quinta-feira, 17 de maio de 2018


Blindagem jurídica dificulta saber causas de acidentes em barragens.

“No Brasil ainda existe uma ‘blindagem’ jurídica que restringe as informações sobre as causas dos acidentes em barragens. Isso precisa mudar, já que relatórios sobre acidentes e estudos de caso ajudam a prevenir novas tragédias e melhorar a segurança dos empreendimentos”. A afirmação é do presidente do Comitê Brasileiro de Barragens (CBDB), Carlos Henrique Medeiros. Para aprofundar o tema e trazer as últimas novidades do setor, o Comitê organiza de 21 a 23 de maio, em São Paulo, o II Encontro Técnico sobre Incidentes e Acidentes em Barragens, o XI Simpósio sobre Pequenas e Médias Centrais Hidrelétricas e o II Simpósio sobre Usinas Hidrelétricas Reversíveis.

Para Medeiros, acidentes como o da Barragem de Fundão, em Mariana (MG), chamam a atenção para o fato de que a cultura de segurança ainda não foi internalizada de forma eficiente nas organizações. “Segurança não combina com burocracia, falta de recursos, deixar para depois. Barragens são estruturas de risco e passíveis de incidentes e acidentes, com sérias consequências”, reitera. Quem participar do evento conhecerá também a visão de um palestrante internacional, que falará sobre as lições aprendidas no acidente de Oroville (EUA), de grande repercussão no meio técnico.

O CBDB ainda vai discutir a questão das pequenas e médias centrais hidrelétricas, que se destacam por serem fontes de energia limpa, barata, de baixo impacto ambiental e geradoras de empregos. Para completar, estarão em debate as usinas reversíveis, pouco comuns ainda no Brasil e que podem servir de suporte nos picos de demanda do sistema elétrico.

São esperados cerca de 300 profissionais, agentes e acadêmicos no Bourbon Convention Ibirapuera, que compilarão ao final dos eventos a Carta de São Paulo para servir de subsídio às políticas setoriais. “O CBDB é um importante fórum de discussão dessas transformações e por isso vai exercer seu papel de impulsionador das ações necessárias para aprimorar cada vez mais o setor”, completa o vice-presidente do CBDB e coordenador dos eventos, José Marques Filho.

Fonte: ENVOLVERDE

Guerra comercial entre EUA e China afeta floresta amazônica.

À medida que a ameaça de uma guerra comercial entre os Estados Unidos e a China se aproxima e a retórica aumenta, um efeito colateral sinistro foi deixado de fora da discussão: os impactos potenciais sobre as florestas e o clima.

Recentemente, a China anunciou que imporia uma tarifa de 25% sobre os produtos agrícolas dos EUA, incluindo soja, trigo, milho, algodão, sorgo, tabaco e carne bovina. Embora a China ainda não tenha anunciado uma data para a ação, suas tarifas propostas sobre os produtos agrícolas dos EUA poderiam aumentar a demanda por soja e outros produtos agrícolas nos países sul-americanos. 

Embora seja uma oportunidade para o Brasil e outros países aumentarem as receitas e promoverem melhores práticas de uso da terra, sem as devidas precauções tomadas pelos governos, setor privado e comunidade internacional, uma mudança na produção de soja poderia colocar alguns ecossistemas tropicais, particularmente o Cerrado brasileiro, em risco de desmatamento da expansão agrícola.

A China importa mais da metade de sua soja da América do Sul – um valor total de importação de US $ 19,5 bilhões, com US $ 15,6 bilhões apenas do Brasil. E já começou a transferir sua demanda de soja dos EUA para o Brasil: as exportações brasileiras de soja para a China mais do que dobraram desde setembro de 2017, em parte devido à seca na Argentina .

Com altas tarifas sobre produtos dos EUA, o Brasil poderia ser o principal beneficiário da guerra comercial por meio de preços preferenciais. Analistas acreditam que isso poderia ter impactos de longo prazo na produção de soja e mudar permanentemente a demanda para a América do Sul. Isso pressupõe alta elasticidade da produção e preço da soja. Se o aumento da demanda da China levar ao aumento da produção de soja, a soja poderá invadir as florestas se as devidas salvaguardas e práticas agrícolas não forem utilizadas.

Como os preços da soja aceleram o desmatamento

De acordo com uma meta-análise dos impulsionadores do desmatamento, os preços agrícolas são o fator mais forte no aumento do desmatamento. Mudanças no uso da terra com relação a preço são muito mais elásticas no Brasil do que os EUA. Simplificando, isso significa que se os preços aumentarem, a produção de soja no Brasil tenderá a se expandir, como ocorreu quando os preços da soja brasileira subiram no início dos anos 2000 . Por outro lado, preços mais baixos poderiam facilitar certas mudanças políticas e ambientais. Por exemplo, a moratória de soja do Brasil em 2006 , um acordo voluntário de desmatamento zero da indústria da soja, foi possível em parte porque ocorreu em um momento em que os preços da soja estavam baixos.

A possibilidade de uma guerra comercial entre a China e os EUA já fez com que os prêmios de soja brasileiros subissem , atingindo a maior alta em 21 meses. E o risco de desmatamento se estende além da Amazônia brasileira para outros ecossistemas, como o Cerrado (um bioma de savana com uma mistura de áreas florestais e pastagens) e além do Brasil para os vizinhos Paraguai, Argentina e Bolívia.

Além de ter o potencial de impactar as florestas brasileiras, o maior cultivo de soja também poderia afetar as emissões brasileiras e sua capacidade de alcançar seus compromissos de Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) para o Acordo Climático de Paris. Mudanças no uso da terra e florestas combinadas com a agricultura contribuíram com 28,6ktCO 2 e das emissões brasileiras de 1990 a 2014, 74% do total nacional. O desmatamento adicional do aumento da produção agrícola elevaria ainda mais as emissões totais brasileiras.

Fonte: ENVOLVERDE

Somália devastada com a pior enchente da história.

Agências das Nações Unidas reforçaram suas ações na Somália em resposta a uma série de enchentes devastadoras que atingem diversas partes do país. As inundações impactaram quase 500 mil pessoas e deslocaram em torno de 175 mil habitantes de suas casas.

De acordo como a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), as enchentes atuais são algumas das piores que a região já teve, uma vez que o nível de água no momento excede o período de retorno – intervalo estimado entre ocorrências de igual magnitude de um fenômeno natural – de 50 anos.

