dos EUA faz experimentos cuidadosos para medir a taxa de dispersão do incêndio IAN GROB/US FOREST SERVICE

Uma pessoa bastante interessada em entender como o fogo se alastra é Ellie Graeden, da RedZone Analytics, que faz de análises de incêndios.

florestais para clientes comerciais, incluindo companhias de seguro.

Os três fatores principais que seu sistema leva em conta, ela explica, são: vento, disponibilidade de combustível e topografia do terreno.
Bombeiros na Alemanha recentemente combateram um incêndio na floresta a 50 quilômetros de Berlim PATRICK PLEU.

Munidas de informações, as companhias de seguro podem empregar suas próprias equipes para proteger as propriedades de incêndios. Ou trabalhar com quem possa proteger as propriedades. Os dados também servem para estimar o custo da destruição de um incêndio – o que ajuda a planejar como compensar os clientes.

“Fazemos avaliações e aplicamos nossos modelos durante os eventos”, afirma Graeden. “Após o incidente, voltamos para avaliar o quão precisos eles foram.”

Precisão de 90%

No ano passado, Graeden diz que os modelos RedZone previram, com mais de 90% de precisão, quais casas de Coffey Park, na Califórnia, seriam queimadas pelo devastador incêndio florestal que atingiu a região. No total, 3,5 mil propriedades foram destruídas pelo fogo.

Mas até essas projeções podem ser melhoradas. A especialista diz que faltam dados quantitativos bons do quanto as residências devem queimar. Sabe-se que o asfalto ou as telhas de barro são menos propensas às chamas do que a madeira, por exemplo, mas dados precisos quantificando esta diferença não estão disponíveis, afirma.

O que se espera do futuro dos incêndios florestais? Em escala global, a área total queimada por incêndios florestais está na realidade diminuindo por causa da expansão das fazendas.

Em locais específicos, no entanto, os verões quentes e secos influenciados pelas mudanças climáticas devem continuar a causar incêndios em locais não esperados, como próximo a áreas urbanas.

Bachelet acredita que o que estamos observando agora é um período em transição pouco comum. “O que cresce novamente após o fogo será mais adaptado a essas condições, então provavelmente irá produzir menos combustível”, diz. Os ecossistemas em tais áreas estão “recomeçando”, ela explica.

Fonte: ENVOLVERDE

Brasil apresenta avanços em convenção sobre biodiversidade.

Por: Waleska Barbosa/Ascom MMA

Começa nesta terça a 14ª Conferência das Partes (COP 14) da Convenção sobre Diversidade Biológica. Ministro Edson Duarte participa do segmento de alto nível da reunião.

Brasília – O governo brasileiro participa, entre esta terça-feira (13) e o dia 29 deste mês, em Sharm El Sheikh, no Egito, da 14ª Conferência das Partes (COP 14) da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB). A reunião internacional terá o objetivo central de monitorar os avanços das deliberações da CDB e estabelecer novas medidas de conservação, uso sustentável e compartilhamento justo e igualitário dos
Os países-membros da CDB vão discutir e negociar diversos itens, na programação que inclui reuniões das partes sobre os Protocolos de Nagoia (NP/MOP3) e de Cartagena (CP/MOP9). O ministro do Meio Ambiente, Edson Duarte, participará do segmento de alto nível, nos dias 14 e 15, que terá o tema “Investindo em biodiversidade para as pessoas e o Planeta”, e o desafio para a integração de políticas de conservação da biodiversidade em setores como infraestrutura; manufatura e processamento; energia e mineração; e saúde.

Além de participar das negociações sobre temas relevantes para o país, o Brasil vai apresentar ao mundo as recentes conquistas na conservação da sua biodiversidade, incluindo a notável expansão, nos últimos dois anos, do Sistema Nacional de Áreas Protegidas. Hoje, o país tem 18% dos ecossistemas terrestres e 26% dos marinhos, em áreas de proteção.

A conservação dos recursos naturais em áreas protegidas e outras medidas efetivas de conservação (OECM) no Brasil é fundamental para promover não apenas a conservação da biodiversidade, mas também para a redução das desigualdades sociais e da pobreza. Áreas protegidas e OECM têm o potencial de conciliar conservação e desenvolvimento sustentável.

“Estima-se que o Brasil detém em torno de 20% da biodiversidade mundial conhecida, mantendo mais de 60% de seu território cobertos com vegetação nativa e, hoje, tem um mosaico de áreas protegidas cobrindo cerca de 30% de seu território”, afirma o ministro Edson Duarte.

