segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Hidrelétricas: O futuro energético ainda dependerá delas?
Por Caroline Ligório, de Marrakech, especial para Envolverde – 

Reduzir a emissão dos  dos GEEs (gases de efeito estufa) em 37% em 2025 e em 43% em 2030, , números estimados em relação a 2005, segundo definido no Acordo de Paris ratificado recentemente,   exigirá uma série de ações, mas também de novas escolhas. Isso significa que, não só em Marrakech, durante a realização da COP 22, mas pelos próximos anos, o Brasil deverá buscar as melhores soluções para cumprir com a meta prevista na sua NDC.

O sistema energético  brasileiro é atendido fundamentalmente pela geração hidrelétrica, complementado por usinas térmicas e fontes renováveis, como a energia eólica, a energia solar, as pequenas centrais hidrelétricas (PCHs) e também por meio da da biomassa, principalmente o obtido do bagaço de cana. De toda maneira, ainda se aposta na- hidroeletricidade como a matriz energética com maior  probabilidade para atender o crescimento econômico esperado para os próximos anos, em termos de custo (competitividade econômica), viabilidade ambiental, índice de emissões de gases do efeito estufa e confiabilidade no suprimento.

Sendo o quarto maior potencial hidrelétrico do mundo, atualmente a participação da geração hidrelétrica na produção de energia elétrica  consumida no país é de aproximadamente 80%. Informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia indicam que qualquer substituição desta forma de energia refletiria em aumento substancial da parcela de geração na conta de luz dos consumidores, uma vez que, os custos de geração da energia hidrelétrica são inferiores aos preços de outras fontes.

Em relação à emissão de poluentes, segundo dados do Ministério de Minas e Energia, a cada MWh (megawatt hora) gerado, o fator de emissão de CO2 emitido pelas hidrelétricas corresponde a 0.02, o que a colocaria como a menos poluidora, enquanto que o valor referente a termelétrica a gás natural é de 0.45, a óleo é de 0.9 e a carvão 1.10, maior poluidora entre as quatro.
A megacentral hidrelétrica de Itaipu. Foto: Mario Osava/IPS

No entanto, apesar das facilidades apontadas pelo Ministério, este ainda encontra uma dificuldade: harmonizar a preservação ambiental com a exploração dos potenciais de energia hidráulica, principalmente na Amazônia, região do país com maior potencial a ser explorado. Esta dificuldade põe em cheque os benefícios da matriz energética, pois, para a instalação da infraestrutura necessária, gera-se alto impacto ambiental, entre eles, podem-se destacar os impactos na fauna e na flora, a inundação de áreas pela criação de reservatórios, a realocação de moradores nas áreas do projeto e as perdas de acervos patrimoniais e culturais.

Referente aos danos que a construção da infraestrutura acarreta, fonte do Ministério de Minas e Energia afirma: “Nos estudos e nos projetos do setor elétrico, são obrigatórias na legislação ações preventivas para mitigar esses impactos e preservar a qualidade ambiental dessas áreas, contemplando saúde pública, educação, saneamento, segurança, habitação e a preservação da biodiversidade, entre outras”.

Dentre os benefícios da instalação de hidrelétricas, informações oficiais de fonte do Ministério de Minas e Energia enumeram: o desenvolvimento econômico e social da região; o aumento da demanda por serviços, que geraria oferta de empregos para toda a população; aumento da renda e melhoria da qualidade de vida de toda a sociedade; o crescimento da arrecadação de impostos, que proporcionaria aumento da capacidade de investimentos para as áreas de saúde, educação, segurança e bem estar da comunidade. Após a estabilização da área do empreendimento, especificamente do reservatório, criam-se novas oportunidades de atividades comercias, como turismo, irrigação, pesca e navegação.

Ainda de acordo com a fonte do Ministério de Minas e Energia, desconsiderar esse potencial energético é abrir mão de uma energia renovável, limpa e inesgotável. A energia das hidrelétricas proporcionaria uma vantagem econômica aos brasileiros, pois o país tem a expertise de toda a sua cadeia produtiva, não dependendo de tecnologias de outros países. Além do mais, é considerada uma energia barata que favorece os produtos brasileiros numa competição com outras nações.

