quinta-feira, 20 de dezembro de 2018


Mato Grosso tem a maior taxa de desmatamento nos últimos 10 anos.

Mato Grosso perdeu quase uma Cuiabá inteira para o desmatamento em 2018, e 85% da floresta que foi para o chão foi desmatada de forma ilegal. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, 1.749 km² de floresta foram derrubados – ou 174 mil hectares. O estado é novamente vice-campeão de desmatamento da Amazônia, com 22% do acumulado no período.
Baixe aqui a análise completa, em pdf.
A análise é do Instituto Centro de Vida (ICV), com base em dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). Os dados indicam que as ações feitas pelo Estado para conciliar produção com conservação não estão sendo suficientes para virar o desenvolvimento de Mato Grosso na direção da sustentabilidade.

Apesar de diversos esforços para conter o desmatamento, a taxa cresceu desde que o Governo do Estado se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal, durante a Conferência do Clima, a COP, em 2015 em Paris. As médias anuais passaram de 1.000 km² para 1.600 km². As fronteiras ativas de desmatamento sofreram pouca alteração, com mais da metade do desmatamento concentrado em apenas 10 municípios das regiões Noroeste e Médio Norte. O destaque está para Colniza a Aripuanã, no noroeste, com um quarto do desmatamento total do estado.

Outra tendência que tem se mantido é a prevalência do desmatamento em imóveis rurais privados cadastrados no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental (SICAR), que concentram 52% de todo desmatamento de Mato Grosso. Grandes áreas contínuas desmatadas também seguem como ocorrência frequente, com os polígonos maiores de 100 hectares representando 51% de toda área desmatada. No município de Querência está o maior desmatamento contínuo capturado pelas imagens de satélite: um único desmatamento ilegal com mais de 5 mil hectares, já autuado pelo Ibama em agosto deste ano.
Área desmatada ilegalmente no município de Querência detectada pelo Prodes 2018.

Projetos de assentamentos da reforma agrária são responsáveis por 12% da área desmatada, menos da metade do padrão de contribuição dessa categoria em toda a Amazônia nos últimos anos. As Terras Indígenas seguem sob forte pressão de invasões, com 5% do desmatamento detectado no período. Outro destaque que se repete é o desmatamento associado às usinas hidrelétricas: elas foram responsáveis por 4% do desmatamento de 2018, com participação significativa da implantação das UHEs Sinop e Colíder na região médio norte do estado.

O aumento do desmatamento coloca em risco ações como o Programa REDD+ para Pioneiros (REM). Coordenado pelos governos alemão e inglês, investirá até R$ 178 milhões nos próximos cinco anos em ações e iniciativas que visem a conservação das florestas e fomento a práticas sustentáveis. Para o recebimento do recurso, porém, é necessário que a taxa de desmatamento se mantenha em 1.780 km².

Veja também:

Mapa do Desmatamento na Amazônia Mato-Grossense em 2018.

Fonte: ICV

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018


Raiz dos agrotóxicos está nos gases dos campos de concentração, diz Vandana Shiva.


Ativista relembra desastre em indústria química há 34 anos; 3 de dezembro tornou-se o dia de Luta Contra os Agrotóxicos.

A reportagem é de Nadine Nascimento, publicada por Brasil de Fato, em 03-11-2018.

Em 3 de dezembro de 1984, um vazamento em um tanque subterrâneo da fábrica americana de agrotóxicos Union Carbide, na Índia, lançou ao ar 40 toneladas do gás isocianato de metila e causou o mais grave desastre industrial da história.

Em questão de poucas horas, uma nuvem letal se dispersou sobre a densamente povoada cidade de Bhopal, com 900 mil habitantes, matando mais de 8 mil pessoas e intoxicando 150 mil. As doenças crônicas geradas pelo contato com a substância deixaram um assombroso legado para gerações futuras. Por conta do episódio, o 3 de dezembro ficou conhecido como o Dia Internacional de Luta Contra os Agrotóxicos.

A filósofa e física indiana, Vandana Shiva considera a data um monumento “àqueles que perdemos em Bophal em 1984, e uma prestação de solidariedade com aqueles que ainda sofrem as consequências, incluindo crianças que nasceram com malformações décadas depois, e as mulheres que nunca desistiram”.

A veterana ativista, que recebeu o Prêmio Right Liverhood (conhecido como o Nobel Alternativo) em 1993, é uma firme opositora das monoculturas e das sementes tratadas geneticamente. Vandana lembra que a raiz dos agrotóxicos, amplamente utilizados nesse tipo de agricultura, está nos gases dos campos de concentração da Alemanhanazista.

Bophal mostrou que agrotóxicos matam. O relatório da ONU sobre alimentos diz que 200 mil pessoas morrem anualmente intoxicadas. Pesticidas e agrotóxicos estão levando espécies à extinção”, lamenta.

Para a ecofeminista, 3 de dezembro mostra que apesar do grande poder do “Cartel do Veneno”, referindo-se às multinacionais que comandam o mercado de agrotóxicos, “a verdade sempre aparece”.

Bayer comprou a Monsanto e, pouco tempo depois, soubemos do caso de câncer de Johnson, que processou a empresa e a fez perder 35% de seu valor de mercado.” A ambientalista se refere ao caso de Dewayne Johnson, paciente terminal de câncer que venceu uma batalha judicial contra a Monsanto, condenando-a a pagar US$ 289 milhões em danos para sua família, em agosto deste ano. Segundo o zelador e jardineiro de uma escola na Califórnia nos EUA, o herbicida Roundup da empresa, que usa o princípio ativo glifosato, causou sua doença.

Alternativa


Em Sikkim, uma pequena região da Índia localizada no Himalaia, a realidade de Bophal é distante. O estado ganhou em 2018 o prêmio de Políticas para o Futuro da FAO, a Organização das Nações Unidas para a alimentação, por se tornar o primeiro estado totalmente orgânico do mundo.

Em 2015, Sikkim alcançou o marco revolucionário depois de conseguir converter seus mais de 60 mil agricultores a adotarem práticas agroecológicas, além de implementar a eliminação progressiva de fertilizantes e pesticidas químicos e a proibição total da venda e uso de agrotóxicos.

Shiva, que é natural da região do Himalaia, acredita que o feito de Sikkim e a produção de alimentos de maneira sustentável estão diretamente relacionados à vontade política. “O primeiro ministro do estado, Pawam Chamling, que trabalhou para fazer Sikkim 100% orgânica, é comprometido em proteger a natureza, a cultura de montanha do estado do Himalaia, os meios de subsistência dos agricultores e a soberania alimentar”, considera.

“Estamos trabalhando próximos a ele para fazer o Himalaia totalmente orgânico. Trabalhando também com movimentos ao redor do mundo para que a gente produza uma agricultura e alimentos livres de agrotóxicos em todo o planeta”, continua.

Em sua opinião, qualquer lei que passa a reduzir o uso de agrotóxicos, como é o caso da Política Nacional de Redução de Agrotóxicos (PNaRA) do Brasil – projeto de lei que aguarda votação em Comissão Especial da Câmara de Deputados – “é uma lei para proteger a vida e a terra, direitos dos agricultores, e a saúde humana.”

Vandana estará no Brasil em dezembro para I Seminário Internacional e III Seminário Nacional: Agrotóxicos, Impactos Socioambientais e Direitos Humanos, e convida todos aqueles “preocupados com os direitos da Terra e os direitos humanos” a participarem do encontro que será realizado na cidade de Goiás (GO), entre os dias 10 e 13.


Fonte: ENVOLVERDE

Fundo Amazônia aprova projeto do IPÊ para gestão integrada de Terras Indígenas e de Unidades de Conservação no bioma.


