segunda-feira, 9 de julho de 2018


Coordenadora do Let´s do it visita o país e apoia ações do Limpa Brasil.

Por Reinaldo Canto, especial para a Envolverde –

Heidi Solba, responsável por coordenar e liderar ações e equipes de Desenvolvimento de Rede e Suporte no Let’s Do It! no mundo todo manteve uma intensa agenda no Brasil para apoiar o Limpa Brasil, prestigiar o trabalho que vem sendo desenvolvido pela equipe liderada por Edilaine Muniz e garantir o suporte de novas parcerias que garantam o sucesso do Clean Up Day (próximo 15/09 em todo o mundo). “Acreditamos que o Clean Up Day terá um alto impacto, esperamos a participação de muitas pessoas e contribuir para a mudança de hábitos em relação ao descarte e separação do lixo”. Nessa visita ao Brasil ela esteve acompanhada de Pal Martensson do Waste Zero, representado no país pelo Instituto Lixo Zero.

Heidi veio à São Paulo neste mês de junho e cumpriu vários compromissos durante uma semana inteira. Em visita a duas cooperativas a Yougreen e a Viver bem. Na Yougreen ela foi recepcionada pelo seu idealizador e diretor presidente, Roger Kotppl e pode conhecer a trajetória, sua evolução ao longo dos anos e toda a fábrica em suas fases da reciclagem. A coordenadora do Let´s do It conversou com os cooperados em sua maioria imigrantes africanos e conheceu as dificuldades enfrentadas por eles. Na Cooperativa Viver Bem ela pode constatar a realidade dos catadores no Brasil. “O que eles fazem tem um enorme impacto. Por isso, é muito importante empoderar o trabalho feito pelos catadores”, enfatizou Heidi.

Encontros com autoridades públicas também fizeram parte da agenda da coordenadora internacional do World Clean Up Day. O objetivo de falar com autoridades locais é para que o movimento possa obter grande sucesso em comunicar a importância do projeto, suas atividades e obter apoio e participação da população. “Quando as pessoas são chamadas para a ação prática se torna mais fácil conscientizar sobre o que representa o lixo e sobre os problemas causados por ele”.

O secretário adjunto do Verde e Meio Ambiente da cidade de São Paulo, Ricardo Viegas, recebeu os representantes do movimento no Brasil e se comprometeu a dar apoio às ações no dia 15/09. Segundo ele apontou a parceria com o Limpa Brasil deverá perdurar até o final da atual gestão.

O prefeito da capital Bruno Covas também sinalizou as secretarias da cidade à disposição para colaborar no evento de alcance mundial.  Ficou estabelecido que o Limpa Brasil irá auxiliar a administração municipal na gestão estratégica dos resíduos sólidos em São Paulo e, em especial, na mobilização comunitária.

Já na reunião realizada na Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, o então secretário Mauricio Brusadin, sugeriu que o Limpa Brasil integre o tema Resíduos Sólidos do PMVA – Programa Município Verde Azul que atua na eficiência da gestão ambiental nas cidades e também esteja presente na colaboração ao Programa Estadual Verão do Clima com forte atuação no litoral de São Paulo.

“As cidades no mundo todo tem crescido, cada vez mais pessoas vivem em espaços urbanos e o problema do lixo tem aumentado, pois os sistemas de coleta não estão dando conta do crescimento da população, principalmente, nos países em desenvolvimento”, explicou Heidi Solba.

Entre os muitos problemas da atualidade, um dos mais sérios e preocupantes é o excesso de lixo no Brasil e no mundo. Segundo o PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – a produção de lixo no mundo deve ter um aumento das atuais 1,3 bilhão de toneladas para 2,2 bilhões de toneladas por ano até 2025. O pior é que boa parte desse material acaba por ser despejado em lugares impróprios como rios, lagos e terrenos baldios trazendo consequências danosas para o meio ambiente e para a saúde das pessoas. Diante da gravidade do problema, a gestão dos resíduos, a reciclagem e o descarte correto de materiais se torna urgente e imprescindível.

“É possível mudar essa realidade, não é uma ilusão”, afirma Pal Martensson, do Waste Zero. Ele explica que há 10, 15 anos atrás quando ele começou a falar sobre lixo era chamado de idealista e até estúpido, “mas hoje mais e mais organizações, empresas, municípios e órgãos governamentais tem trabalhado em prol da redução do lixo”, completa Pal.

Heidi Solba concorda com Pal e cita o exemplo de alguns brasileiros que tem se recusado a usar plástico, mas ressalta que o caminho ainda é longo, “vi muita garrafa plástica e pessoas andando com muitas sacolas plásticas de supermercado em São Paulo” e conclui que o engajamento dos jovens é muito importante, “temos que mudar a atitude dos jovens nas escolas, mostrar a eles que não precisam de canudos, nem sacolas plásticas”.

Sobre o resultado da visita Heidi foi enfática ao afirmar que estabelecer parcerias é fundamental, “o movimento só pode crescer com apoios de setores diversos da sociedade e de organizações como o Waste Zero”.

O Movimento Limpa Brasil Let´s do it! já realizou diversas ações no país nos últimos anos. Desde fevereiro vem executando ações preparativas para o Dia Mundial de Limpeza nas cidades de Salvador, Recife, e São Paulo, conseguindo assim fechar parcerias com grandes grupos de atuação nacional para ajudar com a mobilização e ações para o dia 15 de setembro. A exemplo dos Escoteiros do Brasil, Lions, Teoria Verde, Movimento Lixo Zero, Ecosuf.  O que já nos ajudou a já integrar outras cidades do País para o grande dia D, podemos citar Espirito Santo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Distrito Federal, São Vicente, Florianópolis, entre outras.  Logo após Copa, iniciaremos uma forte comunicação convidando as pessoas para baixarem o App worldcleanup, aplicativo mundial para o mapeamento dos pontos de lixo do mundo e após, para participarem nas suas cidades dos mutirões de limpeza.

A primeira fase do projeto segue até setembro quando pessoas de 150 países estarão nas ruas limpando suas cidades. A Segunda fase inicia-se no dia 16 de setembro quando será iniciada uma nova fase da campanha de engajamento da população mundial em manter limpa suas cidades.

Temos um longo trabalho pela frente e bem desafiador no Brasil, pois, sabemos que não conseguiremos limpar nossos pontos te lixo em um único dia, mais, sabemos que informação agregada a ações práticas podem gerar grandes transformações. Levar informação para engajamento da sociedade sobre a importância do descarte correto, iniciando pela simples atitude de deixar de jogar lixos nas ruas é nosso maior desafio, porém após anos de ações de engajamento da sociedade, acreditamos veementemente que estamos no caminho certo, cada vez mais temos retorno da sociedade entendendo seu papel quanto ao cuidado e a preservação do meio ambiente precisamos somente de mais investimento para que possamos atrelar a conscientização a praticas diárias.

Mais informações: www.limpabrasil.org

 Clean Up Day World – 15.9.2018 (150 países participando)

É um evento de união da comunidade global para conscientizar e implementar mudanças verdadeiras para um planeta limpo e saudável. É promovido pelo maior movimento mundial de cidadania e cuidado com o meio ambiente, o Let´s do It!

Por que ele acontece?

Porque queremos um mundo mais limpo. Já imaginou um mundo SEM LIXO!? Nós queremos mudar a realidade atual do lixo no mundo.

Quem participa das ações?

Um dos pontos mais importantes do evento é o envolvimento das escolas municipais com a realização de palestras e seminários, dinâmicas de grupo e gincanas, capacitação de professores e a estruturação dos pontos de coleta de materiais recicláveis durante a semana de mobilização. Esse movimento gera um engajamento da comunidade local e incentiva a transformação de alunos, pais, parentes e profissionais envolvidos em agentes de mobilização, que alertam sobre os malefícios do descarte incorreto do lixo.

