sexta-feira, 15 de junho de 2018


Uma década para evitar desastre global, diz artigo na Nature.

Estudo publicado na Nature por um grupo de cientistas polares, que inclui um português, lança o alerta: temos uma década para reduzir ao mínimo as emissões de gases com efeito de estufa. Ou o clima e o planeta vão mesmo mudar para pior.

São dez anos – uma década. É esta a janela que hoje resta aos decisores políticos e económicos, mas também aos cidadãos, para fazer (ou não) um corte drástico nas emissões de gases com efeito de estufa, e com isso permitir que a Antártida e a sua imensa cobertura de gelo, com os seus três a cinco quilómetros de espessura, se mantenha mais ou menos intacta durante o próximo meio século. Só isso evitará efeitos negativos para todo o planeta, e para a humanidade. Um deles é a subida do nível do mar em mais 30 cm, que, a acontecer, vai mudar a face das zonas costeiras em todos os continentes.

O alerta é dado esta quarta-feira na revista Nature por um grupo de nove cientistas polares veteranos e premiados, entre os quais o português José Xavier, professor e investigador da Universidade de Coimbra.

No artigo “Choosing the future of Antárctica”, (Escolher o futuro da Antártida), os especialistas mostram que se as emissões de gases com efeito de estufa se mantiverem como até agora durante os próximos 10 anos, haverá grandes alterações na Antártida, como o degelo, “que a partir de certo ponto se tornam irreversíveis”, explica José Xavier ao DN. “Se continuarmos durante os próximos anos no cenário mais negativo, com o atual nível de emissões, torna-se impossível retardar o degelo, como demonstramos no nosso artigo”, sublinha. As consequências não serão bonitas.

O estudo parte de dois cenários climáticos, do conjunto de quatro elaborados pelo IPCC (o Painel Intergovernamental da ONU para as Alterações Climáticas) no seu último relatório, de 2013, e faz uma simulação do que vai acontecer ao longo do próximo meio século a todos os níveis:­ na temperatura, no degelo, no ecossistema e biodiversidade marinha, no próprio sistema climático e nos custos económicos disso tudo – tanto para a Antártida, como a nível planetário.

Os dois cenários do IPCC escolhidos pela equipa são os dois extremos: o mais negativo, em que as emissões de gases com efeito de estufa continuam mais ou menos como são neste preciso momento, e o mais benéfico, “em que tudo corre bem, com o Acordo de Paris a ser posto em prática sem problemas”, como explica José Xavier, notando que “uma das coisas mais importante deste trabalho é o fato de ambos os cenários serem plausíveis”.

Em vez de se lançarem em exercícios de futurismo e em estimativas, no entanto, os autores decidiram fazer o contrário. Corridos os modelos nos computadores e obtidos os dados para cada um dos dois cenários, criaram duas narrativas, a mais negativa e a menos problemática, e escrevem o artigo a partir do futuro, como se fossem observadores que, no ano de 2070, estivessem a olhar para o passado da Antártida, e do planeta. Além das conclusões propriamente ditas do estudo, esse formato acaba por dar “força e impacto ao artigo”, acredita José Xavier.

A ideia, afirma, “é alertar a comunidade política” para a necessidade de tomar as decisões que se impõem “nos próximos 10 anos, para evitar grandes mudanças no planeta, como acontece no pior cenário, com um aumento da temperatura global da ordem dos 3 graus Célsius, a subida do nível do mar em mais 30 cm, e grandes mudanças ambientais, quer para a biodiversidade, quer para os oceanos”.

No pior cenário, a diminuição da cobertura gelada da Antártica, por exemplo, sofre uma redução de 23%, e no verão, a perda de gelo oceânico no mar austral pode chegar aos 43%. Ao mesmo tempo, as águas, pela absorção contínua de dióxido de carbono (CO2), tornar-se-ão mais ácidas, afetando as espécies de carapaça, como os crustáceos. Num efeito de cascata, isso acabará por se repercutir também na produtividade dos ecossistemas e em toda a cadeia alimentar.

Evitar esse cenário próximo da catástrofe, que terá custos anuais de quase dois biliões de euros pelos cálculos dos cientistas, passa por “promover a redução das emissões de gases com efeito de estufa, através de um acompanhamento do Acordo de Paris, de uma boa gestão do Tratado da Antártida, e da adoção de tecnologias verdes, entre outras decisões”, sublinha José Xavier.

Porquê este olhar, agora, sobre a Antártida? A resposta é simples. Ao contrário do que se possa imaginar, aquele não é apenas um local remoto e quase imaculado da Terra, onde uma mão-cheia de cientistas se afadigam todos os anos a realizar estudos complexos. O que acontece na Antártida, sabe-se hoje, tem implicações globais. Ou, como afirma José Xavier, “as mudanças que ali ocorrerem podem ter efeitos importantes no clima, no nível do mar e nos ecossistemas marinhos do resto do mundo”. Por isso, sublinha, “precisamos de atuar já, é muito importante perceber que mesmo no cenário mais positivo também vai haver efeitos negativos”.

Se no pior cenário o aumento da temperatura fica uma unidade acima dos tais dois graus (em relação à era pré-industrial), que os especialistas têm considerado como o limite máximo para que o sistema climático não entre em desequilíbrio, no cenário mais positivo avaliado neste artigo, a temperatura sofre mesmo assim (até 2070) uma subida de um grau, em relação à era pré-industrial, e o os oceanos ganham mais seis centímetros de altura.

Nesse futuro melhor, a cobertura gelada da Antártida terá uma redução de 8% e a perda de gelo oceânico no verão não ultrapassará os 12%. Os custos económicos calculados para mitigar os efeitos costeiros, entre outros, serão menores neste cenário, mas rondarão de qualquer forma os 50 mil milhões de euros.

Resta saber qual dos cenários será o do futuro. Isso vai depender “do que se decidir politicamente na próxima década” em relação ao ambiente, como diz José Xavier. “Ainda é tempo de agir”, garante, mas já estamos em contagem decrescente. Um outro estudo, publicado hoje também na Nature, mostra que o degelo no Polo Sul está, neste preciso momento, a acelerar.

Fonte: ENVOLVERDE

segunda-feira, 11 de junho de 2018


2ª edição do e-book de Amyra El Khalili: COMMODITIES AMBIENTAIS EM MISSÃO DE PAZ, pela Editora Heresis Sustentabilidade (acesse gratuitamente).

Amyra tem demonstrado que é possível inverter a pirâmide da economia tradicional e colocar os excluídos no poder de um novo modelo, ambientalmente sustentável e socialmente mais justo. Amyra nos faz acreditar que um mundo melhor não só é possível, mas está bem ao alcance de nossas mãos.”

