sexta-feira, 11 de janeiro de 2019


Brasil terá primeira usina a esgoto e resíduos orgânicos.



A usina tem capacidade para produzir 2,8 megawatts de eletricidade por meio de lixo, que abastecerá cerca de duas mil residências.

O estado do Paraná será o primeiro do Brasil a colocar em funcionamento uma usina de biogás que transformará lodo de esgoto e resíduos orgânicos em eletricidade para abastecer as casas da região.

A companhia de geração de energia CS Bioenergia já possui a Licença de Operação do Instituto Ambiental do Paraná para operar. Segundo a empresa, a usina tem capacidade para produzir 2,8 megawatts de eletricidade por meio de lixo, que abastecerá cerca de duas mil residências do Estado.

Matéria-prima

A matéria-prima para geração de energia virá de estações de tratamento de esgoto e de concessionárias de coleta de resíduos e produzirá biogás e também biofertilizante para a região. 

Estima-se que com a iniciativa o Estado do Paraná deixe de descartar, todos os dias, mil m³ de lodo de esgoto e 300 toneladas de lixo orgânico em aterros.

A inspiração veio da Europa, onde já existem mais de 14 mil plantas de geração de eletricidade por meio de resíduos orgânicos. Esta será a primeira usina do tipo no Brasil, mas a expectativa é que o modelo se espalhe pelo Brasil.



O princípio da precaução tão urgente e ao mesmo tempo, tão esquecido.


Por Sucena Shkrada Resk

Memória, ah, essa memória histórica, que dá sentido e é importante para começos e recomeços. Nesse recuperar do tempo, o Princípio 15 – da Precaução (precautio-onis, em latim), instituído da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), que se tornou essencial no Direito Ambiental, é tão emergente hoje e ao mesmo tempo tão esquecido no tabuleiro da governança pública local e global… Trata-se, no fundo, da chamada “ética do cuidado” e do gerenciamento de risco que cabe aos agentes econômicos, que em sua atividade, provocam ou têm potencial de provocar passivos.

O objetivo não tem sentido dúbio: “Para que o ambiente seja protegido, serão aplicadas pelos Estados, de acordo com as suas capacidades, medidas preventivas. Onde existam ameaças de riscos sérios ou irreversíveis, não será utilizada a falta de certeza científica total como razão para o adiamento de medidas eficazes, em termos de custo, para evitar a degradação ambiental”.

No mesmo ano da Rio-92, o princípio foi introduzido no Tratado de Maastricht, conhecido como Tratado da União Europeia. Os governantes já tinham clareza da relação de causas e consequências.

Ao retornar mais na linha dos séculos, a trajetória desde princípio tem sua gênese na Grécia antiga, que incorpora o cuidado e a ciência da necessidade do mesmo. Quando ingressamos no século XX, na Alemanha, por volta dos anos 70, foi adotado o chamado Vorsorgeprinzip diante dos efeitos deletérios da poluição industrial (das chuvas ácidas) e se expandiu nos anos seguintes pela Europa e demais continentes. Dessa forma, a saúde ambiental também entra na agenda, como um alerta de causa e efeito no período Antropoceno. Em 1973, a Suécia expôs a preocupação em sua Lei sobre Produtos Perigosos para o Homem e para o Meio Ambiente.

No Brasil, o Princípio da Precaução está claro na Política Nacional do Meio Ambiente (Lei 6.938/81), quando cita que a PNMC e as ações dela decorrentes, executadas sob a responsabilidade dos entes políticos e dos órgãos da administração pública, observarão os princípios da precaução, da prevenção, da participação cidadã, do desenvolvimento sustentável e o das responsabilidades comuns, porém diferenciadas, este último no âmbito internacional.

Especialmente no seu artigo 4°, I e IV, que expressa a necessidade de haver um equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e a utilização dos recursos naturais, e também introduz a avaliação do impacto ambiental como requisito para a instalação da atividade industrial. E, sem dúvida, no artigo 225 da Constituição Federal de 1988.

A Lei dos Crimes Ambientais (9.605/1998) também adota o princípio da precaução, em seu artigo 54, § 3º, que “incorre nas mesmas penas previstas no parágrafo anterior quem deixar de adotar, quando assim o exigir a autoridade competente, medidas de precaução em caso de risco de dano ambiental grave ou irreversível”.

Na esfera das negociações internacionais, no ano de 1985 se firmou o primeiro acordo multilateral sobre o tema – a Convenção de Viena para a Proteção da Camada de Ozônio e em 1987 foi instituído o Protocolo de Montreal. A Convenção “Quadro sobre a Mudança do Clima” expressa que “as políticas e medidas adotadas para enfrentar a mudança do clima devem ser eficazes em função dos custos, de modo a assegurar os benefícios mundiais ao menor custo possível.”, como destaca o jurista Paulo Leme Machado. Outros acordos, como Convenção sobre Diversidade Biológica – CDB e o Protocolo de Cartagena sobre Biossegurança também tratam da precaução.

As Cortes Internacionais têm usado o princípio. Entre elas, a de Justiça, o Tribunal Internacional do Direito do Mar e o Tribunal de Justiça da União Europeia, e aqui no Brasil, os próprios Superiores Tribunais Federal e de Justiça.

O que é notório ao analisar inúmeros acidentes ambientais que ocorrem e podem ‘potencialmente’ ocorrer no país e no mundo, é que se o princípio de precaução fosse realmente usado na prática de forma constante, evitaria uma série de ocorrências de pequeno a grande porte que afetam todo o ecossistema, muitas vezes, extinguindo espécies, vidas humanas, como também causando sequelas que seguem anos a fio. Ainda há um longo percurso a percorrer do alinhamento do direito ambiental com as práticas de governança: mas será que teremos tempo para remediar os efeitos da ausência de precaução?

*Sucena Shkrada Resk é jornalista, formada há 27 anos, pela PUC-SP, com especializações lato sensu em Meio Ambiente e Sociedade e em Política Internacional, pela FESPSP, e autora do Blog Cidadãos do Mundo – jornalista Sucena Shkrada Resk (https://www.cidadaosdomundo.webnode.com), desde 2007, voltado às áreas de cidadania, socioambientalismo e sustentabilidade.


Fonte: ENVOLVERDE

O que muda (ou resta) no Meio Ambiente com a reforma de Bolsonaro?


Por redação Instituto Socioambiental
Raio-x da reestruturação ministerial feito pelo ISA revela asfixia da influência e da autonomia da pasta ambiental. Confira como ficam principais áreas e políticas.

Uma das frases famosas de Jair Bolsonaro é a de que o objetivo de seu governo seria fazer o Brasil voltar a ser como “40, 50 anos atrás”. Apenas oito dias depois da posse, não é possível saber se a promessa será cumprida. Mas há sinais de que o caminho foi aberto na área ambiental.