“Deslocados internos continuam sendo os mais vulneráveis aos impactos de enchentes, muitos campos estão localizados em áreas de baixa altitude”, disse Stéphane Dujarric, porta-voz do secretário-geral da ONU, a repórteres em Nova Iorque no final de abril.

“Parceiros humanitários no local têm priorizado água, saneamento, higiene, saúde, abrigo e alimentos em suas intervenções”, completou.

As chuvas fortes e enchentes relâmpago vêm apenas meses após uma seca devastadora que deixou mais de 6 milhões de pessoas em necessidade de assistência humanitária.

As enchentes são mais graves do que esperado

A magnitude da chuva está muito além do previsto, disse Yngvil Foss, chefe adjunta do Escritório das Nações Unidas de Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA) na Somália.

“Inicialmente, todos os atores humanitários começaram seus socorros com os meios e recursos disponíveis”, ela disse, observando como agências de socorro da ONU conseguiram angariar fundos ao longo da semana anterior para incrementar intervenções críticas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS), por exemplo, entregou 4,5 milhões de toneladas métricas de medicação e outros suprimentos médicos no dia 29 de abril para Belet Weyne, capital da província de HirShabelle, duramente atingida pelas enchentes.

Tropas de paz da Missão da União Africana na Somália (AMISOM) também evacuaram mais de 10 mil residentes em Belet Weyne de partes alagadas da cidade, além de garantir lonas e água para as vítimas.

Mais financiamento é necessário com urgência

Apesar das recentes boas notícias em relação ao financiamento, mais fundos são necessários urgentemente para ajudar o número crescente de deslocados.

No dia 30 de abril, o presidente da Somália, Mohamed Abdullahi Mohamed ‘Farmajo’, visitou áreas afetadas pelas inundações e fez um apelo à comunidade internacional por ajuda humanitária urgente.

O Plano de Resposta Humanitária para a Somália de 2018, que totaliza 1,5 bilhão de dólares (antes das chuvas), só possui 19% de fundos. Lançado pelas agências das Nações Unidas e parceiros humanitários, o plano busca auxiliar em torno de 5,4 milhões de pessoas com assistência.

Fonte ONUBr

Transposição do Rio São Francisco irriga projetos de latifundiários nordestinos.

O relatório da Controladoria Geral da União – CGU, que apresenta problemas de planejamento capazes de impedir a operação, manutenção e sustentabilidade da transposição do rio São Francisco, “não traz para os mais esclarecidos nenhuma novidade”, diz Altair Sales Barbosa. Segundo ele, muito antes da conclusão do relatório, “estudiosos da bacia do São Francisco, bem como os conhecedores da dinâmica do rio, alertaram por meio de audiências, publicações e movimentos, quanto aos riscos da execução desse projeto. Infelizmente a classe política se fez surda, não deu ouvidos. Só não ficou muda porque expressava as opiniões de burocratas ‘geniais’ que os alimentavam com argumentos surgidos entre quatro paredes e totalmente desprovidos de conhecimentos concretos”.

Na entrevista a seguir, concedida por e-mail para a IHU On-Line, Barbosa comenta as “soluções paliativas” para reverter os impactos da transposição do São Francisco, como a Resolução da Agência Nacional das Águas - ANA nº 1.043 de 19/06/2017, e informa sobre os reais propósitos da obra. “Este alicerce é falso, porque esconde desde o início o real propósito da transposição, que era patrocinar grandes projetos de irrigação dos grandes latifundiários do Nordeste, padrinho e patrocinadores dos coronéis da política regional, cujo modelo é o mesmo desde o início da colonização”, afirma.
Altair Barbosa | Foto: Ricardo Machado - IHU

Altair Sales Barbosa possui graduação em Antropologia pela Pontificia Universidad Católica de Chile, doutorado em Arqueologia Pré-Histórica pela Smithsonian Institution - National Museum of Natural History, de Washington, Estados Unidos. É coordenador do projeto Enciclopédia Virtual do Cerrado pelo Instituto Histórico e Geográfico de Goiás, do qual é sócio titular.
Confira a entrevista.

IHU On-Line – De acordo com o relatório da Controladoria Geral da União – CGU, existem problemas de planejamento capazes de impedir a operação, manutenção e sustentabilidade da transposição do rio São Francisco. Como o senhor avalia esse relatório? Ele trouxe alguma novidade?

Altair Sales Barbosa - A obra da transposição do rio São Francisco sempre teve um viés muito mais político do que social ou científico. O empreendimento, que envolve as grandes empresas construtoras do Brasil e as grandes empresas de engenharia elétrica, tem na sua base um alicerce falso, pois fala que seria realizada para atender as necessidades das populações rurais, cujas produções agrícolas e criações de animais padecem na época da estação seca. Na realidade este quadro continua e foi acentuado com as obras da transposição. Este alicerce é falso, porque esconde desde o início o real propósito da transposição, que era patrocinar grandes projetos de irrigação dos grandes latifundiários do Nordeste, padrinho e patrocinadores dos coronéis da política regional, cujo modelo é o mesmo desde o início da colonização. Portanto o relatório da CGU sobre a sustentabilidade da transposição do rio São Francisco não traz para os mais esclarecidos nenhuma novidade.

Todos os estudiosos da bacia do São Francisco, bem como os conhecedores da dinâmica do rio, alertaram por meio de audiências, publicações e movimentos, quanto aos riscos da execução desse projeto. Infelizmente a classe política se fez surda, não deu ouvidos. Só não ficou muda porque expressava as opiniões de burocratas “geniais” que os alimentavam com argumentos surgidos entre quatro paredes e totalmente desprovidos de conhecimentos concretos.

O relatório da CGU, que agora critica a falta de planejamento para garantir a manutenção e sustentabilidade, teria que ser convincente e questionador antes de as obras iniciarem. Teria que ser ouvida a comunidade científica brasileira, teria que conhecer a dinâmica dos rios do cerrado e sua realidade, também deveria ser conhecida a realidade e a experiência dos ribeirinhos. O relatório também traz falhas horríveis em relação ao conhecimento de toda bacia do São Francisco. Foca só em problemas locais, não tem visão da totalidade.

Todo trabalho de planejamento ambiental e organização do espaço que não leve em consideração a história evolutiva dos elementos envolvidos e que não considere as vocações regionais, traz como consequência problemas de difíceis soluções, alguns irreversíveis.
Mapa do projeto de Transposição do São Francisco (Fonte: Portal do Governo Federal)

IHU On-Line – Que tipo de alternativas são propostas para resolver os problemas gerados pela transposição?