Vilmar Sidnei Demamam Berna

Jornalista e escritor, Prêmio Global 500 da ONU para o Meio Ambiente, fundador da REBIA – Rede Brasileira de Informação Ambiental – e editor do portal, do jornal e da Revista do Meio Ambiente.

E o mais louvável é o seu caráter probo e democrático. Em seus informativos virtuais, ela sempre abriu espaço para as mais diversas e até antagônicas opiniões. Por este motivo, sofreu pressões e insultos daqueles que temem a liberdade. Embora uma grande distância espacial nos separasse, estávamos juntos em ideias. Economista progressista, diversas foram as vezes em que Amyra se levantou contra os economistas frios e quantitativos, lembrando-os sempre dos valores humanos e da existência do meio ambiente.”

Arthur Soffiati

Ecohistoriador e ecologista, professor aposentado da Universidade Federal Fluminense, mestre e doutor em História Ambiental pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, autor vários artigos e livros  sobre meio ambiente e cultura.

Ela é palestino-brasileira, mas bem poderia ser judia, africana ou mesmo tibetana, pois seu trabalho está muito e muito distante, senão totalmente desligado, de qualquer fanatismo ou segregação, típicos de nossos tempos, que tanto têm perseguido e estigmatizado esta vencedora. Apesar das correntezas que enfrenta em sua vida pública e em seu trabalho, Amyra permanece imune à corrupção ou a qualquer outra dessas indignidades. Portanto, respeito e credibilidade são coisas que não se enraízam num ser humano do dia para a noite”

Marcelo Baglione

Publicitário e escritor

Acompanho Amyra El Khalili desde sempre, por seu pioneirismo na concepção de um novo modelo econômico e financeiro, que tem por base o ecodesenvolvimento. Nunca soube da existência de outra pessoa com esta proposta.”
Lucas Matheron

Ecologista francês radicado no Brasil há 30 anos, participou de diversas organizações, dirigiu projetos educacionais, de agroecologia e de educação ambiental. Tradutor independente e membro da Aliança RECOS desde 1999, da qual é co-editor internacional para os países francófonos.

Nos últimos anos, testemunhei constantemente os questionamentos sobre eventual mudança do paradigma econômico vigente, em virtude dos trabalhos desenvolvidos por Amyra El Khalili, relacionados ao seu objetivo de desenvolvimento das ‘commodities ambientais’. Como é de seu feitio, Amyra não foge de sua responsabilidade e, por intermédio das ideias contidas nesta obra, sinaliza a necessidade de inclusão de agentes econômicos para compartilhar ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, o que se justifica em face do iminente colapso social, econômico e ambiental dos tempos atuais.”

Rodrigo Pereira Porto

Servidor do Banco Central do Brasil, pós-graduado em Finanças pelo IBMEC e mestre em Economia pela Universidade de Brasília (Unb).

Para fazer o download do e-book clique no link: 180611Commodities ambientais ebook

Assista a entrevista AMYRA EL KHALILI:

Economia Socioambiental versus Economia Verde

Rondônia TV (Globo Rondônia)

Acesse: PRODUÇÃO e ECONOMIA REAL VERSUS FINANÇAS

A responsabilidade socioambiental corporativa versus as demandas das comunidades.1ª Parte: http://www.youtube.com:80/watch?v=C1IiavpiOU0
2ª Parte:
http://www.youtube.com:80/watch?v=czCtz4mOakY
3ª Parte:
http://www.youtube.com:80/watch?v=q_mV16ZmLJE

Vilmar Berna, editor da REBIA, recomenda:

A Rebia tem sempre o prazer renovado em divulgar o trabalho e o pensamento da professora e economista Amyra El Khalili (http://revistaecoturismo.com.br/…/a-trajetoria-de-amyra-el…/ ) amiga da Rebia e das mídias socioambientais sérias.

Aqui, neste vídeo no YouTube – que recomendamos com entusiasmo -, Amyra põe o pingo nos ‘is’ mostrando o quanto existe de manipulação da informação em torno da ‘economia verde’, nome que ela repudia, e explica muito bem os porquês, e prefere ‘economia socioambiental’. Vale a pena ver e divulgar. Parabéns, Amyra, nossa admiracao e reconhecimento desde sempre!

Sobre a autora:

Amyra El Khalili é beduína palestino-brasileira, da linhagem do Shayk Muhammad al-Khalili*.

É professora de economia socioambiental. Foi economista com mais de duas décadas de experiência nos mercados de capitais.

É fundadora e editora da rede Movimento Mulheres pela P@Z! e Aliança RECOs – Redes de Cooperação Comunitária Sem Fronteiras.

Colaboradora de diversas mídias especializadas em meio ambiente, direitos humanos e economia.

Foi indicada por diversos grupos, com endosso de pacifistas israelo-palestinos, para o Prêmio “Mil Mulheres para o Nobel da Paz”, 2004.

Foi indicada ainda para o Prêmio Bertha Lutz, 2005, pela Comunidade Baha´í do Brasil e, em 2007, pela Confederação das Fearab-Brasil.

Foi homenageada pela rádio Câmara dos Deputados (DF) no Dia Internacional da Mulher, em 2006, e, em 2008, com outras personalidades (homens) de origem árabe, na comemoração dos 56 anos da fundação do Clube Sírio- Libanês de Santos.

Conferencista e debatedora em diversos seminários, fóruns e eventos, para ministérios, forças armadas, movimentos sociais e ambientais, no Brasil e no exterior.

*Shayk Muhammd al-Khalili – Nascido no primeiro mês muçulmano de Shaban do Hijra do ano 1139, que corresponde ao ano A.D. 1724, era o líder da Irmandade Qadiri Sufi e talvez o “homem santo” mais famoso do seu tempo na Palestina.


Leia também:


O que são commodities ambientais e como podem ajudar o desenvolvimento sustentável?

Publicado em:
Publicado em 24/05/2018
Capturado em 24/05/2018
Capturado em 17/02/2018
Publicado em 17/02/2018
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Capturado em 19/02/2018
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Capturado em 21/02/2018
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Capturado em 25/02/2018
Publicado em 25/02/2018
Capturado em 15/03/2018
Publicado em 19/02/2018
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Publicado em 21/02/2018
Capturado em 15/05/2018
Publicado em 21/02/2018


Fonte: EcoDebate

MPF e MP/PA pedem suspensão de licenciamento de oito pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) na bacia do Tapajós.