Um exemplo de ação educacional com forte engajamento social foi a campanha “Sou Catador”, desenvolvida especialmente para o movimento, que reuniu vários artistas e formadores de opinião, como Chico Buarque, Milton Nascimento, Marília Pera, Seu Jorge, Alice Braga, Lenine, Cássio Reis, Darlan Cunha, Marina Person, Didi Wagner e Marisa Orth, além do “embaixador” do Limpa Brasil – Let’s do it!, Tião Santos. Tião é presidente da Associação dos Catadores do Aterro Metropolitano do Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro, representante do Movimento Nacional de Catadores de Materiais Recicláveis e protagonista do documentário “Lixo Extraordinário”, ao lado do artista plástico Vik Muniz.

O Let’s do it! Maior movimento de conscientização do mundo realizado aqui no Brasil pelo Limpa Brasil – Let’s do it! Assista: (https://www.youtube.com/watch?v=ucE4quTKzqc)

Sobre o Limpa Brasil-Let’s do it!

A proposta do Movimento Limpa Brasil – Let’s do it! é criar uma nova cultura com relação ao descarte correto do lixo, além de incentivar a sociedade manter as cidades limpas. Por esse motivo, Realizado desde 2011, o programa, que atualmente funciona aliado a um ambicioso projeto de educação ambiental, já visitou 22 cidades brasileiras e envolveu mais de 180 mil voluntários. Recolheu cerca de três mil toneladas de material reciclável que foram doados às cooperativas de materiais recicláveis, gerando trabalho e renda para milhares de famílias.

quinta-feira, 5 de julho de 2018


Retrocesso e barganha na aprovação da PL do VENENO, artigo de Rodrigo Berté.

Embalagens vazias de agrotóxicos


Enquanto, por um lado, pessoas que buscam uma vida mais saudável, livre de químicos e produtos que agridem a natureza, por outro, uma minoria de latifundiários e empresa produtoras de venenos agem para promover uma verdadeira revolução no campo – a PL DO VENENO.

A aprovação do projeto de lei n. 6.299, chamado de PL dos agroquímicos, que ainda passará por várias discussões e provavelmente sanção presidencial, tira toda a rotulagem da lei anterior, deixando somente para o Ministério da Agricultura a aprovação ou não de um novo veneno. Atualmente, esse tipo de demanda passa pelo Ministério da Saúde, Ibama e Ministério da Agricultura e mesmo assim há contradições. Um exemplo clássico são os produtos rejeitados na União Europeia e utilizados no Brasil, ainda que autorizados pelos órgãos reguladores.

Se a nova Lei for aprovada na íntegra, os AGROTÓXICOS serão chamados de DEFENSIVOS AGRÍCOLAS OU PRODUTOS FITOSSANITÁRIOS. Até aí, uma pequena mudança, mas a liberação desses produtos passaria a ser regulada somente pelo Ministério da Agricultura, cujo Ministro é um dos maiores produtores e detentor do agronegócio brasileiro. Isso causa estranheza e preocupação.

É importante salientar que o Brasil é um dos países que mais usa agroquímicos legalizados e não legalizados do mundo, uns contrabandeados do Paraguai e da Bolívia. As consequências desse tipo de prática são inimagináveis. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) elaborou vários relatórios sobre o uso indiscriminado e inadequado na aplicação dos venenos, que apontaram como resultado a morte de agricultores e o aparecimento de tumores na população.

Seres humanos e o meio ambiente são objetos desta indústria, que vende esses produtos cotados em moeda americana aos produtores com grandes lucros e poucas campanhas para orientar os seus usos. Há uma indústria forte, mantida por corporações mundiais, que detém a tecnologia da semente modificada e do veneno utilizado para as pragas oriundas da produção.

Retroceder neste caso, será matar aos poucos os seres vivos, com doses ‘homeopáticas’ de veneno por meio de alimentos ditos “livres de agrotóxicos”. A cada ano o brasileiro ingere mais de 3 litros de veneno, que são agregados aos produtos da horta ou à soja, que está presente em vários alimentos que consumimos.

A esperança neste momento está no veto presidencial. Por isso, precisamos sensibilizar a população, os políticos e, em especial, a mídia.

Rodrigo Berté, Diretor da Escola Superior de Saúde, Biociência, Meio Ambiente e Humanidades do Centro Universitário Internacional Uninter.


Fonte: EcoDebate

Aderir ao acordo de Paris pode reduzir significativamente as mortes causadas pelo calor no verão.

Foto: EBC

Nas principais cidades europeias, a estabilização do aquecimento do clima a 1,5 ° C diminuiria a mortalidade por calor extremo em 15-22% por verão em comparação com a estabilização a 2°C.

University of Bristol*

Artigo [Extreme heat-related mortality avoided under Paris Agreement goals], publicado esta semana na revista Nature Climate Change , demonstra que a mortalidade devido a altas temperaturas pode ser significativamente reduzida (15-22 por cento por verão) em Londres e Paris se estabilizarmos o clima no nível mais baixo dos Objetivos Climáticos de Paris, ou 1,5°C, em comparação com a meta de temperatura mais alta.

Em Londres, atualmente, cerca de 10% dos verões estão livres de qualquer mortalidade relacionada ao calor, mas essa pesquisa mostrou que, sob uma possível mudança climática futura, praticamente todos os verões terão alguma mortalidade relacionada ao calor.

Pesquisadores de Bristol que lideram o projeto HAPPI (Projeto de Intercomparação de Modelo de Aquecimento Adicional, Prognóstico e Impacto Projetado de Meio Grau) simularam clima futuro sob metas climáticas consistentes com os objetivos climáticos do Acordo de Paris de aquecimento global de 1,5°C e 2°C. O projeto utilizou pesquisadores e cientistas cidadãos de todo o mundo para ajudar a executar os experimentos.

O Dr. Dann Mitchell, principal autor do estudo, e professor de física do clima na Universidade de Bristol, disse: “Nossos resultados mostram um claro aumento na mortalidade relacionada ao calor, que pode ser evitado através da adesão às metas do Acordo de Paris.

“Juntamente com a publicação recente de uma grande quantidade de evidências apresentadas para os fatores climáticos de outros setores de impacto (como o setor agrícola), está se tornando cada vez mais claro o quanto essas metas climáticas são cruciais.

“Precisamos entender a magnitude desses impactos na saúde, para que possamos planejar estratégias adequadas de adaptação para evitá-las”.

A pesquisa chega em um momento em que grande parte da Europa está passando por uma onda de calor e o público está sendo aconselhado a cuidar e verificar com mais regularidade os parentes e amigos vulneráveis.
Extreme heat-related mortality avoided under Paris Agreement goals’ by D. Mitchell, C. Heaviside, N. Schaller, M. Allen, K. Ebi, E. Fischer, A. Gasparrini, L. Harrington, V. Kharin, H. Shiogama, J. Sillmann, S. Sippel and S. Vardoulakis in Nature Climate Change
https://www.nature.com/articles/s41558-018-0210-1
Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate


Fonte: EcoDebate

Debate em Comissão da Câmara discute projeto de lei que revoga Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67).

Debate na Comissão de Meio Ambiente da Câmara dos Deputados reuniu deputados e especialistas contra e a favor da proposta que altera a legislação sobre animais e caça no Brasil.O projeto (PL 6268/16), do deputado Valdir Colatto (MDB-SC), revoga a atual Lei de Proteção à Fauna (Lei 5.197/67) e cria uma “política nacional” em seu lugar. Já o relator, deputado Nilto Tatto (PT-SP), recomendou a rejeição do texto seguindo os argumentos dos que acreditam que o projeto inibe a proteção aos animais e libera a caça no Brasil.

Will Shutter/Câmara dos Deputados
Deputado Valdir Colatto nega que proposta signifique a liberação da caça

Ambientalistas, entidades protetoras de animais e o Ministério Público de São Paulo apresentaram manifestos e notas técnicas contra a proposta.

A promotora Vânia Tuglio criticou itens que possam colocar os animais como bens de “domínio público”, dificultar a tipificação de crimes e abrir espaço para a caça comercial no Brasil.

“Cada um vai poder, sim, pegar qualquer animal silvestre em qualquer lugar e dele fazer o que bem entender a qualquer momento: matá-lo, estraçalhá-lo, comê-lo, destruí-lo, comercializá-lo, aprisioná-lo e nada vai acontecer”.