Altair Sales Barbosa - Uma vez surgidos tais problemas, procuram-se soluções paliativas como tentando curar uma ferida apenas cobrindo-a com um esparadrapo. Como é o caso da Resolução da Agência Nacional das Águas - ANA nº 1.043 de 19/06/2017, denominada Dia do Rio, cujo objetivo é reforçar as ações que vêm sendo adotadas para preservar os estoques nos reservatórios da bacia do rio São Francisco. A resolução determina que todas as quartas-feiras a captação de água da bacia seja proibida, exceto para abastecimento humano e animal.

A resolução da ANA deixa uma brecha em não incluir de forma absoluta os corpos hídricos que não são considerados como domínio da União, mas que integram a bacia do São Francisco e são vitais para a perenização deste rio. Embora deixe claro que serão feitas articulações com os estados e comitês da bacia, sabemos pela prática que essas medidas são inoperantes.

Aparentemente a resolução da ANA, que estabelece o Dia do Rio, parece boa. É! Mas não é, porque ao proibir a retirada da água em alguns trechos específicos por empreendimentos agropastoris e indústrias, a resolução visa preservar água para os reservatórios, que por sua vez irão alimentar a geração de energia e também alimentar outras defluências danosas, como é o caso dos canais da transposição. Portanto, se penetrarmos além das aparências, vamos notar que a Resolução deixa falhas em não entender a bacia hidrográfica dentro de sua totalidade, da mesma forma que deixa dúvidas quanto a quem na realidade serão os beneficiados com tais medidas.

Outro ponto obscuro é a restrição aos cursos d’água superficiais, demonstrando total desconhecimento dos ciclos hídricos regionais, pois não faz menção às águas subterrâneas, tão ou mais importantes que as águas superficiais. Parece que o ciclo hidrológico se restringe às chuvas, o que não é verdadeiro. Portanto, é importante considerar a utilização das águas subterrâneas nos processos de irrigação, efetuados através de poços artesianos.

A resolução que cria o Dia do Rio é um exemplo claro da falta de planejamento e de conhecimento dos processos que envolvem o rio São Francisco. Também pode ser citado como exemplo de falta de planejamento a ausência de conhecimento da ocupação humana regional.

IHU On-Line - Qual é a situação do desmatamento no entorno do rio São Francisco? Quais são as consequências do desmatamento para o rio?

Os rios foram secando em função do desmatamento, o desaparecimento de córregos menores e lagoas já vem acontecendo desde início da década de 80 — Altair Sales Barbosa

Altair Sales Barbosa - Em 1972, no Primeiro Simpósio sobre o Cerrado, já chamávamos a atenção para a preservação do chapadão ocidental da Bahia até o limite com as cristas do Bambuí, hoje limitando com os Estados do Tocantins e Goiás, pois as águas subterrâneas naquela época ali existentes seriam uma grande reserva de água potável para o Brasil. Mas não foi isto que aconteceu. 

Por serem consideradas erroneamente “terras devolutas”, o governo federal as repartiu para grandes empresários, nacionais e internacionais, que recebiam no mínimo 25 mil hectares; a única coisa que deveriam dar em troca era o desmatamento da região. E assim, por falta de conhecimento e planejamento adequado, começou essa nova ordem territorial, que em pouco tempo traria um quadro irreversível de prejuízos ambientais e sociais para a região.

No caso específico dos alimentadores do rio São Francisco, alguns nascem em Goiás, como é o caso da Lagoa Feia no município de Formosa, que contribui com vários afluentes para o rio Paracatu. Outros, nascem no Jalapão Tocantins, caso do rio Preto, mas a grande parte nasce no Espigão Mestre, início das campinas, baianas, mineiras e piauienses.

Pois bem, com a implantação deste novo modelo de organização territorial, iniciou-se o maior processo de desmatamento no Brasil, feito a correntões. Foi só uma questão de tempo para que as nascentes não só dos córregos, mas também dos rios começassem a migrar das partes mais altas para as mais baixas, e alguns córregos secaram totalmente. Por que isso aconteceu? Porque sem a vegetação nativa a água da chuva não penetrava mais como anteriormente e não recarregava os aquíferos, e estes foram baixando de nível num processo contínuo, embora o índice pluviométrico permanecesse o mesmo.

O curioso nesta situação é que ainda não haviam sido desenvolvidas tecnologias para a correção completa dos solos regionais, por isso as plantações iniciais com eucalipto e pinheiro não deram certo. Tempos depois é que foram aperfeiçoadas as tecnologias que permitiram o plantio de várias espécies, utilizando-se para isto calcário específico, muito adubo químico e uma quantidade imensa de agrotóxicos. Muitos proprietários abandonaram as iniciativas ou venderam as terras para outros grupos de empresários que, com a utilização de novas tecnologias, foram se apropriando de áreas ainda maiores. Essas tecnologias, associadas, à época, a uma fartura de água, logo permitiram o avanço das fronteiras que cada vez produzia mais e despertava a ganância de muitos produtores que foram diversificando suas culturas.

Com a expansão da exportação, esse processo tornou-se uma corrida incontrolável, atraindo para o local um capital dinâmico e predador utilizando como discurso o enriquecimento fácil e a fartura de empregos. Ambos os fatores não aconteceram, primeiro porque os grandes proprietários que não conheciam a região expulsaram das terras as pessoas que tradicionalmente as usavam sazonalmente para a criação de animais bovinos e equinos. Num segundo momento, com a mecanização, tirou do campo aquelas pessoas que acreditavam num emprego duradouro. Os empregos tornaram-se sazonais e eventuais, sem carteira assinada e sem garantia. Num terceiro momento, comunidades existentes nos Gerais, que praticavam a agricultura familiar, foram totalmente desestruturadas.

Este fenômeno gerou uma situação esdrúxula, pois os camponeses ao serem expulsos das terras foram-se agregando ao redor dos postos de serviços implantados ao longo das rodovias para dar sustentação aos novos empreendimentos. Os homens trabalhavam irregularmente em qualquer tipo de serviço para sobreviverem, as mulheres mais vividas trabalhavam como domésticas, as mais novas foram se prostituindo nos dinâmicos postos de serviços que da noite para o dia se transformavam em verdadeiros polos urbanos.