Processo judicial iniciado em Santarém demonstra ausência de estudos sobre impactos cumulativos e sustenta que licença não pode ser concedida pelo estado do Pará

Mapa mostra usinas e pequenas centrais hidrelétricas estudadas ou planejadas na bacia do Tapajós. Fonte: ação civil pública

O Ministério Público Federal (MPF) e o Ministério Público do Estado do Pará (MP/PA) ajuizaram ação civil pública apontando uma série irregularidades no licenciamento de dois complexos de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), em um total de oito PCHs, no rio Cupari, tributário da bacia do Tapajós, no município de Rurópolis, oeste do Pará. Por causa da gravidade dos problemas detectados, a ação pede a suspensão imediata do licenciamento, que ele seja retirado do âmbito da Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) e passe para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama).

A federalização do licenciamento é necessária, dizem os procuradores da República e promotores de Justiça, por causa dos impactos em Unidades de Conservação e pelo fato de a bacia do Tapajós cortar dois estados, Pará e Mato Grosso. Ao contrário do que afirma o setor elétrico nas propagandas sobre PCHs, elas não têm o impacto reduzido, já que são instaladas dezenas na calha de um mesmo rio. “Em seu conjunto, elas acabam equivalendo a uma hidrelétrica de grande porte, senão se tornando até piores em termos de impactos. Como o licenciamento de cada uma é feito isoladamente, não é possível aferir nos estudos os impactos globais que serão gerados pelo conjunto de empreendimentos”, diz a ação judicial.

Quinze procuradores da República e três promotoras de Justiça assinam a ação judicial e sustentam que, “ao contrário do que é afirmado, a geração de energia por pequenas centrais hidrelétricas não objetiva preservar o meio ambiente, mas sim dificultar o controle e dimensionamento dos impactos reais que serão gerados pelo conjunto das centrais hidrelétricas instaladas na mesma bacia hidrográfica”. A ação também aponta que o objetivo é “transferir à Semas a atribuição para o licenciamento, ciente das limitações técnicas das secretarias estaduais para efetuar análise aprofundada dos estudos ambientais apresentados pelo empreendedor”, concluem.

Supostamente, por serem menores, essas pequenas centrais gerariam menores impactos ao meio ambiente. Por conta disso, o processo de outorga e concessão dos potenciais é simplificado, assim como o licenciamento. Todavia, quando analisado o cenário do planejamento do governo federal para implantação das PCHs e a forma de licenciamento delas, verifica-se que os impactos ambientais e sociais podem ser até maiores do que os das grandes usinas, sem qualquer controle ou previsibilidade sobre a extensão e a dimensão desses impactos.

Segundo informações da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), no caso de pequenas centrais, não há estudos acerca da quantidade e viabilidade ambiental das PCHs previstas por bacia. 

A instalação dessas PCHs nas mesmas corrente de água e bacia leva em conta exclusivamente o potencial de geração de energia da bacia ou do rio em questão. As outorgas obedecem à lógica do livre mercado. Só no Cupari, foram inventariadas outras 21 PCHs, além das oito que já estão em licenciamento. Em toda a bacia do Tapajós, são 44 empreendimentos hidrelétricos identificados pela Aneel e 40 PCHs planejadas ou inventariadas, além de 13 que já estão em funcionamento nos rios Juruena, Formiga, Gravari, Sacre e Sangue, todas na bacia do Juruena, formador do Tapajós, no Mato Grosso.

Decisão judicial – Na ação, os procuradores e promotores lembram que, no caso das grandes barragens planejadas para a bacia do Tapajós, a própria Justiça Federal ordenou a realização de uma Avaliação Ambiental Integrada, instrumento previsto na legislação ambiental brasileira. A decisão, em 2012, foi cumprida e avaliados os impactos das várias barragens previstas para a bacia, mas os estudos não abrangeram os empreendimentos do rio Cupari, que na época ainda não haviam sido inventariados pela Aneel. Menos de um mês depois da decisão judicial que obrigou a realização da avaliação ambiental integrada, foram aprovados os empreendimentos do Cupari, mas eles não foram incluídos no estudo.

Os empreendimentos do rio Cupari também terão impactos sobre unidades de conservação federais – a Floresta Nacional do Tapajós e a Floresta Nacional do Trairão – mas o órgão que está conduzindo o licenciamento, a Semas, sequer consultou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), responsável pelas áreas de proteção ambiental.

Sem respostas – Quando questionada pelo ICMBio, a Semas não prestou esclarecimentos sobre os impactos na área do complexo e das linhas de transmissão de energia. O ICMBio ficou sem respostas sobre se foi ou não feito estudo sobre a qualidade da água e sobre como o empreendimento afetará as comunidades tradicionais da floresta nacional (Flona) do Tapajós, tendo em vista que os estudos ambientais apontam que são esperadas “modificações nas características químicas decorrentes do barramento, tais como o aumento na concentração de nutrientes em função da retenção e alterações no transporte” e “modificações nas características físicas e químicas da água [que] têm como consequência as alterações nos padrões de estrutura, composição e diversidade das comunidades biológicas”.

Entre outros pontos, também não houve resposta a questionamento sobre a existência de estudo relativo à fauna aquática, especialmente sobre os peixes, assim como se o empreendimento afetará os estoques pesqueiros disponíveis nas comunidades ribeirinhas, tendo em vista que os estudos apresentados informam o seguinte: “durante o enchimento dos reservatórios do complexo hidrelétrico Cupari Braço Leste haverá redução temporária da vazão do rio Cupari à jusante dos barramentos. 

Consequentemente, modificações das comunidades de peixes poderão ocorrer em virtude das alterações do fluxo da água. Outro fator a ser avaliado é a interferência das barragens nos processos migratórios de determinadas espécies, provocando a interrupção do fluxo migratório dos peixes”.

O MPF e o MP/PA pedem na ação que os licenciamentos das PCHs no rio Cupari sejam suspensos imediatamente em decisão liminar. Pedem ainda que a Justiça obrigue o Ibama a fazer nova avaliação ambiental integrada levando em conta todos os empreendimentos hidrelétricos previstos para o rio Cupari e demais afluentes e sub-bacias da bacia do Tapajós; que sejam declaradas nulas quaisquer licenças emitidas pela Semas em favor dos empreendimentos; que seja determinado ao Ibama que assuma o licenciamento ambiental dos Complexos Hidrelétricos Cupari Braço Leste e Cupari Braço Oeste; que sejam complementados os estudos de impacto ambiental deficientes e resolvidas suas lacunas; e que seja determinado ao Ibama que realiza novas audiências públicas no município de Rurópolis, considerando os impactos ambientais integrados.