O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou apoio financeiro de R$ 45 milhões do Fundo Amazônia para a realização do projeto LIRA – Legado Integrado da Região Amazônica, uma iniciativa idealizada pelo IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas e parceiros institucionais, que são a Fundação Nacional do Índio (FUNAI), o Instituto Chico Mendes e Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Secretaria Estadual do Meio Ambiente do Amazonas (SEMA) e o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará – Ideflor-Bio. Com a aprovação, o IPÊ planeja lançar no início de fevereiro a chamada pública de projetos, que possam promover o fortalecimento e a consolidação da gestão de 83 áreas protegidas da Amazônia Legal, ou que desenvolvam alternativas sustentáveis de produção para as populações desses territórios.

Os recursos do BNDES serão destinados à gestão da iniciativa e à chamada pública, seu eixo central, que selecionará até 12 projetos em uma área com cerca de 80 milhões de hectares e que compreende 41 Terras Indígenas, 20 Unidades de Conservação Federais e 22 Unidades de Conservação Estaduais.

Essa área agrupa seis blocos regionais (Xingu, Calha Norte, Alto Rio Negro, Baixo Rio Negro, Madeira e Rondônia/Purus), sendo possível a seleção de até dois projetos por bloco, que receberá entre R$ 1,5 milhão e R$ 6 milhões para implementar ações que ajudem a consolidar suas áreas protegidas.

Para execução de suas ações, o LIRA também contará com apoio de R$16,35 milhões da Fundação Gordon e Betty Moore.

Os projetos que serão apoiados pelo LIRA deverão contemplar as seguintes linhas de ação: (i) planos de gestão territorial e ambiental (PGTA) ou de manejo; (ii) mecanismos de governança; (iii) uso sustentado dos recursos naturais; (iv) sistemas de monitoramento e proteção; (v) integração com desenvolvimento regional; e (vi) sustentabilidade financeira.

A chamada pública prevê que as instituições proponentes (associações civis, fundações de direito privado, cooperativas, entre outras) coordenem projetos com outras entidades que de forma integrada contribuam para o objetivo da iniciativa.

Ações complementares – O projeto LIRA também prevê apoio de até R$ 6 milhões (até R$ 150 mil para cada ação) para ações complementares aos projetos selecionados na chamada pública que promovam a participação social na gestão do território. Com isso, espera-se ampliar a geração de emprego, melhorar a qualidade de vida da população local e promover o desenvolvimento territorial aliado à conservação do meio ambiente.

A iniciativa contará ainda com ações de capacitação (cursos, visitas técnicas e intercâmbios), de integração e difusão de conhecimento e a elaboração de um “Plano de Promoção Socioambiental” (PPS) para cada um dos seis blocos. Esses planos irão identificar as principais oportunidades e gargalos para inserção econômica das populações locais na economia regional. Por fim, serão apoiadas adaptações de soluções tecnológicas existentes para uso em ações de monitoramento de biodiversidade e de proteção territorial.

Sobre o IPÊ – Instituto de Pesquisas Ecológicas – Organização brasileira sem fins lucrativos que trabalha pela conservação da biodiversidade do país, por meio de ciência, educação e negócios sustentáveis. Fundado em 1992, tem sede em Nazaré Paulista (São Paulo), onde também fica o seu centro de educação, a ESCAS – Escola Superior de Conservação Ambiental e Sustentabilidade.

Presente nos biomas Mata Atlântica, Amazônia, Pantanal e Cerrado, o Instituto realiza cerca de 30 projetos ao ano, aplicando o Modelo IPÊ de Conservação, que envolve pesquisa científica de espécies, educação ambiental, conservação de habitats, envolvimento comunitário, conservação da paisagem e apoio à construção de políticas públicas. Além de projetos locais, o Instituto também desenvolve trabalhos em diversas regiões, seguindo os temas Áreas Protegidas, Áreas Urbanas e Pesquisa & Desenvolvimento (Capital Natural e Biodiversidade).

Para o desenvolvimento dos projetos socioambientais, o IPÊ conta com parceiros de todos os setores e trabalha como articulador em frentes que promovem o engajamento e o fortalecimento mútuo entre organizações socioambientais, iniciativas privadas e instituições governamentais.


Fundo Amazônia – Gerido pelo BNDES, em coordenação com o Ministério do Meio Ambiente, o Fundo Amazônia é considerado o principal mecanismo internacional de pagamentos por resultados de REDD+ (redução de emissões de gases de efeito estufa provenientes do desmatamento e da degradação florestal).

Em junho deste ano, o Fundo completou 10 anos. Em outubro, atingiu a marca de R$ 1 bilhão em desembolsos, em mais de uma centena de projetos com órgãos públicos estaduais e federais, universidades, corpos de bombeiros florestais militares, e instituições da sociedade civil, contribuindo para a melhoria de vida da população da Amazônia e para conservação ambiental.

Fundação Gordon e Betty Moore – Criada em setembro de 2000, a Fundação é um dos maiores doadores privados que investe na conservação da Amazônia.

A Fundação atua em quatro programas: Ciências, Cuidados ao Paciente, Baia de São Francisco e Conservação Ambiental. Os recursos da Moore são aplicados em cinco países amazônicos: Brasil, Bolívia, Colômbia, Peru e Equador.

Na Amazônia, a missão da Fundação é a conservação da biodiversidade e manutenção da função climática da Bacia.


Fonte: ENVOLVERDE

Desmatamento no Cerrado emitiu 7 bi de gases do efeito estufa em 15 anos.


Katowice, 7 de dezembro de 2018 - O desmatamento e as queimadas no Cerrado geraram, entre 1990 e 2017, a emissão de 7 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes, que causam o efeito estufa – foram 159 milhões de toneladas só no ano passado, o que equivale a 17% do total de emissões por mudança do uso do solo no Brasil.

Os dados são baseados no SEEG (Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa), do Observatório do Clima, e foram lançados pelo IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) na 24ª Conferência do Clima (COP 24), da ONU, que acontece na Polônia.

O Cerrado é o segundo maior bioma da América do Sul, com 2 milhões de quilômetros quadrados, e dá origem a dois terços das bacias hidrográficas brasileiras. Mais da metade de sua vegetação nativa foi desmatada, e a maior parte do bioma (45%) abriga pastagens e atividades agrícolas – 12% da soja produzida no mundo sai do Cerrado.

“A agropecuária no Cerrado tem bastante espaço para crescer com sustentabilidade, de forma a aproveitar as áreas já abertas com eficiência, conservação de recursos hídricos e manutenção da vegetação nativa, inclusive a que poderia ser desmatada legalmente”, afirma a pesquisadora do IPAM Gabriela Russo, que coordenou o trabalho divulgado na COP 24. “Um caminho é implementar mecanismos de mercado, que remunerem os produtores rurais que tenham mais vegetação nativa do que rege a lei.”

Pelas regras do Código Florestal, existem 325 mil km2 de vegetação nativa que podem ser legalmente desmatados no Cerrado, o que geraria 3,2 bilhões de toneladas de CO2 equivalentes na atmosfera. Há ainda 25,6 mil km2 de áreas públicas não destinadas no bio­ma, que não estão sujeitas a nenhuma categoria fundiária definida e podem, facilmente, ser alvo de desmatamento irregular e grilagem de terras. Se desmatadas, gerariam mais 200 milhões de toneladas.

“O Cerrado e sua população precisam de apoio. Conservar o que resta do bioma é bom para o clima, para a água que serve boa parte do Brasil, para a agricultura e para as pessoas que ali vivem”, diz a diretora de Ciência do IPAM, Ane Alencar.


Fonte: ENVOLVERDE

Colmeias inteligentes ajudam a frear o desaparecimento de abelhas no mundo.