Se por um lado ela pode ser vista por um espectro positivo, há quem defenda o investimento em outra fonte energética, uma vez que, acredita no impacto negativo social e ambiental. Alice Amorim, colaboradora do grupo Gestão de Interesse Público, acredita que há várias fontes energéticas ainda não exploradas no Brasil, com externalidades negativas muitos menores quando comparadas com a energia de hidrelétricas. Entre estas fontes, Amorim aponta a solar e a eólica.

O argumento da promoção de benefícios tanto para a comunidade local, como para o país, é refutado por Amorim: “O argumento outrora de geração de emprego, da promoção de “desenvolvimento” não se verifica na prática. Com um modelo de distribuição de demanda tão concentrado nas grandes cidades do sudeste, não faz sentido criar um sistema que não contribui para uma maior autonomia e descentralização de geração de energia”. O custo mais barato do KWH de hidrelétricas não justificaria e compensaria o preço da biodiversidade perdida. O custo mais elevado de energias como a eólica e solar, poderiam vir não só do dinheiro público, mas da iniciativa privada também, afirma Amorim.

Paulo Adario, estrategista Sênior de Florestas do Greenpeace, compartilha da opinião de que a hidrelétrica como principal matriz energética não é a solução para o Brasil. Para ele, o país não precisa expandir as fontes de energia hidráulica. “As hidrelétricas são caríssimas, têm profundo impacto ambiental. Se nós alagamos as áreas permanentes, se mudarmos o fluxo do rio, provocaremos um impacto gigantesco na diversidade de animais. Com a discussão do clima, não estamos só salvando a nossa espécie e tentando parar com este desastre climático. Estamos salvando todas as espécies que estão sendo ameaçadas pela nossa existência e expansão do homem sobre a terra”.

A geração do emprego durante o processo de construção da hidrelétrica é tido como um efeito colateral para Paulo, uma vez que, as pessoas que chegam a cidade geram desmatamento para se instalarem, como na cidade de Altamira, com a construção da hidrelétrica de Belo Monte e posteriormente deixam a cidade. Adario reforçou a importância de uma autoridade brasileira, como o Ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, ter afirmado durante a COP 22 que as hidrelétricas não são uma solução para a Amazônia.

O  potencial brasileiro em relação a energia solar, a bioenergia, a biomassa e a energia eólica são opções apontadas como energias a serem priorizadas para se ter uma energia limpa. Para que no quadro energético brasileiro prevaleça as energias renováveis, o país precisa fazer mudanças:“ A energia solar ainda tem custos altos, mas que estão desabando muito rapidamente. A China tem produzido placas solares cada vez mais baratas, mas o Brasil precisa começar a produzir suas próprias placas solares e diminuir os impostos. Por ser uma energia renovável, não é justo que pagamos mesmo impostos quando comparada com energias sujas”.

O Brasil indica que buscará alternativas limpas, tendendo a reduzir as energias mais poluentes. O veto do presidente Michel Temer referente ao artigo inserido na Medida Provisória 735, que propunha a criação de um programa de modernização do parque termelétrico brasileiro movido a carvão mineral nacional para implantar novas usinas que entrassem em operação a partir de 2023 e até 2027, surge como uma ação com intuito de cumprir com a redução de poluentes assumida na ratificação do Acordo de Paris.


Fonte: ENVOLVERDE
Fórum Energia: tendências e soluções para o setor energético.
Instituto Chico Mendes reúne especialistas do Ministério de Minas e Energia, Aneel, BNDES e FGV para discutir os riscos e oportunidades associados ao consumo de energia e os impactos das mudanças de clima no Brasil.
O Instituto Chico Mendes promove no dia 29 de novembro, terça-feira, a partir de 9h, o 3º Fórum Empresarial Chico Mendes de Sustentabilidade. Nessa edição, o tema central será “Energia – Tendências e Soluções”. A proposta do evento é ser um canal aglutinador de ideias, discussões, propostas, análises de desafios e oportunidades para garantir o uso racional dos diferentes tipos de energia e as perspectivas de desenvolvimento do setor elétrico.