Juntamente com outras propostas que tramitam no Congresso (PL 966/15, PLP 436/14 e PDC 427/16), a nova política nacional de fauna seria “o tiro que faltava para a extinção das espécies”, na opinião do Ministério Público.

Will Shutter/Câmara dos Deputados
Nilto Tatto acredita que o projeto atenda a interesses de grupos econômicos

A ONG ambientalista WWF também questiona a constitucionalidade da proposta, que permitiria o abate de animais até em unidades de conservação.

O Ibama exibiu vídeos de tortura animal em caçadas e manifestou preocupação com a retirada do porte de arma dos agentes e de riscos de insegurança jurídica na fiscalização.

Por outro lado, o doutor em ecologia e professor de biologia animal da Universidade Federal de Viçosa Rômulo Ribon afirmou que as críticas ignoram as possibilidades de uso racional da fauna como forma de manejo de recursos naturais e de recuperação de áreas ambientalmente degradadas.

“Essa visão preservacionista ideológica da natureza tem impedido o uso da ciência mundial, em termos de conservação de fauna silvestre, como ferramenta crucial para a resolução de muitos dos problemas de conservação e da própria preservação da natureza”.

Segundo a Consultoria Legislativa da Câmara, a proposta consolida pontos dispersos em portarias e resoluções governamentais. Em termos de inovações jurídicas, a caça profissional, hoje proibida, passaria a ser admitida por meio de permissão, autorização ou licença.

Professores de ecologia e biologia das Universidades de São Paulo e Federal do Amazonas destacaram a importância de manejos de fauna por meio de conservação biológica (para populações ameaçadas de extinção), controle (para populações excessivas), uso sustentável e monitoramento.

O deputado Valdir Colatto garantiu estar seguro quanto à constitucionalidade de sua proposta de política nacional de fauna. Segundo ele, a intenção é modernizar a legislação e regulamentar o manejo, como no caso de javalis que atacam lavouras e já tiveram a caça autorizada pelo Ibama.

“Eu quero que alguém me diga onde está escrito que está liberada a caça no Brasil. Isso está na Constituição, que diz que qualquer animal deve ser controlado quando causar impacto econômico e problemas para a questão da saúde”.

Já o relator, deputado Nilto Tatto, disse que a proposta atende interesses de grupos econômicos e de esporte, sem considerar os interesses da sociedade.

“Conceitualmente, esse projeto coloca a biodiversidade como de propriedade do caçador”.

Colatto disse ter apoio da maioria da Comissão de Meio Ambiente para derrubar o relatório de Tatto. 

O deputado Ricardo Tripoli (PSDB-SP), contrário à proposta, defendeu consulta popular sobre o tema. Está prevista a análise do texto também nas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça.
Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub



As previsões das mudanças climáticas devem incluir impactos de CO2 na vida.

College of Life and Environmental Sciences, University of Exeter*

As previsões das mudanças climáticas não estão levando em conta toda a gama de possíveis efeitos do aumento dos níveis de dióxido de carbono (CO2), dizem os pesquisadores .

Os cientistas atualmente usam modelos em que o aquecimento de 1,5 °C coincide com o dióxido de carbono na atmosfera entre 425 e 520 partes por milhão (ppm).

Mas a análise da Universidade de Exeter e do Met Office sugere que se o clima aquecer mais devagar, o aquecimento de 1,5°C pode ser retardado até que o CO2 alcance níveis mais altos – até 765 ppm se nenhum outro efeito estufa tiver sido afetado ou se seus efeitos forem neutralizados. partículas de poluição na atmosfera.

O aumento de CO2 afeta o rendimento das culturas, a biodiversidade das plantas e a acidificação dos oceanos – e os pesquisadores advertem que os estudos podem subestimar esses impactos usando uma faixa muito estreita de níveis de CO2 .

“Além de ser uma das principais causas do aquecimento global, o CO2 também afeta diretamente a vida”, disse o professor Richard Betts .

“Maiores concentrações de CO2 causam aumento de crescimento em muitas espécies de plantas. Isso causa um “greening” geral da vegetação, mas também altera a composição dos ecossistemas – algumas espécies se saem melhor do que outras. Espécies arbóreas de crescimento lento podem perder para competidores que crescem mais rapidamente.

“Também pode reduzir os efeitos da seca até certo ponto, porque muitas plantas usam menos água quando o CO2 é maior.

“Ambos os fatores podem potencialmente aumentar o rendimento das culturas, possivelmente ajudando a compensar alguns dos impactos negativos da mudança climática – embora, mesmo que isso aconteça, o valor nutricional das culturas pode ser reduzido como resultado do CO2 extra .

“O aumento do CO2 também causa acidificação dos oceanos, o que prejudica os corais e algumas espécies de plâncton.

“Há agora um enorme esforço científico para descobrir como será o mundo quando o aquecimento global atingir 1,5°C. Para obter uma imagem completa, precisamos considerar esses outros efeitos do CO2 , bem como os do aumento da temperatura. ”

Há incerteza sobre o quanto a atmosfera aquecerá em resposta a determinados gases de efeito estufa – uma medida conhecida como “sensibilidade climática”.

O estudo concluiu que uma ampla gama de concentrações de CO2 poderia acompanhar o aquecimento global de 1,5°C ou 2°C.

Explicando o novo estudo, o professor Betts disse que ele e o Dr. Doug McNeall fizeram os cálculos do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) “em sentido inverso”.

“Em vez de calcular a probabilidade de uma determinada quantidade de aquecimento se o CO2 dobra, calculamos a probabilidade de uma determinada quantidade de CO2 subir para um nível específico de aquecimento (1,5°C e 2°C)”, disse ele.

“Isso nos permite estimar o que a gama de CO2 concentrações seria quando o aquecimento global passa esses níveis, se CO2 eram a única coisa na atmosfera que estamos mudando.”
Referência:
Betts, Richard A.; McNeall, Doug; 2018
How much CO2 at 1.5°C and 2°C?
Nature Climate Change, volume 8, pages 546–548 (2018)
DOI – 10.1038/s41558-018-0199-5
https://doi.org/10.1038/s41558-018-0199-5
Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.


Fonte: EcoDebate

Cacau na Amazônia: um caminho para a agricultura familiar sustentável.

por Eduardo Trevisan Gonçalves, gerente de projetos do Imaflora – 

Tem aumentado a importância da agricultura familiar na geração de renda em estados e municípios da Amazônia brasileira.  Além da tradicional produção de alimentos básicos, como mandioca, verduras, condimentos, leite e derivados, têm ganhado destaque a produção de cacau, café e guaraná em escala comercial.

O cacau é um caso emblemático e o principal exemplo a ser observado, porque tem se tornado cada dia mais relevante na vida das comunidades amazônicas, sobretudo na dos agricultores familiares. Da sua semente, após fermentada e seca, chamadas de amêndoas, pode se extrair subprodutos para a fabricação de chocolates, biscoitos, cosméticos, entre outros. Por ser pouco perecível, o produto se pode ser transportado por longas distâncias.

A expectativa da indústria cacaueira é que, nos próximos 10 anos, a produção de cacau no Brasil passe das atuais 200 mil toneladas para 400 mil toneladas. E boa parte desse volume deve vir de plantações na Amazônia brasileira. No Pará, destacam-se a região da transamazônica, com diversos municípios produtores, e também a região sudeste do Estado, no eixo entre Tucumã e São Felix do Xingu. O cacau também cresce em Rondônia e Amazonas.

A evolução dessas plantações acompanha um recente ciclo internacional de valorização da commodity, assim como sua demanda no mercado interno, que tem crescido e, em anos recentes, superou a capacidade de produção das lavouras brasileiras, fazendo com que parte das indústrias processadoras importasse as amêndoas de outros países. O mercado de cacau especial, com qualidade superior e certificado, também evolui com rapidez.

Por ser uma planta nativa da região amazônica, o cacaueiro encontra condições climáticas favoráveis para se desenvolver e, além disso, quando bem conduzidas, as lavouras são consorciadas com árvores nativas, transformado áreas degradadas, sobretudo pastagens, em agroflorestas – plantações que se assemelham a uma floresta.

