terça-feira, 9 de maio de 2017

Site conecta quem precisa e quem tem espaços para guardar objetos.
Startup criada por ex-alunos da Escola Politécnica da USP trouxe solução inovadora para a questão da armazenagem

Os imóveis encolhem cada dia mais em cidades como São Paulo, criando um problema para as pessoas que têm muitos objetos e pouco espaço para armazená-los. Além disso, as vagas de garagem se tornaram espaços valiosos nos grandes centros urbanos onde as famílias geralmente têm mais de um carro, e frequentemente apenas uma vaga para seu automóvel. De olho nesta tendência, dois engenheiros formados pela Escola Politécnica (Poli) da USP se uniram a um advogado, um administrador de empresas e um economista para criar uma startup que trouxe uma solução inovadora para a questão da armazenagem.

Trata-se da Wish a Storage, um site que une quem tem espaços vazios em casa e quem precisa guardar seus objetos. A grande vantagem em relação aos serviços de empresas de self storage é o preço e localização dos espaços. Em média, o custo do metro quadrado de um aluguel de espaço em residências é metade do metro quadrado de um box na cidade de São Paulo. Além disso, com uma rede de anunciantes de espaços cada vez maior, é possível que o local alugado esteja a alguns metros da residência daquele que precisa guardar suas coisas, reduzindo tempo e custos com transporte. “O site também é útil para quem não tem onde guardar seu carro ou moto e procura uma vaga para seu veículo que não seja cara como um estacionamento privado”, conta Daniel Eiro, um dos sócios da startup.

O funcionamento da plataforma é bastante simples. Quem tem espaço livre em casa e quer alugá-lo anuncia no site, gratuitamente. Já o interessado faz a busca no site e, ao encontrar o espaço ideal, entra em contato com o proprietário. Toda a transação é feita por meio do site. Ambos assinam um termo de uso que, na prática, funciona como um instrumento legal para proteger as partes envolvidas. 

No caso do locador (conhecido como storager), para resguardá-lo da responsabilidade de ter seu espaço usado para estocagem de produtos ilegais, por exemplo. No caso do locatário (chamado também de wisher), para ter garantias se houver danos ao seu patrimônio.
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Equipe da startup, da esquerda para a direita: Franz Bories, Thiago Fogaça, Daniel Eiro, Ricardo Russo, Hilarindo Silva – Foto: Divulgação/Poli-USP.

Perfil dos usuários


Em São Paulo, a procura maior vem de bairros localizados no centro expandido, como Pinheiros, Perdizes, Higienópolis, onde o metro quadrado é mais caro e há demanda maior de pessoas procurando espaço para armazenagem. Já os anunciantes são de bairros um pouco mais periféricos, mas não muito distantes do centro, como Pirituba, Saúde e Conceição, entre outros, onde ainda existem muitas residências e mais espaço.

“A demanda mais comum é de pessoas que estão se mudando e precisam guardar móveis temporariamente em algum local até acertarem a nova residência, além de uma boa procura por vagas de garagem”, diz. Há um pouco de tudo. “Temos, por exemplo, uma empresa que faz cenografia para teatro e usa os espaços alugados para armazenar seus objetos”, destaca Eiro.

Planos de expansão


A plataforma, que começou a operar em novembro do ano passado, tem cerca de 70 anúncios e 200 usuários cadastrados. O lucro vem do percentual do valor do aluguel, que é repassado para a Wish a Storage. A meta é fechar o ano com 800 anúncios e 1000 novos usuários. Para tanto, os sócios estão trabalhando no desenvolvimento de um aplicativo, além de investirem em recursos de marketing, bem como em campanhas online e offline para o maior alcance de usuários e transações na plataforma.


Como nesse início de operação os recursos são relativamente baixos, eles próprios tocam o negócio. Daniel Eiro cuida da parte tecnológica do negócio ao lado de Hilarindo Silva, também formado em engenharia. Já Franz Bories e Thiago Fogaça, ambos formados nas áreas de negócios, e Ricardo Russo, advogado, ficam com a parte administrativa e comercial.

“Como dizem na linguagem do empreendedorismo, as startups nascem, em geral, de uma ‘dor’ de um dos empreendedores. Foi o nosso caso”, brinca Eiro. A ‘dor’, no caso, era de Bories, que, após formado no interior de São Paulo, veio trabalhar na capital paulista. Durante anos ele morou em um flat de cerca de 25 metros quadrados e não tinha lugar para guardar seus instrumentos musicais – seu hobby é tocar percussão junto aos amigos. Ao fazer cotação em serviços de self storage, viu que ficaria muito caro guardá-los em boxes comerciais. Ele pensou em pagar a um de seus vizinhos uma quantia para que deixasse guardar seus equipamentos em sua casa.

Da conversa sobre esse problema veio a ideia de criar um negócio. Todos estavam empregados nesse período e continuaram assim por um tempo, enquanto desenvolviam melhor a proposta da empresa. Até que participaram do processo de seleção de uma das maiores aceleradoras da América Latina, a Startup Farm, ao mesmo tempo em que buscavam espaço na incubadora Cietec, da USP. O projeto foi aprovado por ambas e eles acabaram optando pela aceleradora, onde ficaram por cinco semanas.