Desenvolvido para permitir a troca de informações e experiências do setor empresarial, incentivar o networking e o compartilhamento de iniciativas entre as empresas brasileiras, bem como as oportunidades e responsabilidades, o Fórum será formado por dois painéis com palestras e debates.

No primeiro Painel, haverá a participação de representantes do Ministério de Minas e Energia (MME), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Temas para o debate
· Plano Nacional de Eficiência Energética, por Luis Fernando Badanhan, coordenador geral de Sustentabilidade Ambiental do Setor Energético no MME;
· Mecanismo de eficiência energética na indústria, por Carlos Alberto Calixto Mattar, superintendente de Regulação dos Serviços de Distribuição da Aneel;
· Desafios e oportunidades para uma indústria de baixo carbono, por Mariana Xavier Nicoletti, coordenadora da Plataforma Empresas pelo Clima – EPC do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV;
· Incentivos para projetos de eficiência energética, por Alexandre Siciliano Esposito, gerente de Estudos Setoriais da Área de Energia do BNDES.

No segundo painel, haverá a apresentação de empresas que adotaram medidas de uso racional e eficiente de energia. Itaipu Binacional, do Hospital São Cristóvão, da Pilecco Nobre, da Eletrobras Amazonas, da Alumar, da Alcoa e da Supergasbras vão apresentar seus cases de sucesso.

As inscrições para o evento, que tem vagas limitadas, é aberta a toda a comunidade empresarial e demais interessados no tema por meio do site: http://institutochicomendes.org.br/forumempresarial/

Sobre o Instituto

O Instituto de Pesquisa e Responsabilidade Socioambiental Chico Mendes – INPRA é uma Organização Não Governamental sem fins lucrativos, fundada em 2004. Mantém sedes administrativas no Paraná, no Município de Quatro Barras (APA do IRAÍ), na Região Metropolitana de Curitiba, em Fortaleza e em São Paulo. Saiba mais no site: http://institutochicomendes.org.br/site/

Serviço
Evento: 3º Fórum Empresarial Chico Mendes de Sustentabilidade
Tema: Energia – Tendências e Soluções
Data e hora: 29 de novembro, terça-feira, das 9h às 17h
Local: Clube Sírio
Endereço: Av. Indianópolis, 1.192 – Planalto Paulista, São Paulo
Vagas, inscrições e outras informações: http://goo.gl/eAYFKy

Fonte: ENVOLVERDE


Blairo Maggi, constrangimento na COP 22.
Por Reinaldo Canto, de Marraquexe, no Marrocos –

Em encontro mundial sobre mudanças climáticas, ministro da Agricultura de Temer ironizou mortes em conflitos agrários. 

Blairo Maggi ajudou, na COP 22, realizada em Marraquexe, no Marrocos, a moldar a nova imagem internacional do Brasil sob o governo de Michel Temer. Durante o chamado Segmento de Alto Nível do encontro, que debate as mudanças climáticas no mundo, a chefia da delegação brasileira esteve a cargo do ministro do Meio Ambiente, Sarney Filho, mas quem se “destacou” foi o ministro da Agricultura.
Maggi: na COP 22 ele reconheceu o aquecimento global, mas chocou ativistas com algumas de suas declarações.

Na quinta-feira 17, Maggi causou mal-estar ao contestar as mortes ocorridas em conflitos no campo. O Brasil lidera o ranking de assassinatos, segundo a ONG Global Witness, com 50 mortes em conflitos agrários em 2015.

“Só 50”

Para o ministro, esses números não refletem a realidade, pois muitas dessas mortes foram causadas por motivos que nada teriam a ver com ativismo ou disputa por terras, “quando se vai fundo nas investigações, descobre-se que as razões das mortes foram outras”, disse, citando “problemas de relacionamento” como um dos motivos.

