sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


Mulher, solo e pobre: Por que a maioria das mães solo brasileiras vive abaixo da linha da pobreza?


Por Victória Damasceno, para a Revista Azmina
Não sobra nada. É só o dinheiro para comer mesmo. Não dá para fazer muita coisa”. É desta forma que Cinthia Fernandes, de 30 anos, moradora da periferia de Osasco, na grande São Paulo, descreve seus gastos mensais. Mãe solo de cinco crianças de um a 12 anos, Cinthia é a responsável por alimentar os filhos, a sogra e o sobrinho com os R$ 400 que ganha como vendedora de milho no centro da cidade. O marido, que também compunha a renda da casa, foi preso por tráfico de drogas.

Além do dinheiro de Cinthia, a casa conta com R$ 900 mensais de sua sogra, Maria Belém Pereira, de 55 anos, que trabalha em um salão de beleza e assume o aluguel de R$ 620 e as contas de água, luz e gás. No total, a renda na casa é de aproximadamente R$ 162,50 por pessoa por mês.

Cinthia é parte dos 26,5% dos brasileiros considerados pobres segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O órgão utiliza o parâmetro adotado pelo Banco Mundial para definir a pobreza: famílias que vivem com até 5,5 dólares por dia, por pessoa no domicílio. Mas dentro desse grupo de brasileiros, Cinthia faz parte de um outro grupo: o das mulheres que sustentam a casa com filhos de até 14 anos. Segundo o levantamento do IBGE, 56,9% dessas mulheres estão abaixo da linha da pobreza. E se a raça for levada em conta, o cenário piora: 64,4% das mães negras vivem nessas condições.

No ano de cotação da pesquisa, 2016, o valor 5,5 dólares por dia equivalia a cerca de R$ 406 mensais. Se atualizarmos o valor para hoje, qualquer pessoa que viva com até de 646 reais, segundo a cotação do dia, pode ser considerado pobre. Em 2016, o contingente de brasileiros nessa situação correspondia a 25,7% da população, e com o aumento de 2 milhões de pessoas, 2017 fechou o ano com 26,5% de brasileiros vivendo em situação de pobreza.

Segundo o IBGE, a recessão econômica e o desemprego foram os principais fatores para o aprofundamento das desigualdades. Entre 2014 e 2017, a taxa de desemprego subiu de 6,4% para 12,5%. “O índice de desigualdade e a taxa de pobreza vinham diminuindo, mas a crise gerou aumento”, afirma o analista da pesquisa do IBGE Pedro Rocha. Além da crise, o analista explica que as recentes decisões do governo de Michel Temer aprofundaram as desigualdades devido às medidas de austeridade fiscal, aprovação de propostas que aumentam a precariedade do trabalho e corte nos benefícios sociais como o Bolsa Família.

Sociedade patriarcal coloca essas mulheres em vulnerabilidade

Nesse cenário, as populações mais vulneráveis acabam sendo as mais atingidas. Entram aí as mulheres que criam seus filhos sem um companheiro. “Como crianças não possuem rendimento, a renda da mulher que é mãe solo é distribuída entre os filhos, além de ter agravantes como  quando a mãe precisa deixar o trabalho para cuidar dos filhos”, explica Pedro.

As mulheres como Cinthia não são poucas. Entre 2005 e 2015, o Brasil ganhou 1,1 milhão de famílias chefiadas por mulheres. Segundo o IBGE, em 2005 o Brasil tinha cerca de 10,5 milhões de famílias cujo a pessoa de referência eram mães solo. Em 2015, esse número subiu para 11,6 milhões, o que corresponde a 26,8% das famílias no Brasil. Segundo dados da mesma pesquisa, famílias compostas por um homem sem cônjuge e com filho representam apenas 3,6%.

A pouca representatividade de pais solos chefes de família se relaciona com a forma como a organização da sociedade brasileira, que resiste à ideia de que os pais cuidem dos filhos ao mesmo tempo que promove a lógica do homem provedor. Este é o diagnóstico da psicóloga social Belinda Mandelbaum, responsável pelo Laboratório dos Estudos da Família do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Para Belinda, o Brasil ainda alimenta a ideia de que homens devem ir para o trabalho enquanto cuidar de crianças é coisa de mulher.

“Isso tem a ver com um modelo de sociedade fortemente patriarcal,
que coloca a atividade de cuidado com as crianças como uma atividade feminina”,
diz a especialista 

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2011, o Brasil tem 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento. Dados mais atualizados mostram que só em São Paulo há 750 mil pessoas, entre zero e 30 anos, sem o nome do pai no registro, segundo o Governo do Estado.

Marta* é uma das mulheres que compõem estes dados. Mãe de quatro crianças, sendo dois gêmeos, 

cada gravidez foi fruto de um pai diferente. O comum entre eles é o abandono: os três homens responsáveis pelas crianças as abandonaram e sequer pagam a pensão estabelecida por lei.  Aos 30 anos, ela trabalha como empregada doméstica em uma única residência e ganha R$ 1.600 por mês. 

Essa renda a coloca dentro da estatística da linha da pobreza: R$ 320 por pessoa na casa, equivalente a 49% do valor teto estabelecido pelo Banco Mundial para que a pessoa seja considerada pobre.

Com um aluguel de R$ 750 por uma casa de dois cômodos e um banheiro, Marta não consegue proporcionar para si ou para os filhos momentos de lazer. “O que sobra das contas é para o mercado. Dificilmente dá para fazer algo diferente disso”, conta.

“É uma vida muito corrida, você tem que abrir mão de muita coisa.
Você tem que viver em função do seu trabalho e dos seus filhos”
Mulheres negras vivem ainda mais vulnerabilidades

A pesquisa do IBGE realizou ainda um recorte racial sobre as famílias sustentadas por mães solo. 

Nos domicílios cujos responsáveis são mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos até 14 anos, 25,2% dos moradores tinham pelo menos três restrições às dimensões analisadas. “Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%)”, diz a pesquisa. As diferenças históricas de desigualdade racial são as principais causadoras de altas taxas de desemprego, menor rendimento e escolaridade entre os negros, de acordo com Pedro Rocha. 

“Sempre que fizermos o recorte racial, as desigualdades vão se sobressair em relação aos outros”, afirma o analista do IBGE.

É o caso de Joyce Cristina, mãe de Jamilly de 7 anos, e moradora de Mogi das Cruzes, em São Paulo. 

Aos 24 anos, Joyce vive em uma casa de dois cômodos no bairro de Jundiapeba, ao lado do marido e da filha.

Ela se enquadra no grupo porque o IBGE leva em conta na pesquisa a pessoa de referência na família, ou seja, quem é que tem rendimentos. Apesar de ser casada, Joyce é a única responsável pela renda da casa. “Meu marido é pedreiro e dificilmente consegue trabalho. Quando consegue, muitas vezes as pessoas pagam com alimentos”, conta.