Só para citar o exemplo do oeste da Bahia, vejam o caso da cidade de Luís Eduardo Magalhães, que há bem pouco tempo era só um posto de gasolina, vejam Roda Velha, que era somente um ponto de parada, vejam o exemplo de Rosário do Oeste, que até ontem era somente Posto do Rosário e por aí vai.
Construir um caminho para fortalecer ou implantar uma educação criativa e a pesquisa que leve em consideração as vocações regionais pode ser a agulha da bússola — Altair Sales Barbosa.

Portanto, os rios foram secando em função do desmatamento, o desaparecimento de córregos menores e lagoas já vem acontecendo desde o início da década de 80. Eu mesmo, levei à região várias emissoras de televisão de nível nacional e internacional alertando para a situação. Foram mais de 16 programas a nível nacional e internacional. O grande poeta, escritor, gênio e músico Elomar Figueira de Melo já alertava através de suas crônicas musicais o que estava acontecendo no Sertão-de-Dentro, como ele denomina os Gerais, mas os políticos do litoral nunca se atinaram.

Outra coisa importante a salientar é que as cidades e dezenas de povoados ao longo do Corrente foram o berço de pessoas de expressão internacional, intelectualmente falando, como o escritor Ozório Alves de Castro, que inspirou Guimarães Rosa; como o escritor, educador e cientista político Clodomir de Morais, o único brasileiro a desfilar em carro aberto com Yuri Gagarim, além de criar várias Universidades mundo afora; como o Mestre Guarany, criador das imortais carrancas do São Francisco; ou como Raimundo Sales de Correntina, exímio inventor. Essas pessoas, só para citar algumas, aprenderam observando os rios que passavam. Por isso o rio, para essa imensa população, é muito mais sagrado do que se imagina. E a manifestação e a revolta do povo de Correntina, acontecida recentemente nas fazendas do rio Arrojado, já estava escrita nas estrelas, como nos canta 

Tetê Espíndola.

E, se providências não forem tomadas no sentido de devolverem à população o pouco que lhes resta de mais sagrado, outras manifestações semelhantes acontecerão nas regiões do Cerrado, pois todos nós padecemos do mesmo mal.

Outra coisa a frisar é que não é a falta de chuvas que provoca tal situação, e sim o rebaixamento dos aquíferos. Além do que as águas das chuvas que precipitam encontram o solo desprotegido, fazendo com que o escoamento seja mais rápido e o transporte de sedimentos aumente de forma desproporcional, avolumando-se o assoreamento. É o início do fim...

IHU On-Line – O que pode ser feito a partir de agora para reverter esse quadro?

Altair Sales Barbosa - Muitos me perguntam o que tem que ser feito agora. Para responder esta questão teria que enumerar vários pontos, o que tomaria muito espaço e não é este o caso no momento, mas construir um caminho para fortalecer ou implantar uma educação criativa e a pesquisa que leve em consideração as vocações regionais pode ser a agulha da bússola. O prejuízo já ocorrido, este é irreversível, dentro dos parâmetros de conhecimento que atualmente possuímos.


Fonte IHU

“Suicídio é grave problema de saúde pública e sua prevenção deve ser prioridade”, afirma OPAS/OMS.

katia de pinho campos suicidio15 de maio de 2018 – A prevenção do suicídio é mais uma vez tema de oficina realizada no escritório da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) no Brasil entre esta terça (15) e sexta-feira (18). O evento é promovido em parceira com o Ministério da Saúde brasileiro e conta com a participação de especialistas, pesquisadores e acadêmicos, entre outros profissionais.

A cada 40 segundos, uma pessoa se suicida no mundo. Com base nesse e outros dados, Katia de Pinho Campos, coordenadora da Unidade de Determinantes da Saúde, Doenças Crônicas Não Transmissíveis e Saúde Mental da OPAS/OMS no Brasil, pontuou que o suicídio é um grave problema de saúde pública e que sua prevenção é uma prioridade para a OPAS/OMS. “Coibir essas mortes evitáveis é tarefa de todos nós. São 800 mil suicídios por ano, dos quais 65 mil acontecem aqui na região das Américas”, disse.

Katia afirmou que a terceira oficina sobre prevenção ao suicídio é um importante momento de integração entre o Ministério da Saúde, as Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde e a OPAS/OMS. Reafirmou ainda que o trabalho interinstitucional constitui mais um passo em direção ao cumprimento do plano nacional e dos planos locais de prevenção do suicídio. “É preciso agir de forma multisetorial para evitar essas mortes. Mas não conseguiremos fazer isso sem informações de qualidade. Há uma significativa subnotificação no mundo. E isso ocorre por dois motivos. Primeiro, pela insuficiente capacidade dos sistemas de registro dos países de baixa e média renda. E, segundo, pelo estigma e criminalização, que levam as pessoas a manterem em segredo seus pensamentos suicidas e as famílias a esconderem quando ele de fato ocorre.”

150518 suicidiodanielSegundo Daniel Elia, consultor em saúde mental, álcool e outras drogas da OPAS/OMS no Brasil, para estabelecer programas de prevenção ao suicídio eficazes é necessário identificar os métodos mais utilizados para consumá-lo e dificultar seu acesso indiscriminado à população. O profissional citou também algumas das recomendações do organismo internacional para a prevenção do suicídio, entre elas, uma cobertura responsável desses eventos por parte da imprensa. “A difusão responsável de informações pelos meios de comunicação é importante. De uma maneira geral, eles não devem ‘glamourizar’ o suicídio, nem contar os pormenores do que ocorreu”, informou.

De acordo com estudos realizados em diversos países, esse tipo de cobertura midiática pode gerar um efeito de contágio. A OMS tem identificado a atuação da mídia em relação aos suicídios como uma área estratégica para ajudar a prevenir tais atos. A OPAS realizou no ano passado um seminário virtual sobre as melhores práticas para noticiar suicídios, com o intuito de promover uma cobertura responsável.

O suicídio passa a ser cada vez mais, tanto para a OMS quanto para outros órgãos internacionais, um índice de qualidade de vida. Elia lembra que, pela primeira vez, a saúde mental está contemplada nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, especificamente na meta 3.4: “até 2030, reduzir em um terço a mortalidade prematura por doenças crônicas não transmissíveis via prevenção e tratamento, e promover a saúde mental e o bem-estar”. “O suicídio é um indicador de mortes evitáveis e isso mostra o comprometimento dos países em trabalhar cada vez mais esse tema”, pontuou o consultor.