Rede internacional de colmeias conectadas são monitoradas e analisadas com tecnologia Oracle Cloud.

A Oracle e o The World Bee Project acabam de anunciar uma iniciativa inédita para facilitar a compreensão do desaparecimento de abelhas e a proteção da espécie.  O novo programa usa tecnologia em nuvem para compreender os hábitos das abelhas: espécie polinizadora mais importante do mundo para ecossistemas agrícolas. Chamado de “The World Bee Project Hive Network”, o projeto coleta dados a partir de uma rede de colmeias conectadas. Em seguida, os dados serão enviados para o sistema da Oracle Cloud e avaliados com ferramentas de analytics como inteligência artificial (IA) e visualização de dados para dar aos pesquisadores novas informações sobre a relação entre as abelhas e o meio ambiente.

Por meio do projeto, os pesquisadores poderão “escutar” as abelhas – analisar dados acústicos complexos captados dentro das colmeias inteligentes, incluindo os movimentos de suas asas e patas. 

Com o auxílio de outras medições de alta precisão – incluindo temperatura, umidade e produção de mel – os pesquisadores poderão monitorar os enxames de perto, detectar padrões e prever comportamentos. Assim, conservacionistas e apicultores poderão proteger as colônias e evitar, por exemplo, a enxameação na época errada ou protegê-las contra predadores como assustadora a vespa asiática. Os dados irão informar os apicultores sobre as diferentes condições das colônias ao longo do ano para ajudar no manejo das colmeias.

“Nossas vidas estão fortemente ligadas às abelhas”, explica Sabiha Rumani Malik, fundadora e presidente executiva do The World Bee Project CIC. “A proteção das abelhas e de outros polinizadores pode ajudar na solução de problemas relacionados à pobreza e ao abastecimento global de alimentos, bem como na redução da perda de biodiversidade e dos danos aos ecossistemas. A parceria com a Oracle Cloud representa um casamento inédito entre natureza e tecnologia. O projeto irá conscientizar cada vez mais pessoas sobre a importância da preservação dos polinizadores, além de permitir pesquisas avançadas e ações em uma escala que até então parecia impossível. Quanto mais aprendermos sobre as relações entre polinização, alimentos e bem-estar humano, maior será o nosso empenho na proteção das abelhas e de outros polinizadores. Assim, ajudaremos na proteção do planeta e de nós mesmos.”

Os dados e informações obtidos com o uso da Oracle Cloud serão disponibilizados para projetos de pesquisa e conservação voltados à proteção das abelhas no mundo todo. A iniciativa The World Bee Project Hive Network compartilha recursos e promove parcerias com o objetivo de aumentar seu impacto e criar ações mais abrangentes para a preservação das abelhas.

Para John Abel, diretor de projetos da Oracle Cloud, “a tecnologia está mudando as regras das iniciativas de preservação” “Com o uso de tecnologia de nuvem, o World Bee Project terá pela primeira vez acesso a informações verdadeiramente globais e atualizadas sobre a saúde das abelhas.  Assim, os pesquisadores terão as informações necessárias para trabalhar junto a governos e apicultores para frear o declínio do número de abelhas no mundo todo.”

O The World Bee Project CIC é parceiro da Faculdade de Agricultura, Políticas e Desenvolvimento da Universidade de Reading, na Inglaterra, uma das mais importantes faculdades de agricultura do mundo. No futuro, os parceiros esperam poder usar TI de ponta e outros conhecimentos para apoiar a intensificação ecológica.


Fonte: ENVOLVERDE

Câmara aumenta pena de maus-tratos contra animais e zoofilia.


por Heloisa Cristaldo – Repórter da Agência Brasil Brasília – 

A Câmara dos Deputados aprovou nesta tarde (11) o projeto de lei que aumenta pena em casos de maus-tratos contra animais. O texto estabelece que a pena será acrescida de um sexto a um terço, se ocorre morte do animal ou quando forem constatados atos de zoofilia (ato sexual entre seres humanos com animais). A matéria segue para análise do Senado.

A matéria foi aprovada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em abril, mas só foi levada ao plenário da Casa nesta semana depois de comoção nacional com o espancamento e morte de um cachorro pelo segurança de uma rede de supermercados. O caso aconteceu no início deste mês, na cidade de Osasco (SP).

Para o relator da matéria, deputado Fábio Trad (PSD-MS), o aumento de pena é justo e mantém o equilíbrio das penas existentes na legislação. “O texto avança em termos penais na disciplina protetiva dos animais”, disser.

Senado

Um grupo de ativistas em defesa dos animais esteve hoje no Senado para pedir apoio ao presidente da Casa, senador Eunício Oliveira (MDB-CE), para aprovar outro projeto que também endurece as penas por maus tratos a animais. De acordo com a PLS 470/2018, a pena para esse tipo de crime será de três anos e se for cometida em estabelecimentos comerciais poderá chegar a mil salários mínimos. A medida foi incluída na pauta e pode ser votada ainda nesta terça-feira.

Ao justificar o projeto, o autor da medida senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse que a sociedade brasileira recebeu com “indignação e estarrecimento a execução cruel a que foi submetido o cachorro em Osasco”. “A violenta morte do animal causou revolta e manifestações de repúdio e a rede de supermercados viu-se obrigada a publicar nota informando que repudia veementemente qualquer tipo de maus-tratos”.

Atualmente, abandono e maus-tratos a animais são considerados pela lei como crimes de menor potencial ofensivo, com pena de três meses a um ano. Penalidade que pode ser revertida em trabalhos sociais, por exemplo.

Pelo texto de Randolfe, os estabelecimentos comerciais que concorrerem para a prática de maus tratos, direta ou indiretamente – por omissão ou negligência – serão multados de um a mil salários mínimos. Esses valores serão aplicados em entidades de recuperação, reabilitação e assistência de animais.

“É relevante também que se punam, pelo bolso, os estabelecimentos que concorrem para a prática medievalesca de maus-tratos a animais, atacando aquilo que é mais caro a essas empresas: o seu patrimônio”, argumentou o senador.


Fonte: ENVOLVERDE

COP 24: Estamos trocando a realidade pela ficção.


Por Reinaldo Canto, especial para Envolverde

Quanto mais são as razões para agirmos com urgência no combate às mudanças climáticas mais absurdos contribuem para impedir seu avanço.

Desde a Conferência Climática de Copenhague, a COP 15 em 2009, muito se discutiu e passo a passo foi se chegando ao consenso do perigo representado pelas mudanças climáticas até se chegar ao Acordo de Paris estabelecido em 2015. O documento contou com a chancela de 195 países e tudo fazia crer que entraríamos num processo sério e efetivo no combate ao aquecimento global.

Eis que nacionalismos limítrofes comandados pelo governo norte-americano de Trump passou a questionar o acordo e até mesmo a existência irrefutável do aquecimento do planeta.

Agora se junta a ele o governo brasileiro do presidente eleito Jair Bolsonaro em que muitos classificam as mudanças climáticas como sendo um complô do marxismo globalista.

Assim como o presidente americano disse não acreditar no relatório preparado pelo seu próprio governo quanto aos perigos das mudanças climáticas para a economia e a segurança dos Estados Unidos, nossas novas lideranças tem feito a incrível troca da ciência e dos fatos pelas opiniões e crenças. Portanto, nada mais natural do que o novo governo ter contribuído para cancelar a realização da COP 25 no Brasil em 2019. Sem dúvida, uma maneira de manter a coerência de um pensamento incoerente, ignorante e perigoso para a humanidade, mas que faz todo o sentido pelo andar da carruagem.

Não é à toa que desde a semana passada em Katowice, na Polônia palco da COP 24 estar registrando alguns dissabores para os que trabalham pelo sério e responsável enfrentamento das mudanças climáticas.