O ISA passou um pente-fino na redação da Medida Provisória (MP) e dos decretos que produziram, nos primeiros dias da nova gestão, a mais drástica reforma ministerial desde o governo Collor (1990-1992). A conclusão é de que as políticas socioambientais brasileiras, construídas em 40 anos de avanços e reconhecidas internacionalmente, foram colocadas em xeque. O Ministério do Meio Ambiente (MMA) não apenas perdeu poder político, mas está agora subordinado a interesses econômicos e a outras áreas da administração (leia o editorial do ISA).

“Isso sinaliza que esses assuntos não são prioridade para o governo. É quase como se tivessem decidido acabar com o MMA sem ter o ônus de fazer isso”, resume Nurit Bensusan, especialista em Biodiversidade associada ao ISA.

Assessores e o próprio Bolsonaro chegaram a dizer que o ministério seria extinto e que suas funções seriam incorporadas à Agricultura. A ideia foi abandonada, após vários recuos, por pressão dos próprios ruralistas, preocupados com o desgaste no comércio internacional.

“Essa pode ser uma primeira sinalização de que essas políticas estão ameaçadas e podem desaparecer; ou de que elas vão ficar relegadas e não haverá quem as implemente”, aposta Bensusan.“É curioso porque uma parte desses instrumentos o governo precisa e terá de usar”, comenta.

Esvaziamento de funções


Em geral, MP e decreto de reestruturação do MMA escancaram o esvaziamento da capacidade de formular e conduzir políticas, inclusive de fixar as normas orientadoras de suas diretrizes. Sumiu a competência de combate ao desmatamento, núcleo da área ambiental federal desde os anos 1980. O mesmo acontece com programas para populações indígenas e tradicionais.

O ministério também não tem mais entre suas atribuições o combate à desertificação. Desapareceu o departamento de educação ambiental. A temática tem agora menções genéricas na própria pasta e no Ministério da Educação. Também desapareceu do MMA os temas de responsabilidade socioambiental, produção e consumo sustentáveis (diminuição ou extinção do uso de sacolas plásticas, códigos de conduta empresarial; crédito para conservação etc).

O novo Departamento de Desenvolvimento Sustentável também foi desidratado, não tendo mais função executiva, mas apenas a de produzir estudos, dados e indicadores. Já a gestão da política de recursos hídricos, incluindo a Agência Nacional de Águas (ANA), foi para o Ministério de Desenvolvimento Regional.

A assessoria do MMA respondeu à reportagem do ISA que não havia agenda para uma entrevista com o ministro Ricardo Salles ou outro porta-voz.

Mudanças climáticas


O tema-guarda-chuva mais estratégico para o futuro imediato do país, mudanças climáticas, praticamente desapareceu do ministério, restando menções esparsas nas atribuições dos ministérios da Agricultura, Economia e Ciência e Tecnologia. No detalhamento da estrutura do MMA, há referência apenas ao Fundo Nacional sobre Mudança do Clima e outras menções genéricas no Departamento de Conservação de Ecossistemas da Secretaria de Biodiversidade.

Não se sabe quem vai conduzir a política nacional e as negociações internacionais sobre mudanças climáticas, antiga atribuição do MMA. Na prática, o órgão tem agora papel diplomático secundário. O outro ministério responsável por essas tratativas é o Itamaraty. A questão é que o atual chanceler, Ernesto Araújo, coloca em dúvida as mudanças do clima.

Entre 2004 e 2012, o desmatamento na Amazônia brasileira despencou 83% (veja gráfico). O feito foi resultado da implementação do Plano de Ação para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal (PPCDAm), reconhecido mundialmente como umas das principais ações para proteger as florestas tropicais e combater as mudanças climáticas (o desmatamento e as queimadas são a maior fonte do aquecimento global no Brasil).
Pesquisadores e técnicos ouvidos peloISA concordam que parte desse sucesso é fruto da consolidação de um ministério com abordagem integrada de temas diferentes, capaz de fixar a pauta ambiental e coordenar ações entre ministérios, governos federal, estaduais e municipais. O PPCDAM é o melhor exemplo desse tipo articulação.

Daí a impressão de que a política ambiental está sendo esfacelada pelo governo Bolsonaro. Uma das medidas mais simbólicas nesse sentido foi a retirada de parte das atribuições da Secretaria de Mudanças do Clima e Florestas do MMA, inclusive a agenda climática. Uma das principais questões levantadas pelos especialistas é: quem vai articular as políticas cuja atribuição formal sumiu do MMA ou foi espalhada em outras pastas?

Combate ao desmatamento


O pesquisador sênior do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Paulo Moutinho diz que o novo desenho administrativo é equivocado e ineficaz, em especial por causa da separação entre os temas desmatamento e mudanças climáticas. “O desmatamento é gerado por um processo multifacetado e multisetorial complexo. Se você trata do assunto de modo compartimentalizado, como parece ser a intenção do governo, perde-se a visão geral”, aponta.

A transferência do Cadastro Ambiental Rural (CAR) do MMA para o Ministério da Agricultura (MAPA) é considerado outro obstáculo ao combate aos crimes ambientais. O CAR foi criado pelo novo Código Florestal para registrar as áreas que podem ou não ser desmatadas e que precisam se recuperadas em cada propriedade e posse rural.

O professor da Universidade Federal de Minas Gerais Raoni Rajão ressalta que MMA e MAPA têm missões diferentes e que o trabalho de monitorar e punir os desmatamentos, permitido pelo CAR, exige uma autonomia que a Agricultura não tem. Ele lembra que os ruralistas, que agora controlam as duas pastas, historicamente defenderam o relaxamento da fiscalização e foram contra a publicidade dos dados do cadastro, considerada fundamental para conter o desmatamento.

“[A ministra da Agricultura] foi indicada pela bancada ruralista, que não ficará feliz se, por exemplo, o CAR for usado para fazer algum tipo de punição mais dura”, salienta. “Por que ela vai assumir o custo político de punir 100% daqueles que agem ilegalmente e que não estão regulares, se o benefício disso estará em outro ministério ou agenda?”

Diante da fragmentação e possível retrocesso na política de combate ao desmatamento, Nurit Bensusan projeta três cenários possíveis: a criação de uma espécie de força-tarefa ministerial que tente coordenar a agenda; a transferência de funções para os Estados; o isolamento do tema no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama). A especialista do ISA reconhece que a perspectiva é pouco animadora.

A apreensão entre os ambientalistas é ainda maior porque o enfraquecimento do MMA acontece ao mesmo tempo que as taxas de desmatamento voltam a subir. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, foram derrubados 7.900 km² de floresta na Amazônia, um aumento de 13,7%. Entre agosto e outubro, a devastação teria aumentado 48%, de acordo com o programa Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter-B), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

A situação pode se agravar porque o orçamento da área ambiental federal vem caindo de forma consistente, enquanto a a execução orçamentária está mais ou menos estagnada. O orçamento aprovado para todo o MMA, incluindo órgãos vinculados, sofreu uma redução de R$ 480,5 milhões (12%), entre 2017 e 2018 (veja análise do Inesce gráfico abaixo).