“Quando recebemos esses retornos positivos, soubemos que tínhamos um negócio com bom potencial. Decidimos então juntar nossas economias e deixar nossos empregos para nos dedicarmos somente à empresa”, diz Eiro. No momento, todo o investimento feito na empresa vem do capital dos próprios sócios. Eles ainda estão avaliando a possibilidade de procurar fontes de financiamento para o negócio.

O começo


A vida de empreendedor tem sido desafiadora. Eiro, por exemplo, conta que sempre quis ter uma empresa, mas não tinha uma boa ideia para abrir um negócio. “Quando entrei na Poli, eu gostava de eletrônica, de programação, mas não achava que ia seguir carreira em Tecnologia da Informação. Acabei encontrando emprego nessa área, comecei a gostar mais a cada dia, me interessando mais sobre aspectos da Internet e tecnologia”, lembra.

Ele destaca a formação obtida na Poli como essencial não só para lidar com os aspectos tecnológicos, mas com a própria administração do negócio. “Na graduação eu realmente aprendi a aprender. Hoje, isso está sendo essencial na gestão do meu negócio, pois lido diariamente com novas tecnologias e preciso me atualizar rapidamente”, conta. “Lidar com todo esse ambiente de incertezas que cerca uma startup vem sendo um dos meus grandes desafios, e o background que a Poli me proporcionou tem sido fundamental para encará-lo”, completa.

Para Hilarindo Silva, o sentimento é parecido. “A Poli me ensinou desde o início que disciplina e organização são fundamentais para uma carreira de sucesso”, pontua. “Como engenheiro, aprendi a analisar e resolver problemas de forma rápida e eficiente. Como empresário, aprendi a ser multitarefa, o que me permite trabalhar em vários projetos ao mesmo tempo”, finaliza.

Um bilhão de reais para a restauração florestal da região do Vale do Rio Doce.
A Fundação Renova pretende restaurar 47 mil hectares no Vale do Rio Doce, com investimentos da ordem de R$ 1,1 bilhão, em 10 anos. A informação do presidente da Renova, Roberto Waack, foi divulgada durante o Workshop de Restauração Florestal do Vale do Rio Doce, promovido na Fundação Dom Cabral, em Nova Lima, em 3 e 4 de maio. O encontro, que reuniu mais de 70 especialistas da área ambiental de todo o país, teve o objetivo de captar conhecimento para inspirar o plano de restauração do Vale do Rio Doce, que está sendo desenvolvido pela Renova. A expectativa é de que o documento seja concluído em 60 dias, no entanto, ações pontuais já estão sendo executadas na região mais afetadas pela lama, que compreende 2 mil hectares.
Roberto Waack, presidente da Fundação Renova

Roberto Waack, presidente da Fundação Renova destacou que o processo não foi encerrado com o término do workshop. Pelo contrário. Começa agora um “longo caminho de realização conjunta”, com muita coisa a ser feita. Segundo ele, a preocupação da Renova também é com a construção do conteúdo de qualidade que possa nortear as ações de restauração que serão propostas no plano que está sendo elaborado. Durante o workshop, foi apresentada uma grande diversidade de modelos. E o certo é que as ações para restauração do Doce deverão usar várias fórmulas que incluem as que foram apresentadas e também outras que estão em curso no país e no mundo. No entanto, Waack reforça que não tem uma solução fácil, “na prateleira”: são várias e podem conviver.

A expectativa é que o processo contemple o desenho de um mosaico de credibilidade e de concretude, que possa ser implementado em campo. Waack também deixa claro que esta visão espacial, do mosaico e da paisagem é fundamental, pois contempla tanto a restauração florestal quanto a atividade da propriedade rural. Serão privilegiadas as alternativas que geram renda e a as questões ambientais. Para o presidente da Renova, essa integração será possível, principalmente tendo em vista o “repertório fantástico” de alternativas que foram apresentadas no workshop e que existem além dele.
No segundo dia dos trabalhos, foi verificado que os ganhos das ações de restauração do Vale do Rio Doce poderão ser contabilizados em diversas frentes. De acordo com Marília Borgo, da The Nature Conservancy (TNC), um trabalho dessa envergadura pode gerar um crédito de 17 milhões de tonelada de carbono, em um universo de 30 anos. “E como terão vários outros trabalhos associados a este, a geração pode ser bem maior”, afirma. A restauração florestal e o Exemplos, como as ações já existentes no município de Extrema, no Sul de Minas, também podem nortear o plano para o Rio Doce. Nos últimos 10 anos, trabalhos de restauração florestal já foram executados em área de 7,3 mil hectares. Na próxima década, a previsão é de que outros 7 mil hectares sejam restaurados, segundo o Secretário de Meio Ambiente do município, Paulo Henrique Pereira, que está há 22 anos a frente da pasta. Para ele, que deu início à criação de serviços ambientais com “um fusca e uma mula”, o que foi feito em Extrema pode servir de exemplo para as mais diversas localidades do Brasil e do Vale do Rio Doce.