Um dos pontos reiterados por ele é a importância da participação da comunidade na identificação das situações de risco de suicídio – hoje, uma importante estratégia de prevenção.

segunda-feira, 14 de maio de 2018


Bacia do Rio Formoso é a primeira totalmente monitorada no Brasil.

A bacia hidrográfica do Rio Formoso é a primeira e única do Brasil a ter sua vazão monitorada 24 horas por dia. A CAS Tecnologia – empresa especializada no desenvolvimento de soluções de redes inteligentes e de tecnologia da informação – estabeleceu uma parceria com o Instituto de Atenção às Cidades – IAC da Universidade Federal do Tocantins – UFT no projeto denominado Gestão de Alto Nível, que pretende tornar a bacia do Rio Formoso sustentável para a produção agrícola irrigada local.

Ao todo, são 98 bombas hidráulicas pertencentes aos produtores rurais que captam água para seus projetos de irrigação. Destas, 77 já possuem o aparelho de medição instalados. Com o transmissor da CAS Tecnologia, são 63 bombas hidráulicas. Em média, os produtores rurais retiram 1500 L/s dos rios e chegam a operar 24h/dia. A título de comparação, a principal estação elevatória, responsável por abastecer cerca de 70% da capital do Tocantins, Palmas, retira 800 L/s do curso d’água.

“Os volumes captados por cada bomba são muito altos, em média, 1500 litros por segundo, e com esse número expressivo de bombas o grande risco é interromper o fluxo da água na calha do rio, comprometendo assim os demais usos da água, assim como a fauna e a flora associada ao manancial”, explica o Dr. Felipe de Azevedo Marques, presidente do IAC/UFT e Coordenador Geral do Projeto Gestão de Alto Nível. O objetivo do projeto é restabelecer a segurança hídrica da bacia, reduzir as incertezas associadas ao volume de água existente e mediar a quantidade ideal a ser captada pelos produtores rurais sem prejudicar sua capacidade.
Atualmente, cerca de 40 produtores instalados no entorno da bacia captam água para seus projetos de irrigação por meio de bombas hidráulicas. O projeto consiste em um aparelho conectado a cada uma dessas bombas (formado por medidor de vazão ultrassônico e por um painel solar) que monitora, em tempo real, a quantidade de água retirada. A CAS Tecnologia fornece a tecnologia que faz a coleta e a entrega dos dados para a Universidade Federal do Tocantins.

“Em campo foram instalados, em cada bomba, os equipamentos da estação de medição, composta por uma microusina solar, o medidor ultrassônico de vazão e o transmissor de dados da CAS Tecnologia, que recebe a leitura de corrente elétrica e envia essa informação a cada 15 minutos via rede de telefonia GPRS ou 3G. Os dados seguem para o servidor de comunicação Hemera Iris , da CAS Tecnologia , na nuvem, que então são acessados pela Universidade Federal do Tocantins, onde são armazenados pela aplicação GAN, que decodifica o sinal e o transforma em um valor de vazão, em litros por segundo. Assim, pesquisadores ficam de olho nos índices que indicam se a água do rio está sendo captada corretamente ou não”, explica Pablo Santana, arquiteto de soluções da CAS Tecnologia.

Em 2016, após uma Crise Hídrica, o Ministério Público do Estado do Tocantins impetrou uma Ação Cautelar contra os produtores rurais pela retirada excessiva de água e contra o Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) órgão ambiental fiscalizador. O Tribunal de Justiça, ao receber e analisar a ação, convidou a Universidade Federal do Tocantins para contribuir no processo, sob o viés técnico, a fim de apoiar sua decisão. Foi então que o IAC/UFT apontou uma alternativa: evoluir a gestão de recursos hídricos na bacia, a fim de reestabelecer a segurança hídrica aos produtores e ao meio ambiente.

“A Gestão de Alto Nível visa dar condições ao órgão gestor estadual, o Naturatins, de tomar providências quanto à redução ou manutenção das vazões captadas mais rapidamente e assim não ocorrer o comprometimento dos corpos hídricos ou a suspensão abrupta das captações”, diz Felipe Marques, que completa: “O princípio da Gestão de Alto Nível é reduzir as incertezas, permitindo aos usuários e órgão gestor monitorar permanentemente a disponibilidade e a demanda hídrica.”

Para que o produtor rural esteja ciente e atento ao volume de água que capta do rio, o projeto Gestão de Alto Nível disponibilizou um aplicativo pioneiro no Brasil, que apresenta tanto a disponibilidade hídrica da bacia bem como as vazões em tempo real de todas as bombas hidráulicas. A aplicação pode ser acessada de qualquer dispositivo com acesso à internet. A partir de um mapa o usuário clica sobre a estação de interesse, de disponibilidade ou de captação. A partir daí as informações gerais da estação ou bomba são apresentadas, assim como as vazões em tempo real e as séries históricas no formato de tabelas e gráficos dinâmicos, tudo muito fácil de usar.

“Antes do monitoramento, nem o produtor nem o órgão fiscalizador sabiam quanto de água cada bomba retirava do curso d’água. Com o monitoramento, o produtor consegue saber se está captando além de sua vazão ou volume diário permitido e até mesmo se está captando mais do que a necessidade de água para a irrigação, podendo reduzir as horas de trabalho da bomba e também economizar em energia, pois eficiência hídrica é também eficiência energética”, explica o coordenador técnico da Gestão de Alto Nível, o Dr. Fernán Vergara do IAC/UFT.

Fonte: ENVOLVERDE

Relatório mostra que casas de madeira são a tendência do futuro.

O novo relatório da Grand View Research, Inc divulgado para o mercado global de madeira laminada cruzada (CLT) mostra que até 2025 ele deve ser avaliado em US $ 2,07 bilhões. Um dos fatores é o crescimento das construções de casas de madeira.

Segundo a entidade, o aumento acontece juntamente com iniciativas governamentais de apoio em todo o mundo que positivamente influenciam e esquentam este mercado, o que reflete também o aumento da conscientização sobre os riscos ambientais causados ​​pelo uso de concreto de cimento na construção.

Hoje a demanda por edifícios residenciais de madeira, como casas e apartamentos com apelo estético e flexibilidade de design está a todo vapor, como parte de um grande movimento global baseado na mudança do uso do concreto para a madeira.