A assessoria do Mapa não respondeu aos pedidos de entrevista até o fechamento desta reportagem.
Prejuízos diplomáticos e comerciais

Outro consenso entre os entrevistados é que o desmantelamento da agenda climática e de desmatamento trará prejuízos diplomáticos e comerciais para o país. “Se o Brasil retroceder nesses aspectos, isso vai ameaçar a reputação não apenas do país, como de suas commodities e empresas exportadoras”, alerta Carlos Rittl, secretário-executivo do Observatório do Clima.


Rittl informa que o Brasil negocia hoje pelo menos US$ 1 bilhão de dólares de investimentos internacionais para o combate ao desmatamento e as mudanças climáticas. Cerca de US$ 500 milhões com o Fundo Verde de Clima da ONU e outros US$ 500 milhões como empréstimos do banco de desenvolvimento dos Brics. “Esses recursos ficam em xeque, em virtude da dúvida sobre o compromisso do país com essas agendas”, conclui.

“Acompanho há mais de 20 anos as negociações internacionais sobre clima e é impossível fazer qualquer negociação ou mesmo contestação na diplomacia se não se souber quem é ‘o dono da bola’ em cada país, o ministro que vai dar as diretrizes”, comenta Moutinho. “A desagregação de poder ou liderança enfraquece o país de forma cruel. Ninguém dá mais bola ou ele é isolado”, conclui.

Comunidades indígenas e tradicionais no MMA


Também causa preocupação a extinção da Secretaria de Extrativismo, Desenvolvimento Rural e Combate à Desertificação do MMA e a transferência da agenda econômica sobre o primeiro tema (castanha, açaí, látex, óleos, essências etc) para a Agricultura.

O problema é que na política agora incorporada do Mapa não há mais referências às populações indígenas e tradicionais. Um setor específico sobre a produção econômica dessas comunidades existia no MMA há 20 anos. A pauta vinha sendo apoiada pela Política de Garantia de Preços Mínimos para os Produtos da Sociobiodiversidade (PGPM-Bio), que também fica sem paradeiro com a extinção da Secretaria de Extrativismo.

Somente a comercialização de produtos da sociobiodiversidade movimentou, em média, R$ 1,43 bilhão ao ano no Brasil, entre 2013 e 2016, de acordo com o IBGE. O total é ainda maior porque não estão contabilizados produtos beneficiados, a comercialização de madeira e seus derivados e produtos oriundos das roças e rios. Parte importante dessa produção vinha sendo viabilizada pela PGPM-Bio.

Com o fim da Secretaria de Extrativismo, não se sabe também qual será o futuro da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (PNGATI), reconhecida hoje como uma das políticas ambientais mais importantes do Brasil – quase 14% do território nacional está em Terras Indígenas, as áreas mais preservados do país. Com apoio da iniciativa, pelo menos 104 Planos de Gestão Ambiental e Territorial foram finalizados ou estão em elaboração, segundo a Fundação Nacional do Índio (Funai).

Também não há na nova estrutura do MMA uma instância para ancorar o Plano Nacional de Fortalecimento das Comunidades Extrativistas e Ribeirinhas (Planafe), criado em abril.

Joaquim Belo, presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), está preocupado sobretudo com iniciativas para garantia de água tratada e energia nas comunidades promovidas pelo Planafe. Ele conta que, com o apoio da antiga secretaria, a legislação foi alterada para permitir a implantação na Amazônia de cisternas, política já consolidada no Nordeste. Mais de três mil famílias já foram atendidas e um edital do BNDES para atender outras 25 mil está pronto.

“Para nós a mudança é terrível, um balde de água fria. Estamos falando de segmentos muito marginalizados no processo histórico. No momento em que conseguimos algum espaço para essa agenda, vem uma medida como essa e voltamos para a estaca zero”, critica .

Participação e articulação com organizações e movimentos sociais


A extinção da Secretaria de Articulação Institucional e Cidadania Ambiental do MMA indica ainda dificuldade em lidar com a sociedade civil. “Os órgãos ambientais sozinhos não têm condições de fazer valer a legislação. A medida sinaliza um fechamento do diálogo com a sociedade, que é um prejuízo para todos”, critica Adriana Ramos, sócia do ISA. Ela lembra que a política ambiental brasileira foi pioneira na adoção de instrumentos de articulação e participação direta, a exemplo da criação do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama), em 1981.


Fonte: ENVOLVERDE

Mulher, solo e pobre: Por que a maioria das mães solo brasileiras vive abaixo da linha da pobreza?


Por Victória Damasceno, para a Revista Azmina
Não sobra nada. É só o dinheiro para comer mesmo. Não dá para fazer muita coisa”. É desta forma que Cinthia Fernandes, de 30 anos, moradora da periferia de Osasco, na grande São Paulo, descreve seus gastos mensais. Mãe solo de cinco crianças de um a 12 anos, Cinthia é a responsável por alimentar os filhos, a sogra e o sobrinho com os R$ 400 que ganha como vendedora de milho no centro da cidade. O marido, que também compunha a renda da casa, foi preso por tráfico de drogas.

Além do dinheiro de Cinthia, a casa conta com R$ 900 mensais de sua sogra, Maria Belém Pereira, de 55 anos, que trabalha em um salão de beleza e assume o aluguel de R$ 620 e as contas de água, luz e gás. No total, a renda na casa é de aproximadamente R$ 162,50 por pessoa por mês.

Cinthia é parte dos 26,5% dos brasileiros considerados pobres segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). O órgão utiliza o parâmetro adotado pelo Banco Mundial para definir a pobreza: famílias que vivem com até 5,5 dólares por dia, por pessoa no domicílio. Mas dentro desse grupo de brasileiros, Cinthia faz parte de um outro grupo: o das mulheres que sustentam a casa com filhos de até 14 anos. Segundo o levantamento do IBGE, 56,9% dessas mulheres estão abaixo da linha da pobreza. E se a raça for levada em conta, o cenário piora: 64,4% das mães negras vivem nessas condições.

No ano de cotação da pesquisa, 2016, o valor 5,5 dólares por dia equivalia a cerca de R$ 406 mensais. Se atualizarmos o valor para hoje, qualquer pessoa que viva com até de 646 reais, segundo a cotação do dia, pode ser considerado pobre. Em 2016, o contingente de brasileiros nessa situação correspondia a 25,7% da população, e com o aumento de 2 milhões de pessoas, 2017 fechou o ano com 26,5% de brasileiros vivendo em situação de pobreza.

Segundo o IBGE, a recessão econômica e o desemprego foram os principais fatores para o aprofundamento das desigualdades. Entre 2014 e 2017, a taxa de desemprego subiu de 6,4% para 12,5%. “O índice de desigualdade e a taxa de pobreza vinham diminuindo, mas a crise gerou aumento”, afirma o analista da pesquisa do IBGE Pedro Rocha. Além da crise, o analista explica que as recentes decisões do governo de Michel Temer aprofundaram as desigualdades devido às medidas de austeridade fiscal, aprovação de propostas que aumentam a precariedade do trabalho e corte nos benefícios sociais como o Bolsa Família.