O projeto de Extrema, que tem ao todo 24 mil hectares, também foi apresentado no workshop. A iniciativa, transformada no Projeto Conservador da Água já evoluiu para o Projeto Conservador da Mantiqueira, com o objetivo de englobar outros municípios. “É possível fazer e fazer com pouco”, afirma Paulo Pereira. Dentro dos trabalhos há a interação com produtores rurais, sequestro de carbono e o pagamento por serviços ambientais. Hoje, 2,5% do orçamento de Extrema, que é da ordem de R$ 4 milhões, são destinados ao meio ambiente.

Entre os temas debatidos no segundo dia do encontro, também teve a possibilidade do uso de Sistemas Agroflorestais (SAFs) nas propriedades rurais, a experiência do Programa Reflorestar no Espírito Santo, formas de promover a restauração em larga escala no estado de Minas Gerais e a conexão de espécies, paisagens e pessoas.

Entre as instituições participantes do evento estiveram representantes do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, IEMA, Instituto Terra, Emater, Esalg, UFMG, Ufes, Ministério Público de Minas Gerais e do Espírito Santo. Nomes de peso na área de restauração como Rachel Biderman, diretora-executiva da World Resources Institute (WRI-Brasil); Marcelo Furtado, diretor do Instituto Arapyaú e ex-diretor do Greenpeace Brasil; e Andrew Miccolis, coordenador nacional do Centro Internacional de Pesquisa Agroflorestal no Brasil (ICRAF), deram suas contribuições durante as palestras e nos grupos de trabalhos.

O programa de Recuperação de Áreas de Preservação Permanente (APPs) da Renova prevê a restauração de 40 mil hectares de vegetação, sendo 30 mil por meio da condução da regeneração natural e 10 mil por meio de plantio direto. O trabalho da Fundação Renova também prevê a recuperação de 5 mil nascentes – abrangendo cerca de 5 mil hectares –, que receberão o plantio de árvores no entorno. Além disso, serão recuperados os cerca de 2 mil hectares impactados pelo rompimento da barragem, o que resulta nos 47 mil hectares que terão ações de restauração. A estimativa inicial é que a recuperação vegetal dessas APPs demande até 20 milhões de mudas nativas, principalmente da Mata Atlântica. O evento teve cobertura online, disponível no site da Fundação Renova.

Sobre a Fundação Renova

A Fundação Renova é uma instituição autônoma e independente constituída para reparar os danos causados pelo rompimento da barragem de Fundão. Entidade privada, sem fins lucrativos, garante transparência, legitimidade e senso de urgência a um processo complexo e de longo prazo. A Fundação foi estabelecida por meio de um Termo de Transação e de Ajustamento de Conduta (TTAC), assinado entre Samarco, suas acionistas, os governos federal e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, além de uma série de autarquias, fundações e institutos (como Ibama, Instituto Chico Mendes, Agência Nacional de Águas, Instituto Estadual de Florestas, Funai, Secretarias de Meio Ambiente, dentre outros), em março de 2016.


Fonte: ENVOLVERDE
Desenvolvimento sustentável com planejamento estruturado.
Rafael Gioielli* – 

O Brasil vivencia uma crise institucional com algumas cidades e estados decretando calamidade financeira e falência. No final de 2016 três grandes estados: Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, assumiram seus problemas com as contas públicas. A situação é tão grave que não há recursos para cobrir as folhas de pagamentos dos servidores, afetando serviços essenciais como a segurança pública.

Nem sempre a má administração é sinônimo de descaso, em muitas situações, falta conhecimento administrativo. Nesse sentido, as iniciativas de desenvolvimento sustentável têm papel primordial. 

Esse, aliás, é um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que dentro do item Cidades e Comunidades Sustentáveis prevê municípios mais inclusivos, seguros, sustentáveis e resilientes a desastres ou a eventos incomuns. Fortalecer a administração municipal é igualmente importante e faz-se essencial.

Rafael Gioielli é gerente geral de Planejamento e Desenvolvimento da Atuação Social do Instituto Votorantim

É com base nessa missão dos ODS que foi desenvolvido, pelo Instituto Votorantim, o Programa de Apoio à Gestão Pública (AGP) que, em Três Lagoas (MS), recebe o auxílio de outros atores importantes: o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Instituto Arapyaú, a Fibria e a Prefeitura Municipal.

Na cidade sul-mato-grossense, o programa atua em duas grandes frentes: a revisão do Plano Diretor Participativo e o Plano de Ação Três Lagoas Sustentável. As duas frentes tiveram significativos avanços em dezembro de 2016: o Plano Diretor foi aprovado na câmara municipal da cidade e tivemos o marco do lançamento do Plano de Ação Três Lagoas Sustentável.

Construído em conjunto com a população, o Plano Três Lagoas Sustentável é capaz de orientar os agentes da sociedade a tomarem as decisões mais acertadas na busca de bem-estar, melhores índices de educação, saúde, mobilidade urbana, entre outros temas vitais ao desenvolvimento da cidade.