Processo nº 1000147-45.2018.4.01.3902


SP: Morar perto de ciclovias e ciclofaixas aumentou em 154% a chance de usar a bicicleta como meio de transporte.
Construção de ciclovias em São Paulo incentiva uso de bicicletas.

Por Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP
Ciclovia (foto: Daniel Antônio / Agência FAPESP)
Pesquisas feitas em diversas partes do mundo mostram que existe uma forte relação entre a instalação de ciclovias e o aumento de ciclistas em uma cidade. Em São Paulo, isso não é diferente.

Um estudo mostrou que o fato de haver ciclovia perto de casa – a 500 metros de distância – bem como o acesso a estações de trem ou metrô – a até 1.500 metros de distância de casa – foram incentivos importantes para o uso da bicicleta como meio de transporte.

O trabalho, apoiado pela FAPESP, foi feito por pesquisadores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH-USP) do Departamento de Geografia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo e da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo, em colaboração com colegas da Universidade de Melbourne, na Austrália.

Resultados publicados na revista International Journal of Environment Research and Public Health mostram que moradores de áreas próximas às ciclovias têm a chance aumentada de usar a bicicleta como meio de transporte em 154%. Para aqueles que moram perto de estações de trem ou metrô, o aumento ficou em 107%, independentemente de fatores como sexo, idade, nível educacional ou bairro.

“A grande discussão é saber quanto a ciclovia pode contribuir para que as pessoas usem mais a bicicleta. Na época que tivemos uma política de construção de ciclovias em São Paulo, nos últimos três anos, muito se criticou que ninguém as estava usando. Esse é um pensamento imediatista. Nosso estudo reforça que primeiro é preciso garantir o espaço, principalmente em uma cidade como São Paulo que tem um trânsito tão violento e capaz de inibir o uso da bicicleta”, disse Alex Florindo, professor da EACH-USP e primeiro autor do estudo.

De acordo com o artigo, a lógica de que as ciclovias impulsionam o uso da bicicleta e não o contrário ocorre também em países de renda alta. “Países considerados referência em ciclismo, como Dinamarca e Holanda – onde mais de 25% das viagens são realizadas de bicicleta –, passaram primeiro por um processo de garantia de espaço para os ciclistas, para depois haver um aumento significativo do uso das bicicletas”, disse Florindo à Agência FAPESP.

Mesmo com o impulso dado pelas ciclovias, a prevalência do uso de bicicletas como meio de transporte continua baixa em São Paulo. Apenas 5,1% da população de adultos as utiliza para se locomover pela cidade. De acordo com o estudo, esse contingente é formado principalmente por homens, solteiros e que têm bicicletas próprias.

“A prevalência de 5,1% é um índice muito baixo. O uso das bicicletas está atrelado a vários benefícios tanto individuais como para toda a cidade. O uso da bicicleta aumenta a prática de atividade física, previne obesidade e doenças relacionadas ao sedentarismo como as cardiovasculares, além de contribuir para melhorar o trânsito, diminuindo a quantidade de automóveis, e reduzir a poluição”, disse Florindo.

Programas de incentivo

O estudo foi feito com base nos dados do Inquérito de Saúde de São Paulo (ISA), em colaboração com a Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo, realizado em 2015 – período em que houve uma política de construção de ciclovias e ciclofaixas pela cidade.

Para os pesquisadores, no entanto, a baixa aderência ao uso de bicicleta como meio de transporte na cidade de São Paulo mostra a necessidade de programas de incentivo, como campanhas educacionais e sistemas de compartilhamento de bicicletas.

“É preciso estimular as pessoas, as famílias principalmente, a usar as bicicletas. Atualmente, ela continua sendo vista como um risco grande em um trânsito violento e muitas vezes hostil aos ciclistas. Por isso, ciclofaixas em fim de semana são tão importantes para que as pessoas comecem a usar bicicleta. É preciso também melhorar o sistema de compartilhamento de bicicletas e os bicicletários nas estações de trem e de metrô”, disse Florindo.

O artigo também faz uma comparação da realidade da capital paulista com outras cidades brasileiras. A média nacional de prevalência do uso de bicicleta como meio de transporte foi de 13,3% da população adulta, variando de, por exemplo, 8,8% em Vitória a 16,6% no Recife. Em países europeus conhecidos pelo uso da bicicleta, como a Holanda, a média chega a 27% da população adulta.

A equipe de pesquisadores agora fará um estudo longitudinal do assunto. “Vamos entrevistar as mesmas pessoas do estudo de 2015, para verificar o que mudou em relação ao ambiente construído e esse incremento de ciclovia. Sabemos que houve uma descontinuidade dessa política de incentivo a ciclovias na cidade. Vamos ver o quanto isso impactou no uso de bicicletas”, disse Florindo.

No novo estudo, os pesquisadores vão medir também outras variáveis do ambiente, como parques, praças e fatores relacionados com a saúde – como prática de atividade física, alimentação, peso corporal. “Assim, poderemos ter uma resposta dos possíveis impactos do ambiente nestes desfechos de saúde”, disse Florindo.

O artigo Cycling for Transportation in Sao Paulo City: Associations with Bike Paths, Train and Subway Stations(doi:10.3390/ijerph15040562), de Alex Antonio Florindo, Ligia Vizeu Barrozo, Gavin Turrell, João Paulo dos Anjos Souza Barbosa, William Cabral-Miranda, Chester Luiz Galvão Cesar e Moisés Goldbaum, pode ser lido na Int. J. Environ. Res. Public Health em www.mdpi.com/1660-4601/15/4/562.



Mais de 50% da flora que só existe no Rio estão ameaçadas de extinção.


ABr

A flora do estado do Rio de Janeiro tem 884 espécies que não podem ser encontradas em nenhuma outra parte do mundo, mas 513 delas estão ameaçadas de extinção em algum grau. Os dados constam no Livro Vermelho da Flora Endêmica do Estado do Rio de Janeiro, que foi lançado na Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro.

O estudo foi desenvolvido ao longo de três anos e meio e contou com a participação de 160 pesquisadores e técnicos. A coordenação foi do Centro Nacional de Conservação da Flora (CNCFlora), e os R$ 3,8 milhões em recursos utilizados vieram da Câmara de Compensação Ambiental do Estado do Rio de Janeiro, que recebe recursos de compensação de empreendimentos que causam danos ao meio ambiente.

O coordenador da pesquisa, Gustavo Martinelli, aponta boas e más notícias entre as conclusões. 

Segundo os dados, 86% das espécies ameaçadas podem ser encontradas em unidades de coordenação, o que mostra que o sistema de conservação é efetivo para preservá-las. Apesar disso, 20% das que estão criticamente ameaçadas não estão presentes nessas áreas.