Sociedade patriarcal coloca essas mulheres em vulnerabilidade

Nesse cenário, as populações mais vulneráveis acabam sendo as mais atingidas. Entram aí as mulheres que criam seus filhos sem um companheiro. “Como crianças não possuem rendimento, a renda da mulher que é mãe solo é distribuída entre os filhos, além de ter agravantes como  quando a mãe precisa deixar o trabalho para cuidar dos filhos”, explica Pedro.

As mulheres como Cinthia não são poucas. Entre 2005 e 2015, o Brasil ganhou 1,1 milhão de famílias chefiadas por mulheres. Segundo o IBGE, em 2005 o Brasil tinha cerca de 10,5 milhões de famílias cujo a pessoa de referência eram mães solo. Em 2015, esse número subiu para 11,6 milhões, o que corresponde a 26,8% das famílias no Brasil. Segundo dados da mesma pesquisa, famílias compostas por um homem sem cônjuge e com filho representam apenas 3,6%.

A pouca representatividade de pais solos chefes de família se relaciona com a forma como a organização da sociedade brasileira, que resiste à ideia de que os pais cuidem dos filhos ao mesmo tempo que promove a lógica do homem provedor. Este é o diagnóstico da psicóloga social Belinda Mandelbaum, responsável pelo Laboratório dos Estudos da Família do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP). Para Belinda, o Brasil ainda alimenta a ideia de que homens devem ir para o trabalho enquanto cuidar de crianças é coisa de mulher.

“Isso tem a ver com um modelo de sociedade fortemente patriarcal,
que coloca a atividade de cuidado com as crianças como uma atividade feminina”,
diz a especialista 

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com base no Censo Escolar de 2011, o Brasil tem 5,5 milhões de crianças sem o nome do pai na certidão de nascimento. Dados mais atualizados mostram que só em São Paulo há 750 mil pessoas, entre zero e 30 anos, sem o nome do pai no registro, segundo o Governo do Estado.

Marta* é uma das mulheres que compõem estes dados. Mãe de quatro crianças, sendo dois gêmeos, 

cada gravidez foi fruto de um pai diferente. O comum entre eles é o abandono: os três homens responsáveis pelas crianças as abandonaram e sequer pagam a pensão estabelecida por lei.  Aos 30 anos, ela trabalha como empregada doméstica em uma única residência e ganha R$ 1.600 por mês. 

Essa renda a coloca dentro da estatística da linha da pobreza: R$ 320 por pessoa na casa, equivalente a 49% do valor teto estabelecido pelo Banco Mundial para que a pessoa seja considerada pobre.

Com um aluguel de R$ 750 por uma casa de dois cômodos e um banheiro, Marta não consegue proporcionar para si ou para os filhos momentos de lazer. “O que sobra das contas é para o mercado. Dificilmente dá para fazer algo diferente disso”, conta.

“É uma vida muito corrida, você tem que abrir mão de muita coisa.
Você tem que viver em função do seu trabalho e dos seus filhos”
Mulheres negras vivem ainda mais vulnerabilidades

A pesquisa do IBGE realizou ainda um recorte racial sobre as famílias sustentadas por mães solo. 

Nos domicílios cujos responsáveis são mulheres pretas ou pardas sem cônjuge e com filhos até 14 anos, 25,2% dos moradores tinham pelo menos três restrições às dimensões analisadas. “Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%)”, diz a pesquisa. As diferenças históricas de desigualdade racial são as principais causadoras de altas taxas de desemprego, menor rendimento e escolaridade entre os negros, de acordo com Pedro Rocha. 

“Sempre que fizermos o recorte racial, as desigualdades vão se sobressair em relação aos outros”, afirma o analista do IBGE.

É o caso de Joyce Cristina, mãe de Jamilly de 7 anos, e moradora de Mogi das Cruzes, em São Paulo. 

Aos 24 anos, Joyce vive em uma casa de dois cômodos no bairro de Jundiapeba, ao lado do marido e da filha.

Ela se enquadra no grupo porque o IBGE leva em conta na pesquisa a pessoa de referência na família, ou seja, quem é que tem rendimentos. Apesar de ser casada, Joyce é a única responsável pela renda da casa. “Meu marido é pedreiro e dificilmente consegue trabalho. Quando consegue, muitas vezes as pessoas pagam com alimentos”, conta.

Joyce é beneficiária do Bolsa Família e faz parte das 46,9% de pessoas negras ocupadas por trabalho informal no Brasil. Tem renda fixa de cerca de R$ 300 por mês, o que faz com que sua ocupação de doméstica corresponda a menos de 50% do R$ 688  correspondentes à média salarial desta categoria, segundo o IBGE.

Seu dia a dia, é corrido. As diárias como trabalhadora doméstica e o auxílio de R$ 120 do Bolsa Família não são suficientes para arcar com os custos da casa. Sem casa própria, o valor do seu aluguel é de R$ 350, além das contas de água e luz. Para aumentar o rendimento do mês e conseguir cuidar da filha, às vezes procura fazer bicos, mas conta que não consegue faturar mais de um salário mínimo. “Mesmo trabalhando de domingo a domingo, juntando os picados, não dá para fazer nada além de pagar as contas”, diz.

Para Belinda Mandelbaum, a sobrecarga das mulheres negras é fruto do passado escravocrata do Brasil, que nunca deu à população negra a possibilidade de ascensão social por meio do acesso à educação. “É um ciclo que se auto-alimenta. Sem educação de qualidade a população negra, em especial as mulheres, terão menos chances de acessos à empregos melhores e menos condições de realizar uma disputa salarial”, explica. Para ela, esses fatores compõem um quadro que não somente aprofunda as desigualdades, mas as perpetuam. “Cabe a sociedade e ao Estado promover situações que rompam com esse círculo vicioso.”

Além da falta de oportunidade para o desenvolvimento social, a saúde mental deste grupo de mulheres se tornou outro fator que intensifica sua vulnerabilidade. Belinda conta que a falta de políticas públicas na área da saúde, do trabalho e da assistência social às expõem à “toda sorte de violências”.
“Para garantir à sobrevivências dos seus,
essas mulheres aceitam condições precárias de trabalho
e com sobrecarga de esforço físico extenuante”,
afirma Bellinda.

Esses fatores geram situações de tensão e cansaço constante, que se reverberam para dentro da família e podem até mesmo se transformar em situações de violência. “Há uma ausência de amparo que gera falta de políticas públicas de proteção social para estas mulheres, o que repercute negativamente na sua saúde mental e na sua relação com os entes queridos”, conclui.