Joyce é beneficiária do Bolsa Família e faz parte das 46,9% de pessoas negras ocupadas por trabalho informal no Brasil. Tem renda fixa de cerca de R$ 300 por mês, o que faz com que sua ocupação de doméstica corresponda a menos de 50% do R$ 688  correspondentes à média salarial desta categoria, segundo o IBGE.

Seu dia a dia, é corrido. As diárias como trabalhadora doméstica e o auxílio de R$ 120 do Bolsa Família não são suficientes para arcar com os custos da casa. Sem casa própria, o valor do seu aluguel é de R$ 350, além das contas de água e luz. Para aumentar o rendimento do mês e conseguir cuidar da filha, às vezes procura fazer bicos, mas conta que não consegue faturar mais de um salário mínimo. “Mesmo trabalhando de domingo a domingo, juntando os picados, não dá para fazer nada além de pagar as contas”, diz.

Para Belinda Mandelbaum, a sobrecarga das mulheres negras é fruto do passado escravocrata do Brasil, que nunca deu à população negra a possibilidade de ascensão social por meio do acesso à educação. “É um ciclo que se auto-alimenta. Sem educação de qualidade a população negra, em especial as mulheres, terão menos chances de acessos à empregos melhores e menos condições de realizar uma disputa salarial”, explica. Para ela, esses fatores compõem um quadro que não somente aprofunda as desigualdades, mas as perpetuam. “Cabe a sociedade e ao Estado promover situações que rompam com esse círculo vicioso.”

Além da falta de oportunidade para o desenvolvimento social, a saúde mental deste grupo de mulheres se tornou outro fator que intensifica sua vulnerabilidade. Belinda conta que a falta de políticas públicas na área da saúde, do trabalho e da assistência social às expõem à “toda sorte de violências”.
“Para garantir à sobrevivências dos seus,
essas mulheres aceitam condições precárias de trabalho
e com sobrecarga de esforço físico extenuante”,
afirma Bellinda.

Esses fatores geram situações de tensão e cansaço constante, que se reverberam para dentro da família e podem até mesmo se transformar em situações de violência. “Há uma ausência de amparo que gera falta de políticas públicas de proteção social para estas mulheres, o que repercute negativamente na sua saúde mental e na sua relação com os entes queridos”, conclui.

Sem familiares que apoiem a criação da filha, Joyce Cristina é uma das tantas mulheres que se expõe à situações precárias de trabalho para garantir a sobrevivência de sua família. Para ela, a falta de oportunidades de desenvolvimento pessoal são os fatores que a colocaram no grupo de mulheres que vivem na linha da pobreza. Mas mesmo no trabalho doméstico, sonha em ajudar outras mães. “Quero abrir uma creche”, conta. O sonho incomum é um misto de amor pelas crianças e cuidado com outras mulheres. “Eu me apego as crianças e acho que as mães não deveriam abrir mão do seu trabalho porque não têm vagas nas creches”. Joyce sonha com uma creche a preços populares, para que as mães da periferia tenham condições de pagar, trabalhar e de cuidar de seus filhos.

Informalidade, creches, moradia: está tudo conectado

A creche de Joyce vira a calhar para Cinthia Fernandes. Para ela, o mais importante é que todos os filhos estejam na escola e tenham suas necessidades básicas supridas. “O grosso sempre tem. Não falta pão e sempre tem uma bolacha ou um Danone. Vivo para cima e para baixo fazendo bico para não faltar.” Cinthia também faz parte das 40,7% das mulheres ocupadas pelo trabalho informal. Em 2017, as mulheres em trabalhos informais ganhavam o equivalente a 46,5% daquelas empregadas em vagas formalizadas.

Embora quatro de seus filhos se mantenham na escola, a ausência de vaga na creche para Miguel, de um ano e um mês, a impede de procurar um trabalho formal. Dependendo do bico que arranja, consegue levar os dois filhos mais novos. Quando não é possível, sua filha Camila, de 12 anos, se torna a responsável pela casa.

A situação se agrava ainda mais quando são analisadas as situações de moradia dessa população. 

Uma parcela expressiva de pessoas na linha da pobreza possuem inadequações nos imóveis onde vivem. A primeira inadequação é a ausência de banheiro exclusivo de uso da residência, ou seja, que no dia a dia não é compartilhado com moradores de outras casas. As demais correspondem a materiais não duráveis nas paredes externas dos domicílios, adensamento domiciliar excessivo (quando há mais de três pessoas por cômodo na residência), e o valor do aluguel correspondente a mais de 30% da renda total da casa.

Das quatro inadequações, Cinthia convive com duas delas. Moradora de um imóvel de dois cômodos e um banheiro, há uma média de 4 pessoas por cômodo na residência. Com um quarto e uma cozinha, a autônoma divide a noite com os outros sete moradores da casa. As mobílias do único quarto correspondem a uma beliche, duas camas de solteiro e uma cama de casal. Dentre essas, há duas camas que são divididas: uma de solteiro, com quem ela dorme com o filho mais novo, e outra de casal, onde dormem três das quatro filhas mulheres. Além disso, seu aluguel corresponde a 51,6% da renda total da casa.

Apesar da dificuldade, não se considera dentro da linha da pobreza. “Eu acho que tem pessoas que estão pior que eu. Eu não me considero na linha de pobreza porque as minhas filhas podem não ter tudo do bom o do melhor, mas não falta nada.”

*Nome fictício usado para preservar a identidade da entrevistada.


Fonte: ENVOLVERDE

A era da irresponsabilidade ou que desenvolvimento queremos?


Por Liliane Rocha

Que desenvolvimento queremos? A frase está no livro A Era do Capital Improdutivo do Ladislau Dowbor e foi ela que de imediato me impactou e me fez parar para escrever este artigo, pois me fez pensar: será que as pessoas têm clareza de que desenvolvimento realmente querem? Estão se responsabilizando – de fato – pelas suas escolhas. E pela consequência destas escolhas?

Instantaneamente voltaram à minha mente algumas reflexões que começaram a me angustiar durante as aulas de MBA de Gestão da Sustentabilidade quando estava tendo acesso a um grande volume de informações que são cruciais para todo e qualquer ser humano, mas que infelizmente só uma parcela da população tem acesso.

Me fez lembrar também do Relatório Prosperity Without Growth ou em tradução livre prosperidade sem crescimento que lança luz sobre questões como essa e sobre qual é a nossa responsabilidade, ou irresponsabilidade, diante de temas e realidades tão críticos.

Pude mergulhar nestas temáticas a fundo e sair da superfície. Não somente na teoria, mas na prática, já que o aprendizado se deu em grande parte trabalhando dentro de grandes empresas, em interface com poder público, organizações, sociais e comunidade. Enfim, tudo isso dito, na tentativa de que você, leitor, atente ainda mais para essa discussão. Que desenvolvimento queremos? Em um momento no qual muitos afirmam almejar o crescimento econômico do Brasil, derrapando em discursos nos quais por vezes parece que “vale tudo”. Vale comprometer o meio ambiente? Vale deixar uma parcela da população para traz?