Outra publicação divulgada hoje traz 16 ações transversais que devem ser tomadas para proteger as espécies endêmicas da flora fluminense e mais 30 ações específicas para casos particulares. Entre as ações propostas estão a criação e ampliação de unidades de conservação, aumentar a capacitação do corpo técnico dos órgãos licenciadores e ações de conscientização e educação.

“O Brasil tem tradição de fazer listas de espécies ameaçadas, mas não de como tirar da lista. Não adianta só dizer que está ameaçado, é preciso tirar as espécies dali”.

Além do Livro Vermelho, a pesquisa também resultou nas publicações Áreas Prioritárias para conservação da flora endêmica ameaçada, Lista da Flora das Unidades de Conservação Estaduais, e Guia de Campo da Flora Endêmica.

Detetive botânico

Outro dado relevante do levantamento é que 431 espécies não são vistas há mais de 30 anos, e algumas não são encontradas há mais de 150. Martinelli explicou que isso não significa que essas espécies foram extintas, mas que falta coleta de dados e pesquisa de campo. Exemplos disso, segundo ele, são espécies que já eram dadas como extintas e foram reencontradas durante os três anos e meio de pesquisa.

Uma ação que deve ser implementada nos próximos meses para envolver a sociedade na busca de espécies endêmicas ameaçadas é a campanha Procura-se, em que qualquer pessoa poderá usar um aplicativo para informar sobre uma possível planta ameaçada que encontrar em seu caminho pelas trilhas dos parques do estado. A campanha vai espalhar fotos de espécies ameaçadas nas entradas de unidades de conservação e nas cidades movimentadas pelo ecoturismo, para que os visitantes das reservas cheguem à mata com essas espécies na memória.

Coordenadora técnica do CNC Flora, Eline Martins explica que uma equipe de especialistas vai receber esses dados e avaliar se eles podem corresponder às espécies “procuradas”, e os usuários receberão uma pontuação, como em um jogo virtual.

“O usuário vai poder falar, inclusive, sobre as ameaças que estão ao redor da planta. Ele vai preencher campos de informação, enviar fotos da planta inteira, da folha, das flores, caso esteja em floração, e de frutas. Ele vai respondendo perguntas que vão encaminhá-lo para possíveis respostas”.

O aplicativo está sendo desenvolvido em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz e deve ser lançado até agosto. “Está praticamente finalizado”, afirmou Elaine Martins.



ONU Meio Ambiente alerta para a poluição por plásticos no Planeta.

por  Caroline Ligório, especial para a Envolverde – 

Planeta ou Plástico? O questionamento foi tema do evento promovido pela ONU Meio Ambiente em parceria com a National Geographic e a Abstartups no Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho). 

O uso exacerbado, a destinação incorreta e as conseqüências do plástico no meio ambiente foram desenhadas através de números alarmantes.

A edição de junho da National Geographic causou impacto nas redes sociais ao trazer a ilustração do artista Jorge Gamboa na capa, na qual uma sacola plástica no mar representa um iceberg. A imagem vem acompanhada da informação de que por ano 8 bilhões de toneladas de plástico terminam no mar.

Nos mares as variedades de plásticos aumentam cada dia mais. Entre 60% a 90% do lixo recolhido é composto por vários tipos de plásticos com tamanhos variados – grande como redes de pesca perdidas, médio como sacolas plásticas e pequeno como microfibras de roupas e cosméticos.

No ritmo de produção e descarte que há hoje, até 2050 poderemos ter mais plásticos do que peixes no mar. A ONU Meio Ambiente considera a poluição plástica o grande desafio do século. De 2000 a 2015, a produção do material dobrou e a indústria nos próximos 10 a 15 anos pretende dobrar a produção.

De todo o lixo gerado pela humanidade, 10% é plástico. De todo o plástico gerado, apenas 9% foi reciclado e 40% foram usados uma única vez e em seguida descartados. De 8 a 13 milhões de toneladas de plástico chegam aos mares todos os anos causando a morte de 100 mil animais marinhos todos os anos, cerca de 700 espécies de animais, entre elas espécies ameaçadas de extinção já foram afetadas pelo plástico nos mares.

Em 2016, 71 milhões de toneladas de lixo foi produzida no Brasil, 7 milhões de toneladas não foram coletadas. Do lixo coletado, 13% era lixo plástico, só apenas 15% foi reciclado. A produção elevada e a baixa reciclagem fazem com que lixões e aterros fiquem repletos de plástico.

Para que o destino final não sejam as águas oceânicas, Fernanda Daltro, gerente de campanhas da ONU Meio Ambiente, destaca a urgência de uma nova forma de pensar o uso e consumo do plástico descartável. “Para acabar com a poluição plástica precisamos repensar como desenhamos, produzimos e usamos os produtos plásticos. Parte do problema é o comportamento do consumidor em consumir desnecessariamente produtos plásticos descartáveis e fazer descarte incorreto”.

Essa responsabilidade também recai sobre o setor pesqueiro, que não recolhe materiais danificados, sobre as empresas, que devem rever seus produtos. Ainda há a fraqueza ou ausência de leis. O maior mercado de plástico é o de embalagens e as sacolas plásticas um dos principais produtos consumidos. Até 5 trilhões de sacolas plásticas são distribuídas por ano no mundo.

No Brasil, eram distribuídas 17 bilhões de sacolas por ano. Segundo Paulo Pompílio, vice-presidente da Associação Paulista de Supermercados, a única medida efetiva encontrada ao longo de 16 anos foi explicitar o valor da sacola para o consumidor. A medida levou à redução de 70% do consumo de sacolas e um uso mais consciente, antes uma sacola era usada para apenas um produto, após a cobrança passou a ser usada para quatro a cinco produtos.

Com o intuito de remodelar e repensar as embalagens a Startup Oka Bioembalagens desenvolveu tecnologia para produção de embalagens para substituir descartáveis principalmente de uso efêmero, como talheres, canudos e pratos, com a fécula da mandioca e água. O processo industrial tem o vapor de água como único resíduo gerado, que é coletado e reutilizado no ciclo. A embalagem é 100% biodegradável e comestível.

Se por um lado há iniciativas de substituição do material usado, a sociedade pode contribuir com o descarte correto e a reciclagem. “Cuidar do seu resíduo e dar a destinação certa deveria ser igual votar, um dever cívico. Antes mesmo de reduzir, reciclar e reutilizar deve-se não gerar. Tem que trazer para o nosso dia a dia. O quanto reciclamos em casa, na empresa”. Para Fernando Beltrame, da consultoria ambiental Eccaplan, essa medida levaria a maior eficiência.