Ao longo do processo colaborativo de concepção desse planejamento foram levantados e avaliados 129 indicadores de quatro áreas: ambiental e mudança climática; urbana; fiscal e governança; e competitividade econômica. Além da análise técnica, foram entrevistadas 1.060 pessoas, da sede e dos distritos do município, para apurar a percepção de cada ator acerca dos grandes temas de políticas públicas locais.

O processo participativo não se esgotou aí: foi constituído um grupo gestor, composto por diversos representantes da sociedade civil, representantes de universidades, de classes, associações, do setor privado, para liderar o debate, a construção e o acompanhamento do plano Três Lagoas Sustentável.

Para a elaboração do plano de ação, desde março deste ano, foram realizadas diversas dinâmicas balizadas pela metodologia CES (programa Cidades Emergentes e Sustentáveis), do BID, e conduzidas por grupos técnicos e representativos de maneira articulada entre poder público, setor privado e sociedade civil organizada. Vale ressaltar que Três Lagoas é o primeiro município não-capital a colocar em prática essa metodologia.

Todo o material foi reunido em um documento que propõe ações para o desenvolvimento sustentável de Três Lagoas a partir da priorização dos temas considerados críticos, assim como traz propostas de soluções para o crescimento e desenvolvimento no curto, médio e longo prazos.

A experiência em Três Lagoas ressalta a força da união – poder público, iniciativa privada e sociedade juntas em torno de um propósito comum. A primeira etapa desse projeto foi concluída com a entrega do plano a ser colocado em prática. Daqui para frente ele poderá ser viabilizado com o acompanhamento do grupo gestor, compromisso dos gestores locais e engajamento da comunidade. 

Sem dúvidas a primeira conquista de Três Lagoas Sustentável foi o envolvimento dos diferentes atores na construção de uma nova cidade para todos. À medida que as ideias forem sendo concretizadas cada três-lagoense sentirá orgulho da sua contribuição.

* Rafael Gioielli é gerente geral de Planejamento e Desenvolvimento da Atuação Social do Instituto Votorantim


Fonte: ENVOLVERDE
Desemprego e informalidade assolam mulheres da América Latina.
Por José Manuel Salazar-Xirinachs – 

Este é um artigo de opinião de José Manuel Salazar-Xirinachs, diretor regional da OIT para América Latina e o Caribe.

LIMA, 2017 (IPS) – Incorporar as mulheres no mercado de trabalho da América Latina e o Caribe tem sido uma tendência constante e positiva nas últimas décadas. Porém, em 2017, em tempos do incremento de desemprego e informalidade, novamente surge a necessidade de insistir no quesito igualdade de gênero e gerar mais e melhores empregos para 255 milhões de mulheres em idade de trabalhar que moram nesta região.

Cerca de metade destas mulheres, 126 milhões, já fazem parte da força laboral o qual é uma vitória ao longo dos anos, porém não podemos ficar relaxados.

Durante o último ano, onde o crescimento foi lento, situações de crise econômica que impactaram a região afetaram o mercado de trabalho, com um incremento abrupto do desemprego e os indicadores de qualidade, situação que afetava mais as mulheres.

A taxa de desemprego feminino chegou a níveis extremos que não eram vistos faz uma década na América Latina e o Caribe, 9,8 %, um extremo. Se a dinâmica continua nesse ritmo a taxa pode superar os 10% neste ano.

O nível de desemprego das mulheres cresceu em 1,6% sobre a variação dos homens que aumentou 1,3%. Dos cinco milhões de pessoas que engrossaram as filas do desemprego, 2,3 milhões eram mulheres. É dizer, hoje existem 12 milhões de mulheres procurando emprego de forma ativa, porém não o conseguem.

A participação das mulheres no mercado de trabalho aumentou no último ano. A nível nacional (rural e urbano) a taxa feminina foi de 49,3% a 49,7%. Uma boa notícia, no entanto, ainda continua inferior aos dos homens que é 74,6.

O ponto negativo foi que a taxa de ocupação das mulheres, em relação a mão de obra, diminuiu 45,2% a 44,9%. No caso dos homens houve uma redução parecida, porém superior, 69,3%.

O último relatório Cenário Laboral da América Latina e o Caribe da OIT (Organização Internacional do Trabalho) destacou que a menor atividade econômica reflete tendências na diminuição do número de trabalhadores registrados, aumentando os empregos informais e a redução dos salários formais.

As estimativas mais recentes sobre informalidade nas mulheres indicam que cerca da metade está em condição de instabilidade laboral, baixa renda e falta de proteção aos direitos.

Ao longo dos últimos anos se identificou alguns pontos a serem considerados ao analisar a participação laboral feminina. Cerca de 70% trabalha no setor de serviços e comercio onde as condições são precárias incluindo a falta de contratos.

Além disso, 17 milhões de mulheres faz trabalho doméstico. São mais de 90% de pessoas dedicadas a esta atividade. Neste oficio os níveis de informalidade são muito elevados, cerca de 70%.

Esta descrição do mercado feminino não estaria completa sem destacar o relatório regional sobre “Trabalho Decente e igualdade de gênero” de diversas agências das Nações Unidas apresentado em 2013, nesta região 53,7% das mulheres trabalhadoras têm mais de dez anos de educação formal comparado aos 40,4% dos homens.