A Europa ainda é a região líder deste mercado. Espera-se que os segmentos institucionais e comerciais respondem coletivamente por 46,9% do mercado global em 2025, mas o papel do Brasil é extremamente relevante pro futuro. Uma árvore cultivada no norte da Europa demora cerca de 80 anos para atingir a maturidade necessária para servir à construção civil. Já com as condições climáticas e de solo do Brasil, esse tempo, aqui, cai para 14 anos. Mais da metade do nosso território é coberta por florestas.

​P​or ser um produto de potencial substituto de poluentes e não renováveis, pode ser um descarbonizador da construção civil, setor responsável por 50% das emissões.

Fonte: ENVOLVERDE

Senac SP realiza série de palestras sobre questões sociais e desenvolvimento.

Questões sociais e iniciativas ao desenvolvimento humano vão dar o tom das palestras do evento gratuito Sala Social: reflexões e diálogos, organizado pelo Senac São Paulo, de 16 de maio a 29 de junho, em sete unidades da rede: 24 de Maio, Lapa Tito, Santana e Tiradentes, na capital; Santo André, na Grande São Paulo; e Marília e Jundiaí, no interior.

O evento é desenvolvido desde 2013 e tem o objetivo de propiciar um ambiente colaborativo para a troca de informações e técnicas para inovação na área social. “A iniciativa do Sala Social: reflexões e diálogostorna-se essencial, pois gera diálogos em torno de questões sociais importante nos dias atuais”, afirma Regina Paulinelli, coordenadora da área de desenvolvimento social do Senac São Paulo.

O Senac Santana abre a programação do evento, no dia 16 de maio, a partir das 19h30, com a palestra Tecnologias Sociais nas Dinâmicas de Convivência, ministrada por Simone Mariko Kohatsu, educadora, psicóloga e psicodramatista. Na ocasião, os participantes poderão conferir algumas técnicas de psicodrama, terapia inspirada nas artes cênicas.

Já para quem estiver na unidade 24 de Maio, em 20 de junho, das 10 às 12 horas, poderá acompanhar o debate A Constituição de Parcerias em Projetos Sociais, mediado por Roberto Galassi Amaral, doutor em serviço social com especialização em administração de recursos humanos; Caio Cesar Silva Nascimento, pós-graduado em formação de educadores; e Sueli Nemen Rocha, bibliotecária e especialista em mediação de serviços de informação e educação. O debate terá como base o grande desafio na busca por parceiros que compartilham da mesma visão de mundo, estratégias de trabalho e objetivos.

O evento se encerra na capital paulista em 29 de junho, com duas atividades: no Senac Lapa Tito, o workshop Empoderamento Cultural e Parcerias para Projetos Sociais, que terá a participação de Wanderson Skrock, administrador de empresas que, desde 2007, trabalha com iniciativas de informática voltadas para comunidades. Ele falará sobre a importância do foco para atuar com projetos sociais e a cultura local como empoderamento e atração externa, a partir das 19 horas. Já o Senac Tiradentes, vai abordar a relação do turismo e da cultura como agentes sociais para transformação de lugares, das 19 horas às 21 horas.

Fonte: ENVOLVERDE

Raquel Rosenberg fala da experiência em ser censurada.

Por Raquel Rosenberg*

Desde que Sávio de Tarso, meu pai, foi morto (em janeiro) eu não consegui escrever uma linha de nada que não fosse pra ele. Não consegui fazer um post em redes sociais. Talvez porque seja impossível não ficar sem palavras diante do absurdo de injustiça que aconteceu. Talvez porque ele me inspirou e ensinou a escrever. Talvez porque a reação de algumas pessoas é colocar pra fora; a minha aparentemente é me recolher e agradecer o carinho de quem tá por perto. Mas essa história está mesmo entalada.

Quando aceitei o convite feito pela Ashoka pra estar na mesma mesa do CEO da Nestlé, Mark Schneider, em um evento fechado antes do Fórum Mundial da Água, a primeira coisa que pensei foi em fazer uma ação ativista que o constrangesse e escancarasse pro mundo pelo menos alguma das muitas contradições dessa multinacional. Mas a partir de conversas com os meus parceiros de luta no Engaja e fora, entendendo que não é sempre que podemos tentar mostrar pra gente desse escalão a forma como enxergamos as profundas transformações que devem acontecer no mundo e, é claro, inspirada pelo meu pai, que sempre insistiu no diálogo com as empresas pra chegar lá, decidi agir diferente.

Me esforcei pra sair da minha zona de conforto e escrever um discurso que abrisse as mentes e tocasse os corações dos 150 privilegiados em sua alienação que estariam naquele evento. Quando um grande amigo do meu pai chegou animado com um lambe-lambe que os dois haviam criado juntos na época da faculdade, me emocionei ao ler a poesia que estava nele, sobre água. Pronto, já sabia como abrir meu discurso e trazer o conforto que precisaria diante do desconforto do espaço em que estaria. Me inspirei em Vandana Shiva pra falar sobre mudança de paradigma e relacionar desigualdade social à falta de acesso a recursos básicos, incluindo os hídricos.

Quando a representante da Ashoka Suíça me pediu que enviasse o discurso previamente a ela para “alinharmos o que seria falado na mesa”, já que ela também seria palestrante, não hesitei, confiante da parceria de anos que tenho com a Ashoka Brasil, agora formalmente reconhecida como fellow. 

Apesar da demonstração do desconforto e de ainda ter me proposto a modificar algumas versões do texto final, foi na manhã do evento que a mesma me informou que eu não poderia falar, que o público não era o adequado para o meu “tipo de discurso” e a Nestlé precisava blindar o CEO, porque ele era novo e ninguém sabia muito bem como ele reagiria. Não podia acreditar que aquilo estava acontecendo apenas dois dias depois do assassinato da Marielle.

Assisti ao evento da plateia incrédula com a superficialidade do conteúdo, na certeza de que a minha fala ia destoar ali. A única pessoa que se levantou durante todo o evento para repudiar a falta de jovens numa discussão sobre jovens foi Izabella Teixeira, ex-ministra do meio ambiente, a mesma para quem entreguei um “troféu cara de pau” durante ação ativista na COP21, em Paris. Participei do jantar VIP-só-para-palestrantes mesmo assim, e foi lá que descobri, em uma conversa despretensiosa, que o moderador da mesa, Rob Cameron, Chief Executive da consultoria SustainAbility – e machista daqueles que se sente o cheiro de longe – tinha lido o meu discurso. Quem mais será que leu? Quem disse que meu discurso não estava alinhado? Até hoje não sei ao certo. Na esbarrada que dei com o temido CEO só deu tempo de falar que eu era aquela que deveria estar no painel com ele e, em resposta ao questionamento dele sobre a razão de eu não estar, sorri e disse “well, aparentemente eu ia falar coisas que você não está acostumado a ouvir!”