A geração de renda para as comunidades locais e a recuperação de áreas degradadas em agroflorestas parece ser – e deve ser – uma excelente estratégia para o desenvolvimento da região. Muitas organizações estão apostando e propagando essas ideias, sendo que o ritmo de plantio de cacaueiros tende a aumentar nos próximos anos.
Embora a atividade seja bastante promissora, a situação em muitas regiões do Brasil revela que o produtor familiar ainda encontra dificuldades para tornar a prática sustentável financeiramente. O principal meio de implantação das lavouras de cacau é o financiamento pelo PRONAF (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Alguns produtores também utilizam recursos próprios e financiamentos bancários para iniciar o plantio. Existe também a expectativa de novas formas de financiamento, que envolvem Títulos Verdes (Green Bonds).

E com o escasso acesso à informação sobre as boas práticas de produção, já que os órgãos públicos de pesquisa, assistência técnica e fiscalização possuem limitações financeiras para atendimento do grande número de empreendedores, milhares de produtores veem sua produtividade ser afetada. Muitos utilizam produtos químicos sem os cuidados necessários, colocando em risco sua saúde e a dos ecossistemas que habitam. Em alguns casos, também desmatam a floresta para plantio de cacau.

Mesmo com alta liquidez, a fragilidade de gestão das cooperativas locais, a grande quantidade de intermediários e os altos custos logísticos fazem com que o preço final da amêndoa fique abaixo do seu potencial de mercado, subtraindo parte da renda que iria para os agricultores familiares. Outro fator preocupante é a falta de investimento público ou privado em questões básicas, como a educação de crianças e jovens de áreas rurais, ou seja, das futuras gerações de produtores.

O grande risco da ampliação da produção de lavouras como cacau, café, dendê e outras, sem que haja planejamento e parcerias que envolvam setores público, privado e, sobretudo, os produtores e suas associações, é que pode haver consequências insustentáveis aos territórios e às famílias que vivem da terra, como a utilização de práticas degradantes como trabalho infantil, desmatamento e utilização de agrotóxicos sem a devida proteção e proliferação de atravessadores comerciais.  Sem que existam ganhos reais na qualidade de vida daqueles que vivem nas regiões, não haverá viabilidade para a continuidade do crescimento sustentável que se espera. É preciso investir em caminhos para a agricultura familiar que incluam as lideranças e as necessidades das comunidades.

Fonte: ENVOLVERDE

Líder 2030 Talks muda o ângulo da visão de sustentabilidade nas empresas.



por Dal Marcondes, da Envolverde, especial para o Projeto liderança Sustentável – 

Gestão de pessoas é a área responsável pela busca por talentos e pela capacitação dos profissionais para o exercício cotidiano da missão das empresas.

Profissionais de Recursos Humanos, uma área normalmente tida como “de apoio” em grande parte das organizações, ganharam no Líder 2030 Talks, projeto da Plataforma Liderança Sustentável, um espaço privilegiado de reconhecimento de seu papel na construção de empresas comprometidas com a gestão sustentável. No último 29 de junho 10 organizações de quase todos os setores econômicos puderam mostrar que o RH é uma área estrutural quando o tema é a construção de cultura, engajamento e compromisso da equipe com a gestão sustentável.

Propósito e relevância foram termos ouvidos com frequência no teatro da Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo, onde o CEO de Ideia Sustentável, Ricardo Voltolini, foi o mestre de uma cerimônia que reuniu mais de 300 executivos e especialistas para apresentações que reforçam como a área de Recursos Humanos participa das transformações não apenas das empresas, mas principalmente do perfil de governança que profissionais e sociedade determinam para a economia do século21.

Voltolini, que também é diretor de sustentabilidade da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), colocou a expertise se sua organização a serviço de uma pauta necessária, mostrar que a governança com foco em sustentabilidade tem de fazer sentido para as pessoas, para as equipes que no cotidiano são responsáveis pela produção, pela gestão e pelo contato com clientes e com a sociedade. “A missão das organizações não deve ser tratada como meta privativa da alta gerência, precisa ser abraçada com orgulho por todos”, explica.

Para este primeiro evento, com foco em Recursos Humanos, foram analisados 80 cases de gestão de pessoas apresentados pelas empresas e realizadas 150 entrevistas. Destes, 30 cases foram desclassificados por falta de evidências em relação aos cinco critérios analisados pelos especialistas. Ao final da peneira 10 cases foram selecionados e tiveram um espaço para serem apresentados no Líder 2030 Talks.

10 Cases Selecionados
  • Itaú Unibanco
  • Duratex
  • Algar Telecom
  • Ambev
  • Coca-Cola
  • Braskem
  • Ultragaz
  • Unimed Brasil
  • CTG Brasil
  • Volvo
5 Critérios de Avaliação
  • Existência de Programa de Educação para o Desenvolvimento de Competências;
  • Existência de Programas de Autoconhecimento;
  • Ações Programadas on the Jobs;
  • Remuneração Variável condicionada ao TBL;
  • Existência de Estrutura de Governança com foco em Sustentabilidade;
Esse novo enfoque para os desafios de sustentabilidade das empresas, com um olhar mais aprofundado em pessoas, mostra que novos valores estão se consolidando, como a consciência, a responsabilidade e o cuidado. Estes, segundo Ricardo Voltolini, são princípios inerentes aos seres humanos, e as organizações somente podem assumi-los através da perspectiva de seus colaboradores.

O fortalecimento e a melhor preparação das equipes de Recursos Humanos estiveram presentes na fala de Daviane Chemin, vice-presidente da ABRH, que destacou o papel desse profissional inclusive em empresas de pequeno porte, onde ele atua para garantir a atração de talentos e oferecer o melhor preparo para as equipes. “Nas grandes empresas o RH tem o papel de atrair profissionais de ponta para as equipes em todas as áreas, nas pequenas empresas seu papel é oferecer as melhores oportunidades de treinamento e capacitação”, explica e aponta a sustentabilidade como um grande diferencial para profissionais e empresas.

A expectativa do time da ABRH é fortalecer uma comunidade de profissionais de Recursos Humanos, de forma a poder oferecer oportunidades de crescimento e mais momentos de troca entre pessoas que enfrentam desafios similares, em grandes e pequenas empresas. “Esse intercâmbio de experiências pode ajudar a disseminar práticas inovadoras e consolidar processos eficazes entre os diversos modelos de gestão de pessoas”, explica a vice-presidente da entidade.

Um Guia para a Sustentabilidade no RH

A consultoria Ideia Sustentável e a ABRH Brasil lançaram, durante o Líder 2030 Talks o Guia Sustentabilidade para RH: 10 Desafios, que vem assinado por Ricardo Voltolini. A publicação tem uma proposição bastante prática, colocando cada um dos passos que um profissional de RH pode seguir na busca por talentos para sua organização e como tratar os temas da sustentabilidade em programas de capacitação e treinamento.

O Guia trata principalmente de valores que devem estar presentes na gestão de pessoas, trazendo um capítulo especialmente útil sobre “Como contratar gente mais sustentável”, e muitas outras dicas que podem ajudar a tornar o trabalho do RH mais assertivo em relação às políticas de sustentabilidade de sua organização e garantir o engajamento dos colaboradores. Elaine Saad, presidente da ABRH Brasil alerta no editorial do Guia que o mundo do trabalho está passando por grandes transformações e as empresas precisam de apoio para conseguir de seus colaboradores o engajamento em sua Missão. Ela acredita que esse Guia será uma poderosa fonte de inspiração para os profissionais que se dedicam à gestão de pessoas.

Fonte: ENVOLVERDE

segunda-feira, 2 de julho de 2018


Novo Atlas Mundial da Desertificação mostra pressão sem precedentes sobre os recursos naturais do planeta.
Comissão Europeia

O Atlas fornece a primeira avaliação abrangente e baseada em evidências sobre a degradação da terra em nível global e destaca a urgência de adotar medidas corretivas.