Em contrapartida, 22,8 % das mulheres do mercado têm educação universitária (completa e incompleta) em relação ao 16,2% dos homens.

No entanto, isso não impede que exista um abismo salarial importante. Segundo um estudo da CEPAL (Comissão Econômica para América Latina e o Caribe) adverte que em 2016, segundo os dados as mulheres recebiam 83,9 % do que os homens ganhavam em empregos iguais. A distância é maior em cargos com níveis educativos superiores. Todos esses dados são um chamado a ação.

Está temática já faz parte dos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos para todos os países na Agenda 2030. Em especial o ODS 5 “Alcançar a igualdade entre gêneros e empoderar as mulheres e meninas” a chave para o ODS 8 que fala sobre o crescimento econômico e trabalho decente. Para a OIT a igualdade de gênero é um objetivo fundamental que está presente em todas suas atividades.

Estamos frente a um desafio de estrutura que implica mudanças econômicas, sociais e culturais. É preciso que os governos como atores sociais mantenham isso como prioridade promovendo a igualdade entre homens e mulheres.

Devemos procurar estratégias para melhorar a produtividade das mulheres impulsionando sua participação nos setores de ingressos meio e alto e identificar as causas da segregação.

Para continuar avançando na igualdade do trabalho é preciso combinar diversas estratégias com foco na igualdade de gênero incluindo políticas ativas de emprego, redes de proteção e novas políticas para crianças e dependentes, estratégias para promover a divisão das responsabilidades familiares, melhorias na formação profissional e educação, promover as empreendedoras, aumento da segurança social e uma ação firme para combater a violência contra as mulheres, até mesmo no local de trabalho.

A igualdade no mercado de trabalho foi um desafio enfrentado no passado, mas que ainda é importante no presente e é um dos pilares para conseguir um futuro melhor na região.


Fonte: ENVOLVERDE
Polêmica: INPE questiona investimento do MMA em novo satélite.
Por Claudio Angelo, do Observatório do Clima

Em plena alta do desmatamento na Amazônia e  sem dinheiro para ampliar a fiscalização em campo, o governo brasileiro resolveu olhar não para a febre, mas para o termômetro: o Ministério do Meio Ambiente lançou um edital de R$ 78,5 milhões para a contratação de um novo sistema de monitoramento por satélite da devastação. Ele duplicará a função do Deter, sistema do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) de detecção de desmate em tempo real usado para municiar os fiscais do Ibama e considerado um dos principais responsáveis pela redução das taxas entre 2005 e 2012.

O secretário-executivo do MMA, Marcelo Cruz, afirma que o novo monitoramento, que será contratado de uma empresa privada, é necessário como “complementação”, porque o Deter deixou de atender às necessidades de fiscalização da Amazônia. Mas o criador do Deter, o ex-diretor do Inpe Gilberto Câmara, diz que a crítica “não se sustenta cientificamente” e que o tipo de serviço que o edital visa contratar é muito mais caro e inadequado para a tarefa.
Monitoramento por satélite – Desmatamento em Rondônica

O edital foi lançado no dia 20 de abril, um dia depois da exoneração da diretora de Políticas de Combate ao Desmatamento do MMA, Thelma Krug. Oriunda do Inpe, Krug havia brigado com Cruz justamente por se opor à criação de um novo sistema de monitoramento, como o OC informou no dia 19.

A publicação do edital ocorreu sem alarde: pessoas do próprio ministério desconheciam a peça até sua existência ser revelada, na última quarta-feira (3), pelo portal Uol/Direto da Ciência e pelo jornal O Estado de S.Paulo. O fato foi noticiado à véspera do pregão digital, inicialmente marcado para esta quinta-feira (4). Uma petição on-line lançada ontem pelo pesquisador da UFMG Raoni Rajão demanda o cancelamento do edital.

Coincidentemente, chegaram ontem ao MMA dois pedidos de impugnação, feitos por duas potenciais concorrentes: um da Funcate, uma fundação que presta serviços ao MCTIC (Ministério da Ciência e Tecnologia), e um da empresa de sensoriamento remoto HexGIS, de Brasília. A Hex já havia sido contratada no passado pelo Ibama para prestar serviços semelhantes aos descritos no edital. Os pedidos devem causar o adiamento do pregão por oito dias úteis.

A polêmica com o Inpe, porém, não deve arrefecer.

“O edital rompe com a ordem estabelecida”, disse Dalton Valeriano, coordenador de Observação da Terra do Inpe e responsável pelo Deter e pelo sistema Prodes, que dá a taxa anual de desmatamento da Amazônia desde 1989. Segundo Valeriano, a atribuição de monitorar o desmatamento foi dada ao Inpe pelos decretos presidenciais que criaram os planos de combate ao desmatamento na Amazônia, em 2004, e no cerrado, em 2010. “Estranhamos que o MMA, sem consulta aos órgãos técnicos, lance um edital de tal abrangência e que desrespeita as atribuições que vêm sendo dadas ao Inpe pelo governo federal. ”

“O edital tem sérias falhas técnicas”, disse Câmara. “As exigências para as concorrentes são estranhas ao espírito de um pregão e podem reduzir os concorrentes a uma única empresa. O edital contrata serviços de monitoramento do desmatamento apenas especificando o número de homens-hora estimado. Não há descrição dos produtos a serem gerados, nem uma metodologia técnica sólida que garanta a qualidade dos produtos. Sem especificação técnica que garanta a qualidade, há um enorme risco de desperdício e duplicação de recursos públicos”, prosseguiu.