Crescimento econômico é a prioridade do dia na agenda de boa parcela da população. Aspecto que considero legítimo uma vez que a instabilidade econômica tem sido um dos temas centrais no Brasil dos últimos tempos. As perguntas sobre as quais proponho reflexão são: será que o crescimento econômico almejado corresponderá a desenvolvimento para todos? Ou, será que corresponderá a uma sociedade mais próspera?

Vejamos, apenas 1% da água do planeta está disponível para consumo, o Brasil detém a maior reserva de água doce do planeta (12% do total disponível). Ainda assim estamos enfrentando a crise hídrica em estados do país nos quais esse não era nem de longe um desafio há algum tempo. Situação que se amplia claramente devido às mudanças climáticas e ao desmatamento crescente. O Sistema da Cantareira, por exemplo, estava em 38,2% no período pré-crise em 2010, e em 34,7% em 21/10/2018. Apesar da escassez hídrica ter parecido cair no esquecimento durante o período eleitoral.

A gestão de resíduos também está na pauta do dia. No Brasil, cada um de nós produz 380 quilos de lixo por ano. São ao todo 63 milhões de toneladas de lixo gerados, dos quais 24 milhões de toneladas seguirão para destinos inadequados como lixões. Seguimos com a crise da matriz energética, apesar do Brasil ter avançado, pois chegamos em 12% de energia eólica na composição da matriz brasileira.

Temas ambientais latentes, que se conectam fortemente às questões sociais ao passo que vivemos em um país de extrema desigualdade, onde certamente os impactos da questão ambiental recaem com mais peso sobre os mais pobres. O relatório País Estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras lançado, em 2018, pela Oxfam, nos mostra que o Brasil é o 9º país mais desigual do mundo. Ou seja, há uma parcela da população brasileira que está na linha de frente quando falamos em falta de água, energia, acúmulo de lixo, problemas de saúde gerados pela poluição, entre outros.

Como diz o relatório Prosperity without Growth “o retorno aos negócios na forma usual não é uma opção”. Eu acrescentaria o retorno ou retrocesso em termos de práticas governamentais também não é uma opção. A prosperidade para poucos, pautada na destruição ecológica e na desigualdade social sistêmica não é mais um caminho viável em uma sociedade civilizada.

Caso contrário, se é que vamos realmente retomar a economia, ela não valerá a pena, pois a conta dos impactos ambientais e da parcela da população deixada para trás irá chegar, e ela será bem cara.

Fonte: ENVOLVERDE

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A CRISE na Venezuela; de quem é a CULPA!

A CRISE na Venezuela, não é só culpa do DITADOR Nicolás Maduro; são vários CULPADOS. Todos aqueles venezuelanos que apoiam Nicolás Maduro, são culpados pela situação em que se encontra a Venezuela. A opinião pública, deveria citá-los ao falar da crise venezuelana, e não só se focar em Nicolás Maduro, pois quando Nicolás Maduro sair do processo, seja por bem ou por mau; esses apoiadores, precisam ser identificados e inibidos pela sociedade venezuelana.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Meio ambiente de PAPEL!


Nos últimos 20 anos, a questão ambiental no Brasil se resumiu em viagens, e produzir leis e encontros. As questões básicas de uma gestão pública, foram deixadas de lado, e se arrastam em discursos bonitos, mais que não resolvem a questão. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Governo um bom NEGÓCIO!!

Ser governante no Brasil, é um bom negócio, pois o povo que paga a conta, raramente reclama, e se contenta com as migalhas oferecidas pelos governantes, que são servidos ao invés de servir.


Pequenos peixes podem não ser mais capazes de prosperar sob níveis de oxigênio decrescentes.

Um novo estudo revela que apenas a menor mudança nos níveis de oxigênio pode ter ramificações tremendas na cadeia alimentar.

University of South Florida*

O aumento das temperaturas está fazendo com que as regiões de águas intermediárias com oxigênio muito baixo, conhecidas como Zonas Mínimas de Oxigênio (OMZs), se expandam no leste do Oceano Pacífico Norte. Enquanto alguns organismos em certas regiões podem ser capazes de se adaptar, os pesquisadores descobriram que aqueles que vivem em OMZs provavelmente não podem, já que eles já estão sendo empurrados para seus limites fisiológicos.

“Esses animais desenvolveram uma tremenda capacidade de extrair e usar a pequena quantidade de oxigênio disponível em seu ambiente”, disse o autor do estudo, Brad Seibel, PhD, professor de oceanografia biológica na Faculdade de Ciências Marinhas da Universidade do Sul da Flórida. “Mesmo assim, descobrimos que reduções naturais nos níveis de oxigênio de menos de 1% foram suficientes para excluir a maioria das espécies ou alterar sua distribuição”.

Pesquisadores analisaram muitos tipos diferentes de zooplâncton marinho, que inclui peixes e crustáceos que são essenciais para a cadeia alimentar marinha. A ciclotona, por exemplo, está entre os vertebrados mais abundantes do mundo, enquanto o krill é importante na dieta de peixes, lulas e baleias.

Com a expansão das OMZs, essas espécies podem ser empurradas para águas mais rasas, onde há mais luz solar, temperaturas mais altas e maior risco de predadores.

Seibel foi cientista-chefe da expedição que estudou a tolerância fisiológica dos animais em uma faixa de valores de oxigênio. Ele descobriu que os animais nessa região tinham uma tremenda tolerância a baixos níveis de oxigênio, mas que viviam com valores de oxigênio próximos aos seus limites evoluídos.

Assim, pequenas mudanças de oxigênio tiveram um impacto substancial na abundância e distribuição da maioria das espécies. Outras desoxigenações relacionadas ao clima podem alterar drasticamente esses ecossistemas marinhos.
Abundância de zooplâncton, biomassa e oxigênio dos transbordamentos horizontais de MOCNESS. Cada coluna mostra dados de um reboque. Para oxigênio (linha superior), sombreamento roxo indica baixo oxigênio (?5 ?M, 0,11 ml / litro) e sombreamento cinza indica oxigênio alto (?8 ?M, 0,18 ml / litro). Para copépodes (segunda linha), Pleuromamma abdominalis é mostrado para reboques mais rasos e L. hulsemannae é mostrado para o reboque profundo. As fileiras seguintes mostram euphausiídeos totais, o peixe Cyclothone spp. E a biomassa do zooplâncton. Todos os táxons gráficos mostram diferenças significativas de abundância entre as amostras nas categorias alta versus baixa de oxigênio (ver tabela S2 para dados em cada categoria), exceto 800 m de eufausídeos e 800 m de biomassa total (que são esparsas na profundidade) (ver fig. S2 para fotografias destes táxons).
Referência:
Ocean deoxygenation and zooplankton: Very small oxygen differences matter
BY K. F. WISHNER, B. A. SEIBEL, C. ROMAN, C. DEUTSCH, D. OUTRAM, C. T. SHAW, M. A. BIRK, K. A. S. MISLAN, T. J. ADAMS, D. MOORE, S. RILEY
Science Advances 19 Dec 2018:
Vol. 4, no. 12, eaau5180
DOI: 10.1126/sciadv.aau5180
http://advances.sciencemag.org/content/4/12/eaau5180
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

Fonte: EcoDebate

Lixo jogado nas praias gera impactos ambientais, econômicos e prejuízo aos banhistas.