Mais grave, Maggi ironizou as mortes. Em uma aparente confusão com o número mundial de assassinatos em conflitos agrários (185 segundo a Global Witness), Maggi disse ter visto uma “redução” de um dia para o outro.

“Fico feliz em saber que de ontem para hoje morreram menos 150 ambientalistas, porque ontem ouvi que eram 200 por ano e agora diz aqui que foram só 50.”

Aquecimento global

Em suas intervenções, sejam elas para o público brasileiro ou em painéis com representantes estrangeiros, Maggi foi bastante veemente em defender o agronegócio brasileiro e discordar de posicionamentos caros aos ambientalistas.

Apesar de reconhecer as mudanças climáticas como algo “comprovado cientificamente e um grande risco para a produção de alimentos no país” e sentir na pele, como proprietário rural, “estão quebrando safras como eu nunca vi antes” e refletir sobre o futuro “como meus filhos e netos vão fazer agricultura nesse clima?”, Maggi não deixa de contestar as reservas legais definidas no Código Florestal. O ministério comandado por ele é um dos principais guardiões dessa legislação.

“Imagine um hotel que tenha 100 quartos, mas que só possa comercializar 20 unidades. As outras 80 ele tem que manter fechadas”, fazendo menção às propriedades rurais existentes no bioma amazônico que precisam manter 80% de suas áreas preservadas. O ministro só não explicou porque uma lei como essa seria válida para um hotel. Quais razões haveria para uma interdição absolutamente sem nexo? Já a definição das regras para as reservas legais foi exaustivamente debatida no Congresso Nacional e faz todo o sentido no contexto ambiental.

O ministro tem reclamado do posicionamento dos países ricos quanto à falta de reconhecimento dos esforços brasileiros para conservar áreas florestais e, portanto, contribuindo para evitar a emissão de gases de efeito estufa.

Segundo ele, “outros grandes produtores de alimentos como Estados Unidos, Argentina e Canadá não possuem reservas legais como nós, mas isso não nos traz vantagens”. Nesse caso, Maggi considera um problema assumirmos esse “ônus”, enquanto outros países não o fazem e desconsidera os serviços ambientais prestados pelas florestas, inclusive, para a produção de alimentos.

Mesmo representando o governo que recentemente ratificou o Acordo de Paris (assinado por Temer) Blairo Maggi se mostra preocupado com o que o Brasil se comprometeu. “De onde virão os 40 bilhões de dólares que deverão custar a restauração de 12 milhões de hectares e a recuperação de 15 milhões de hectares de pastagens?”.

Neste caso, Maggi é acompanhado pelos ambientalistas, que também têm dúvidas quanto à origem dos recursos para uma demanda dessa proporção.

Para não parecer um estranho no ninho ao fazer questionamentos às ações previstas para o combate às mudanças climáticas no Brasil e no mundo em plena conferência do clima, o ministro tentou estender as mãos aos ambientalistas, cuja ação ele faz questão de elogiar, “produtores e ambientalistas agora andam juntos”.

Então, estamos todos no mesmo barco. Entendido?

* Reinaldo Canto é jornalista especializado em Sustentabilidade e Consumo Consciente e pós-graduado em Inteligência Empresarial e Gestão do Conhecimento. Passou pelas principais emissoras de televisão e rádio do País. Foi diretor de comunicação do Greenpeace Brasil, coordenador de comunicação do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente e colaborador do Instituto Ethos. Atualmente é colaborador e parceiro da Envolverde, colunista de Carta Capital e assessor de imprensa e consultor da ONG Iniciativa Verde.


Plurale completa nove anos.

Revista lança edição especial e anuncia lançamento da TV Plurale.

A Edição 53 de Plurale em revista – mídias de Sustentabilidade, editada pelos jornalistas Sônia Araripe e Carlos Franco – comemora nove anos com matéria de capa Especial da Ilha de Malta, no Mediterrâneo. A reportagem de Vivian Simonato e fotos incríveis de Pedro Freiria é apenas um dos destaques de uma edição comemorativa incrível. Outra boa notícia é que acaba de ser lançada a TV Plurale, canal no site e no You Tube, com vídeos com esta temática. Em destaque, duas entrevistas recentes: uma com o craque do futebol, Raí, fundador da Fundação Gol de Letra e também uma conversa com um dos fundadores da Natura, Guilherme Leal.