No Brasil, mais de 40% do resíduo gerado é destinado de forma irregular. Isso faz com que as cooperativas trabalhem com muita ineficiência, cerca de 10% do que recebem é rejeito e não pode ser reaproveitado. A cidade de São Paulo recicla entre 2% a 3% dos resíduos. Segundo Beltrame, apesar de haver tecnologia, o mercado mostra-se inviável. O quilo da latinha é de R$3 a R$4, enquanto o do plástico é de apenas R$1.

De forma a sensibilizar a comunidade, mobilizar empresas, governos e sociedade para tratar a poluição plástica no mar, a campanha Mares Limpos da ONU Meio Ambiente lançada em 2017 tem o objetivo de integrar diferentes atores para combater a poluição plástica. Quarenta e dois países se juntaram a campanha, o Brasil o fez em setembro de 2017 e estabeleceu como meta reduzir o volume de lixo plástico que chega aos oceanos a partir do território brasileiro. A campanha atende a ODS 12, consumo e produção sustentável e a ODS 14, vida na água. O relatório da ONU Meio Ambiente indica que 60 países implementaram ações de redução de plástico descartável.

Vilfredo Schurmann, velejador e defensor da campanha Mares Limpo, ao longo dos 32 anos de expedição, surpreendeu-se com a quantidade de plástico encontrada. Em uma ilha do Pacífico Norte, com pouca circulação de pessoas, recolheram mais de 160 garrafas de plástico em 20 metros. No Carnaval, na Ilha Grande recolheram 25 sacos de lixo de plástico. Há 5 anos, a família promoveu uma campanha em uma escola de Santa Catarina, a qual gerou 5 toneladas de plástico reciclável. Schurmann acredita que a educação é o ponto chave para a mudança. “Depende muito de nós. Falta iniciativa.”


Fonte: ENVOLVERDE

quarta-feira, 6 de junho de 2018


“Não basta plantar árvore ou separar o lixo, é preciso mais”, avisa especialista.


Kelly Cristina Melo *

Hoje, 05 de junho, comemoramos o Dia Mundial do Meio Ambiente. Em 1972, durante a Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, em Estocolmo (Suécia) a Organização das Nações Unidas (ONU) instituiu o Dia Mundial do Meio Ambiente, na mesma data de realização do evento, que tinha como principal objetivo chamar a atenção de toda a população para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, que até então eram considerados inesgotáveis.

Atualmente, sabemos que os recursos naturais não são inesgotáveis, assim como a limitação da capacidade de recuperação do ambiente diante dos impactos causados pela humanidade. A destruição constante de habitats e a poluição de grandes áreas, por exemplo, são alguns dos pontos que exercem influência direta na sobrevivência de diversas espécies. Precisamos refletir sobre o modo em que atuamos no dia a dia, sobre a forma como nossos hábitos podem alterar o meio ambiente e pensarmos como nossas escolhas acarretarão consequências negativas para nós e para as pessoas que convivem conosco.

Se nada for feito, o consumo exagerado dos recursos e a perda constante de biodiversidade continuarão a alterar consideravelmente o modo como vivemos atualmente, comprometendo, inclusive, nossa sobrevivência. É preciso repensar nosso modo de vida, incluindo hábitos alimentares, utilização de materiais eletrônicos, pois nossas escolhas têm influência direta no consumo de recursos naturais e produção de resíduos. É preciso ter em mente que todos os nossos atos geram impactos, quase sempre de forma negativa.

Diante da importância da educação e da conscientização em relação à dimensão do impacto gerado pelo homem, o Dia Mundial do Meio Ambiente é uma data que merece bastante destaque no calendário mundial. Não apenas para plantar uma árvore ou separar o lixo nesse dia, mas é necessário que sejam feitas campanhas de grande impacto e de modo contínuo para mostrar a necessidade de mudanças imediatas nos nossos hábitos de vida diários. A responsabilidade pela conservação e proteção do meio ambiente é um compromisso de todos.

*Kelly Cristina Melo é doutora em Geografia, docente da Escola de Arquitetura, Engenharia e Tecnologias do Complexo Educacional FMU | FIAM-FAAM.

Fonte: ENVOLVERDE

Resíduo industrial é ainda o grande vilão do meio ambiente.

Apesar da constante evolução tecnológica, a classificação de resíduos ainda é um grande desafio no mercado industrial brasileiro. De acordo com o engenheiro ambiental e suporte técnico do Freitag Laboratórios, Richard L. Vailati, o descarte de forma incorreta dos resíduos industriais é um dos grandes responsáveis pelas maiores agressões ao meio ambiente.

Em razão da intensa atividade industrial, o volume de ‘sobras’ da produção também se torna expressivo. Mas esse não seria um grande problema se houvesse uma devida classificação dos resíduos. “Na maioria das vezes, essas ‘sobras’ não são descartadas de maneira adequada, o que traz consequências desastrosas, não só para o meio ambiente, mas também para a saúde pública”, explica Richard.

Outro fator importante é que grande parte da indústria não se atém a algumas exigências técnicas para que essa classificação seja realizada devidamente. “Há de se levar em consideração que as pessoas que manipulam de alguma maneira estes resíduos necessitam de Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) adequados ao seu grau de periculosidade, sendo extremamente necessária nestes casos uma avaliação completa”, afirma.

A classificação dos resíduos pode ser feita diretamente pelo gerador, através da identificação do processo produtivo, enquadrando o resíduo nas listagens dos anexos A ou B da Norma ABNT NBR 10004:2004. Basta um responsável técnico habilitado pela empresa declarar tal informação em laudo. No entanto, segundo o especialista do Freitag, o mais recomendado é que ela seja realizada e monitorada por um laboratório de análises ambientais, pois sem esse suporte é grande a possibilidade de ocorrerem falhas, já que ela funciona de forma empírica e é somente através de uma análise laboratorial detalhada que se pode determinar com exatidão a composição e, consequentemente, a classificação de um resíduo.

O que muitas empresas brasileiras ainda não se deram conta é que destinar essas ‘sobras’ de forma consciente e eficiente também pode ser uma oportunidade de gerar mais economia na atividade industrial. Para se ter uma ideia, um resíduo sem classificação tem um alto custo para ser destinado, pois não é possível determinar o seu grau de contaminação no meio ambiente e com isso ele acaba sendo descartado como um resíduo com alta periculosidade.