Lixo jogado nas praias: Além de deixar a água imprópria para o banho, poluição na areia e nos oceanos causa a morte de animais marinhos.

Comlurb recolheu 757 toneladas de lixo durante Réveillon 2019, sendo 385 em Copacabana. Foto: Comlurb.

As festas de fim de ano e as férias levam às praias um grande número de turistas que nem sempre descartam o lixo em local adequado. Segundo um levantamento do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), todos os anos, cerca de 190 mil toneladas de materiais plásticos são lançados ao mar, na costa brasileira.

O descarte incorreto do lixo, principalmente nas praias, interfere diretamente no desenvolvimento das espécies marinhas. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, a contaminação dos oceanos, principalmente por plásticos, é responsável pela morte de cerca de 100 mil animais todos os anos.

Segundo o presidente do conselho da Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, cerca de 700 espécies marinhas são afetadas pela poluição plástica nos mares, incluindo mais de 260 espécies sob algum grau de ameaça de extinção. “Muitos animais se enroscam e ficam feridos ao terem contato com esse tipo de material, mas o problema principal é a ingestão do plástico, que não é um elemento natural no trato digestivo e acaba causando a morte”, explica.

O biólogo, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, destaca que as aves marinhas e as tartarugas são as mais prejudicadas por confundir sacolas com alimentos da cadeia alimentar, como águas vivas e pequenos organismos. “Dos animais encontrados mortos, 100% das tartarugas verdes e 75% das aves marinhas possuem algum tipo de plástico no estômago.”

Mas o problema não está apenas nos chamados “macroplásticos”, que são facilmente visíveis por pessoas e animais. As partículas de plástico com menos de cinco milímetros, denominadas de “microplásticos”, podem ser ingeridas indiretamente por peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos, levando seis vezes mais tempo para serem eliminados do organismo do que o macroplástico, que é ingerido diretamente. Em muitos casos, estes microplásticos entram na cadeia alimentar do homem, quando ele se alimenta de frutos do mar.

Além de impactar as espécies marinhas, os resíduos descartados nas praias também interferem na vida dos banhistas, que podem se ferir com determinados objetos. A sujeira também reduz a balneabilidade, que é o índice usado para verificar a qualidade da água destinada à recreação. Desse modo, ela se torna imprópria para o banho, podendo gerar contaminação por doenças de pele.

Os prejuízos afetam ainda a economia dos municípios, que precisam aumentar as despesas com a limpeza das praias e perdem a receita com o turismo. No setor da navegação e nas atividades pesqueiras, a produtividade tende a diminuir devido à morte dos peixes e à poluição dos oceanos.


Fonte: EcoDebate

Desmatamento da Amazônia Legal segue com tendência de aumento, informa o Imazon.

O desmatamento na Amazônia Legal segue com tendência de aumento, segundo dados do Boletim do Desmatamento (SAD) novembro 2018 divulgados pelo Imazon.

Por Stefânia Costa*

O Estado do Pará contribuiu com 63% dos alertas de desmatamento registrados em novembro de 2018. As áreas que mais sofreram destruição encontram-se principalmente no nordeste do estado, na região da Terra do Meio, e no oeste com alta concentração de alertas na região da Calha Norte (área que reúne o maior bloco de florestas protegidas do mundo).

O desmatamento cresceu também no Amazonas, estado com o segundo maior número de alertas (12%), seguido por Rondônia (9%), Mato Grosso (7%), Roraima (5%) e Acre (4%).

Unidades de Conservação

O Boletim apresenta, ainda, o ranking das 10 Unidades de Conservação com maior número de alertas de desmatamento em novembro de 2018, das quais 6 estão no Pará como é o caso da Área de Preservação Ambiental Triunfo do Xingu e da Floresta Nacional do Jamanxim. A Reserva Chico Mendes, no Estado do Acre, registrou o segundo maior número de alertas de desmatamentos em novembro de 2018.

Terras Indígenas

As TIs mais pressionadas por desmatamentos em novembro de 2018 estão no Estado do Pará. Outro ponto de atenção encontra-se na fronteira do Amazonas com Roraima onde Terras Indígenas sofrem pressão de desmatamento.

Desmatamento acumulado

Para o período acumulado de agosto a novembro de 2018, o desmatamento dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 1.463 km2 de florestas perdidas. Já o desmatamento detectado no mês de novembro de 2018 foi 4 vezes maior do que em novembro de 2017.
Baixe aqui o arquivo
* Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon

Fonte: EcoDebate

Como as florestas tropicais se adaptam à seca? por William F. Laurance.

No futuro, as secas podem se tornar mais severas ou freqüentes nos trópicos. Como isso afetará as florestas tropicais ricas em espécies?

Floresta australiana de Daintree. Foto: Wikipedia

Desde 2013, Susan Laurance lidera um experimento em grande escala para simular a seca na floresta australiana de Daintree.

O estudo [ Rainforest trees respond to drought by modifying their hydraulic architecture ], liderado pelo pós-doutorado de Sue, David Tng, revela uma descoberta surpreendente: a notável diversidade de estratégias pelas quais as árvores tropicais sobrevivem, ou pelo menos tentam sobreviver, frente à seca.

Essas estratégias incluem:
– Encolhendo seus vasos de água (xilema) para tornar as árvores menos propensas a bolhas de ar perigosas, que se formam quando a água é escassa e bloqueiam o fluxo ascendente de água;
– Bloqueando fisicamente alguns vasos condutores de água, para que menos navios permaneçam competindo pela limitada disponibilidade de água no solo – o que, novamente, reduz a probabilidade de bolhas de ar perigosas;
– Alterar seus tecidos lenhosos de várias maneiras, aumentando o teor de fibras ou reduzindo os tecidos de armazenamento de água;
– Folhas mais finas que exigem menos água;
– Empregar uma variedade de truques fisiológicos (como mais potenciais negativos de água na folha e menor condutividade teórica do vaso) para melhorar o movimento da água.