O Renascimento do Carvão

Eis que Estados Unidos e a Arábia Saudita usaram Conferência Climática na Polônia para elogiar e reforçar o uso do carvão como, vejam bem, “fonte limpa de energia”, um verdadeiro escárnio às informações que cada vez mais colocam os combustíveis fósseis como os grandes vilões do aquecimento global.

O relatório divulgado em outubro pelo IPCC – sigla em inglês para Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas – concluiu que será necessário reduzir em 50% as emissões de gases de efeito estufa até 2030 tendo como base as emissões de 2010 com o objetivo de conter o aumento da temperatura média do planeta. Mesmo assim durante a COP na Polônia, Estados Unidos, Arábia Saudita, Rússia e Kuwait tem feito oposição à aprovação do relatório que precisa da assinatura de todos os países participantes da cúpula.

Apesar das severas críticas que tem sido feitas a esses grandes emissores, não parece muito provável que eles mudem de posição.

Mesmo diante de tragédias causadas pelos fenômenos climáticos extremos, uma das terríveis consequências do aquecimento global e da opinião de cientistas e especialistas da própria Casa Branca, Trump não parece capaz de alterar sua crença. Seria muito engraçado se não fosse trágico, uma ironia feita pelo ex-prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, ao dizer que “O governo Trump continua promovendo o carvão em uma cúpula sobre o clima da ONU. O que vai fazer depois? Ignorar a ciência sobre o tabaco e promovê-lo em uma conferência mundial sobre o câncer?”, bem diante dos absurdos que temos visto é melhor não duvidar.

Assim como nos Estados Unidos, o Brasil, país com a maior biodiversidade e floresta tropical do mundo, as opiniões e crenças passam agora a prevalecer sobre a ciência e os fatos. Afinal, parece mais confortável para os líderes desses países “achar” alguma coisa do que discutir com seriedade temas mais complexos.

Desse modo as teorias conspiratórias imaginadas por esses líderes colocam em risco o futuro do planeta e de todos nós que aqui vivemos. Se mesmo com todos de acordo o caminho não se mostrava muito fácil, o obscurantismo torna tudo mais difícil e incerto. Que o céu nos ajude!!


Fonte: ENVOLVERDE

quarta-feira, 12 de dezembro de 2018


Com o aumento da extrema pobreza, Brasil retrocede dez anos em dois.

O ajuste fiscal que vem sendo realizado contrai o crescimento, restringe a receita, gera desemprego e acelerada ampliação da pobreza.

No Sudeste e Sul, o quadro de extrema pobreza também é desalentador, com ampliação de 140% e 189%. Foto: Rovena Rosa/ABr.
No final de novembro do ano passado, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados do “Módulo Rendimento” de todas as fontes da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) referente ao ano de 2016. A repercussão dos dados junto à opinião pública foi pontual, sem corresponder à gravidade do que eles revelaram: a persistência e o agravamento da desigualdade no Brasil. Em outras palavras, os números diagnosticaram a multiplicação da pobreza que vemos com tanta facilidade, tanto nas ruas dos grandes centros urbanos do país quanto nas pequenas comunidades rurais do seu interior.

Vejamos: se for considerada a massa do rendimento mensal real domiciliar per capita1, de R$ 255,1 bilhões, em 2016, verifica-se que os 10% da população com maiores rendimentos concentraram 43,4% desse total, ao passo que os 10% com menores rendimentos ficaram somente com 0,8%. Em um país onde o rendimento médio mensal do trabalho, em 2016, foi de R$ 2.149,00, esse grau de desigualdade fica mais nítido se for observado que o 1% de maior rendimento do trabalho recebeu em média, mensalmente, R$ 27.085,00, o que corresponde a 36,3 vezes daquilo que recebeu a metade de menor renda e, pior ainda, 371 vezes daquilo que receberam os 5% de menor rendimento.

Também na divisão regional, os resultados atestam o desequilíbrio na repartição do total dos rendimentos, que somaram R$ 255 bilhões, mesmo considerando os diferentes pesos populacionais das regiões. Considerando-se todas as fontes de renda (trabalho e outras), o valor médio no Brasil é de R$ 2.053. Regionalmente, revela-se o desequilíbrio, com o Sudeste apresentando uma média de R$ 2.461; R$ 2.249 no Sul; R$ 2.292 no Centro-Oeste; R$ 1.468 no Norte e R$ 1.352 no Nordeste.

Da renda domiciliar per capita, 25,2% são provenientes de fontes não relacionadas com o trabalho, sendo 18,7% delas relativas a aposentadoria e pensão; 2,2% a aluguel e arrendamento; 1,1% de doação e mesada de não morador e 3,2% de outras fontes. A pesquisa mostrou que 24% da população receberam rendimento de outra fonte. O Nordeste foi a região com menor diferença entre os dois índices, com 35,7% das pessoas recebendo rendimento de algum tipo de trabalho e 27,6% de outras fontes, o que denota menor percentual de pessoas trabalhando e, possivelmente, maior percentual daqueles que buscam o sustento por outras fontes, especialmente nos programas de transferência de renda.

A PNAD Contínua foi lançada pela primeira vez em 2012. Diferente da antiga PNAD, ela permite acompanhar as variações de curto prazo do emprego da força de trabalho, da renda e de outras variáveis essenciais para a compreensão do desenvolvimento socioeconômico do país. Além do “Módulo Rendimento”, o IBGE também divulga, anualmente, os módulos referentes a habitação, migração, fecundidade, características dos moradores, trabalho infantil, outras formas de trabalho, educação e acesso a internet, TV e celular.

Os dados fornecidos pelo módulo divulgado em novembro contribuem também para atualizar a verificação da situação das pessoas em condição de pobreza e extrema pobreza. A metodologia adotada classifica como extrema pobreza a situação daqueles que viviam com R$ 70,00 em junho de 2011, equivalente a US$ 1,25 (com paridade de poder de compra com os Estados Unidos) – mesmo parâmetro adotado pelo “Plano Brasil Sem Miséria”. Esse também era o parâmetro adotado pelo Banco Mundial para a linha internacional de extrema pobreza e correspondia a valores próximos da linha de indigência para o Nordeste Rural, apresentados por Sônia Rocha (1998) na publicação Desigualdade Regional e Pobreza no Brasil: a Evolução – 1981/95. Ainda que seja necessário algum esforço metodológico para compatibilizar metodologias diferentes aplicadas na antiga PNAD e na PNAD Contínua, os resultados recentes sobre a pobreza e extrema pobreza apontam na direção esperada (gráfico 1).

Reconhecemos que a pobreza e a extrema pobreza não são determinadas apenas pela renda que cada indivíduo dispõe para fazer frente ao atendimento de suas necessidades básicas, mas acreditamos que essas séries possibilitam uma identificação bastante real desse público.

Observa-se que, em 22 anos, o Brasil viveu dois períodos em que a pobreza e a extrema pobreza passaram por reduções mais significativas. O primeiro, em 1995, o que pode ser atribuído ao efeito da estabilização da moeda, mas cuja inflexão se restringiu a um único ano, já sendo registrada nos anos seguintes novamente uma tendência ascendente do número de pessoas naquela condição. Situação bem diferente é a que se identifica entre 2003 e 2014, nos dois mandatos do ex-presidente Lula e no primeiro mandato da presidenta Dilma. Nesse período, os números revelam que ocorreu uma contínua redução das duas variáveis, mesmo após a crise econômica internacional de 2008. Diferente também pela continuidade da queda, alcançando os bolsões mais distantes do Brasil profundo. A virtuosa combinação de uma política de desenvolvimento com inclusão por meio de programas e ações especificamente voltados para grupos sociais mais vulneráveis explica essa trajetória histórica de redução da pobreza e da extrema pobreza.