Enquanto isso, uma das responsáveis da Nestlé Brasil deixou clara sua preocupação desde o momento em que me questionou sobre o conteúdo do discurso até a reunião que fizemos na semana seguinte, quando ela confirmou que também não soube anteriormente de onde ou por que a censura teria acontecido. A equipe da Ashoka Brasil, que em sua maioria não estava presente em Brasília, se envergonhou e pediu desculpas imediatamente, se retratando de todas as formas possíveis comigo e refletindo sobre como situações assim mexem com as estruturas de grandes organizações, fazendo-as repensar sobre diversos paradigmas. A representante da Ashoka Suíça também se desculpou e afirmou não ter tido coragem de enfrentar qualquer que fosse a estrutura pesada que estava por trás desse veto.

E aí me dei conta de uma grande lição: a coragem. As instituições, o governo, as empresas – são todos formados por pessoas. Nada é uma caixa escura fechada. E da mesma forma que nas organizações tem pessoas que erram, representantes (ou ex) do governo que antes estavam do outro lado assumem o seu quando o assunto é comum. Nas empresas não é diferente e precisamos sim, como eu escuto a voz do meu pai dizendo, apontar o caminho pra que elas também enxerguem as soluções que enxergamos e tenham a coragem de levar para dentro.

Por outro lado, a revelação do tamanho do absurdo em que vivemos – em um sistema profundamente interligado – veio quando a Ana Carol Amaral não conseguiu publicar a matéria em nenhuma mídia tradicional. Não querem escancarar que estão calando mulheres jovens nos poucos espaços que são abertos para nós dentro desse sistema. É a censura da censura; a frustração e impotência sufocam. 

Mais do que nunca, a vida me mostrou que a mudança precisa olhar para o todo. A faixa que abrimos na plenária final cheia de autoridades, uma semana depois, no Fórum Mundial da Água, dizia “Somos as vozes não ouvidas”. O sistema pode tentar nos calar, mas, de um jeito ou de outro, terão que escutar. Obrigada por não deixarem morrer também esta história. Obrigada ao meu pai por estar vivo em minhas palavras e atitudes.

Raquel Rosenberg é coordenadora da organização Engajamundo e ambientalista.


Fonte: ENVOLVERDE

Caminho do Mar: o filme do rio Paraíba do Sul.


por Juliana de Carvalho – 

Foi fazendo a edição de um livro sobre os cursos hídricos da cidade do Rio de Janeiro que me deparei com a história da transposição do rio Paraíba do Sul para abastecer de água a cidade. Parece estranho, mas essa é uma informação que a maioria dos cariocas desconhece, ou não entende a importância e o perigo do fato. Diante da minha ignorância e surpresa, pensei: isso vale um filme. Assim nasceu o argumento Paraíba do Sul , o filme que mais tarde se chamaria Caminho do Mar, por sugestão do diretor convidado Bebeto Abrantes, inspirado em um verso do poema O Rio, de João Cabral de Melo Neto.

Caminho do Mar, que estreia nos cinemas do Rio e de São Paulo, no dia 7 de junho, na Semana do Meio Ambiente, não é um documentário-denúncia, que quer revelar os culpados, é um grito de alerta contra o descaso das autoridades brasileiras frente ao desgaste de nosso meio ambiente e dos nossos recursos naturais. Em especial, a esse rio que abastece uma das regiões mais populosas do Brasil: a região Sudeste.

É natural uma relação de conflito entre as cidades e o uso de suas águas. Mas no caso do rio Paraíba do Sul um desastre ambiental acontece diariamente e estamos ignorando a gravidade da situação. Depois do que aconteceu com o rio Doce, não é alarmismo dizer que o Rio de Janeiro pode um dia acordar sem ter água para beber. Como disse Paulo Canedo, nosso consultor em hidrologia para o filme: “Dói no coração ver nossos rios sendo mortos”.
O rio Paraíba do Sul nasce em São Paulo, por entre um rico fragmento de Mata Atlântica, na Serra da Bocaina, e ao longo de um bom percurso desliza das regiões de maiores altitudes para as mais planas em meio a duas serras, a do Mar e a da Mantiqueira. Nesse percurso recebe águas de inúmeros afluentes até desaguar no litoral fluminense, em Campos dos Goytacazes e São Francisco do Itabapoana. Como dados numéricos ele também é majestoso. Ao todo, são 5,5 milhões de habitantes, sendo 1,8 milhão no estado de São Paulo, 2,4 milhões no Rio de Janeiro e 1,3 em Minas Gerais. Ao todo são 184 municípios que dependem da água da Bacia Hidrográfica do Rio Paraíba do Sul. Esse contingente aumenta quando incluímos os 8,7 milhões de habitantes da região metropolitana do Rio de Janeiro, uma vez que também consomem a água dessa bacia hidrográfica.

No entanto, apesar da sua expressividade nacional, seja populacional seja econômica (detêm o maior PIB – Produto Interno Bruto), o índice de tratamento do esgotamento sanitário é menor que 11,3 % (Fonte: CEIVAP). Além desse aspecto, outros contribuem para o desequilíbrio ambiental na bacia como: despejos de efluentes industriais, os inúmeros barramentos hidrelétricos, os desmatamentos, o uso irregular do solo, dentre outros.

Inevitavelmente, tal descaso interfere na biodiversidade aquática. Em relação aos peixes, o Paraíba do Sul ainda possui uma grande variedade de espécies, mas é na porção terminal desse rio que as espécies são mais diversas, nos cursos médio inferior e o baixo Paraíba do Sul. Esses trechos, além de não serem industrializados, ainda possuem como rotas migratórias para possibilitarem a reprodução dos peixes, e também rotas de escape para os peixes durante os recorrentes acidentes químicos, inclusive mantendo espécies ameaçadas de extinção, como a piabanha (Brycon insignis), o surubim-do-Paraíba (Steindachneridiom parahybae) dentre outros. É por esse e outros motivos é que temos que preservá-lo.

Nossa missão é trazer para o debate político e popular o futuro do Paraíba do Sul, e quem sabe alterar o curso dessa história. Parafraseando o clássico filme brasileiro do mestre do documentário Eduardo Coutinho, “Cabra marcado para morrer” ( 1984) não vamos deixar o Paraíba do Sul ser mais um rio marcado para morrer.