Sem familiares que apoiem a criação da filha, Joyce Cristina é uma das tantas mulheres que se expõe à situações precárias de trabalho para garantir a sobrevivência de sua família. Para ela, a falta de oportunidades de desenvolvimento pessoal são os fatores que a colocaram no grupo de mulheres que vivem na linha da pobreza. Mas mesmo no trabalho doméstico, sonha em ajudar outras mães. “Quero abrir uma creche”, conta. O sonho incomum é um misto de amor pelas crianças e cuidado com outras mulheres. “Eu me apego as crianças e acho que as mães não deveriam abrir mão do seu trabalho porque não têm vagas nas creches”. Joyce sonha com uma creche a preços populares, para que as mães da periferia tenham condições de pagar, trabalhar e de cuidar de seus filhos.

Informalidade, creches, moradia: está tudo conectado

A creche de Joyce vira a calhar para Cinthia Fernandes. Para ela, o mais importante é que todos os filhos estejam na escola e tenham suas necessidades básicas supridas. “O grosso sempre tem. Não falta pão e sempre tem uma bolacha ou um Danone. Vivo para cima e para baixo fazendo bico para não faltar.” Cinthia também faz parte das 40,7% das mulheres ocupadas pelo trabalho informal. Em 2017, as mulheres em trabalhos informais ganhavam o equivalente a 46,5% daquelas empregadas em vagas formalizadas.

Embora quatro de seus filhos se mantenham na escola, a ausência de vaga na creche para Miguel, de um ano e um mês, a impede de procurar um trabalho formal. Dependendo do bico que arranja, consegue levar os dois filhos mais novos. Quando não é possível, sua filha Camila, de 12 anos, se torna a responsável pela casa.

A situação se agrava ainda mais quando são analisadas as situações de moradia dessa população. 

Uma parcela expressiva de pessoas na linha da pobreza possuem inadequações nos imóveis onde vivem. A primeira inadequação é a ausência de banheiro exclusivo de uso da residência, ou seja, que no dia a dia não é compartilhado com moradores de outras casas. As demais correspondem a materiais não duráveis nas paredes externas dos domicílios, adensamento domiciliar excessivo (quando há mais de três pessoas por cômodo na residência), e o valor do aluguel correspondente a mais de 30% da renda total da casa.

Das quatro inadequações, Cinthia convive com duas delas. Moradora de um imóvel de dois cômodos e um banheiro, há uma média de 4 pessoas por cômodo na residência. Com um quarto e uma cozinha, a autônoma divide a noite com os outros sete moradores da casa. As mobílias do único quarto correspondem a uma beliche, duas camas de solteiro e uma cama de casal. Dentre essas, há duas camas que são divididas: uma de solteiro, com quem ela dorme com o filho mais novo, e outra de casal, onde dormem três das quatro filhas mulheres. Além disso, seu aluguel corresponde a 51,6% da renda total da casa.

Apesar da dificuldade, não se considera dentro da linha da pobreza. “Eu acho que tem pessoas que estão pior que eu. Eu não me considero na linha de pobreza porque as minhas filhas podem não ter tudo do bom o do melhor, mas não falta nada.”

*Nome fictício usado para preservar a identidade da entrevistada.


Fonte: ENVOLVERDE

A era da irresponsabilidade ou que desenvolvimento queremos?


Por Liliane Rocha

Que desenvolvimento queremos? A frase está no livro A Era do Capital Improdutivo do Ladislau Dowbor e foi ela que de imediato me impactou e me fez parar para escrever este artigo, pois me fez pensar: será que as pessoas têm clareza de que desenvolvimento realmente querem? Estão se responsabilizando – de fato – pelas suas escolhas. E pela consequência destas escolhas?

Instantaneamente voltaram à minha mente algumas reflexões que começaram a me angustiar durante as aulas de MBA de Gestão da Sustentabilidade quando estava tendo acesso a um grande volume de informações que são cruciais para todo e qualquer ser humano, mas que infelizmente só uma parcela da população tem acesso.

Me fez lembrar também do Relatório Prosperity Without Growth ou em tradução livre prosperidade sem crescimento que lança luz sobre questões como essa e sobre qual é a nossa responsabilidade, ou irresponsabilidade, diante de temas e realidades tão críticos.

Pude mergulhar nestas temáticas a fundo e sair da superfície. Não somente na teoria, mas na prática, já que o aprendizado se deu em grande parte trabalhando dentro de grandes empresas, em interface com poder público, organizações, sociais e comunidade. Enfim, tudo isso dito, na tentativa de que você, leitor, atente ainda mais para essa discussão. Que desenvolvimento queremos? Em um momento no qual muitos afirmam almejar o crescimento econômico do Brasil, derrapando em discursos nos quais por vezes parece que “vale tudo”. Vale comprometer o meio ambiente? Vale deixar uma parcela da população para traz?

Crescimento econômico é a prioridade do dia na agenda de boa parcela da população. Aspecto que considero legítimo uma vez que a instabilidade econômica tem sido um dos temas centrais no Brasil dos últimos tempos. As perguntas sobre as quais proponho reflexão são: será que o crescimento econômico almejado corresponderá a desenvolvimento para todos? Ou, será que corresponderá a uma sociedade mais próspera?

Vejamos, apenas 1% da água do planeta está disponível para consumo, o Brasil detém a maior reserva de água doce do planeta (12% do total disponível). Ainda assim estamos enfrentando a crise hídrica em estados do país nos quais esse não era nem de longe um desafio há algum tempo. Situação que se amplia claramente devido às mudanças climáticas e ao desmatamento crescente. O Sistema da Cantareira, por exemplo, estava em 38,2% no período pré-crise em 2010, e em 34,7% em 21/10/2018. Apesar da escassez hídrica ter parecido cair no esquecimento durante o período eleitoral.

A gestão de resíduos também está na pauta do dia. No Brasil, cada um de nós produz 380 quilos de lixo por ano. São ao todo 63 milhões de toneladas de lixo gerados, dos quais 24 milhões de toneladas seguirão para destinos inadequados como lixões. Seguimos com a crise da matriz energética, apesar do Brasil ter avançado, pois chegamos em 12% de energia eólica na composição da matriz brasileira.

Temas ambientais latentes, que se conectam fortemente às questões sociais ao passo que vivemos em um país de extrema desigualdade, onde certamente os impactos da questão ambiental recaem com mais peso sobre os mais pobres. O relatório País Estagnado: um retrato das desigualdades brasileiras lançado, em 2018, pela Oxfam, nos mostra que o Brasil é o 9º país mais desigual do mundo. Ou seja, há uma parcela da população brasileira que está na linha de frente quando falamos em falta de água, energia, acúmulo de lixo, problemas de saúde gerados pela poluição, entre outros.

Como diz o relatório Prosperity without Growth “o retorno aos negócios na forma usual não é uma opção”. Eu acrescentaria o retorno ou retrocesso em termos de práticas governamentais também não é uma opção. A prosperidade para poucos, pautada na destruição ecológica e na desigualdade social sistêmica não é mais um caminho viável em uma sociedade civilizada.

Caso contrário, se é que vamos realmente retomar a economia, ela não valerá a pena, pois a conta dos impactos ambientais e da parcela da população deixada para trás irá chegar, e ela será bem cara.