O Atlas fornece exemplos de como a atividade humana leva as espécies à extinção, ameaça a segurança alimentar, intensifica as mudanças climáticas e leva as pessoas a serem deslocadas de suas casas.

As principais conclusões mostram que o crescimento populacional e as mudanças nos nossos padrões de consumo exercem uma pressão sem precedentes sobre os recursos naturais do planeta:

* Mais de 75% da área terrestre do planeta já está degradada e mais de 90% pode ser degradada até 2050.
* Globalmente, uma área total de metade do tamanho da União Europeia (4,18 milhões de km²) é degradada anualmente, sendo a África e a Ásia as mais afetadas.
* Estima-se que o custo econômico da degradação do solo na UE seja da ordem de dezenas de bilhões de euros por ano.
* Estima-se que a degradação da terra e a mudança climática levarão a uma redução do rendimento global das culturas em cerca de 10% até 2050. A maior parte disso ocorrerá na Índia, na China e na África subsaariana, onde a degradação da terra poderia reduzir pela metade a produção agrícola.
* Como conseqüência do desmatamento acelerado, será mais difícil mitigar os efeitos da mudança climática
* Até 2050, calcula-se que até 700 milhões de pessoas tenham sido deslocadas devido a questões ligadas a recursos terrestres escassos. O número pode chegar a 10 bilhões até o final deste século.

Embora a degradação da terra seja um problema global, ela ocorre localmente e requer soluções locais. Maior compromisso e cooperação mais efetiva em nível local são necessários para deter a degradação da terra e a perda de biodiversidade.

Outras expansões agrícolas, uma das principais causas da degradação da terra, poderiam ser limitadas pelo aumento da produtividade nas terras agrícolas existentes, passando-se para dietas baseadas em vegetais, consumindo proteínas animais de fontes sustentáveis e reduzindo a perda e o desperdício de alimentos.

O Atlas oferece uma visão clara das causas subjacentes da degradação em todo o mundo. Ele também contém um grande número de fatos, previsões e conjuntos de dados globais que podem ser usados para identificar processos biofísicos e socioeconômicos importantes que, sozinhos ou combinados, podem levar a um uso insustentável da terra e à degradação da terra.

Na UE, a desertificação afecta 8% do território, particularmente na Europa do Sul, Oriental e Central. Essas regiões – representando cerca de 14 milhões de hectares – mostram alta sensibilidade à desertificação. Treze Estados-Membros declararam-se afectados pela desertificação no âmbito da CNUCD: Bulgária, Croácia, Chipre, Grécia, Hungria, Itália, Letónia, Malta, Portugal, Roménia, Eslováquia, Eslovénia e Espanha. A UE está totalmente empenhada em proteger o solo e promover o uso sustentável do solo e tem em conta estes compromissos ao elaborar propostas sobre energia, agricultura, silvicultura, alterações climáticas, investigação e outras áreas.

Para maiores informações:
World Atlas of Desertification


Novo Atlas Mundial da Desertificação
https://wad.jrc.ec.europa.eu/


Fonte: EcoDebate

Atlas da Violência aposta nos ODS para prevenir violência contra jovens e negros no Brasil.


por ONU Brasil

Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Atlas da Violência 2018 apontou a desigualdade na distribuição dos assassinatos entre negros e brancos. Enquanto a taxa de homicídios entre os primeiros é de 40,2 por 100 mil habitantes, no segundo grupo ela fica em 16 por 100 mil. De todas as vítimas do crime a cada ano no país, 71,5% são negras.

Uma das novidades da edição 2018 do documento é um capítulo dedicado a chamar atenção para o potencial dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas metas nas estratégias de redução da violência letal. Em geral, os ODS estabelecem diretrizes a serem alcançadas pelos países nos próximos 12 anos, daí o título de Agenda 2030. O plano de ação internacional oferece parâmetros que permitem inclusive ao Brasil verificar se está ou não conseguindo superar desafios em várias áreas como, por exemplo, a de segurança pública.
Índice de homicídios no Brasil é o sétimo maior das Américas, de acordo com a OMS. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão.

Produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), o Atlas da Violência 2018 confirmou a tendência histórica de agravamento do quadro de homicídios no Brasil — principalmente entre jovens e negros. Os assassinatos responderam por mais que a metade (56,5%) das causas de morte entre homens de 15 a 29 anos. O número global de 33.590 jovens vítimas de homicídio aumentou 7,4% em relação ao ano anterior.

Outro dado preocupante do Atlas é a desigualdade na distribuição dos assassinatos entre negros e brancos. Enquanto a taxa de homicídios entre os primeiros é de 40,2 por 100 mil habitantes, no segundo grupo ela fica em 16 por 100 mil. De todas as vítimas do crime a cada ano no país, 71,5% são negras.

“É como se, em relação à violência letal, negros e não negros vivessem em países completamente distintos”, ressalta o texto do Atlas. O Ipea e o FBSP informam ainda que os dados atualizados infelizmente não trouxeram surpresas para os pesquisadores, os quais acrescentam que o Brasil tem produzido respostas insuficientes ao problema em termos de políticas públicas.

Uma das novidades da edição 2018 do documento é um capítulo dedicado a chamar atenção para o potencial dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e suas metas nas estratégias de redução da violência letal. Em geral, os ODS estabelecem diretrizes a serem alcançadas pelos países nos próximos 12 anos, daí o título de Agenda 2030. O plano de ação internacional oferece parâmetros que permitem inclusive ao Brasil verificar se está ou não conseguindo superar desafios em várias áreas como, por exemplo, a de segurança pública.

O ODS mais importante em relação ao tema é o de número 16 (são 17 no total), que trata de caminhos para promover sociedades mais pacíficas e inclusivas. Sua primeira meta é reduzir a violência e a mortalidade decorrente dela. O Atlas 2018, por sua vez, mostra que o Brasil acaba de bater seu próprio recorde em sentido contrário ao da meta 1 do ODS 16: pela primeira vez ultrapassou o patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes.

Segundo o coordenador de Estudos e Políticas de Estado e Instituições (Diest), do Ipea, Helder Sant’Ana Ferreira, responsável pelo capítulo que relaciona os ODS à redução da violência letal, são vários dos objetivos da Agenda 2030 que podem contribuir na redução da violência se perseguidos e cumpridos.

“O problema dos homicídios precisa ser priorizado, já que a área de segurança lida com questões como o tráfico e o crime organizado, por exemplo. O Atlas traz, de um lado, essa necessidade de colocar os homicídios no centro, mas de outro, fala neste capítulo de ODS de temas que ampliam o debate sobre melhoria das condições sociais, o que é decisivo na prevenção dos assassinatos”, observa Ferreira.

Para as Nações Unidas, no entanto, a agenda global pode e deve ser adaptada aos contextos e desafios dos países. A líder do Grupo Temático de Gênero Raça e Etnia e representante de ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, enfatiza que o mesmo vale para a questão dos homicídios no país.

“O perfil das vítimas é extremamente bem definido: jovens, negros, oriundos das periferias, com baixa escolaridade e inserção precária no mercado de trabalho. Portanto, não há como atingir as metas e objetivos relacionados ao ODS de promoção de uma sociedade mais pacífica e inclusiva se não nos dedicarmos com prioridade ao problema do racismo que também pesa nesta situação de distribuição desigual da violência entre negros e brancos no Brasil”, analisa.

A ONU Mulheres lidera um dos grupos das Nações Unidas no Brasil responsáveis pela campanha #VidasNegras — pelo fim da violência contra a juventude negra. Entre 2006 e 2016, a taxa de homicídios de negros cresceu 23%, enquanto caiu para não negros em 6,8%.

Agenda 2030 nos territórios

Ao lado de raça e da faixa etária, outra característica importante da dinâmica dos homicídios no Brasil é a concentração territorial dos assassinatos. Das 27 unidades da federação, 11 apresentaram crescimento gradativo da violência letal, dez delas no Norte e Nordeste, regiões onde estão situados todos os estados que experimentaram um crescimento superior a 80% na taxa de homicídios, entre 2006 e 2016.