A linha inferior: árvores tropicais, evidentemente, têm uma matriz muito maior de estratégias para combater a seca do que é comumente apreciado. Isso provavelmente reflete tanto a grande diversidade evolutiva quanto as intensas ameaças que as secas representam para a sobrevivência das árvores.
Referência:
Tng DYP, Apgaua DMG, Ishida YF, et al. Rainforest trees respond to drought by modifying their hydraulic architecture. Ecol Evol. 2018;8:12479–12491. https://doi.org/10.1002/ece3.4601


Tudo de bom a todos(as), Bill
William F. Laurance, PhD, FAA, FAAAS, FRSQ
Distinguished Research Professor
Australian Laureate & Prince Bernhard Chair in International Nature Conservation (Emeritus)
Director of the Centre for Tropical Environmental and Sustainability Science (TESS)
Director of ALERT (ALERT-conservation.org)


Fonte: EcoDebate

Poluição do ar causada pelo fogo enfraquece a produtividade florestal.

Novo estudo explorou os impactos ecológicos da poluição do ar causada pelo fogo.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

O fogo é um elemento importante do sistema da Terra. Todos os anos, os incêndios globais emitem diretamente 2 Pg C (bilhões de toneladas de carbono) na atmosfera, o que representa ~ 20% do total de emissões provenientes de atividades humanas. Além das emissões de carbono, as plumas de incêndio também geram poluentes atmosféricos, incluindo ozônio (O3 ) e aerossóis em modo fino (por exemplo, PM 2,5 , material particulado com menos de 2,5 m de diâmetro).

É bem sabido que esses poluentes do ar podem piorar a qualidade do ar nas regiões locais e a favor do vento. No entanto, não se sabe que eles também mudam o orçamento de carbono da terra, influenciando a fotossíntese de florestas não queimadas.

Recentemente, um novo estudo na Nature Communications explorou os impactos ecológicos da poluição do ar causada pelo fogo. Aumentos em O 3 e aerossóis têm impactos opostos na saúde das plantas. O O 3 é fitotóxico e reduz a fotossíntese de plantas, enquanto os aerossóis podem promover a fotossíntese aumentando a radiação difusa.

Não está claro quais são os impactos líquidos desses poluentes na biosfera do mesmo incêndio. Este estudo combinou três modelos de última geração e um conjunto completo de observações de locais terrestres, satélites e literatura, para quantificar os impactos líquidos do fogo O3 e aerossóis na produtividade primária bruta (GPP), uma métrica representando o total fotossíntese de florestas.

Os resultados mostram que a superfície O3 reduz o GPP global em 4,9 Pg C (3,6%) a cada ano, em que o O3 é responsável por ~ 20%. Em contraste, os aerossóis globais aumentam o GPP anual em 1,0 Pg C (0,8%) com contribuições de fogo de apenas 5%. O efeito de fertilização dos aerossóis de fogo é muito limitado, provavelmente porque as emissões de fogo geralmente ocorrem em florestas tropicais onde a densa nuvem mascara os efeitos do aerossol. Consequentemente, o efeito líquido de poluição do ar fogo é dominada por O 3 , deixando uma redução de 0,9 Pg C (0,6%) em GPP anual.

Perda indireta de carbono causada por fogo e aerossóis. (Imagem por YUE Xu)
Regionalmente, a poluição do ar por incêndios causa maiores danos à produtividade florestal. Por exemplo, o grande incêndio de 2006 na Indonésia reduz o PIB local em 3,6%. Além disso, a poluição por incêndios pode causar impactos no transporte de longo alcance. Encontramos reduções de GPP de 0,6% no leste dos EUA e 0,5% no leste da China, onde os eventos de incêndio são muito limitados. Nessas regiões, o alto nível de O 3 nas atividades humanas proporciona um ambiente tão sensível que mesmo um leve aumento de O 3 por incêndios pode causar uma influência perceptível.

Esta nova pesquisa revela um caminho perdido de impactos de fogo no ciclo global de carbono. O dano à produtividade do ecossistema não ocorre apenas em regimes de fogo, mas também nas áreas a favor do vento, por meio do transporte de longo alcance da poluição do ar. “Tais impactos negativos podem exacerbar no futuro, já que as atividades de incêndio devem aumentar em um clima mais quente”. disse Yue Xu, o primeiro autor do estudo do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências.
Referência:
Yue, X., and Unger, N.: Fire air pollution reduces global terrestrial productivity, Nature Communications, 2019. https://www.nature.com/articles/s41467-018-07921-4
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

Fonte: EcoDebate

Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) traz esperança e desafios para os ecossistemas marinhos mundiais, artigo de Hudson Pinheiro.

A redução da perda da biodiversidade e a promoção do uso sustentável de recursos naturais é um compromisso global assumido por 140 nações signatárias da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

CBD. Imagem: World Rainforest Movement

O tratado internacional tem relação com o 14º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa a adoção de medidas para preservar e usar de forma sustentável oceanos, mares e recursos marinhos até 2020. Contudo, diante da atual crise da biodiversidade, os objetivos são ousados.

Um dos temas mais debatidos recentemente está relacionado com a cobertura de unidades de conservação marinha (UCM). Estabelecer esse tipo de área é uma das melhores estratégias para a conservação da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos marinhos, pois envolve o manejo a nível de ecossistema. Entretanto, um dos maiores desafios é criar e manejar UCMs em áreas prioritárias para a conservação, pois normalmente estas são áreas de alta diversidade biológica e de alto conflito de usos, onde diversas atividades humanas são praticadas. Ambientes costeiros como mangues, recifes de coral e costões rochosos são os mais vulneráveis.

A melhor estratégia para se remediar a perda da biodiversidade marinha seria focar na proteção do máximo de espécies ameaçadas e ecossistemas por área protegida. A conservação da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos depende de unidades de conservação conectadas e que abriguem, de forma homogênea, a diversidade de ecossistemas presentes ao longo da linha costeira.

O manejo pesqueiro e o controle da sobrepesca são vistos como um dos principais objetivos do ODS 14. Uma das estratégias é a valorização da pesca artesanal e o controle de atividades pesqueiras destrutivas, que causam danos aos ecossistemas e que não possuem seletividade nas capturas. Entretanto, muitos países, incluindo o Brasil, caminham em sentido contrário, criando subsídios para pesca industrial e removendo benefícios de pescadores de pequena escala.

Alternativas envolvem o estabelecimento de territórios tradicionais de pesca, onde somente pescadores locais possam pescar, o que tornaria mais fáceis o manejo e o controle do esforço de pesca. O ordenamento e a fiscalização da captura de espécies ameaçadas de extinção e tamanhos mínimos de capturas também são passos importantes para se atingir os objetivos.

A poluição dos mares e o aquecimento global são problemas graves que estão chamando bastante a atenção da sociedade. A ingestão de plásticos tem causado a morte de milhares de animais marinhos anualmente e o aquecimento dos oceanos tem causado o branqueamento e a morte de ecossistemas de coral em todo o mundo. Atividades portuárias desenvolvem dragagens periódicas e despejam toneladas de sedimento sobre os ambientes costeiros, soterrando grandes áreas de habitats naturais.