Fonte: ENVOLVERDE

terça-feira, 8 de janeiro de 2019

A CRISE na Venezuela; de quem é a CULPA!

A CRISE na Venezuela, não é só culpa do DITADOR Nicolás Maduro; são vários CULPADOS. Todos aqueles venezuelanos que apoiam Nicolás Maduro, são culpados pela situação em que se encontra a Venezuela. A opinião pública, deveria citá-los ao falar da crise venezuelana, e não só se focar em Nicolás Maduro, pois quando Nicolás Maduro sair do processo, seja por bem ou por mau; esses apoiadores, precisam ser identificados e inibidos pela sociedade venezuelana.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

Meio ambiente de PAPEL!


Nos últimos 20 anos, a questão ambiental no Brasil se resumiu em viagens, e produzir leis e encontros. As questões básicas de uma gestão pública, foram deixadas de lado, e se arrastam em discursos bonitos, mais que não resolvem a questão. 

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Governo um bom NEGÓCIO!!

Ser governante no Brasil, é um bom negócio, pois o povo que paga a conta, raramente reclama, e se contenta com as migalhas oferecidas pelos governantes, que são servidos ao invés de servir.


Pequenos peixes podem não ser mais capazes de prosperar sob níveis de oxigênio decrescentes.

Um novo estudo revela que apenas a menor mudança nos níveis de oxigênio pode ter ramificações tremendas na cadeia alimentar.

University of South Florida*

O aumento das temperaturas está fazendo com que as regiões de águas intermediárias com oxigênio muito baixo, conhecidas como Zonas Mínimas de Oxigênio (OMZs), se expandam no leste do Oceano Pacífico Norte. Enquanto alguns organismos em certas regiões podem ser capazes de se adaptar, os pesquisadores descobriram que aqueles que vivem em OMZs provavelmente não podem, já que eles já estão sendo empurrados para seus limites fisiológicos.

“Esses animais desenvolveram uma tremenda capacidade de extrair e usar a pequena quantidade de oxigênio disponível em seu ambiente”, disse o autor do estudo, Brad Seibel, PhD, professor de oceanografia biológica na Faculdade de Ciências Marinhas da Universidade do Sul da Flórida. “Mesmo assim, descobrimos que reduções naturais nos níveis de oxigênio de menos de 1% foram suficientes para excluir a maioria das espécies ou alterar sua distribuição”.

Pesquisadores analisaram muitos tipos diferentes de zooplâncton marinho, que inclui peixes e crustáceos que são essenciais para a cadeia alimentar marinha. A ciclotona, por exemplo, está entre os vertebrados mais abundantes do mundo, enquanto o krill é importante na dieta de peixes, lulas e baleias.

Com a expansão das OMZs, essas espécies podem ser empurradas para águas mais rasas, onde há mais luz solar, temperaturas mais altas e maior risco de predadores.

Seibel foi cientista-chefe da expedição que estudou a tolerância fisiológica dos animais em uma faixa de valores de oxigênio. Ele descobriu que os animais nessa região tinham uma tremenda tolerância a baixos níveis de oxigênio, mas que viviam com valores de oxigênio próximos aos seus limites evoluídos.

Assim, pequenas mudanças de oxigênio tiveram um impacto substancial na abundância e distribuição da maioria das espécies. Outras desoxigenações relacionadas ao clima podem alterar drasticamente esses ecossistemas marinhos.
Abundância de zooplâncton, biomassa e oxigênio dos transbordamentos horizontais de MOCNESS. Cada coluna mostra dados de um reboque. Para oxigênio (linha superior), sombreamento roxo indica baixo oxigênio (?5 ?M, 0,11 ml / litro) e sombreamento cinza indica oxigênio alto (?8 ?M, 0,18 ml / litro). Para copépodes (segunda linha), Pleuromamma abdominalis é mostrado para reboques mais rasos e L. hulsemannae é mostrado para o reboque profundo. As fileiras seguintes mostram euphausiídeos totais, o peixe Cyclothone spp. E a biomassa do zooplâncton. Todos os táxons gráficos mostram diferenças significativas de abundância entre as amostras nas categorias alta versus baixa de oxigênio (ver tabela S2 para dados em cada categoria), exceto 800 m de eufausídeos e 800 m de biomassa total (que são esparsas na profundidade) (ver fig. S2 para fotografias destes táxons).
Referência:
Ocean deoxygenation and zooplankton: Very small oxygen differences matter
BY K. F. WISHNER, B. A. SEIBEL, C. ROMAN, C. DEUTSCH, D. OUTRAM, C. T. SHAW, M. A. BIRK, K. A. S. MISLAN, T. J. ADAMS, D. MOORE, S. RILEY
Science Advances 19 Dec 2018:
Vol. 4, no. 12, eaau5180
DOI: 10.1126/sciadv.aau5180
http://advances.sciencemag.org/content/4/12/eaau5180
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate.

Fonte: EcoDebate

Lixo jogado nas praias gera impactos ambientais, econômicos e prejuízo aos banhistas.

Lixo jogado nas praias: Além de deixar a água imprópria para o banho, poluição na areia e nos oceanos causa a morte de animais marinhos.

Comlurb recolheu 757 toneladas de lixo durante Réveillon 2019, sendo 385 em Copacabana. Foto: Comlurb.

As festas de fim de ano e as férias levam às praias um grande número de turistas que nem sempre descartam o lixo em local adequado. Segundo um levantamento do Instituto Oceanográfico da Universidade de São Paulo (IO-USP), todos os anos, cerca de 190 mil toneladas de materiais plásticos são lançados ao mar, na costa brasileira.

O descarte incorreto do lixo, principalmente nas praias, interfere diretamente no desenvolvimento das espécies marinhas. De acordo com um estudo realizado pela Universidade de Queensland, na Austrália, a contaminação dos oceanos, principalmente por plásticos, é responsável pela morte de cerca de 100 mil animais todos os anos.

Segundo o presidente do conselho da Associação MarBrasil, Ariel Scheffer, cerca de 700 espécies marinhas são afetadas pela poluição plástica nos mares, incluindo mais de 260 espécies sob algum grau de ameaça de extinção. “Muitos animais se enroscam e ficam feridos ao terem contato com esse tipo de material, mas o problema principal é a ingestão do plástico, que não é um elemento natural no trato digestivo e acaba causando a morte”, explica.

O biólogo, que é membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, destaca que as aves marinhas e as tartarugas são as mais prejudicadas por confundir sacolas com alimentos da cadeia alimentar, como águas vivas e pequenos organismos. “Dos animais encontrados mortos, 100% das tartarugas verdes e 75% das aves marinhas possuem algum tipo de plástico no estômago.”

Mas o problema não está apenas nos chamados “macroplásticos”, que são facilmente visíveis por pessoas e animais. As partículas de plástico com menos de cinco milímetros, denominadas de “microplásticos”, podem ser ingeridas indiretamente por peixes, aves, tartarugas e mamíferos marinhos, levando seis vezes mais tempo para serem eliminados do organismo do que o macroplástico, que é ingerido diretamente. Em muitos casos, estes microplásticos entram na cadeia alimentar do homem, quando ele se alimenta de frutos do mar.