De acordo com Helder Sant’Ana Ferreira, a questão da concentração das mortes violentas fica ainda mais aguda à medida em que se olha mais de perto. “Nestes estados, há concentração nos municípios e nos municípios, com certeza, em uma parte ou em partes deles”, revela o representante do Ipea, que lamenta não ter acesso à variável “bairro”.

Mas há quem já esteja trabalhando com a Agenda 2030 para enfrentar a violência, de olho em fatores como o perfil das vítimas e o território. Um exemplo é o da Casa Fluminense, que, como afirma seu coordenador de mobilização e incidência, Douglas Almeida, “quer aproximar a agenda global da agenda local”, isto é, acompanhar em escala local os ODS.

“Uma meta que apontamos na Agenda para o horizonte 2030 e que dialoga com a primeira do ODS 16 é toda Região Metropolitana abaixo do nível de homicídios considerado epidêmico pela OMS (10/100mil)”, explica.

Ainda de acordo com Almeida, os números absolutos de homicídios — que aumentaram no Rio — são bastante desiguais se considerados os territórios: em 2017, a Baixada Fluminense teve taxa de homicídios de 60,7 a cada 100 mil, duas vezes mais que a registrada na capital. “As evidências revelam que além de territórios-chave, a violência cotidiana também faz dos corpos e histórias de jovens negros suas principais vítimas”, nota.

Em âmbito local ou nacional, ter como parâmetros os ODS — e, em especial, aqueles relacionados à redução da violência —, é uma estratégia promissora. Está é a opinião de Eduardo Pazinato, analista de programa do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). “A referência expressa ao ODS 16 é sintomática de uma aposta dos envolvidos no cumprimento de compromissos internacionais assumidos pelo Brasil e outros países vinculados às Nações Unidas, em prol de priorizar a prevenção das violências, com padrões e métricas de comparabilidade referendados pela ONU”, diz.

Dados, experiências locais e parâmetros internacionais, tudo converge para um só caminho: valorizar a vida, priorizando a ampliação das oportunidades para aqueles que têm sido mais penalizados, sem esquecer dos locais de maior incidência — tanto dos homicídios quanto dos efeitos da desigualdade.

Campanha Vidas Negras

Estabelecida pela ONU em 2013, a Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024) defende esforços dos países, da sociedade civil e de outros atores relevantes para enfrentar o racismo, a discriminação e o preconceito racial, e tem como objetivo efetivar compromissos internacionais contra o racismo.

No ano passado, a ONU Brasil lançou a campanha Vidas Negras, visando ampliar junto à sociedade, gestores públicos, sistema de Justiça, setor privado e movimentos sociais, a visibilidade do problema da violência contra a juventude negra no país.

O Sistema ONU pretende com a iniciativa chamar atenção e sensibilizar a sociedade para os impactos do racismo na restrição da cidadania de pessoas negras, influenciando atores estratégicos para a produção e apoio de ações de enfrentamento da discriminação e da violência.


Fonte: ONUBR

O micro-plástico aos olhos da Volvo Ocean Race.


por Elisa Homem de Mello – 
Em parceira com as Nações Unidas, regata evidencia crise do plástico que afeta os oceanos do mundo.

A etapa brasileira da Volvo Ocean Race 2017-18 registrou dados importantes sobre a poluição do plástico nos oceanos. Os barcos que disputaram a sétima perna entre Auckland (Nova Zelândia) e Itajaí (SC) recolheram amostras nos mares do sul durante toda a prova. As informações divulgadas em 18 de maio passado apresentam o nível de partículas de micro plástico, medidos periodicamente, durante a regata, pelo barco Turn the Tide on Plastic, de bandeira portuguesa.

A aferição realizada a 452 quilômetros de Auckland, na Nova Zelândia, onde a perna começou, registrou o índice de 45 partículas de micro plásticos por metro cúbico. Quando o barco passou perto do Cabo Horn, na ponta da América do Sul, os índices aumentaram para 57 partículas por metro cúbico. Na sequência, chegaram ao Point Nemo, o ponto mais distante do mundo, também conhecido como Polo de Inacessibilidade do Pacífico. Para se ter uma ideia, o Point Nemo é tão distante da terra firme que os seres humanos mais próximos dali são, em geral, os astronautas presentes na Estação Espacial Internacional, que orbita a Terra a um máximo de 416 quilômetros.

Ainda que os seres humanos não deem as caras por aí, os índices de micro plástico no local registraram entre 9 e 26 partículas por metro cúbico. E apenas 12 partículas por metro cúbico de micro plástico foram encontradas a 1.000 quilômetros do final da etapa, na cidade de Itajaí (SC/Brasil). A diferença nas medições pode ser explicadas pelas correntes oceânicas que transportam os microplásticos a grandes distâncias.
O programa desenvolvido pela Volvo Ocean Race foi composto por 3 etapas: Em primeiro lugar, todos os barcos enviaram 36 pacotes de dados para a central de controle da regata, a cada 10 segundos. Os dados incluíram temperatura, pressão barométrica, velocidade e direção do vento. Tais informações foram transmitidas ao satélite NOAA e ao Centro Europeu de Previsões Meteorológicas (ECMWF), onde serão criados prognósticos meteorológicos e modelos climáticos mais precisos. Em segundo lugar, durante as quatro pernas mais isoladas da competição, os sete barcos participantes levaram boias científicas dotadas de equipamentos de comunicação via satélite para transmitir informação sobre a composição da água e as correntes oceânicas. E finalmente, a equipe do barco Turn the Tide on Plastic e outros dois barcos levaram instrumentos a bordo para provar a salinidade, o CO2e a clorofila-a (algas) da água. Estas medidas, que são chave para a saúde dos oceanos, foram registradas juntamente com as provas de micro plásticos, a fim de criar um panorama completo dos oceanos do mundo.

Em números globais, a poluição causada por plástico revela que, a cada ano, entre 500 bilhões e 1 trilhão de sacolas plásticas são consumidas no Planeta. Estima-se ainda que cerca de 13 milhões de toneladas de plástico são descartadas no mar todo ano (o mesmo que tirar um caminhão de lixo a cada minuto), causando danos irreversíveis a mais de 600 espécies marinhas, das quais 15% são consideradas em extinção.

O Secretário Geral da ONU, o português António Guterres, fez um apelo urgente para que o mundo recuse o uso único de qualquer item plástico, e alerta para o fato de que o contínuo crescimento dos níveis de rejeitos plásticos estão se tornando inadministráveis e, caso não sejam tomadas medidas eficazes, calcula-se que em 2050 as águas dos mares terão mais plástico do que peixes. “Nossos oceanos estão sendo degradados por atividades que causam danos à vida marinha, prejudicam as comunidades costeiras e afetam a saúde humana”, afirmou Guterres.

Turn the Tide on Plastic (Acabe com a Poluição Plástica), além de ser nome do barco liderado pela inglesa Dee Caffari, é também o tema deste ano da ONU para o Dia Mundial do Meio Ambiente, que acontece todos os anos no dia 5 de Junho. Trata-se do principal dia das Nações Unidas para promover a conscientização e ação em todo o mundo em relação ao meio ambiente. Este ano, a campanha atendeu ao Objetivo do Desenvolvimento Sustentável (ODS) de Número 14: “Vida na Água”.

Como iatistas transoceânicos, as equipes da Volvo Ocean Race reconhecem o desafio ambiental que o tema supõe e por isso centraram seus esforços na saúde dos oceanos e especificamente na contaminação causada pelo plástico. Com o desenvolvimento do Programa de Sustentabilidade, a Volvo Ocean Race identifica 3 instruções claras: Maximizar o IMPACTO | Minimizar a PEGADA | Deixar um LEGADO positivo.

América Latina e Caribe arregaçam as mangas

A América Latina e o Caribe estão tomando medidas audazes na luta contra a contaminação por plásticos. Os países da região estão criando leis e políticas ousadas para impulsionar uma nova economia do plástico e proteger seus preciosos recursos naturais, afinal, não se trata de banir o plástico de nosso cotidiano, já que seus benefícios são inegáveis: barato, leve, duradouro e fácil de serem confeccionados.