Em vez de aplicar leis mais restritivas, visando a qualidade de vida humana e saúde ambiental, países em desenvolvimento como o Brasil estão afrouxando as regras para empresas poluidoras. Como consequência, impactos e desastres ambientais são frequentes, o que acelera a perda da biodiversidade e de oportunidades de desenvolvimento sustentável.

Apesar dos desafios, temos esperança. O grande número de nações comprometidas com os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica é um considerável sinal positivo. Alguns países como Palau e Costa Rica estão dando exemplo de desenvolvimento sustentável e proteção da biodiversidade. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Filipinas, estão comprometidos em financiar iniciativas de proteção e manejo dos ecossistemas costeiros.

A participação de pescadores no manejo e na conservação dos recursos marinhos tem gerado resultados positivos e o Projeto Tamar, no Brasil, é referência mundial nesse tema. Estados como Califórnia e São Paulo têm criado áreas marinhas protegidas ao longo de suas zonas costeiras com o potencial de desenvolvimento sustentável de atividades pesqueiras e turismo. Países e empresas estão investindo na proteção de ambientes costeiros, visando a diminuição de estragos causados por distúrbios ambientais, como tempestades e enchentes. Essas e outras iniciativas inspiradoras foram apresentadas recentemente no artigo “Hope and doubt for the world’s marine ecosystems”, publicado pelo periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation.

Uma vez que grande parte da população vive perto da zona costeira, o investimento em educação ambiental é necessário para engajar a sociedade na luta para a manutenção de sua própria qualidade de vida e dos serviços ecossistêmicos providenciados pelos oceanos. Cientistas, cidadãos e tomadores de decisão precisam trabalhar juntos para multiplicar essas iniciativas positivas e reforçar a esperança para a conservação e sustentabilidade da biodiversidade e ecossistemas marinhos no Brasil e no mundo.

* Hudson Pinheiro é mestre em Oceanografia, doutor em Ecologia e Evolução, cientista da Academia de Ciências da Califórnia e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.


Fonte: EcoDebate

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Governo um bom NEGÓCIO!

Ser governante no Brasil, é um bom negócio, pois o povo que paga a conta, raramente reclama, e se contenta com as migalhas oferecidas pelos governantes, que são servidos ao invés de servir.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018


Conama define novas regras ambientais de emissão veicular de gases poluentes para o setor de transporte rodoviário.

Já estão em vigência as novas normas ambientais relativas à emissão veicular de gases poluentes e de ruídos para o segmento de transporte rodoviário.


As mudanças trazidas pelas resoluções do Conselho Nacional do Meio Ambiente já estão em vigor e serão exigidas para os novos modelos de veículos a partir de janeiro de 2022.

Por Maíra Oliveira.
poluição veicular
Já estão em vigência as novas normas ambientais relativas à emissão veicular de gases poluentes e de ruídos para o segmento de transporte rodoviário. Em função disso, os fabricantes e importadores de veículos automotores pesados, destinados ao transporte de passageiros (ônibus) e mercadorias (caminhões), terão até janeiro de 2022 para atenderem às novas exigências trazidas pelas resoluções 490 e 491 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama).

A partir dessa data serão exigidas as adequações dos novos modelos de veículos, que nunca obtiveram Licença para Uso da Configuração de Veículo ou Motor (LCVM). E, após janeiro 2023, serão cobradas as adaptações dos demais veículos. São contemplados nas resoluções automotores, nacionais e importados, como caminhões, ônibus e máquinas rodoviárias e agrícolas.

A primeira legislação trata dos limites máximos para emissões de gases poluentes e de ruído para veículos automotores pesados novos, enquanto a segunda resolução aborda padrões da qualidade do ar. “Os fabricantes e importadores de veículos deverão ficar atentos ao cronograma para as homologações e seus respectivos prazos para evitarem sanções penais e administrativas, como multas e demais punições legais previstas na Lei de Crimes Ambientais”, explica a consultora da área ambiental do escritório Andrade Silva Advogados, Nathália Leite.

Ela acrescenta que a Resolução 491 estabelece padrões para a qualidade do ar e traz exigências que deverão ser atendidas pelos órgãos ambientais estaduais e distrital, que deverão elaborar, em até três anos, um Plano de Controle de Emissões Atmosféricas, considerando os Padrões de Qualidade definidos na Resolução, bem como as diretrizes contidas no PRONAR (Programa Nacional de Controle de Qualidade do Ar).

De acordo com Nathália, o controle da emissão de poluentes gera benefícios não só para o meio ambiente, mas afeta, diretamente, a qualidade de vida da população. “Além do controle e da redução da emissão de monóxido de carbono, considerado um dos poluentes responsáveis pelo aquecimento global, essas normas contribuirão, também, para a saúde pública, com a redução de problemas respiratórios, o que impactará na economia com assistência médica”, explica.


Fonte: EcoDebate

Paraná revoga norma que estabelecia distância mínima, como margem de segurança para aplicação de agrotóxicos.

Agrotóxicos – Na prática, medida autoriza pulverização de veneno ao lado de casas, escolas, rios e mananciais; acidente que vitimou em novembro quase cem pessoas, entre elas mais de 50 crianças, não teria nenhuma consequência pela nova regra.

Por Rafael Moro Martins, Agência Pública/Repórter Brasil

A menos de 20 dias do fim do mandato da governadora do Paraná, Cida Borghetti (PP), uma resolução assinada por três secretários e os presidentes de duas autarquias estaduais revogou uma norma em vigor desde 1985 que estabelecia que agrotóxicos não podem ser aplicados a uma distância inferior a 50 metros de casas, escolas, unidades de saúde, rios, mananciais de água e outras culturas que podem ser danificadas pelo veneno.

Na prática, isso quer dizer que, desde o dia 12 de dezembro, qualquer agricultor pode pulverizar agrotóxico com trator ou equipamento costal – isto é, acoplado às costas do trabalhador rural – até o limite de suas plantações, ainda que ao lado delas estejam moradias ou escolas.

A governadora Cida Borghetti (PP) revogou uma norma em vigor desde 1985 que estabelecia que agrotóxicos não podem ser aplicados a uma distância inferior a 50 metros de casas, escolas, rios e outras culturas que podem ser danificadas pelo veneno.

Dito de outra forma, um acidente como o que ocorreu no início de novembro em Espigão Alto do Iguaçu, em que quase cem pessoas (52 delas crianças) foram envenenadas com um agrotóxico potencialmente fatal, não teria nenhuma consequência se ocorresse hoje.

“É uma aberração”, disse à Pública o promotor Alexandre Gaio, coordenador regional do Grupo de Atuação Especializada em Meio Ambiente, Habitação e Urbanismo do Ministério Público (MP), que recorreu à Justiça dois dias depois de ter sido publicada a nova resolução.

Com a revogação da Resolução 22/1985, uma única norma – federal – passa a proteger moradores e o meio ambiente vizinhos a áreas de plantio com agrotóxicos: a instrução normativa 02/2008, do Ministério da Agricultura. “Mas ela trata só da pulverização por aeronaves. Ou seja, a aplicação com trator ou equipamento costal está totalmente liberada sem margens de segurança”, lembrou o promotor.