Em 2015 parece haver a sinalização de que esse ciclo se interrompe e, em 2016, com os dados recém-divulgados pela PNAD Contínua, assiste-se a um agudo empobrecimento de parte da população, retrocedendo a patamares que tinham sido superados. É muito preocupante que, no que diz respeito à extrema pobreza, o Brasil voltou, em apenas dois anos, ao número de pessoas registradas dez anos antes, em 2006. Entre 2014 e 2016 o aumento desse contingente foi de 93%, passando de 5,1 milhões para 10 milhões de pessoas. Em relação aos pobres, o patamar de 2016 – 21 milhões – é o equivalente ao de oito anos antes, em 2008, e cerca de 53% acima do menor nível alcançado no país, de 14 milhões, em 2014. Entre tantas consequências, o espectro da fome, que havia sido superado nesse período, como constatou a FAO, pode estar voltando com maior rapidez do que se possa imaginar.
A avaliação desses resultados deve levar em conta o contexto bastante particular pelo qual passa o Brasil desde 2015 e mais marcadamente em 2016, quando vive aguda crise econômica e política, culminando com a queda da presidenta eleita e a reversão das prioridades que tinham sido confirmadas pelas urnas. Em nome do restabelecimento do equilíbrio fiscal, a partir de maio de 2016, radicalizam-se as medidas recessivas tomadas pelo novo governo. Um dos custos mais altos para o país, derivado dessa lógica de enfrentamento da crise, foi o acelerado aumento do desemprego. E quem pagou a conta mais cara foi a camada de menor renda das regiões com mercado de trabalho mais estruturado.

De fato, a reversão dos patamares de pobreza se verifica com maior intensidade nas regiões mais desenvolvidas, como consequência do aumento do desemprego, da perda de ocupações com carteira e da estagnação do rendimento do trabalho. O quantitativo de pessoas em extrema pobreza aumentou, entre 2014 e 2016, 204% na região Centro-Oeste, mais do que o dobro da média do país. No Sudeste e Sul, o quadro é igualmente desalentador, com ampliação de 140% e 189%, respectivamente. A evolução da extrema pobreza no Rio de Janeiro foi das mais intensas: de 209 mil pessoas em 2014 passou para 481 mil pessoas em extrema pobreza em 2016, ou seja, 2,3 vezes maior.

O cenário só não foi pior porque o aumento da extrema pobreza nas duas áreas de forte concentração de pobres – Nordeste e Norte – não seguiu o mesmo ritmo, o que mostra a importância da ampliação do escopo e escala dos programas sociais desde 2003. Não fosse a criação do Programa Bolsa Família e a ampliação da cobertura do Benefício de Prestação Continuada e da Aposentadoria Rural, o quadro seria certamente diferente. Na realidade, o efeito protetor dessas políticas pode rapidamente se exaurir pela falta de correção do valor real dos benefícios assistenciais, pelo descredenciamento de beneficiários e pelas mudanças nos critérios de acesso a esses programas, como indicado na presente proposta de Reforma da Previdência.
Tudo leva a crer que a piora nos indicadores relacionados à pobreza e à extrema pobreza não se alterou em 2017, haja vista o agravamento do desemprego que ocorreu nesse ano, o que poderá ser confirmado pelo próximo módulo de rendimento médio, previsto para ser tornado público em abril. A divulgação dos resultados da PNAD Contínua trimestral, no final do último mês de fevereiro, que trouxe informações acerca do emprego até o final de 2017, contribui para o entendimento desse contexto, ao mesmo tempo em que indica uma incipiente e precária recuperação do emprego, reafirmam-se elementos de desigualdade. Tendo fechado o ano com 12,3 milhões de desempregados, persistem as desigualdades entre homens e mulheres e entre brancos, pardos e negros. Para uma taxa de desemprego de 11,8%, ela se reduz para 10,5% para os homens, enquanto atinge 13,4% para as mulheres. Ao lado disso, o desemprego de brancos fica em 9,5%, chegando a 13,6% para pardos e 14,5% para negros. E pardos e negros representam 63,8% do total de desempregados.

As políticas de enfrentamento da crise, dentro do modelo que foi adotado, trouxeram um pesado fardo para o país, revertendo o período auspicioso de desenvolvimento com forte inclusão social. O ajuste fiscal que vem sendo realizado contrai o crescimento, restringe a receita, gera desemprego e acelerada ampliação da pobreza, como foi demonstrado. Reverte, também, o movimento que vinha sendo realizado de diminuição da desigualdade, o que tende a se acelerar com as restrições orçamentárias, através de cortes e contingenciamentos sobre programas e ações que poderiam atenuar as perdas sofridas pelos mais pobres.

Francisco Menezes é pesquisador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e consultor da ActionAid.

Paulo Jannuzzi é professor da Escola Nacional de Ciências Estatísticas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).



Juntos pelo direito ao meio ambiente equilibrado e à vida!

Autor Assessoria de Comunicação – 31/10/2018
Artigo 225 – Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida, impondo-se ao poder público e à coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações.
Há 27 anos o Instituto Centro de Vida busca incessantemente contribuir para garantir o respeito e para colocar em prática o que diz o Artigo 225 da Constituição Cidadã de 1988. Isso porque acreditamos e reconhecemos a importância do ambiente ecologicamente equilibrado para a permanência da vida na Terra nas formas como a conhecemos. Vida, em nosso nome, simboliza este compromisso desde nossa origem, no começo da década de 1990.

Acreditamos e trabalhamos para que todos tenham direito à terra e ao uso sustentável de seus recursos naturais, bens de uso comum de todo o povo: indígenas, quilombolas, populações ribeirinhas, agricultores e agricultoras familiares, populações urbanas, empresários rurais.

Orientados por estes princípios, vivenciamos momentos de grandes realizações nestas quase três décadas, alcançando vitórias na luta pela promoção da sustentabilidade e da qualidade de vida em Mato Grosso.

Participamos da criação do Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad), espaço de articulação e fortalecimento da sociedade civil. Engajamos comunidades do entorno de áreas protegidas em ações de educação ambiental. Fizemos campanhas de alerta sobre os riscos do fogo e dos incêndios florestais.

Trabalhamos pela preservação das nascentes da Bacia do Xingu, pela recuperação nascentes e áreas degradadas, pela a criação de planos de manejo de áreas protegidas. Desenvolvemos inúmeras iniciativas de difusão de práticas sustentáveis tanto para a agricultura familiar quanto para médios e grandes pecuaristas, mostrando que é possível produzir de forma rentável sem desmatamento.

Estabelecemos uma rotina de exercício da cidadania através do controle social do desmatamento e da gestão ambiental e florestal em Mato Grosso. Colaboramos com a construção participativa de políticas públicas e salvaguardas para a aplicação destas políticas. Participamos ativamente da construção de caminhos para adaptação e mitigação dos impactos das mudanças no clima.

Certamente vivenciamos momentos de frustrações em lutas perdidas ao longo desta jornada. Mas estes momentos serviram para valorizar e redobrar nosso esforço. Ao longo desses anos, tivemos a felicidade de compartilhar a caminhada com muitos parceiros que lutam conosco na busca para tornar Mato Grosso uma referência em governança socioambiental e de produção sustentável.

As tensões políticas dos últimos dois anos e as declarações controversas ao longo da campanha do presidente eleito Jair Bolsonaro nos deixam dúvidas e incertezas sobre quais serão as políticas e programas relacionados à agenda socioambiental nos próximos anos em nível federal. Isto reforça a necessidade de intensificar nosso trabalho e de seguirmos lutando ativamente para construir soluções compartilhadas de sustentabilidade para todos.