Isabella Araripe esteve no México, a convite, conhecendo a estratégia com foco em sustentabilidade do Grupo Femsa –maior engarrafador e revendedor de Coca-Cola em volumes de vendas no mundo. Paula Guatimosim revela a exuberância da biodiversidade de Aiuruoca, no Sul de Minas e o repórter Hélio Rocha preparou Especial sobre Um ano do Crime Ambiental em Mariana , mostrando o impacto para toda a Bacia do Rio Doce, não apenas em Minas Gerais, mas chegando à Colatina e à Praia de Regência, em Linhares (na foz do Rio), no Espírito Santo.

Da Amazônia, são relatadas duas experiências bem interessantes: de coletivo de pais voltado para a educação, por Nícia Ribas e de fortalecimento da cadeia produtiva da castanha, em artigo de Patrícia Cota Gomes, coordenadora de projetos e mercados florestais do Imaflora. Outros três artigos inéditos – de Bernadete de Almeida Bortolloti, Malu Nunes e Rafaela Brito – também são destaque nesta edição comemorativa.

A especialista em cinema sustentável, Isabel Capaverde, conta as últimas sobre documentários e festivais na sua coluna. Paulo Lima, editor da revista virtual Balaio de Notícias e Júlia Lima estiveram no Jardim Botânico de Brasília, apresentando a riqueza do Cerrado. Bioma também em destaque na seção Bazar Ético, com os bordados das mulheres artesãs da Cooperativa Bordana, de Goiânia (GO). Tudo isso e muito mais. Clique aqui e leia a edição digitalizada de Plurale em revista.


Fonte: ENVOLVERDE
Câmara tenta ressuscitar PL do diesel.
Projeto de lei que libera carros de passeio movidos a combustível mais poluente pode ser votado em comissão especial.

Por Redação do Observatório do Clima – 

Uma comissão especial da Câmara dos Deputados pode votar nos próximos dias o Projeto de Lei no 1.013/2011, que libera a fabricação e a venda de carros de passeio movidos a óleo diesel no país. A votação na comissão estava marcada para essa quarta-feira (23) à tarde, mas a sessão foi cancelada pela manhã.

O movimento acontece após o encerramento da COP22, a conferência do clima de Marrakesh, durante a qual o governo brasileiro afirmou seu compromisso com a meta de limitar o aquecimento global a 1,5oC. E também após o presidente Michel Temer ter vetado a proposta, também originária da Câmara, de criar um programa de incentivo às termelétricas a carvão mineral no Brasil.

O PL do diesel vai na contramão das metas brasileiras de redução de emissões de gases de efeito estufa e atenta contra a saúde de moradores das regiões metropolitanas, já que um de seus efeitos será elevar a concentração de material particulado fino e óxidos de enxofre, que carros a diesel emitem muito mais do que carros a gasolina. Cidades como Londres e Paris já marcaram data para tirar esses carros de circulação. Em setembro, a montadora Renault traçou um plano para parar de fabricar carros a diesel na Europa. Segundo estimativa do Conselho Internacional pelo Transporte Limpo, a aprovação da lei pode causar até 150 mil mortes precoces por poluição do ar até 2050 no país
Foto: EBC

Além disso, ao criar um desincentivo ao álcool combustível – que precisará competir na bomba com o diesel, mais barato –, ele também vai na contramão da Plataforma BioFuturo, lançada na COP22 pelo governo brasileiro e outros 19 países para incentivar combustíveis de baixo carbono.

Em junho deste ano, uma ampla coalizão da sociedade civil lançou um manifesto pelo arquivamento do projeto. De acordo com o documento, assinado por cinco ex-ministros do Meio Ambiente, por associações empresariais, entidades ambientalistas e pesquisadores, o PL atenta contra os interesses da sociedade brasileira em quatro aspectos: no ambiental, no de saúde, no econômico e no democrático.