Além de impactar as espécies marinhas, os resíduos descartados nas praias também interferem na vida dos banhistas, que podem se ferir com determinados objetos. A sujeira também reduz a balneabilidade, que é o índice usado para verificar a qualidade da água destinada à recreação. Desse modo, ela se torna imprópria para o banho, podendo gerar contaminação por doenças de pele.

Os prejuízos afetam ainda a economia dos municípios, que precisam aumentar as despesas com a limpeza das praias e perdem a receita com o turismo. No setor da navegação e nas atividades pesqueiras, a produtividade tende a diminuir devido à morte dos peixes e à poluição dos oceanos.


Fonte: EcoDebate

Desmatamento da Amazônia Legal segue com tendência de aumento, informa o Imazon.

O desmatamento na Amazônia Legal segue com tendência de aumento, segundo dados do Boletim do Desmatamento (SAD) novembro 2018 divulgados pelo Imazon.

Por Stefânia Costa*

O Estado do Pará contribuiu com 63% dos alertas de desmatamento registrados em novembro de 2018. As áreas que mais sofreram destruição encontram-se principalmente no nordeste do estado, na região da Terra do Meio, e no oeste com alta concentração de alertas na região da Calha Norte (área que reúne o maior bloco de florestas protegidas do mundo).

O desmatamento cresceu também no Amazonas, estado com o segundo maior número de alertas (12%), seguido por Rondônia (9%), Mato Grosso (7%), Roraima (5%) e Acre (4%).

Unidades de Conservação

O Boletim apresenta, ainda, o ranking das 10 Unidades de Conservação com maior número de alertas de desmatamento em novembro de 2018, das quais 6 estão no Pará como é o caso da Área de Preservação Ambiental Triunfo do Xingu e da Floresta Nacional do Jamanxim. A Reserva Chico Mendes, no Estado do Acre, registrou o segundo maior número de alertas de desmatamentos em novembro de 2018.

Terras Indígenas

As TIs mais pressionadas por desmatamentos em novembro de 2018 estão no Estado do Pará. Outro ponto de atenção encontra-se na fronteira do Amazonas com Roraima onde Terras Indígenas sofrem pressão de desmatamento.

Desmatamento acumulado

Para o período acumulado de agosto a novembro de 2018, o desmatamento dobrou em relação ao mesmo período do ano anterior, chegando a 1.463 km2 de florestas perdidas. Já o desmatamento detectado no mês de novembro de 2018 foi 4 vezes maior do que em novembro de 2017.
Baixe aqui o arquivo
* Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia – Imazon

Fonte: EcoDebate

Como as florestas tropicais se adaptam à seca? por William F. Laurance.

No futuro, as secas podem se tornar mais severas ou freqüentes nos trópicos. Como isso afetará as florestas tropicais ricas em espécies?

Floresta australiana de Daintree. Foto: Wikipedia

Desde 2013, Susan Laurance lidera um experimento em grande escala para simular a seca na floresta australiana de Daintree.

O estudo [ Rainforest trees respond to drought by modifying their hydraulic architecture ], liderado pelo pós-doutorado de Sue, David Tng, revela uma descoberta surpreendente: a notável diversidade de estratégias pelas quais as árvores tropicais sobrevivem, ou pelo menos tentam sobreviver, frente à seca.

Essas estratégias incluem:
– Encolhendo seus vasos de água (xilema) para tornar as árvores menos propensas a bolhas de ar perigosas, que se formam quando a água é escassa e bloqueiam o fluxo ascendente de água;
– Bloqueando fisicamente alguns vasos condutores de água, para que menos navios permaneçam competindo pela limitada disponibilidade de água no solo – o que, novamente, reduz a probabilidade de bolhas de ar perigosas;
– Alterar seus tecidos lenhosos de várias maneiras, aumentando o teor de fibras ou reduzindo os tecidos de armazenamento de água;
– Folhas mais finas que exigem menos água;
– Empregar uma variedade de truques fisiológicos (como mais potenciais negativos de água na folha e menor condutividade teórica do vaso) para melhorar o movimento da água.

A linha inferior: árvores tropicais, evidentemente, têm uma matriz muito maior de estratégias para combater a seca do que é comumente apreciado. Isso provavelmente reflete tanto a grande diversidade evolutiva quanto as intensas ameaças que as secas representam para a sobrevivência das árvores.
Referência:
Tng DYP, Apgaua DMG, Ishida YF, et al. Rainforest trees respond to drought by modifying their hydraulic architecture. Ecol Evol. 2018;8:12479–12491. https://doi.org/10.1002/ece3.4601


Tudo de bom a todos(as), Bill
William F. Laurance, PhD, FAA, FAAAS, FRSQ
Distinguished Research Professor
Australian Laureate & Prince Bernhard Chair in International Nature Conservation (Emeritus)
Director of the Centre for Tropical Environmental and Sustainability Science (TESS)
Director of ALERT (ALERT-conservation.org)


Fonte: EcoDebate

Poluição do ar causada pelo fogo enfraquece a produtividade florestal.

Novo estudo explorou os impactos ecológicos da poluição do ar causada pelo fogo.

Institute of Atmospheric Physics, Chinese Academy of Sciences*

O fogo é um elemento importante do sistema da Terra. Todos os anos, os incêndios globais emitem diretamente 2 Pg C (bilhões de toneladas de carbono) na atmosfera, o que representa ~ 20% do total de emissões provenientes de atividades humanas. Além das emissões de carbono, as plumas de incêndio também geram poluentes atmosféricos, incluindo ozônio (O3 ) e aerossóis em modo fino (por exemplo, PM 2,5 , material particulado com menos de 2,5 m de diâmetro).

É bem sabido que esses poluentes do ar podem piorar a qualidade do ar nas regiões locais e a favor do vento. No entanto, não se sabe que eles também mudam o orçamento de carbono da terra, influenciando a fotossíntese de florestas não queimadas.

Recentemente, um novo estudo na Nature Communications explorou os impactos ecológicos da poluição do ar causada pelo fogo. Aumentos em O 3 e aerossóis têm impactos opostos na saúde das plantas. O O 3 é fitotóxico e reduz a fotossíntese de plantas, enquanto os aerossóis podem promover a fotossíntese aumentando a radiação difusa.

Não está claro quais são os impactos líquidos desses poluentes na biosfera do mesmo incêndio. Este estudo combinou três modelos de última geração e um conjunto completo de observações de locais terrestres, satélites e literatura, para quantificar os impactos líquidos do fogo O3 e aerossóis na produtividade primária bruta (GPP), uma métrica representando o total fotossíntese de florestas.