O edital, de 161 páginas, prevê a contratação de “serviços especializados de suporte à infraestrutura de geoprocessamento e atividades de sensoriamento remoto”. Ele lista uma série de serviços de monitoramento a serem prestados a uma série de órgãos, como o Ibama, a Agência Nacional de Águas e a Funai. Apesar do custo total elevado, os serviços serão contratados sob demanda, ou seja, apenas o que for solicitado pelos órgãos será desembolsado, afirma o MMA.

Entre esses serviços, pelo menos quatro se chocam diretamente com atribuições do Inpe: 1) Analisar, inserir e manter bases cartográficas e temáticas georreferenciadas em banco de dados espacial; 2) Cálculo de emissões de gases de efeito estufa; 3) Processamento e interpretação de imagens do tipo SAR [radar] para identificação de alterações da cobertura vegetal; e 4) Desenvolvimento e aplicação de modelos matemáticos e/ou algoritmos e/ou redes neurais. Somados, tais serviços custariam em média R$ 10 milhões ao ano. O custo de monitoramento de todos os biomas brasileiros hoje é estimado pelo Inpe em R$ 5 milhões ao ano.

Dos quatro serviços, o mais dispendioso no edital é o primeiro, que duplica justamente funções do Prodes – o sistema que dá a taxa anual de devastação. O terceiro seria a criação de um Deter “alternativo”, com uso de imagens de radar para poder enxergar sob nuvens.

“INTELIGÊNCIA”

“O Deter funcionou bem no início, mas nos moldes de hoje ele não atende mais”, disse Sano.

Em entrevista ao OC, Marcelo Cruz e Edson Sano, chefe do Centro de Sensoriamento Remoto do Ibama, negaram que queiram duplicar funções do Inpe ou terceirizar o Prodes. “Eu não quero ser o cara que vai medir o desmatamento; quero ser o cara que vai impedir o desmatamento”, afirmou o secretário-executivo, que tem um longo histórico de serviço público implantando sistemas de tecnologia de informação em outros ministérios.

Segundo ele, o objetivo é “complementar” as informações geradas pelo Inpe de forma a evitar “um novo susto como o que tomamos em 2016”. Naquele ano, dados do Deter apontavam desmatamento estável, mas o Prodes revelou um aumento de 30% na taxa, que surpreendeu o ministro Sarney Filho (PV-MA).

“O Deter funcionou bem no início, mas nos moldes de hoje ele não atende mais”, disse Sano. Segundo o chefe do Ibama, a inadequação ocorre por dois motivos: primeiro, porque o Deter não enxerga sob nuvens, o que permite monitorar o desmatamento “só quatro ou cinco meses por ano”. 

Depois, porque o perfil da devastação mudou desde a criação do Deter. Hoje se desmata mais em períodos de chuva e em polígonos menores, que escapam à resolução do satélite que fornece as imagens para o Deter.

Daí a necessidade de incorporar imagens de radar, uma tecnologia que permite enxergar sob nuvens (em oposição aos satélites Landsat, CBERS e Modis, que monitoram a Amazônia hoje e são ópticos). 

O Ibama já tem à sua disposição há anos imagens do radar japonês Alos. Segundo Sano, porém, o Alos tem resolução “grosseira”, de 100 metros – desmates ocorrem em áreas menores que essa –, e leva 45 dias para cobrir a Amazônia. O Deter “do B” que o edital quer contratar visa corrigir esse problema integrando imagens de um radar europeu, o Sentinel-1.

Gilberto Câmara, do Inpe, diz que o plano não vai funcionar. “O Sentinel-1é voltado para monitoramento marinho. Décadas de pesquisa científica mostram que imagens de radar do tipo Sentinel-1 são inadequadas para monitoramento rápido do desmatamento. Não é recomendável contratar serviços de mapeamento por radar, ainda mais por esse valor, sem suporte científico sólido. ”
Segundo ele, “não é por falta de informação que o desmatamento está avançando, mas pela falta de recursos alocados no combate às atividades ilegais na Amazônia”.

Nos últimos anos, o orçamento do Ibama vem declinando à medida que o desmatamento sobe. A verba da fiscalização caiu quase à metade entre 2013 e 2016 – de R$ 121 milhões para R$ 65 milhões. A quantidade de fiscais diminuiu 30% nesse período. O desmatamento, por sua vez, aumentou 35% entre 2013 e 2016 – somente nos últimos dois anos a alta foi de 60%.

No ano passado, a penúria foi tão extrema que o ministro Sarney Filho precisou recorrer a R$ 15 milhões do Fundo Amazônia, dinheiro de doação internacional, para recompor o orçamento do Ibama e manter a fiscalização de pé – apenas para ver o orçamento de todo o MMA cair 53% no corte imposto pelo governo federal em março. Neste ano, a previsão é de mais R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para o Ibama. O secretário-executivo afirmou que o Fundo Amazônia é uma das fontes de recurso que ele pretende captar para o novo sistema.