O acidente em Espigão Alto do Iguaçu, cabe lembrar, foi causado por uma aplicação descuidada feita com um trator.

“Carta branca para pulverizar onde quiser”

A Resolução Conjunta 001/2018 é enxuta. No primeiro artigo, cita uma série de normas federais, estaduais e da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) que farão “a regulação correspondente ao uso e manuseio de agrotóxicos” no Paraná. No segundo, determina que “fica revogada a Resolução nº 22, de 05 de julho de 1985”.

O problema é que nenhuma das normas citadas trata de distâncias mínimas para aplicação de agrotóxicos, justamente do que tratava a Resolução 22/1985. “Com a simples revogação dela, deixaram a população totalmente descoberta. É mais do que um ilícito, é totalmente intolerável. Hoje, qualquer um pode pulverizar em cima de casas que não há ilícito previsto”, explicou o promotor Gaio.

“Na prática, [a nova regra] deu carta branca [ao agronegócio] para pulverizar onde quiser. E isso ocorreu mesmo depois de o MP ter feito uma recomendação administrativa [ao governo do estado] de que deveria ter discutido o assunto com toda a sociedade, inclusive com a saúde pública”, ele prosseguiu.

No material que distribuiu para celebrar o que chamou de “modernização das normas de uso e manejo de agrotóxicos”, o governo de Cida Borghetti deixa claro que “a mudança é resultado de um amplo processo de diálogo entre instituições do estado e entidades privadas ligadas à agricultura, que pediam a revogação de uma normativa de 1985, já superada por outras regulamentações”.

Na verdade, nenhuma norma posterior supre o papel da Resolução 22/1985, como deixou claro o promotor Alexandre Gaio.

Diálogo, só com o agronegócio

O governo ressalta a participação da Federação da Agricultura do Paraná (Faep), que “fez parte do grupo de trabalho que discutiu a modernização das normas nos últimos anos e subsidiou os debates com uma análise técnica e jurídica que detalhava a situação e concluiu que a Resolução nº 22, de julho de 1985 é sobreposta a outras leis, pois existe ampla legislação que aborda a poluição por agrotóxicos, atendendo aos conceitos atuais e ao determinado pela Constituição”.

Em junho passado, o MP enviou correspondência ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) pedindo “a inclusão de representantes da sociedade civil no estudo, revisão e aplicação da Resolução 22/1985”, e “a realização de consulta pública para manifestação de interessados”. Na resposta, que chegou aos promotores apenas em outubro, o IAP disse que não acataria a recomendação – sem incluir nenhuma justificativa para tanto.

“Não fomos convidados a participar. Tampouco a academia foi”, disse o advogado Aristides Athayde, vice-presidente de uma organização chamada Observatório de Justiça e Conservação.

A Faep, que celebrou a norma que acabou com margens de segurança para aplicação de agrotóxicos como “mais um passo em direção à modernização da regulamentação dos defensivos agrícolas (sic)”, homenageou a governadora Cida Borghetti por sua “contribuição com o agronegócio” num evento realizado dois dias após a publicação da norma que enterrou a Resolução 22/1985.
Uniport, máquina agrícola usada para pulverização em lavouras. Foto: Henry Milleo / Agência Pública/Repórter Brasil .

A reportagem perguntou à Faep – presidida desde 1991 por Ágide Meneguete, um dos mais longevos dirigentes sindicais do país – quais estudos científicos embasaram sua análise pela extinção da Resolução 22/1985. Não houve resposta.

Um gabinete ruralista

Tal qual no futuro governo de Jair Bolsonaro, Cida Borghetti entregou o comando de áreas da administração a representantes do agronegócio.

O primeiro nome da lista de autoridades que assinaram a nova resolução é Dilceu Sperafico, deputado federal pelo PP licenciado para ocupar a chefia da Casa Civil, a principal pasta do governo Borghetti.

O primeiro nome da lista de autoridades que assinaram a nova resolução é Dilceu Sperafico.

Na Câmara desde 1995, Sperafico sempre integrou a bancada ruralista – chegou a presidir a Comissão de Agricultura e a Frente Parlamentar da Agricultura. Votou pelo impeachment de Dilma Rousseff e pelo arquivamento das denúncias contra Michel Temer. O político chegou a ser investigado na Lava Jato por associação criminosa, mas o inquérito foi arquivado. Ele não disputou a reeleição.

Também estão na lista o secretário de Meio Ambiente, Antonio Carlos Bonetti, ex-prefeito de uma pequena cidade de uma região agrícola do estado e que pela primeira vez na carreira política está à frente de uma pasta dedicada a temas ambientais, e o presidente do IAP, Luiz Carlos Manzato, um advogado que em publicações oficiais diz estar preocupado com a “segurança jurídica de produtores rurais“.

A ação do MP

“A forma utilizada para retirar do ordenamento jurídico a Resolução 22/1985 – com um mero ‘revogue-se’ – evidencia a intenção de, em verdade, suprimir os parâmetros protetivos mínimos para a defesa das populações, ecossistemas, plantações e recursos hídricos afetados pela aplicação de agrotóxicos, ao que tudo indica em prol de meros interesses econômicos bastantes específicos”, anota o promotor Alexandre Gaio na petição apresentada à Justiça.

“A conclusão da indispensabilidade de regramento que fixe distâncias mínimas para pulverização com agrotóxicos é ainda mais potencializada no Estado do Paraná, tendo em vista que possui 417.218 propriedades rurais registradas no Sistema do Cadastro Ambiental Rural, sendo que apenas no ano de 2017 foram utilizados, 92.398.000 quilos [92 mil toneladas] de agrotóxicos no território paranaense, consoante se infere de consulta ao sítio eletrônico da Adapar”, ele prossegue.

A ação, contra governo do Paraná, IAP e Agência de Defesa Agropecuária do Paraná, ainda está em fase inicial. Na segunda-feira, 17 de dezembro, o juiz substituto Jailton Juan Carlos Tontini deu prazo de 72 horas para que os réus se pronunciem sobre o pedido de liminar do MP. Os promotores pedem que a Justiça suspenda imediatamente os efeitos da Resolução Conjunta 001/2018.

Outro lado

Procurado pela reportagem, o governo do Paraná disse que “a edição de recente regulamentação sobre o uso e manejo de agrotóxicos é uma decisão técnica de Estado e não de governo”.

“As instituições envolvidas decidiram pela atualização de normas que estavam em vigor há 35 anos e que já não atendiam à regulamentação federal em diversos aspectos, notadamente na questão da segurança jurídica”, diz a nota.