Entretanto, as mesmas propriedades que fizeram do plástico um produto revolucionário, também propiciaram um ciclo de produção irresponsável, além do consumo e do desperdício excessivos. As projeções atuais mostram que a produção mundial de plástico deverá disparar nas próximas décadas: espera-se que chegue à assombrosa cifra de 619 milhões de toneladas em 2030.

Na América Latina e no Caribe, os governos, o setor privado e a sociedade civil compreenderam a urgência de reconsiderar a forma como produzimos, usamos e administramos o plástico. E assim, medidas decisivas estão sendo tomadas para enfrentar a crescente maré de plásticos.

Fabricantes, inovadores e consumidores já colocaram as mãos na massa. Tanto eles, quanto a liderança e forte intervenção dos governos são chave para adotar novos modelos de negócios sustentáveis. As regulamentações e os incentivos podem guiar as empresas a inovar e buscar rentabilidade utilizando alternativas ao plástico.

O Congresso chileno aprovou a proibição nacional de sacolas plásticas em cidades costeiras, e estudantes universitários desenharam uma ferramenta de localização geoespacial para recuperar lixo marinho. O Equador pretende transformar as remotas Ilhas Galápagos em um arquipélago livre de plásticos: a partir de 21 de Agosto de 2018 não será permitido vender nem usar materiais de polietileno expandido, sacolas e garrafas de plástico. No Peru, empresas privadas estão usando garrafas recicladas para confeccionar mochilas com um poncho incorporado, que servem para abrigar os estudantes mais pobres dos Andes. Em Tamaulipas, no México, um grupo de jovens fabrica pratos descartáveis, utilizando a fibra de nopal (espécie de cacto, rico em fibras e fonte de vitaminas) no lugar de plástico.

Em Setembro passado, o Brasil anunciou oficialmente seu apoio à campanha da ONU Clean Seas em uma reunião à margem da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, com o então Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho e o Chefe da ONU para o Meio Ambiente, Erik Solheim.

Sendo a 9ª maior economia do mundo e líder em proteção ambiental, a declaração de apoio do Brasil é um impulso significativo para a campanha global da ONU, que agora conta com 30 estados membros e visa “virar a maré contra o plástico”, inspirando ações de governos, empresas e indivíduos. “O apoio do Brasil a essa campanha é crucial. Isso ressalta o tamanho do problema e a escala da resposta que precisamos ver”, disse Solheim, que completou, afirmando que “precisamos de mais da mesma liderança política – do tipo que envia uma mensagem muito clara: não podemos nos dar ao luxo de continuar transformando nossos oceanos em um mar de lixo”.

O anúncio reforça o compromisso do governo brasileiro de desenvolver um Plano Nacional de Combate ao Lixo Marinho e apoiar a criação do Santuário de Baleias do Atlântico Sul e de Áreas Marinhas Protegidas. “Os serviços ecológicos prestados pelos oceanos são essenciais para todas as pessoas e o Brasil vem tomando uma série de medidas para garantir a conservação dos ecossistemas marinhos e costeiros”, afirmou o ministro Sarney Filho.

Aqui no país, o plástico tem sido identificado como uma das principais causas de danos ambientais e problemas de saúde. Polui o meio ambiente; mata pássaros, peixes e outros animais que confundem plástico com comida; danifica destinos turísticos; prejudica a pesca marinha e fornece um terreno fértil para os mosquitos Dengue, Zika e Chikungunya. Seu uso, no entanto, continua a crescer: em 2016 foram produzidos no Brasil 5,8 milhões de toneladas de produtos plásticos.

Ao se inscrever na Clean Seas, o Brasil se une à Colômbia, Equador, Costa Rica, República Dominicana, Granada, Panamá, Peru, Santa Lúcia e Uruguai para se tornar o 10º país da América Latina e do Caribe a participar da campanha.

Lutar contra a contaminação causada pelos plásticos nos ajudará a preservar ecossistemas preciosos, mitigar as mudanças climáticas e proteger a biodiversidade e nossa saúde. Esta é uma batalha que deve ser travada hoje para garantir, amanhã, um planeta mais justo e sustentável.

Fonte: ECO21

Estudo disponibiliza boas práticas de manejo em aquaponia.

Por Cristina Tordin (MTB 28499)
Embrapa Meio Ambiente

Aquaponia – Foto: Julio Queiroz

A aquaponia – integração da aquicultura com a hidroponia – se consolida como uma importante atividade para o agronegócio. Como o sistema tem por base a reciclagem da água, ele minimiza a geração de efluentes ricos em nutrientes e evita, assim, a eutrofização dos corpos d’água.

Embora apresente várias vantagens com relação aos métodos tradicionais, ainda é preciso superar vários gargalos tecnológicos relacionados à sua implantação e funcionamento. Também é necessário aprimorar o entendimento dos processos físicos, químicos e microbiológicos para tratamento, manutenção e monitoramento da qualidade da água, da sanidade dos peixes e das plantas.

Nesse sentido, pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) e da Symbiotec Ltda., indicam um conjunto de Boas Práticas de Manejo (BPM), que podem ser aplicadas à produção em múltiplas escalas, assim como em regiões com restrições de água, áreas rurais e periurbanas (Série Documentos, completa em https://www.embrapa.br/busca-de-publicacoes/-/publicacao/1092012/boas-praticas-de-manejo-para-sistemas-de-aquaponia).

O objetivo é promover o aprimoramento do manejo e dos índices de produtividade e sustentabilidade de forma contínua, com base em indicadores de desempenho zootécnico, fitotécnico e econômico.

Entre esses índices, estão a necessidade de manutenção – fator determinante para o sucesso da produção – além da suplementação nutricional para os vegetais cultivados, composição da ração, temperatura e demais parâmetros de qualidade da água.

Conforme o pesquisador da Embrapa Meio Ambiente Julio Queiroz, o indicador econômico é muito importante. “Deve-se observar os valores de mercado praticados, assim como o valor agregado pelo sistema aquapônico. Isso é valido para cada produto de origem animal e vegetal nas suas diferentes fases, como a venda de alevinos ou juvenis de peixes, e, sobretudo de produtos vegetais diferenciados como o baby leaf – hortaliças como alface, agrião e rúcula, entre outras espécies, com folhas ainda não expandidas completamente e colhidas precocemente e microgreens – micro vegetais comestíveis – hortaliças, ervas aromáticas e legumes, que são surpreendentes em termos de sabor e fazem bem à saúde, já que os pequenos vegetais apresentam de quatro a 40 vezes mais nutrientes do que na sua fase final.

Julio explica que uma das primeiras providências é avaliar a eficiência dos filtros, com um teste rápido para determinar a concentração de amônia, nitrito e nitrato na água. A amônia é o principal resíduo do metabolismo dos peixes e da degradação das rações. O seu acúmulo resulta na redução da produção, no aumento do estresse dos peixes e, consequentemente, no aumento da ocorrência de doenças.

Também é necessário analisar a cada quinze dias os compostos nitrogenados – amônia, nitrito e nitrato, e instalar, na medida do possível, sensores de temperatura, pH e oxigênio dissolvido para monitoramento de forma contínua. Se a concentração de nitrato estiver elevada por semanas consecutivas, uma parte da água deverá ser substituída por água limpa.

O conhecimento do potencial do efluente gerado pelos peixes, em relação à concentração de nutrientes exigidos pelas hortaliças, é essencial. A determinação ou o conhecimento da digestibilidade da ração pode facilitar a estimativa da densidade de peixes mais adequada, o que também permite determinar o valor nutricional de dietas, ingredientes dietéticos e quantificar o volume de fezes.

Outros pontos importantes são a estimativa da biomassa inicial de peixes em função da quantidade máxima de plantas que poderá ser cultivada, e a realização de biometria a cada 30 dias com cerca de 5% dos peixes.

Os critérios adotados atualmente, pelo Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa) definem que o animal precisa estar: sadio, seguro, saudável, confortável, livre para expressar comportamentos naturais e sem sentimentos negativos. É necessário estar atento às questões éticas dos consumidores, demonstrando a importância da inclusão do bem-estar dos animais.