Questionado sobre se o dinheiro não seria melhor empregado reforçando a fiscalização, Cruz disse que o monitoramento é “a inteligência do sistema”, e repetiu que não quer calcular taxas anuais. “A gente pode até subsidiar o Inpe. Todo mundo é governo.”


quinta-feira, 4 de maio de 2017

ECO21 – As marchas dos cientistas e do clima são um dever sagrado.
A revista ECO21 edição de abril já está disponível para assinante e gratuitamente para os internautas no site www.eco21.com.br. É a mais antiga e importante publicação de jornalismo ambiental do Brasil.

“Esta é uma missão geracional. Temos que marchar”, disse a ativista Naomi Klein explicando porque participar da Marcha no Dia Mundial do Clima dos Povos, que aconteceu dia 29 de Abril. É um protesto, entre outras razões, contra a possibilidade do Governo Trump se retirar do Acordo de Paris. A Marcha acontece num momento em que a quantidade de carbono presente na atmosfera está oficialmente fora de controle ao ter ultrapassado, pela primeira vez na história humana, o marco das 410 partes por milhão da concentração de CO2. O marco foi registrado no dia 18 deste mês no Observatório Mauna Loa, Havaí.
Desde que o Planeta atingiu no ano passado o perigoso estágio de 400 ppm, os cientistas advertiram que o ritmo das concentrações de CO2 está acelerado significando que a humanidade está indo para o ponto de não retorno na direção do caos climático. Apesar dessa ameaça sem precedentes e das advertências dos cientistas, a ação climática tem dominado a política ambiental de Trump e de Scott Pruitt, Chefe da Agência de Proteção Ambiental, forçando ativistas e cidadãos interessados a irem às ruas para advertir o Governo de que se deve fazer algo para enfrentar essa ameaça de devastação planetária.

Segundo o Climate Advisers, a política de Trump, quanto a mudanças climáticas, poderia gerar mais 500 milhões de toneladas de Gases de Efeito Estufa na atmosfera até 2025. A Marcha pela Ciência uniu continentes em defesa de um projeto comum para humanizar a ciência, torná-la mais próxima das pessoas e apoiar os cientistas num momento em que se reduzem os investimentos nessa área. Na América Latina, 60 cidades de 11 países se uniram à Marcha contribuindo com 10% dos eventos realizados em 610 cidades de todo o mundo.

No Brasil, 25 cidades aderiram à iniciativa mundial. Em São Paulo, Helena Nader Presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) foi muito aclamada pelo seu discurso no encontro. Disse ao Estadão: “Chega de nos classificar como gasto; nós somos investimento. A nossa economia sobrevive por causa da ciência” Já Ildeu Moreira, vice-presidente da SBPC e um dos organizadores da Marcha no Brasil, afirmou: “O movimento brasileiro é mais amplo do que a campanha anti-Trump dos EUA, aqui adicionamos as questões locais”. Também destacou o corte de mais de 40% do orçamento para ciência e tecnologia realizado pelo Governo de Temer.

A Marcha pela Ciência, primeira de sua espécie, era oficialmente não política. Foi concebida por Caroline Weinberg, Valorie Aquino e Jonathan Berman, pesquisadores estadunidenses, ao considerar que a ciência está “sob ataque” pelo Governo Trump. Por sua vez, Trump divulgou uma declaração na qual insistiu que seu Governo estava comprometido em preservar a “beleza inspiradora” da América, ao mesmo tempo em que protege os empregos. “A ciência rigorosa é crítica para meus esforços por alcançar os objetivos de crescimento econômico e proteção ambiental. Minha Administração está empenhada em avançar na pesquisa científica que leva a uma melhor compreensão do nosso ambiente e dos riscos ambientais Ao fazê-lo, devemos lembrar que a ciência rigorosa não depende da ideologia, mas de um espírito de investigação honesto e um debate sólido”.

Na convocação para a Marcha nos EUA os organizadores justificaram o ato assim: “Embora comece com uma Marcha, nós esperamos usar isto como um ponto de partida para tomar uma posição sobre a ciência na política. Cortar o financiamento e restringir os cientistas de comunicar suas descobertas (de pesquisa financiada com impostos) com o público é absurdo e não pode ser aceito como norma política. Há certas coisas que aceitamos como fatos sem alternativas. A Terra está se tornando mais quente devido à ação humana. A diversidade da vida surgiu pela evolução. Os políticos que desvalorizam o conhecimento e arriscam tomar decisões que não refletem a realidade devem ser responsabilizados. Um governo que ignora a ciência para impor agendas ideológicas põe em perigo o mundo”.

Agora, incentivados pela energia da Marcha pela Ciência, os ativistas se prepararam mais uma vez. 