O PL 1.013 foi rejeitado em duas comissões da Câmara antes de ser colocado para tramitar na comissão especial, criada em 2015 pelo então presidente da Casa – ora presidiário – Eduardo Cunha. A sessão apreciará o parecer do deputado Evandro Roman (PSD-PR) ao PL.


sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Chamada incentiva ações de eficiência energética em Instituições de Educação.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) quer ajudar as Instituições Públicas de Educação Superior a reduzir a conta de energia, a trocar equipamentos energeticamente ineficientes por outros mais eficientes e a implementar sistemas de geração própria de energia (minigeração).

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) quer ajudar as Instituições Públicas de Educação Superior a reduzir a conta de energia, a trocar equipamentos energeticamente ineficientes por outros mais eficientes, a implementar sistemas de geração própria de energia (minigeração), além de promover a mudança de hábito de consumo de professores, alunos e funcionários no que diz respeito ao uso da energia elétrica. Para isso, a Agência publicou nesta quarta-feira (16/11) no Diário Oficial da União o aviso da Chamada de Projeto Prioritário de Eficiência Energética intitulada “Eficiência Energética e Minigeração em Instituições Públicas de Educação Superior”. A autarquia conta com o interesse das distribuidoras de energia, que são obrigadas por lei a aplicar, anualmente, um percentual mínimo de sua Receita Operacional Líquida (ROL) em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento Tecnológico do Setor de Energia Elétrica (P&D).

De acordo com o edital, deverão ser observadas as seguintes diretrizes básicas: a proponente do projeto deverá, necessariamente, ser uma distribuidora. Já as geradoras e transmissoras poderão aportar recursos do Programa de P&D como cooperadas. Caso decida participar, a empresa deverá sinalizar à ANEEL o interesse por e-mail (prioritarioestrategico1@aneel.gov.br) em até 30 dias da publicação da Chamada. Confira os prazos abaixo.

A Agência constatou que o gasto com energia elétrica representa um dos principais itens de custeio das Instituições Públicas de Educação Superior e que parte considerável dessa despesa poderia ser evitada por meio de ações de eficiência energética e da implantação de sistemas de geração própria de energia (minigeração).

De acordo com a Secretaria de Ensino Superior (SESu) do Ministério da Educação, o valor total pago, em 2015, apenas pelas Universidades Federais, foi de cerca de R$ 430 milhões. Segundo a SESu, as despesas com energia elétrica dessas instituições despontam como o 3º maior grupo e representam cerca de 9% dos gastos apurados em 2015. Constata-se, também, que parte considerável desse gasto se refere ao uso de equipamentos ineficientes e altos índices de desperdício de energia. 

Cabe à Agência regulamentar o investimento no programa de P&D e eficiência energética, acompanhar a execução dos projetos e avaliar seus resultados. Mais informações no site da ANEEL.


Fonte: ENVOLVERDE
Envolverde Convida – O Futuro das Cidades.
As cidades tornaram-se o habitat preferencial das pessoas. Até o final deste século quase 90% da população da Terra estará vivendo em centros urbanos.  O Brasil também passa por uma fase de grande concentração em cidades. Atualmente o País tem quase 20 cidades com mais de 1 milhão de pessoas. São Paulo com uma região metropolitana de 20 milhões e Rio de Janeiro com cerca de 11 milhões.

Como será a vida nessas cidades? Para buscar respostas, o Instituto Envolverde está realizando o Projeto Envolverde Convida – O Futuro das Cidades, uma oportunidade de diálogo entre jornalistas, especialistas para elaborar pensamentos e debater tendências em temas como habitação, transporte, educação, saúde e outros temas relevantes e que fazem parte do cotidiano da gestão pública local.
Foto: Shutterstock