SEGMENTO TÉCNICO

A delegação brasileira também atuará no segmento técnico, com atenção para temas de interesse do Brasil, como planejamento territorial, biodiversidade costeira e marinha, biossegurança, acesso a recursos genéticos e repartição de benefícios, mecanismos de financiamento, contas econômicas ambientais, grandes áreas marinhas protegidas e espécies ameaçadas de extinção.

De acordo com Edson Duarte, o governo federal atua com políticas públicas voltadas para a manutenção da floresta em pé, buscando formas de construir um modelo de desenvolvimento que garanta qualidade de vida, desenvolvimento econômico para populações tradicionais e manutenção dos serviços ecossistêmicos da floresta, além de ações de comando e controle para combater o desmatamento ilegal.

O ministro destaca ainda que, diante da necessidade de uma estratégia financeira abrangente para a implementação das políticas ambientais, o país tem lançado instrumentos inovadores e soluções eficazes para o financiamento da biodiversidade, como as Cotas de Reserva Ambiental (CRAs), a conversão de multas ambientais, a repartição de benefícios derivados do acesso a recursos genéticos e aos conhecimentos tradicionais a eles associados e o engajamento do setor privado por meio do desenvolvimento de ferramentas de gestão de negócios.

EVENTOS PARALELOS

No dia 19, o Brasil coordenará um evento paralelo em que apresentará as inovações e os resultados alcançados com a experiência do país em Acesso e Repartição de Benefícios (ABS, na sigla em inglês), com o objetivo de disseminar as lições aprendidas com o modelo brasileiro e oferecer cooperação técnica aos países que ainda não possuem políticas nessa área em suas leis domésticas.

O Brasil foi um dos pioneiros no estabelecimento de regulamentações sobre o acesso aos recursos genéticos e o conhecimento tradicional associado, bem como à partilha justa e equitativa dos benefícios, em um processo que resultou na aprovação da Lei nº 13.123, de 2015, que fornece o marco jurídico para o acesso e a partilha de benefícios no Brasil.

A COP 14

A Conferência das Partes (COP) é o principal órgão da Convenção sobre Diversidade Biológica (CBD, na sigla em inglês) das Nações Unidas. A cada dois anos, os países signatários reúnem-se para firmar pactos e analisar o andamento das metas estabelecidas anteriormente.

A COP estabeleceu sete programas temáticos de trabalho (zona costeira e marinha; águas continentais; agricultura; áreas secas e semi-áridas; florestas; montanhas e ilhas), que correspondem a alguns dos principais biomas do Planeta. Para cada temática, são associados visão e princípios básicos para orientar o trabalho futuro.

CDB

Adotada no Brasil em 1992, durante a Rio-92, e em vigor desde 29 de dezembro de 1993, a CDB tem como objetivo estabelecer as normas e princípios que devem reger o uso e a proteção da diversidade biológica em cada país signatário. A partir dela, são criadas as regras para assegurar a conservação da biodiversidade, o seu uso sustentável e a justa repartição dos benefícios provenientes do uso econômico dos recursos genéticos, respeitada a soberania de cada nação sobre o patrimônio existente em seu território. A CDB já foi assinada por 194 países e ratificada por 168.

OS PROTOCOLOS

O Protocolo de Cartagena e o Protocolo de Nagoia são acordos internacionais suplementares à CDB. 

O Protocolo de Cartagena visa assegurar um nível adequado de proteção no campo da transferência, da manipulação e do uso seguros dos organismos geneticamente modificados (OGMs) resultantes da biotecnologia moderna que possam ter efeitos adversos na conservação e no uso sustentável da diversidade biológica, levando em conta os riscos para a saúde humana, decorrentes do movimento transfronteiriço. O Protocolo entrou em vigor em 11 de setembro de 2003, mesmo ano em que o Brasil ratificou o documento.

O Protocolo de Nagoia tem por objetivo viabilizar a realização do terceiro objetivo da CDB: a repartição justa e equitativa dos benefícios derivados da utilização dos recursos genéticos da biodiversidade e dos conhecimentos tradicionais a eles associados. Entrou em vigor em 2014. O Brasil assinou o Protocolo em 2011, mas o Congresso Nacional ainda não ratificou o documento, o que limita a participação brasileira nas discussões relativas ao Protocolo, onde participa apenas como ouvinte, e que ocorrem em paralelo às negociações da CDB. Apesar disso, o Brasil participará ativamente das discussões sobre ABS realizadas no âmbito da COP14.

Fonte: ENVOLVERDE