“A Marcha do Clima dos Povos é o próximo passo, um chamado para nos engajar no nosso sistema político, para enfrentar o poder e exigir soluções”, explicou May Boeve, da 350.org. “É uma nova atmosfera com a qual a humanidade terá que lidar; o aquecimento está fazendo com que o clima mude a um ritmo acelerado; o CO2 não atingiu esse nível em 4,5 milhões de anos”, escreveu Brian Kahn do Climate Central.

Essa terrível realidade é a força motriz por trás da Marcha do Clima dos Povos. “A mudança climática nos diz que precisamos agir. Este é o momento. Temos de marchar. É um dever sagrado”, disse Naomi Klein, resumindo o pensamento de todo o universo científico e ambientalista mundial.

Gaia Viverá!

Lúcia Chayb e René Capriles


Fonte: ENVOLVERDE
O que são os 17 ODS das Nações Unidas.
Os ODS formam o principal acordo global para a redução dos principais problemas da humanidade, do planeta e da economia até 2013. São metas que devemos buscar para garantir um mundo socialmente mais justo, ambientalmente resiliente e economicamente sustentável.

Fonte: ENVOLVERDE
Papagaio-chauá agora protegido .
Apesar da incrível diversidade de papagaios que habitam o território brasileiro – o que nos coloca como medalhistas no cenário mundial -, somos recordistas em número de espécies ameaçadas de extinção, resultado da degradação dos ambientes naturais e da captura de filhotes para abastecer o comércio ilegal (nacional e internacional) de animais de estimação. “Ao fim de 2014, por exemplo, o PAN Papagaios iniciou o Projeto Papagaio-chauá (Amazona rhodocorytha), que é considerado o menos conhecido entre eles”, conta a coordenadora geral do projeto, Gláucia Helena Fernandes Seixas. Em agosto de 2016, a iniciativa passou a contar com o apoio da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza (FGB). Normalmente, a espécie é vista em casal ou em bandos se alimentando de frutos, sementes e brotos em topos de árvores na Mata Atlântica.


Fonte: ENVOLVERDE
Brasil avança nos ODS.
Portal ONUBR –

No dia 1º de janeiro de 2016, a Agenda 2030 das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável entrou em vigor em todo o planeta. O documento contém 17 objetivos e 169 metas que deverão ser cumpridas pelos Estado-membros da ONU ao longo dos próximos 14 anos. Os compromissos assumidos pela comunidade internacional substituem os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), cujo período de vigência se encerrou em 2015.

No Brasil, uma força-tarefa foi criada em 2014, um ano antes da adoção da nova agenda, para discutir os desafios trazidos pelo acordo. O organismo contava com representantes do governo federal e de agências da ONU com atuação no país.

Os integrantes se dividiram em 16 grupos temáticos, que apontaram os indicadores nacionais existentes que poderiam ajudar o país a monitorar o cumprimento das metas. O resultado foi o lançamento de uma publicação em setembro de 2015 sobre estatísticas brasileiras. O documento foi considerado a primeira contribuição do Brasil para a implementação da Agenda 2030 a nível nacional. Acesse aqui.

Ao longo de 2016, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) mobilizou os governos de São Paulo, Minas Gerais, Pará, Piauí, Maranhão, Ceará, Paraíba, Bahia, Paraná e também do Distrito Federal a se comprometerem com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. De acordo com a agência, todas essas unidades federativas ou já adotaram estratégias locais para o tema, ou estão se preparando para alinhar suas políticas públicas à agenda da ONU.

Em outubro, o governo federal criou, por meio de decreto, a Comissão Nacional para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Com a participação de representantes dos governos municipais, estaduais e federal, bem como da sociedade civil, o organismo desenvolverá iniciativas para garantir o cumprimento dos ODS e acompanhar os resultados.
Entre os resultados até agora, destaque para pesquisa feita com empresas do CBPG: 41% delas já desenvolvem ações com os ODS - Imagem: PNUD

No Legislativo, foi criada uma frente parlamentar para a Agenda 2030. Lançado em novembro, o comitê é formado por 210 deputados e dez senadores que ficarão responsáveis por melhorar as leis do país tendo em vista as metas das Nações Unidas.

O Tribunal de Contas da União também tem trabalhado pela implementação dos ODS. A Agenda 2030 foi adotada como parâmetro para auditorias temáticas feitas pelo organismo.

Setor privado

Segundo o PNUD, a aproximação com o setor privado é fundamental para garantir que a implementação dos ODS ocorra em diferentes esferas da sociedade. Nas duas últimas edições do encontro anual Social Good Brasil (2015/16), a agência da ONU apresentou a Agenda 2030 para investidores e empresas que atuam diretamente em negócios de impacto social.

Por meio do Fórum Pacto Global, realizado em novembro, empresas privadas discutiram as relações entre suas atividades produtivas e a Agenda 2030. Uma pesquisa divulgada pela Rede Brasil do Pacto Global revelou que, das empresas que compõem o Comitê Brasileiro do Pacto Global (CBPG) – um pool de quase 40 organizações de referência na área de sustentabilidade, responsável pela gestão da Rede Brasil -, 41% delas já desenvolvem ações de desenvolvimento sustentável, e 35% estão em fase de planejamento para adequar operações aos ODS.


Fonte: Pacto Global