É importante ressaltar que as empresas que transportam esses resíduos também precisam estar cientes do risco envolvido durante a destinação do mesmo, pois dependendo de sua classificação, diversas condicionantes devem ser atendidas, como o porte pelo motorista do curso de Movimentação e Operação de Produtos Perigosos (MOPP), equipamentos de segurança e emergência para o caso de vazamento da carga, entre outros.

Além de permitir que melhores técnicas de tratamento sejam adotadas para que a destinação de certos resíduos cause o menor impacto ao meio ambiente, evitando contaminações de cursos d’água, solo e atmosfera, a classificação ainda possibilita que alguns desses resíduos sejam usados como subprodutos em processos de incineração, coprocessamento, uso agrícola, entre outros processos, que podem contribuir para a minimização ou eliminação do passivo ambiental da organização. “Isso comprova que um resíduo corretamente classificado pode ter seu custo de destinação final minimizado drasticamente”, conclui.

Fonte: ENVOLVERDE

Pesquisa mostra impacto de bicicleta no transporte urbano.

Cada um dos mais de 8 mil brasileiros que usam a bicicleta no lugar do carro como meio de transporte deixam de emitir 4,4 kg de CO2 por ano, já para os que usavam o ônibus, evitam jogar na atmosfera 41,9 kg da mesma substância no mesmo período. Esta estimativa faz parte do estudo Economia da Bicicleta no Brasil, uma parceria da Aliança Bike e o LABMOB (Laboratório de Mobilidade Sustentável, da UFRJ), que revela o papel deste meio em cinco dimensões, analisando vários aspectos socioeconômicos e comportamentais.

Um dos pontos que merece destaque no estudo é justamente sobre os benefícios relacionados ao uso da bicicleta como uma maneira real de influenciar tanto o clima, quanto redução da emissão de gases poluentes.

Para chegar ao número de ciclistas no Brasil, os pesquisadores tomaram como base o censo de 2017 do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e um levantamento feito pela ANTP (Associação Nacional de Transportes Públicos) que estima que 4% da população usa a bicicleta como meio de transporte.

O estudo A Economia da Bicicleta fez uma pesquisa com 968 ciclistas, no Rio de Janeiro, que utilizam a bicicleta como meio de transporte. Para fazer uma medição precisa em relação a tempo e distância percorridos, eles catalogaram o tempo médio de deslocamento diário deles em quatro tempos: 10 minutos ou menos, 10 a 30 minutos, 30 a 60 minutos e 60 ou mais minutos, levando em conta que o intervalo de 10 a 30 minutos é equivalente a 5km. Com isso, a conclusão foi que a média de distância percorrida por esses ciclistas em um ano, foi um total de 1.180.536km e com essa métrica é que a relação do uso da bicicleta com a melhora do clima e preservação do meio ambiente fica interessante.

Com os dados em mãos, e levando em consideração que a média de consumo de um carro popular é de 9 km/L de gasolina, e o de ônibus é de 3 km/L de diesel, o Estudo A Economia da Bicicleta projetou o número para o país a economia na emissão de gases poluentes por meio do uso da bicicleta chega a 385.216 toneladas por ano, o que é extremamente significativo, isso considerando apenas a emissão de Monóxido de Carbono, fora os outros tipos de gases que são extremamente poluentes e tóxicos.

Na última Conferência Mundial do Clima, ocorrida em 2016 em Genebra, foi adotado um novo acordo entre 195 países, com o objetivo de reduzir a emissão de gases de efeito estufa, e o Brasil comprometeu-se a diminuí-los em 37% até 2025 e 43% até 2030.

Desta maneira, os ciclistas e a sua contribuição na diminuição da taxa de gases poluentes no país, é real e muito importante, não apenas para que o Brasil cumpra esse acordo internacional, mas para o meio ambiente de uma maneira geral.

Fonte: ENVOLVERDE

Conheça empresas no país que aderiram a sustentabilidade.

Os hábitos de consumo da sociedade contemporânea trazem diversas consequências. Entre elas, um meio ambiente desgastado, que não consegue se recuperar a tempo dos danos causados pelo excesso de consumo. Partindo da necessidade de conscientização sobre o modo de viver, o dia 5 de junho é marcado como o Dia Mundial do Meio Ambiente.

Com o objetivo principal de chamar a atenção para os problemas ambientais e para a importância da preservação dos recursos naturais, a data traz uma reflexão sobre o modo de viver. Entretanto, para que ocorram mudanças significativas, é necessário ter atitudes sustentáveis todos os dias do ano.

Para isso, as principais empresas do setor de decoração, preocupadas com o excesso e com a degradação ambiental, promovem mudanças no modo de ver, tratar e produzir, com a finalidade de exercer um consumo consciente.

By Kamy: investimento e consentimento.

A By Kamy contratou uma empresa de consultoria ambiental focada no desenvolvimento de projetos e serviços ligados ao melhor aproveitamento econômico e à preservação ambiental.

Assim, passou a enfatizar suas práticas de reciclagem, doação, uso consciente de produtos e matérias-primas, além do aperfeiçoamento de peças em parceria com ONGs para o reaproveitamento de materiais.

Também, algumas atitudes fazem parte do dia a dia da marca: separação do lixo para reciclagem, reuso da água, aplicação em todas as áreas do galpão e dos showrooms de um piso especial para melhor drenagem da água e incentivo ao consumo de produtos elaborados com matérias-primas naturais.

Eucatex: madeira no piso e no reaproveitamento.

A Eucatex possui o selo FSC – Forest Stewardship Council® (Conselho de Manejo Florestal) em todos os seus produtos provenientes de madeira, atestando, assim, a responsabilidade da origem do material que utiliza em seus processos.

Além disso, a empresa investe no Programa de Reciclagem Eucatex, que tem o objetivo de reaproveitar os resíduos de madeira, reduzindo a poluição e gerando energia, por meio da utilização de biomassa além da responsabilidade ambiental, deixando de descartar os resíduos nos aterros e terrenos baldios em um raio de 100km da fábrica da Eucatex em Salto, interior de São Paulo, visando usar este material na co-geração de energia. Também, parte da madeira que seria descartada é utilizada em reformas ou na troca de móveis.

FK Grupo: menos buracos na camada de ozônio.

O FK Grupo foi a primeira empresa do setor a buscar a eliminação total de CFC (Clorofluorcarboneto) na produção de espuma, além de cumprir normas para gerar produtos sustentáveis e de menor impacto ambiental em relação aos seus similares. A colaboração em ações como o Programa da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) evidencia o papel de destaque do grupo no cenário ecológico global.