Um dos aspectos primordiais para nortear o desenvolvimento das BPM deve assegurar um número satisfatório de plantas com padrão mínimo de tamanho, peso e coloração exigido pelo mercado, ou seja, a quantidade de plantas produzidas não deve ser o fator determinante para definir a eficiência de um determinado sistema de hidroponia, mas sim a quantidade de plantas com valor de mercado. Além disso, deve-se observar o tempo gasto para as plantas alcançarem o tamanho comercial e, ainda, a ausência de ocorrência de doenças.

Considerando que nos sistemas de aquaponia a utilização de solução nutritiva é limitada a suplementações pontuais, a adição de pesticidas ou fungicidas químicos não poderá ser feita, de modo que os métodos alternativos devem ser utilizados para controle de doenças.

“É preciso transferir esses conhecimentos por meio da metodologia “fazendo e acompanhando a evolução do sistema”, continua o pesquisador, dessa forma os produtores estarão aptos a construir e reproduzi-los. Isso pode ser feito por meio de cursos, dias-de-campo e workshops, abordando os aspectos teóricos e práticos sobre montagem, instalação, manejo e manutenção, procedimentos para otimizar os índices de produtividade e rentabilidade; aspectos conceituais sobre manejo produtivo e manutenção da qualidade da água, e BPM sobre prevenção de doenças de peixes e das plantas, requisitos mínimos para escolha do local, definição de escala de produção, conceitos fundamentais sobre os sistemas de recirculação, construção e uso dos filtros de decantação e biológicos, controle e manejo alimentar, além de criar oportunidades para trocas de experiências com aqueles que já atuam nesse segmento”.

Boas práticas de manejo para sistemas de aquaponia, de Julio Queiroz, Thiago Freato, da Symbiotec Ltda., Alfredo Luiz, Márcia Ishikawa e Rosa Frighetto.
http://ainfo.cnptia.embrapa.br/digital/bitstream/item/178041/1/2018DC01.pdf


Fonte: EMBRAPA

Aplicativo mostra a situação do abastecimento de água e do esgotamento sanitário em todos os municípios do Brasil.

Agência Nacional de Águas (ANA)
Disponível para os sistemas Android e IOS, o aplicativo Atlas Água e Esgotos oferece informações sobre coleta e tratamento de esgotos, lançamento da carga orgânica em corpos d’água e sistemas produtores de água para abastecimento em todos os municípios do País

Já é de conhecimento público que o Brasil precisa melhorar os índices de saneamento. Em se tratando de esgotos, por exemplo, apenas 39% da carga orgânica produzida é removida das mais de nove mil toneladas de esgotos gerados pela população urbana diariamente no País. A novidade, porém, é que a partir de agora um novo aplicativo desenvolvido pela Agência Nacional de Águas (ANA) vai permitir que qualquer pessoa com um dispositivo móvel, smartphone ou tablet conectado à internet, conheça em detalhes a situação da coleta e do tratamento dos esgotos, do sistema produtor de água e do manancial que abastece sua cidade. Tudo isso com apenas dois cliques em seu celular.

O aplicativo Atlas Água e Esgoto é compatível com os sistemas Android e IOS e está disponível para download gratuito na Play Store e na App Store. A pesquisa pode ser iniciada pelas informações sobre esgoto ou sobre água. Para facilitar a navegação, quando o GPS do aparelho estiver ativado o app disponibiliza, a partir de um clique na guia “Visão Nacional”, a opção de acesso direto aos dados da cidade onde o usuário se encontra. Outra funcionalidade permite o compartilhamento das informações por meio de mídias sociais, como Facebook, Instagram e WhatsApp.

Sobre a situação dos esgotos, o aplicativo apresenta dados municipais das populações atendidas com coleta e tratamento de esgotos, somente com coleta, sem nenhum dos dois serviços e por fossas sépticas, além da carga de esgotos gerada e a remanescente após o tratamento. Além disso, a ferramenta mostra qual é a capacidade de diluição do principal corpo d’água receptor de esgotos daquele município e o desenho do sistema atual de coleta e tratamento de esgotos da localidade, além das alternativas técnicas e investimentos necessários para assegurar a adequada coleta e tratamento de esgotos em cada município até 2035. Ao selecionar o município é possível ainda acessar o croqui (desenho esquemático) da situação existente e melhorias propostas para sistema de esgotamento sanitário, incluindo o caminho percorrido pelos esgotos, tratados ou não, até os corpos receptores.

Com relação ao abastecimento urbano de água, o aplicativo informa a avaliação da oferta e da demanda de água potável e a necessidade de investimentos para que cada município possa oferecer água suficiente para seus habitantes até 2025. O usuário também encontra imagens que ilustram os sistemas de abastecimento existentes e melhorias propostas pela ANA. Para o Nordeste, também está disponível o nível atual dos cerca de 500 reservatórios que a Agência Nacional de Águas monitora.

“Colocar as informações na palma da mão das pessoas empodera a sociedade que pode reivindicar e mudar essa realidade. Além disso, o aplicativo tem um caráter educativo ao indicar os sistemas produtores e mananciais de abastecimento em cada município, já que provavelmente a maioria dos brasileiros não sabe de onde vem a água que consomem nas cidades”, avalia o diretor de Planejamento de Recursos Hídricos da ANA, Marcelo Cruz.

O aplicativo também dá acesso a um Fale Conosco para que os usuários possam relatar os problemas de sua cidade à Agência Nacional de Águas. “Ao fornecer acesso rápido e consolidado às informações, facilitamos a interlocução da sociedade com os tomadores de decisão, principalmente com os municípios, que possuem a titularidade dos serviços de saneamento na maior parte do Brasil, e com os governos estaduais, titulares dos serviços em várias capitais brasileiras”, reforça Cruz.

O usuário também poderá obter informações com recorte estadual e nacional. Sobre abastecimento urbano de água, o aplicativo oferece a avaliação da oferta de água por região e os dados sobre os tipos de sistemas de abastecimento de água (isolado ou integrado) e sobre os tipos de mananciais usados para captação de água (subterrâneos, superficiais ou mistos).

O aplicativo consolida informações do Brasil inteiro produzidas nos estudos Atlas Esgoto e Atlas Abastecimento Urbano de Águas da ANA e suas informações serão atualizadas ao passo que novos estudos sejam lançados. As informações dos reservatórios são geradas em tempo real por meio do Sistema de Acompanhamento de Reservatórios (SAR) da ANA.

Informações disponíveis:

Esgotos:
– Carga gerada, coletada e tratada;
– Principal corpo d’água que recebe o remanescente da carga orgânica e sua capacidade de diluição;
– População atendida pelos serviços;
– Quanto o município tem que investir para universalizar o tratamento, com diagrama das melhorias necessárias.
– Croqui (desenho esquemático) da situação existente e melhorias propostas para o sistema de esgotamento sanitário de cada sede urbana municipal, incluindo o caminho percorrido pelos esgotos, tratados ou não, até os corpos receptores.

Abastecimento:
– Prestador do Serviço, manancial de abastecimento do município, e sistema produtor de água;
– Se o manancial é suficiente ou o município precisa de uma alternativa;
– Se o sistema produtor de água é satisfatório ou precisa ser ampliado;
– Qual a população projetada para 2025 a ser atendida.
– Croqui (desenho esquemático) do sistema produtor de água de cada sede urbana municipal.

Reservatórios:
Volume de cerca dos 530 reservatórios que a ANA monitora no Nordeste

Onde baixar:

Outros aplicativos disponíveis gratuitamente são o Hidro NE, com informações sobre o nível dos cerca de 500 reservatórios que a Agência monitora no Nordeste, e o App Monitor de Água, que acompanha a intensidade da seca em todo o Nordeste. Com uma escala indicada por diferentes cores, este app desenvolvido com várias instituições da região mostra no mapa do Nordeste as áreas que passam por seca e sua evolução é classificadas como fraca, moderada, grave, extrema ou excepcional. Ambos também estão disponíveis para sistemas Android e IOS.

Fonte: ANA