Fazemos isto motivados pelo Artigo 225 da Constituição Federal. É dever do Poder Público garantir o meio ambiente equilibrado para todos. Assim como é dever da sociedade defendê-lo e preservá-lo para as presentes e futuras gerações. É o que vimos fazendo desde 1991. E continuaremos fazendo sempre.

Fonte: ICV

Instituições desenham ferramenta para ajudar compradores de commodities.


Autor Assessoria de Comunicação – 27/11/2018

Com objetivo fazer com que de maneira progressiva, os municípios de Mato Grosso e do Pará se tornem territórios com uma produção de maior sustentabilidade, a ferramenta vem no sentido de alinhar e aproximar as ações e compromissos dessas empresas à iniciativas e compromissos assumidos pelo Poder Público de Mato Grosso e do Pará.

Para isso, a ferramenta visa ajudar as empresas a direcionar incentivos específicos para municípios melhorarem seu desempenho ambiental e a colocarem em prática seus compromissos de limpar o desmatamento de suas cadeias de suprimentos.

A ferramenta foi desenhada pelo Instituto Centro de Vida (ICV), Environment Defense Fund (EDF), Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), Instituto Socioambiental (ISA) e Imazon. O trabalho do grupo tem apoio da Agência de Cooperação para o Desenvolvimento da Noruega (Norad – Norwegian Agency for Development Cooperation).



Fonte: ICV

Intercâmbio com empreendimentos comunitários e quebradeiras de coco Babaçu.

Autor Assessoria de Comunicação - 29/11/2018

Representantes de quatro grupos comunitários de Cotriguaçu e Colniza que trabalham com Babaçu, participaram entre os dias 22 e 26 de novembro do Intercâmbio com empreendimentos comunitários no Maranhão.

O objetivo do intercâmbio foi conhecer experiências comunitárias e aprender sobre a gestão dos empreendimentos, o funcionamento das agroindústrias e acabamento final dos produtos, principalmente na fabricação do óleo e azeite do Babaçu. Foram visitadas 4 fábricas, em duas comunidades do município de Alto Alegre do Pindaré – Sabores de Arapapá e Babaçu Boa Vista, e duas comunidades em Vitória do Mearim – Sabor de Todo Dia e Terra das Palmeiras. Além disso, foram visitados os pontos de venda na capital São Luís, com o intuito de compreender clientes, exigências, rótulos e preços. A visita contou com o apoio da empresa Terrapilheira, que presta assessoria aos empreendimentos visitados.

“Nosso interesse nesse intercambio é apoiar o grupo de mulheres que faz parte da associação, para que desenvolva esse grupo na produção e trabalho com derivados do Babaçu, para que não se perca a identidade do nosso lugar e não deixe destruir a nossa natureza” disse Adilson da Associação grupo de Reflorestamento Agroindustrial Ouro Verde do Norte de Cotriguaçu.
Há cerca de cinco anos, dois grupos de mulheres do PA Nova Cotriguaçu, Grupo de Mulheres Unidas e Grupo Mulheres da Paz, começaram a trabalhar com derivados do Babaçu, farinha de mesocarpo e óleo, e os grupos têm interesse em ampliar a produção, melhorar a infraestrutura das cozinhas comunitárias e alcançar mercados regulares.

“O grupo das mulheres trabalha com o mesocarpo do Babaçu, escolhemos esse trabalho porque lá tem muito dessas palmeiras do Babaçu, e gostaria que crescesse cada vez mais. No intercambio nós tivemos muito aproveito, conhecemos a quebradeira de coco do Babaçu e as fábricas que já está produzindo muito óleo. Visitamos três associações e uma cooperativa e isso trouxe bom aproveito, pelo grupo das mulheres unidas, agora temos que trabalhar” disse Angela Ferreira de Jesus Oliveira do Grupo de Mulheres Unidas.

O Grupo de Mulheres Liberdade de Colniza está iniciando o trabalho com Babaçu de forma coletiva e também foi buscar inspiração e motivação no intercâmbio, “O grupo começou a pouco tempo, o trabalho que fazemos com Babaçu é manual, é difícil, mas vamos procurar aprimorar nosso serviço. Aprendemos muito nessa visita no Maranhão, muita coisa vai melhorar e assim como elas crescer, adquirir maquinas, espero que algum dia possamos ter nosso produto no mercado, assim como elas” diz Eleisa Silva Souza

O intercâmbio contribuirá de forma significativa no planejamento dos próximos passos do projeto na cadeia do Babaçu junto aos grupos, conforme enfatizou a Camila Rodrigues, coordenadora do Projeto Redes.

“Foi uma experiência extremamente importante para nos dar uma visão sobre todo o processo produtivo, das quebradeiras de coco até o comércio. Com certeza nos forneceu as bases necessárias para darmos os próximos passos de acordo com a realidade de cada grupo que apoiamos. O intercâmbio possibilitou que compreendêssemos desafios, necessidade e tendências de mercado.”

O projeto Redes Socioprodutivas é uma iniciativa do Instituto Centro de Vida apoiado pelo Fundo Amazônia/BNDES. Iniciado em janeiro de 2018 possui previsão de execução de 30 meses e foco em 6 cadeias socioprodutivas – Castanha, Babaçu, Hortifrutigranjeiros, Leite, Cacau e Café. A iniciativa atuará diretamente com associações e cooperativas de agricultores familiares distribuídos nos municípios do Norte (Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde e Nova Bandeirantes) e noroeste (Cotriguaçu e Colniza) em Mato grosso.


Fonte: ICV

Indígenas de MT constroem programa de proteção dos territórios.

Autor Assessoria de Comunicação - 01/12/2018

Os povos indígenas de Mato Grosso entregaram ao Governo do Estado a proposta construída coletivamente para o Subprograma Territórios Indígenas do Programa REM/MT nesta sexta-feira (30.11), em cerimônia no Parque Indígena do Xingu. A proposta visa, que visa a proteção dos seus territórios, foi aprovado na Assembleia Geral dos Povos Indígenas, realizada no Posto Leonardo Villas Boas. Com isso, os indígenas mato-grossenses garantiram acesso a R$ 23 milhões para seus projetos de desenvolvimento sustentável e proteção de seus territórios.

Mais de 600 indígenas, representantes dos 43 povos de do estado, participaram da Assembleia da Federação do Povos e Associações Indígenas de Mato Grosso (Fepoimt), com apoio do Instituto Centro de Vida e da GIZ. O Subprograma foi entregue oficialmente ao Governo de Mato Grosso, Funai, Funbio e GIZ.

Na entrega do Subprograma ao Governo de Mato Grosso, o cacique Aritana Yalawapiti, líder mais respeitado do Alto Xingu e anfitrião do encontro, congratulou os parentes pelo trabalho de construção coletiva da proposta. “Nós plantamos a nossa roça, agora vamos esperar que chova bastante para a colheita ser farta”, disse o Aritana, numa bonita analogia entre o trabalho de construção do programa e os modos tradicionais de produção.

A assessora da Fepoimt Eliane Xunakalo destacou a importância da construção coletiva da proposta, que atendeu os procedimentos de consulta prévia, livre e informada previstas na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). “Esse processo participativo que fizemos foi histórico. Nunca uma consulta a nós foi feita com esse cuidado a nossas identidades e tradições. Agora esperamos que o Governo do Estado respeite nossa autonomia e protagonismo na implementação do programa”, disse a liderança bakairi.