Para esta primeira edição teremos a participação da arquiteta e urbanista Ermínia Maricato e do diretor do ICLEI Rodrigo Perpétuo, além de um representante do Programa ONU Habitat, com mediação do jornalista Dal Marcondes, da Agência Envolverde.
A série “O Futuro das Cidades” terá 7 eventos
Com o apoio da Unibes Cultural, o primeiro encontro vai acontecer em 14 de dezembro de 2016, e os seis seguintes serão realizados durante o ano de 2017.
  • 14 de dezembro de 2016 – O Futuro das Cidades – Como você vai viver neste século
  • Março de 2017 – O Futuro das Cidades –Água: poluição, desperdício e escassez
  • Maio de 2017 – O Futuro das Cidades – Juventude e Trabalho: Como você vai trabalhar no século 21
  • Junho de 2017 – O Futuro das Cidades: Desafios do Antropoceno: Impactos das cidades sobre a biodiversidade
  • Agosto de 2017 – O Futuro das Cidades – Inovação: A economia do amanhã
  • Setembro de 2015 – O Futuro das Cidades – O sonho da mobilidade rápida
  • Novembro de 2017 – O Futuro das Cidades –A garantia de saúde para todos
As inscrições para todos os eventos são gratuitas.

Envolverde Convida – O Futuro das Cidades” conta com o apoio da Unibes Cultural, Brasil Kirin e ICLEI-Governos Locais pela Sustentabilidade, e com os parceiros Revista ECO21, Revista Plurale, Revista do Meio Ambiente, Instituto Mais e Rede Brasileira de Jornalismo Ambiental (RBJA).

Serviço
Data: 14 de dezembro de 2016
Hora: das 10h às 12h00
Local: Auditório Unibes Cultural – Rua Oscar Freire, 2.500 (ao lado do Metrô Sumaré)

Sobre o Instituto Envolverde
O Instituto Envolverde é uma organização social que mantém a Agência Envolverde, o principal site jornalístico sobre sustentabilidade, meio ambiente e desenvolvimento humano no Brasil. Com foco na cobertura de políticas públicas, a Envolverde promove eventos que ajudem a aprofundar o conhecimento sobre temas relevantes para a sociedade brasileira. Em 2018 o Projeto Envolverde completará 20 anos.

Sobre a Unibes Cultural
Não é de hoje que a Unibes trabalha para transformar a vida de milhares de famílias em situação de vulnerabilidade social com programas voltados à educação, capacitação, saúde e inclusão. Uma história que não acaba por aí, porque a Unibes sempre acredita que existem novas formas de contribuir para a sociedade.

Por isso criou, em 2015, na cidade de São Paulo, um novo centro cultural que nasceu com a vocação de apresentar os grandes temas globais e refletir sobre como são incorporados na cultura da cidade. 

Um lugar para a expressão de jovens talentos e nomes consagrados nas diferentes áreas de conhecimento. Espaço democrático e aberto a diversos públicos, com uma programação extensa e 90% gratuita para todos os gostos e idades.

A Unibes Cultural representa um novo marco no trabalho centenário da Unibes e comemora o seu primeiro ano com a casa cheia. Desde a sua inauguração, foram mais de mil eventos realizados e três mil e quatrocentos projetos acolhidos de empreendedores culturais.

Mais informações
Instituto Envolverde – www.envolverde.org.br
Ana Maria Vasconcellos
(13) 3323-1191
(11) 3034-4887

Unibes Cultural
Rua Oscar Feire, 2500 – ao lado do Metrô Sumaré
Informações: (11) 3065-4333 e atendimento@unibescultural.org.br
Funcionamento: De segunda a sábado, das 10h às 19h
Acesso para deficientes
Ar condicionado
WI FI livre
Tem local para comer
Não tem estacionamento – sugerimos o uso de transporte público


Fonte: ENVOLVERDE
Uso do carvão enraíza a pobreza.
Por Lyndal Rowlands, da IPS – 

Nações Unidas, 22/11/2016 – Os danos causados à população mais pobre do mundo pela energia gerada a partir do carvão é maior do que a ajuda que proporciona. E isso sem contar os efeitos devastadores da mudança climática, destaca um informe publicado por 12 organizações internacionais de desenvolvimento.