Além disso, a empresa conta com um Programa de Controle de Qualidade composto por sofisticados laboratórios, que analisam desde a matéria-prima até o produto final, através de testes que comprovam o alto nível de resistência, durabilidade e segurança dos produtos, reduzindo, assim, o consumo. Ademais, sua matriz energética é baseada em meios de geração de energia renováveis, como a solar, hidrelétrica, biogás, PCH e geração de energia a partir de aterros sanitários.

Futon Company: aproveitar e reaproveitar.

A Futon Company investe em diferentes frentes de sustentabilidade, como na produção nacional baseada na qualidade e longevidade, por meio do uso de materiais naturais, reciclados ou de origem controlada; utilização de matéria-prima sustentável local, tendo como consequência imediata a redução da pegada de carbono; e hiperextensão da vida útil de cada produto, garantindo a desaceleração da compra.

Além disso, seus produtos não somente são recicláveis, como também produzidos com tecidos reciclados. Os ateliês de produção não usam água e o lixo é limpo, com reciclagem sistemática dos resíduos. A sobra das espumas bio dos futons é picotada para compor o enchimento dos pufes. O algodão que sobra é reprocessado em mantas. Os retalhos de tecidos, quando não reciclados internamente, vão para ONGs.

Grupo Eliane: prudência antes e depois.

Os cuidados com o meio ambiente começam ainda antes de iniciar o processo de produção nas fábricas do Grupo Eliane: em busca do menor impacto ambiental possível causado pela mineração, responsável por 50% das matérias-primas utilizadas na fabricação de cerâmica, a marca investe em um constante aperfeiçoamento das técnicas de lavra e recuperação das áreas degradadas, a fim de destiná-las a novas atividades, como pastagem, agricultura, reflorestamento e habitação.

Todas as fábricas prezam a proteção dos recursos hídricos. Exemplo disso é a construção de um sistema para tratamento de efluentes em Criciúma, um projeto para fechamento do circuito de resíduos em Cocal do Sul, que garante o tratamento e reaproveitamento de 100% dos rejeitos e a Estação de Tratamento de Efluentes na Bahia. Além disso, em sua sede, a água da chuva é captada, tratada e utilizada pela empresa.

Os resíduos sólidos gerados pelas atividades da empresa são separados para posterior reaproveitamento, reciclagem ou destinação adequada.

Guararapes: produção de matérias-primas.

A Guararapes utiliza em seu processo produtivo pinus de reflorestamento. Os resíduos da madeira utilizada no processo de fabricação do compensado se tornam matéria-prima na produção do MDF, o que resulta em qualidade e sustentabilidade. A marca possui, também, certificação FSC – Forest Stewardship Council® (Conselho de Manejo Florestal).

Além disso, se responsabiliza pelo tratamento de toda a água utilizada em seus processos produtivos, que é devolvida ao meio ambiente em condições superiores à captação e em total conformidade com o exigido pelos órgãos de proteção ambiental.

Monica Cintra: esculpindo a natureza.

O trabalho de Monica começa no próprio campo, retirando de pastos e florestas madeiras em processo de envelhecimento e árvores tombadas encontradas em matas, no fundo de rios ou trazidas pelo mar. Além de incentivar e propagar a sustentabilidade, o processo de reaproveitamento da madeira aproxima a designer da população local, especialmente onde ainda as queimadas fazem parte da cultura.

Outra opção de resgate é o manejo sustentável, que são madeiras comercializadas com autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (IBAMA) através do Documento de Origem Florestal (DOF), um sistema eletrônico de controle do governo federal. Depois de selecionadas, as madeiras, ainda na sua forma bruta e com resquícios da mata de onde foi recolhida, como micro-organismos e efeitos de queimadas, seguem para o local de tratamento. Lá, a madeira passa por uma limpeza cuidadosa e descupinização, que dura cerca de oito a nove meses, quando fica sob sol e chuva, sofrendo uma acidificação para os poros ficarem mais abertos.

Santa Luzia: materiais de construção reciclados e recicláveis.

O que para muitos é lixo e sem utilidade para Santa Luzia é matéria-prima. A marca em meados de 2002 desenvolveu um processo que culminou na substituição de cerca de 98% da madeira utilizada na fábrica. Por meio da reciclagem do EPS (Poliestireno Expandido), popularmente conhecido como Isopor®, a empresa revolucionou sua produção.

As características do EPS, um plástico muito leve, com um processo de fabricação que consome pouca energia e gera pouquíssimos resíduos sólidos e líquidos fazem desse material fundamental em segmentos da economia na área alimentícia, construção civil, médico-hospitalar, veterinária, eletroeletrônica, automotiva, agronegócios, entre outros.

O ciclo do bem se inicia com a coleta do material, que é enviado por cooperativas de reciclagem onde é feita a triagem. O EPS é compactado em uma máquina que retira todo ar do produto, que equivale a 98% do volume do produto. Isso, traz viabilidade econômica tanto na captação quanto no transporte.

A partir dessa compactação, que transforma o EPS em matéria-prima novamente, a empresa produz perfis, molduras, revestimentos de pisos e paredes, com foco em alto padrão de qualidade, durabilidade, e na minimização de impactos no meio ambiente. A Santa Luzia dá o destino correto para cerca de 10% dos Poliestireno e Poliuretano produzido no Brasil.

Tarkett: economia circular na construção civil.

A Tarkett, principal fabricante de pisos vinílicos no mundo, acredita que o desenvolvimento sustentável não é uma obrigação apenas, mas uma oportunidade que abre novas perspectivas. Por isso a empresa integrou o desenvolvimento sustentável em todas as suas ações e também na sua abordagem aos diferentes públicos, ambicionando ser o líder global em soluções inovadoras que gerem valor para os clientes de forma sustentável.

Única fábrica de pisos vinílicos no Brasil, a Tarkett tem capacidade de tratar mais de 90 toneladas/mês de sucatas e aparas recicladas para reutilização na produção de pisos vinílicos no país. A iniciativa impulsionou o uso de materiais reciclados de vários setores (blisters de medicamentos, aparas de SIM cards de celulares), evitando que 960 toneladas de resíduos por ano fossem para aterros.

UNLIMITED: tecnologia que une sustentabilidade e segurança.

A UNLIMITED Pool, braço da iGUi para projetos mais elaborados, tem um sistema completo automatizado, o que permite menos desperdício. Utiliza o sistema Eletronic System para controlar funcionalidade e equipamentos, como filtragem, iluminação, temperatura, portão da garagem e luzes do jardim – tudo na palma da mão. O sistema de filtragem, além de consumir menos água e eletricidade, sua construção emite 32 vezes menos CO2 do que de piscinas de concreto. Além disso, conta com sistema de sucção aberta, sendo o mais seguro do mercado.

Fonte: ENVOLVERDE