“O tema é objeto das leis federais 7.802/89 e 12.651/12; da Lei Estadual 7.827/83; do Decreto Federal 4.074/02; do Decreto Estadual 3.876/84; da Portaria 86/05 do Ministério do Trabalho e Emprego; da Resolução Sema 57/14; e da Norma Brasileira da ABNT NBR 9843 de 2004”, prossegue a assessoria. Nenhuma das normas citadas, porém, trata de distâncias mínimas para a aplicação de agrotóxicos.

“A Resolução 22/85 menciona a distância mínima de 50 metros, porém não existe amparo legal, técnico ou científico para a determinação para todo e qualquer tipo de agrotóxico ou forma de aplicação. Compete ao responsável técnico emissor da receita agronômica informar as condições e tecnologia adequada de aplicação bem como as condições ambientais necessárias para que não haja a deriva do produto para outras áreas”, afirma o governo.

“As distâncias mínimas de aplicação não guardam correlação com a qualidade e segurança na aplicação de agrotóxicos. O que se busca coibir é a efetiva deriva do agrotóxico aplicado, que não depende de distâncias, mas da qualidade da aplicação.

Reforça-se a necessidade de qualificação e treinamento dos aplicadores, para que realizem as operações de calibragem e aplicação de agrotóxicos de maneira a diminuir a deriva e melhorar a eficiência dessa tecnologia e ferramenta de controle de pragas”, prossegue a nota.

Já Cida Borghetti afirmou, também via assessoria, que “a edição da resolução é um ato técnico, definido exclusivamente pelos órgãos signatários”. “A governadora tem recebido sugestões sobre o tema que estão sendo encaminhadas aos órgãos para avaliação.”


Fonte: EcoDebate

Pesquisa identifica áreas para restaurar a Mata Atlântica com custo-benefício oito vezes maior.

Mata Atlântica – Estudo publicado na revista Nature Ecology & Evolution apresenta algoritmo inédito que combina conservação da biodiversidade, mitigação de mudanças climáticas e redução de custos,

Por Kellen Leal

Uma pesquisa inédita desenvolveu um algoritmo capaz de identificar as áreas prioritárias da Mata Atlântica a serem restauradas combinando três fatores essenciais: conservação da biodiversidade, mitigação de mudanças climáticas e redução de custos. A equipe liderada pelo professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) Bernardo Strassburg, apresentou ferramenta baseada em Programação Linear (PL) que aponta um conjunto de cenários possíveis de recuperação florestal em escala nacional. O algoritmo desenvolvido alcança a solução considerada ótima, que tem desempenho 33% melhor em relação às obtidas pelas ferramentas disponíveis, que se baseiam em aproximações matemáticas.

“A diferença que isso faz para a Mata Atlântica é enorme: são 450 milhões de toneladas de gás carbônico (CO2) a menos na atmosfera, 308 espécies menos extintas e 4 bilhões de dólares de redução de custos”, afirma Strassburg, que é diretor do Instituto Internacional para a Sustentabilidade (IIS) e coordenador do Centro de Ciências da Conservação e Sustentabilidade do Rio (CSRio). A pesquisa foi desenvolvida por 25 pesquisadores do Brasil, Estados Unidos, Austrália, Reino Unido, Suécia e Polônia, e mapeou 362 soluções para recuperação florestal com um custo-benefício oito vezes maior do que aquelas obtidas por métodos usuais.

Strassburg participou do desenvolvimento do Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa, instituído em 2017, que determinou que o Brasil deve restaurar, em 20 anos, 12 milhões de hectares de floresta, sendo 5 milhões de Mata Atlântica – o equivalente a 4% desse bioma. “Onde promover essa restauração faz uma grande diferença”, afirma o economista e cientista ambiental. Por isso, o grupo buscou desenvolver uma metodologia para entender em quais áreas a recuperação traria um melhor custo-benefício. “Essa ferramenta deveria ter uma abordagem flexível que integrasse múltiplos critérios – não apenas a conservação da biodiversidade, a mitigação das mudanças climáticas ou a redução de custos. Queríamos um algoritmo que fizesse os três ao mesmo tempo”.

Estima-se que, hoje, restam apenas de 22 a 28% da Mata Atlântica original. Por isso, definir onde serão recuperados os 5 milhões de hectares desse bioma requer uma estratégia cautelosa. As 362 soluções ótimas encontradas são diversas e decidir qual é a melhor depende dos objetivos. Em um dos melhores cenários, cada um dos três fatores – conservação da biodiversidade, mitigação das mudanças climáticas e custos – têm um desempenho de cerca de 94%, 90% e 80%, respectivamente. 

“Mas definir se é melhor ter um desempenho de 94% para conservação e 90% para redução de CO2 na atmosfera ou o contrário, isso se trata de uma escolha da sociedade”, destaca Strassburg.

Pela legislação, cada propriedade deve ter, no mínimo, 20% de vegetação de Mata Atlântica, e as que estiverem abaixo da meta devem fazer a restauração – não necessariamente na sua própria terra, pois a lei permite que o produtor pague por essa recuperação em outros locais. “O pior cenário encontrado na análise é cada proprietário restaurar a vegetação em seu terreno, em pequenos projetos pulverizados. Sai mais caro e é pior para a biodiversidade e para o clima. Por isso, é importante considerar a inteligência espacial trazida pelas soluções do algoritmo”.

A descoberta inédita foi publicada esta semana em um artigo na renomada revista Nature Ecology & Evolution. Os mapas produzidos serão utilizados como instrumento para a definição de áreas prioritárias para restauração pelo Ministério do Meio Ambiente e a metodologia está sendo replicada para outros biomas e países.

SOBRE O IIS

O Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS) é uma organização independente com sede no Rio de Janeiro que desenvolve pesquisa, projetos e ferramentas voltadas à compreensão da relação entre o homem e demais elementos da natureza e implementação de políticas públicas.
Área de Mata Atlântica, em Teresópolis/RJ, antes da restauração. Foto: Divulgação


Área de Mata Atlântica, em Teresópolis/RJ,depois da restauração. Foto: Divulgação
Referência:
Strategic approaches to restoring ecosystems can triple conservation gains and halve costs
Bernardo B. N. Strassburg, Hawthorne L. Beyer, Renato Crouzeilles, Alvaro Iribarrem, Felipe Barros, Marinez Ferreira de Siqueira, Andrea Sánchez-Tapia, Andrew Balmford, Jerônimo Boelsums Barreto Sansevero, Pedro Henrique Santin Brancalion, Eben North Broadbent, Robin L. Chazdon, Ary Oliveira Filho, Toby A. Gardner, Ascelin Gordon, Agnieszka Latawiec, Rafael Loyola, Jean Paul Metzger, Morena Mills, Hugh P. Possingham, Ricardo Ribeiro Rodrigues, Carlos Alberto de Mattos Scaramuzza, Fabio Rubio Scarano, Leandro Tambosi & Maria Uriarte Nature Ecology & Evolution volume 3, pages62–70 (2019)
DOI https://doi.org/10.1038/s41559-018-0743-8


Fonte: EcoDebate