Os resultados mostram que a superfície O3 reduz o GPP global em 4,9 Pg C (3,6%) a cada ano, em que o O3 é responsável por ~ 20%. Em contraste, os aerossóis globais aumentam o GPP anual em 1,0 Pg C (0,8%) com contribuições de fogo de apenas 5%. O efeito de fertilização dos aerossóis de fogo é muito limitado, provavelmente porque as emissões de fogo geralmente ocorrem em florestas tropicais onde a densa nuvem mascara os efeitos do aerossol. Consequentemente, o efeito líquido de poluição do ar fogo é dominada por O 3 , deixando uma redução de 0,9 Pg C (0,6%) em GPP anual.

Perda indireta de carbono causada por fogo e aerossóis. (Imagem por YUE Xu)
Regionalmente, a poluição do ar por incêndios causa maiores danos à produtividade florestal. Por exemplo, o grande incêndio de 2006 na Indonésia reduz o PIB local em 3,6%. Além disso, a poluição por incêndios pode causar impactos no transporte de longo alcance. Encontramos reduções de GPP de 0,6% no leste dos EUA e 0,5% no leste da China, onde os eventos de incêndio são muito limitados. Nessas regiões, o alto nível de O 3 nas atividades humanas proporciona um ambiente tão sensível que mesmo um leve aumento de O 3 por incêndios pode causar uma influência perceptível.

Esta nova pesquisa revela um caminho perdido de impactos de fogo no ciclo global de carbono. O dano à produtividade do ecossistema não ocorre apenas em regimes de fogo, mas também nas áreas a favor do vento, por meio do transporte de longo alcance da poluição do ar. “Tais impactos negativos podem exacerbar no futuro, já que as atividades de incêndio devem aumentar em um clima mais quente”. disse Yue Xu, o primeiro autor do estudo do Instituto de Física Atmosférica da Academia Chinesa de Ciências.
Referência:
Yue, X., and Unger, N.: Fire air pollution reduces global terrestrial productivity, Nature Communications, 2019. https://www.nature.com/articles/s41467-018-07921-4
* Tradução e edição de Henrique Cortez, EcoDebate

Fonte: EcoDebate

Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) traz esperança e desafios para os ecossistemas marinhos mundiais, artigo de Hudson Pinheiro.

A redução da perda da biodiversidade e a promoção do uso sustentável de recursos naturais é um compromisso global assumido por 140 nações signatárias da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB).

CBD. Imagem: World Rainforest Movement

O tratado internacional tem relação com o 14º Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que visa a adoção de medidas para preservar e usar de forma sustentável oceanos, mares e recursos marinhos até 2020. Contudo, diante da atual crise da biodiversidade, os objetivos são ousados.

Um dos temas mais debatidos recentemente está relacionado com a cobertura de unidades de conservação marinha (UCM). Estabelecer esse tipo de área é uma das melhores estratégias para a conservação da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos marinhos, pois envolve o manejo a nível de ecossistema. Entretanto, um dos maiores desafios é criar e manejar UCMs em áreas prioritárias para a conservação, pois normalmente estas são áreas de alta diversidade biológica e de alto conflito de usos, onde diversas atividades humanas são praticadas. Ambientes costeiros como mangues, recifes de coral e costões rochosos são os mais vulneráveis.

A melhor estratégia para se remediar a perda da biodiversidade marinha seria focar na proteção do máximo de espécies ameaçadas e ecossistemas por área protegida. A conservação da biodiversidade e sustentabilidade dos recursos depende de unidades de conservação conectadas e que abriguem, de forma homogênea, a diversidade de ecossistemas presentes ao longo da linha costeira.

O manejo pesqueiro e o controle da sobrepesca são vistos como um dos principais objetivos do ODS 14. Uma das estratégias é a valorização da pesca artesanal e o controle de atividades pesqueiras destrutivas, que causam danos aos ecossistemas e que não possuem seletividade nas capturas. Entretanto, muitos países, incluindo o Brasil, caminham em sentido contrário, criando subsídios para pesca industrial e removendo benefícios de pescadores de pequena escala.

Alternativas envolvem o estabelecimento de territórios tradicionais de pesca, onde somente pescadores locais possam pescar, o que tornaria mais fáceis o manejo e o controle do esforço de pesca. O ordenamento e a fiscalização da captura de espécies ameaçadas de extinção e tamanhos mínimos de capturas também são passos importantes para se atingir os objetivos.

A poluição dos mares e o aquecimento global são problemas graves que estão chamando bastante a atenção da sociedade. A ingestão de plásticos tem causado a morte de milhares de animais marinhos anualmente e o aquecimento dos oceanos tem causado o branqueamento e a morte de ecossistemas de coral em todo o mundo. Atividades portuárias desenvolvem dragagens periódicas e despejam toneladas de sedimento sobre os ambientes costeiros, soterrando grandes áreas de habitats naturais.

Em vez de aplicar leis mais restritivas, visando a qualidade de vida humana e saúde ambiental, países em desenvolvimento como o Brasil estão afrouxando as regras para empresas poluidoras. Como consequência, impactos e desastres ambientais são frequentes, o que acelera a perda da biodiversidade e de oportunidades de desenvolvimento sustentável.

Apesar dos desafios, temos esperança. O grande número de nações comprometidas com os objetivos da Convenção sobre Diversidade Biológica é um considerável sinal positivo. Alguns países como Palau e Costa Rica estão dando exemplo de desenvolvimento sustentável e proteção da biodiversidade. Países em desenvolvimento, como Brasil, China e Filipinas, estão comprometidos em financiar iniciativas de proteção e manejo dos ecossistemas costeiros.

A participação de pescadores no manejo e na conservação dos recursos marinhos tem gerado resultados positivos e o Projeto Tamar, no Brasil, é referência mundial nesse tema. Estados como Califórnia e São Paulo têm criado áreas marinhas protegidas ao longo de suas zonas costeiras com o potencial de desenvolvimento sustentável de atividades pesqueiras e turismo. Países e empresas estão investindo na proteção de ambientes costeiros, visando a diminuição de estragos causados por distúrbios ambientais, como tempestades e enchentes. Essas e outras iniciativas inspiradoras foram apresentadas recentemente no artigo “Hope and doubt for the world’s marine ecosystems”, publicado pelo periódico científico Perspectives in Ecology and Conservation.

Uma vez que grande parte da população vive perto da zona costeira, o investimento em educação ambiental é necessário para engajar a sociedade na luta para a manutenção de sua própria qualidade de vida e dos serviços ecossistêmicos providenciados pelos oceanos. Cientistas, cidadãos e tomadores de decisão precisam trabalhar juntos para multiplicar essas iniciativas positivas e reforçar a esperança para a conservação e sustentabilidade da biodiversidade e ecossistemas marinhos no Brasil e no mundo.

* Hudson Pinheiro é mestre em Oceanografia, doutor em Ecologia e Evolução, cientista da Academia de Ciências da Califórnia e membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza.


Fonte: EcoDebate

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Governo um bom NEGÓCIO!

Ser governante no Brasil, é um bom negócio, pois o povo que paga a conta, raramente reclama, e se contenta com as migalhas oferecidas pelos governantes, que são servidos ao invés de servir.