Para o presidente da Fepoimt, Crisanto Xavante, a conclusão da proposta é um momento de grande destaque na trajetória da Federação. “Este documento que representa a nossa irmandade e tudo de bom que os povos indígenas possuem”, afirmou o presidente.
Entrega do Subprograma Territórios Indígenas REM/MT

Desmatamento em alerta

Para o Instituto Centro de Vida, que atuou como facilitador do processo de consulta aos povos indígenas, a conclusão do Subprograma Territórios Indígenas do REM/MT foi um momento de alegria e reflexão. “Toda essa caminhada foi feita com várias lideranças indígenas muito determinadas. Mais que plantar o REM, nós plantamos parcerias”, disse a diretora-adjunta do ICV, Alice Thuault.

A alegria da celebração, no entanto, não é livre de preocupações. Nos últimos dois anos o desmatamento voltou a aumentar em Mato Grosso, o que coloca em risco não apenas o desenvolvimento sustentável do Estado, mas o próprio programa REM/MT.

Isto porque o acordo com Reino Unido e Alemanha prevê quatro desembolsos, dois dos quais já foram garantidos. Mas há uma linha de corte de 1.780 km² de desmatamento anual. No ano em que a perda de florestas no estado superar este limite, o desembolso não é realizado. O risco é grande, como mostram os dados do último Prodes, divulgado no dia último dia 23, às vésperas da Assembleia: de agosto de 2017 a julho de 2018, 1.749 km² de florestas derrubadas em Mato Grosso.

“A sociedade matogrossense precisará estar muito mobilizada nos próximos anos para a conservação do patrimônio natural e para garantir o uso sustentável dos recursos naturais”, aponta Alice.

Sobre o programa REM

O Programa REM (REDD for Early Movers, em português, Redução das Emissões de Desmatamento e Degradação Florestal para Pioneiros) remunera e premia o esforço de povos e comunidades para manter as florestas, por sua contribuição para reduzir a emissão de CO2. É financiado pela República Federal da Alemanha e pelo Reino Unido, por meio do KfW (Banco de Desenvolvimento da Alemanha), e conta com o aporte técnico da GIZ (Cooperação Técnica Alemã).

Em Mato Grosso, o projeto visa ao fortalecimento de políticas estaduais de promoção do uso sustentável de recursos naturais e é coordenado pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente (SEMA/MT) e pela Estratégia Produzir, Conservar e Incluir, do Governo do Estado (PCI), em conjunto com o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio).

O acordo de cooperação internacional foi assinado pelo Governo do Estado de Mato Grosso em dezembro de 2017 na Conferência do Clima em Bonn. Os recursos deverão ser usados para apoiar projetos de desenvolvimento sustentável, combate ao desmatamento, reflorestamento e ações de apoio à agricultura familiar em comunidades tradicionais e indígenas.
Assista aos vídeos sobre a construção do Subprograma:


Fonte: ICV

Observatório do Pantanal apresenta a legisladores soluções de garantia de proteção ao bioma.

Autor Assessoria de Comunicação - 06/12/2018

Representantes do Observatório do Pantanal entregaram, nesta quarta-feira, 5, aos membros da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS) da Câmara dos Deputados e ao presidente da CMADS, Augusto Carvalho (Solidariedade/DF), o texto “Contribuições da Sociedade Civil para a Lei do Pantanal”.

Segundo o Observatório do Pantanal o atual texto do Projeto de Lei 750/2011 precisa ser modificado para se tornar uma legislação que promova a conservação e o desenvolvimento sustentável no bioma, a maior área úmida continental do planeta.

O grupo é formado por uma coalizão com 18 organizações não governamentais, o Instituto Centro de Vida (ICV) entre elas, que atuam no bioma nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Bolívia e Paraguai. O resultado do trabalho impresso distribuído no Congresso Nacional é fruto de uma reunião do seminário Contribuições da Sociedade Civil para a Lei do Pantanal de 26 de setembro, quando os membros do Observatório, e instituições dos governos federais, estaduais e academia se reuniram para discutir o texto que tramita no Congresso Nacional.

O seminário também contou com a participação de pesquisadores, líderes de associações de pescadores e representantes do setor do turismo. As apresentações deixaram claras as graves ameaças ao Pantanal e a necessidade de uma legislação específica para a proteção do bioma, prevista na Constituição de 1988, mas que 30 anos depois ainda não tornou-se realidade.

Teodoro Irigaray, ex-procurador do Mato Grosso e professor na universidade federal daquele estado, demonstrou preocupação com o texto que foi protocolado e poderá ser colocado em votação. “Não podemos ter mais uma lei ruralista. Não apenas o Pantanal, como também todas as áreas úmidas do país ficaram fragilizadas com o Código Florestal”, analisou.

O pescador Aparecido dos Santos, destacou uma série de vulnerabilidades que têm afetado diretamente as comunidades pesqueiras de Mato Grosso do Sul. “Temos visto muito assoreamento, desmatamento sem critério, degradação de rios e matas pela lavoura, uso exagerado de veneno, esgoto sem tratamento despejado nos rios e barulho muito alto de motor de embarcações. O rio Aquidauana baixou de nível e a gente atravessa a pé em vários locais. Por conta disso precisa cuidar das cabeceiras”, observou.
Bruno Taitson (WWF) e Juliana Arini (SOS Pantanal) entregam documento ao deputado Alessandro Molon.

O relatório atual, protocolado este mês pelo senador Pedro Chaves na Comissão de Meio Ambiente, apresentou algumas pioras em relação ao texto anterior, de autoria do mesmo parlamentar, a retirada da proteção na região da Bacia do Alto Paraguai, onde estão os rios que formam o Pantanal seria uma das principais questões.

Segundo Bruno Taitson, Analista de Políticas Públicas do WWF-BRASIL, o relatório é fruto de um amplo trabalho da sociedade civil organizada. “Essa publicação é resultado de muita ciência, da participação de organizações de pesquisa, de meio ambiente, de comunidades locais, de pescadores, de mulheres. Esperamos que esta casa aprove uma Lei do Pantanal que promova a proteção do bioma e seu desenvolvimento sustentável.”.

Juliana Arini, Coordenadora de Comunicação do Instituto SOS Pantanal, enfatiza a importância da constituição da lei e do lançamento do relatório. “A principal contribuição do relatório é preencher uma lacuna de 30 anos sem uma legislação específica para o Pantanal. Que estava prevista na constituição de 1988 e até hoje o Congresso não cumpriu seu papel de legislar e de proteger este bioma.”.

O recente acidente envolvendo os rios da região de Bonito e Jardim, em Mato Grosso do Sul é um exemplo da necessidade da urgência de se garantir a proteção integral da rede hidrográfica do Pantanal. A ausência de gestão ambiental e o avanço desenfreado das lavouras de monocultura na região fizeram trechos inteiros dos rios Olho d’Água e da Prata ficarem tomados pela lama, perdendo a característica de turbidez natural das águas da região. Todos esses cursos de água são contribuintes e formadores do bioma Pantanal.

O deputado Augusto Carvalho (SD/DF), presidente da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (CMADS), na Câmara dos Deputados, recebeu um exemplar da publicação e ressaltou a importância da sociedade civil organizada no processo legislativo. “O parlamento é a casa do contraditório. Da mesma maneira que o agronegócio se mobiliza defendendo suas teses, é importante que a sociedade civil e os movimentos organizados possam se fazer presentes.” E conclui. “É importante que haja essa pressão sobre o parlamento, para que o melhor possa sair desse debate.”.

O deputado Alessandro Molon (PSB/RJ), líder da Frente Parlamentar Ambientalista (RAPS), afirmou que é grande a preocupação para que a proteção do meio ambiente e de nossos biomas continue avançando. “Vamos tentar ainda esse ano aprovar aquilo que for possível, inclusive na Comissão do Meio Ambiente, um projeto de lei de nossa autoria que protege o Pantanal. E se não conseguirmos nesse ano sabemos que a luta vai continuar. Nós sabemos que o novo governo tem uma visão muito refratária às causas ambientais, mas a nossa expectativa é que a mobilização da sociedade civil organizada brasileira e a pressão internacional nos ajude a avançar nessas pautas.”.