Apesar dos compromissos assumidos no Acordo de Paris sobre mudança climática, a temperatura global média pode aumentar em dois graus Celsius com a construção de apenas um terço das centrais a carvão previstas, afirma o estudo. E alerta que, além disso, “se o mundo ultrapassar o limite, as consequências serão desastrosas para a luta global contra a pobreza.

O informe Beyond Coal: Scaling up Clean Energy to Fight Poverty (Além do Carvão: Aumentando a Energia Limpa Para Lutar Contra a Pobreza) foi publicado por Instituto de Desenvolvimento Exterior (ODI), Cafod, Christian Aid e outras nove organizações antes da 22ª Conferência das Partes (COP 22)da Convenção Marco das Nações Unidas sobre Mudança Climática, realizada entre os dias 7 e 18 deste mês, em Marrakesh, no Marrocos.

Ilmi Granoff, um dos autores do documento, opinou à IPS que o carvão “enraíza a pobreza”, em contraposição ao discurso da indústria, de que os combustíveis fósseis contribuem para o crescimento econômico. Mas reconheceu que o fechamento de algumas usinas a carvão causou certas dificuldades econômicas, embora destacando que a pesquisa concluiu que, no geral, as energias renováveis geram “mais emprego por unidade”.

“A própria Associação Mundial do Carvão estima que a indústria emprega sete milhões  de pessoas no mundo”, apontou Granoff, e pouco menos de 9,4 milhões  já trabalham na cadeia de fornecimento de energia renovável.Segundo o especialista, “é importante reconhecer que reduzir o uso do carvão tem um impacto no emprego, porque em alguns lugares as pessoas dependem dessa indústria e é necessária uma transição justa. E, quanto às perspectivas futuras, a energia renovável oferece melhores oportunidades de emprego: mais trabalho e mais qualidade em escala global”.
Terminal portuário da companhia carbonífera Prodeco, na cidade caribenha de Santa Marta. Foto: Juan Manuel Barrero/IPS

Além disso, os argumentos de que o carvão pode ajudar as pessoas mais pobres a terem acesso a energia não tem sentido, destacou Granoff. O informe também conclui que as fontes alternativas já podem cumprir as “necessidades específicas de lutar contra a extrema pobreza e a pobreza energética”, acrescentou. Também lembrou que o carvão assenta a pobreza, ao causar problemas de saúde, como asma e ataques cardíacos.

“Estima-se que uma usina de apenas um gigawatt causou 26 mil mortes prematuras na Indonésia enquanto esteve operacional”, disse Granoff. Além disso, destacou a importância de se reconhecer as consequências negativas de longo prazo que o carvão terá, especialmente para as pessoas e os países mais pobres, pois contribuem para o aquecimento global.

O impacto da mudança climática nos países em desenvolvimento e nas pessoas mais pobres foi um dos temas centrais em debates da Organização das Nações Unidas (ONU), como a COP 22, em Marrakesh. As nações em desenvolvimento argumentam que os países mais ricos têm a responsabilidade de limitar as consequências do aquecimento planetário nos Estados mais pobres, onde, por outro lado, o impacto será desproporcionalmente maior, pois a variabilidade climática é imprevisível e grave, e isso apesar de terem contribuído muito pouco nas emissões contaminantes que causam o fenômeno.

E essa é precisamente uma das razões mais importantes para que os países mais ricos comecem o processo de fechamento das usinas geradoras de energia movidas a carvão, pontuou Granoff. Em geral, a tendência é a redução dessa fonte de energia em muitas nações ricas, mas se mantém em países como Austrália e Estados Unidos. E, na verdade, o presidente eleito norte-americano, Donald Trump, baseou sua campanha em várias políticas favoráveis ao uso do carvão, com o argumento de que a “agenda ambiental radical” de Barack Obama matava o emprego e prejudicava a economia.

É certo que muitas das centrais a carvão estão na Ásia, especialmente em grandes centros consumidores como China e Índia, e a mudança climática e a contaminação aérea obrigou esses países a reavaliar sua dependência dessa fonte de energia. Granoff informou que o governo da China revisa a construção de algumas das novas usinas movidas a carvão.


Fonte: ENVOLVERDE