Leia o documento na integra: PropostaLeidoPantanal_2018


Fonte: ICV

Mato Grosso tem a maior taxa de desmatamento nos últimos 10 anos.

Autor Assessoria de Comunicação – 10/12/2018

Mato Grosso perdeu quase uma Cuiabá inteira para o desmatamento em 2018, e 85% da floresta que foi para o chão foi desmatada de forma ilegal. Entre agosto de 2017 e julho de 2018, 1.749 km² de floresta foram derrubados – ou 174 mil hectares. O estado é novamente vice-campeão de desmatamento da Amazônia, com 22% do acumulado no período.
Baixe aqui a análise completa, em pdf.
A análise é do Instituto Centro de Vida (ICV), com base em dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). Os dados indicam que as ações feitas pelo Estado para conciliar produção com conservação não estão sendo suficientes para virar o desenvolvimento de Mato Grosso na direção da sustentabilidade.

Apesar de diversos esforços para conter o desmatamento, a taxa cresceu desde que o Governo do Estado se comprometeu a eliminar o desmatamento ilegal, durante a Conferência do Clima, a COP, em 2015 em Paris. As médias anuais passaram de 1.000 km² para 1.600 km². As fronteiras ativas de desmatamento sofreram pouca alteração, com mais da metade do desmatamento concentrado em apenas 10 municípios das regiões Noroeste e Médio Norte. O destaque está para Colniza a Aripuanã, no noroeste, com um quarto do desmatamento total do estado.

Outra tendência que tem se mantido é a prevalência do desmatamento em imóveis rurais privados cadastrados no Sistema Nacional de Cadastro Ambiental (SICAR), que concentram 52% de todo desmatamento de Mato Grosso. Grandes áreas contínuas desmatadas também seguem como ocorrência frequente, com os polígonos maiores de 100 hectares representando 51% de toda área desmatada. No município de Querência está o maior desmatamento contínuo capturado pelas imagens de satélite: um único desmatamento ilegal com mais de 5 mil hectares, já autuado pelo Ibama em agosto deste ano.
Área desmatada ilegalmente no município de Querência detectada pelo Prodes 2018.

Projetos de assentamentos da reforma agrária são responsáveis por 12% da área desmatada, menos da metade do padrão de contribuição dessa categoria em toda a Amazônia nos últimos anos. As Terras Indígenas seguem sob forte pressão de invasões, com 5% do desmatamento detectado no período. Outro destaque que se repete é o desmatamento associado às usinas hidrelétricas: elas foram responsáveis por 4% do desmatamento de 2018, com participação significativa da implantação das UHEs Sinop e Colíder na região médio norte do estado.

O aumento do desmatamento coloca em risco ações como o Programa REDD+ para Pioneiros (REM). Coordenado pelos governos alemão e inglês, investirá até R$ 178 milhões nos próximos cinco anos em ações e iniciativas que visem a conservação das florestas e fomento a práticas sustentáveis. Para o recebimento do recurso, porém, é necessário que a taxa de desmatamento se mantenha em 1.780 km².

Veja também:

Mapa do Desmatamento na Amazônia Mato-Grossense em 2018


Fonte: ICV

sábado, 8 de dezembro de 2018


Estudo mostra que 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam.


Cerca de 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam, um dos maiores percentuais entre os países da região da América Latina e do Caribe, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgada na segunda-feira (3) e que teve apoio operacional do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), vinculado às Nações Unidas.

A pesquisa refuta a ideia de que esses jovens sejam improdutivos, destacando que 31% deles, principalmente homens, estão à procura de trabalho, e mais da metade, 64%, dedicam-se a trabalhos de cuidado doméstico e familiar, o que ocorre principalmente entre as mulheres.
O estudo do IPEA faz parte de uma pesquisa regional intitulada “Millennials na América Latina e no Caribe: trabalhar ou estudar”, que entrevistou mais de 15 mil jovens entre 15 e 24 anos, em nove países da região da América Latina e do Caribe. Foto: EBC

Cerca de 23% dos jovens brasileiros não trabalham nem estudam, um dos maiores percentuais entre os países da região da América Latina e do Caribe, segundo pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) divulgada na segunda-feira (3) e que teve apoio operacional do Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG), vinculado às Nações Unidas.

O estudo do IPEA faz parte de uma pesquisa regional intitulada “Millennials na América Latina e no Caribe: trabalhar ou estudar”, que entrevistou mais de 15 mil jovens entre 15 e 24 anos, em nove países da América Latina e do Caribe — Brasil, Chile, Colômbia, El Salvador, Haiti, México, Paraguai, Peru e Uruguai.

A pesquisa refuta a ideia de que esses jovens sejam improdutivos, destacando que 31% deles, principalmente homens, estão à procura de trabalho, e mais da metade, 64%, dedicam-se a trabalhos de cuidado doméstico e familiar, o que ocorre principalmente entre as mulheres. A condição de não estudar nem trabalhar é mais frequente entre as mulheres e os jovens mais velhos, segundo a pesquisa.

O objetivo da pesquisa é entender melhor a decisão dos jovens que apenas estudam, apenas trabalham, combinam estudo e trabalho, ou não estão estudando nem trabalhando.

O levantamento apontou, por exemplo, que 49% dos jovens brasileiros se dedicam apenas ao estudo ou capacitação, 13% só trabalham e 15% trabalham e estudam ao mesmo tempo. Na região da América Latina e do Caribe, o número de jovens que não trabalham nem estudam chega a 20 milhões de pessoas.

Com base nessas informações, os pesquisadores sugerem ações políticas para ajudá-los a fazer uma transição bem-sucedida de seus estudos para o mercado de trabalho. A novidade do estudo é a inclusão de variáveis menos convencionais, que vão além da renda ou do nível educacional, como as informações que os jovens têm sobre o funcionamento do mercado de trabalho, suas aspirações, expectativas e habilidades cognitivas, sociais e emocionais.

Contexto brasileiro


No Brasil, o estudo buscou entender quais as aspirações, as barreiras e expectativas dos jovens brasileiros em relação à inserção no mercado de trabalho e à inclusão social.

Foram entrevistados 1.488 jovens entre abril e maio deste ano em Recife (PE). A capital pernambucana foi escolhida por apresentar uma alta taxa de desemprego e um grande contingente de jovens que não trabalham e nem estudam.

O Brasil está passando por um bônus demográfico, na qual a população ativa (entre 15 e 64 anos) é maior do que a população inativa (entre 0 e 14 anos, ou maiores de 65 anos), como por exemplo, idosos e crianças.

Além disso, os jovens com idades entre 15 e 24 anos somam 17% da população total brasileira, ou cerca de 33 milhões de pessoas. Esse fenômeno demográfico é denominado “onda jovem” e apresenta um grande contingente juvenil pronto para ingressar no mercado de trabalho.

“O Brasil vive o ápice da onda jovem que começou em 2003 e terminará em 2022, quando o número de jovens começará cair até 2040, ano em a população entre 15 e 24 anos chegará a 12% da população total. O país tem que aproveitar esse bônus demográfico para o desenvolvimento de políticas públicas, e para que isso não se transforme em ônus demográfico”, disse Enid Rocha, diretora-adjunta da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais do IPEA.

O estudo foi financiado por Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Centro de Pesquisas Canadense para o Desenvolvimento Internacional (IDRC, na sigla em inglês), e foi coordenado regionalmente pela fundação chilena Espacio Público. No Brasil, a pesquisa foi realizada pelo IPEA, com apoio do IPC-IG.



Fonte: ONUBR