Juliana de Carvalho, idealizadora e produtora do documentário, e Guilherme Souza, depoente do filme e biólogo do Projeto Piabanha.

Fonte: ENVOLVERDE

quinta-feira, 10 de maio de 2018


Desastre natural terá um banco de dados padronizado no Cemaden.

A organização sistemática de um Banco de Dados padronizado – o qual disponibiliza registros dos históricos de ocorrência de eventos de desastres e pequenos eventos relacionados a riscos geo-hidrológicos – está sendo desenvolvido e aprimorado pela equipe de tecnologistas da área de Desastres Naturais da Sala de Situação e do setor de Desenvolvimento e de Tecnologia da Informação (T.I.) do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A ideia é ampliar o suporte no monitoramento dos 958 municípios, em todo o território nacional, classificados como prioritários para o monitoramento das áreas de risco, além de permitir maior precisão na emissão dos alertas.

O Banco de Dados está sendo organizado com as informações na linha do tempo, relacionando as chuvas e ocorrências de desastres socioambientais. Essas informações são obtidas por meio da plataforma de dados do Cemaden, denominada Siaden (Sistema de Alertas de Desastres Naturais). Junto a essas informações, são acrescentados outros registros de ocorrências provenientes de diversas fontes do País, formando uma interação entre os sistemas de dados.

“No processo de interface e cruzamento das informações, são analisados os parâmetros e variáveis, identificando a magnitude dos riscos geológicos e dos hidrológicos, além do número de pessoas afetadas e dos impactos na infraestrutura das cidades.”, explica o tecnologista da Sala de Situação, Rafael Luiz, participante do trabalho.

Os dados trazem os alertas emitidos pelo Cemaden, com detalhamentos sobre os riscos de desastres geo-hidrológicos, a localidade, data e horário da abertura do alerta, a descrição do evento alertado, níveis do alerta e data-horário do encerramento do alerta. Além dessas informações, são organizados os dados das ocorrências dos eventos, informando a data, precisão do horário e da localidade, magnitude, danos humanos e fontes de informações.

Fonte: ENVOLVERDE

Antropologia é tema de mostra gratuíta de cinema na USP.

O Cinema da USP (Cinusp) Paulo Emílio realiza, de 7 a 30 de maio, a mostra Cinema e Antropologia, uma seleção de filmes que se utilizaram da antropologia, durante os últimos 120 anos da história do cinema, como forma de analisar as relações que os indivíduos estabelecem com as culturas e os meios aos quais estão inseridos.

Dentre os 20 filmes selecionados pela curadoria — feita pelo Cinusp em parceria com Richard Peña, professor da Columbia University — destaca-se Nanook, o Esquimó (Nanook of the North, 1992), de Robert J. Flaherty, primeiro documentário antropológico de longa-metragem que retrata a vida de Inuk Nanook, um esquimó do ártico canadense que luta diariamente pela sobrevivência de sua família, habitantes de um ambiente isolado e hostil à vida humana.

Foram incluídas, dentro da programação da mostra, as palestras da disciplina “Cinema e Antropologia”, do Programa de Pós-graduação em Meios e Processos Audiovisuais da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP, ministrada por Peña e a professora Patrícia Moran, da ECA.

A mostra Cinema e Antropologia acontece de segunda a sexta-feira, às 16 e às 19 horas, no Cinusp, localizado na Rua do Anfiteatro, 181, Colmeias, favo 4, na Cidade Universitária, em São Paulo. A entrada é gratuita.

Fonte: ENVOLVERDE

Desertificação avança sobre semiáridos de todo mundo.

O mundo já experimenta uma expansão das regiões semiáridas, tendência que continuará no presente século por causa do aquecimento global, afirma estudo publicado por pesquisadores franceses. O aumento observado das regiões semi-áridas foi de 13% no século passado, e pode alcançar adicionais 38% até 2.100.

Diversas projeções de modelos climáticos sugerem que as áreas secas do planeta deverão se expandir como consequência do aquecimento global. O estudo investigou se regiões semi-áridas e quentes ocuparão uma área maior no futuro, e também se elas irão se tornar mais áridas. Essas alterações trazem implicações para medidas de adaptação às mudanças climáticas.

A partir de dados climatológicos e de projeções de modelos computacionais, os pesquisadores quantificaram a área total ocupada pelas regiões semi-áridas no século 20 e, ao mesmo tempo, projetaram a área ocupada até o fim do século 21. Para identificar o clima semi-árido, o estudo se baseou na classificação de Köppen, na qual a temperatura e a precipitação são combinados com os diversos biomas para delimitar geograficamente os tipos de clima.

Os resultados indicaram que no século 20 ocorreu expansão das regiões semi-áridas (gráfico abaixo), sendo alterações na precipitação responderiam por 75% dessa mudança, enquanto que o aquecimento global, por 23%. Durante a segunda metade do século 20, verificou-se que a expansão se deu na direção dos pólos em ambos os hemisférios. Esse fenômeno é consistente com as observações de alteração na circulação geral da atmosfera.


Fonte: ENVOLVERDE

Mais de 50% do semiárido brasileiro está em desertificação acentuado.

Mais de 50% das áreas do semiárido brasileiro já “estão com processo de desertificação acentuado”, e cerca de 10 a 15% do território enfrenta uma situação de desertificação severa. A soma das extensões de terras degradadas no Ceará, na Bahia e em Pernambuco equivale a “63 mil km²” de desertificação, informa Iêdo Bezerra de Sá, engenheiro florestal e pesquisador da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).

Ele explica que a desertificação é um fenômeno de degradação ambiental que acontece particularmente em regiões áridas, semiáridas e subúmidas secas, a exemplo do Nordeste e de parte do Sudeste brasileiro. Estende-se por 1,03 milhão de km² (12% da área do País) e atualmente congrega uma população de 27 milhões de pessoas (12% da população brasileira) vivendo em 1.262 municípios de nove estados da Federação. Em novembro de 2017, mais 73 municípios foram incluídos em decorrência da seca prolongada.

De acordo com o engenheiro florestal, no Brasil a desertificação no semiárido tem se agravado por causa do desmatamento na caatinga. “Ao desmatar a caatinga, os solos ficam completamente expostos a todas as intempéries”, frisa. Além do desmatamento, Bezerra de Sá enfatiza que a irregularidade das chuvas contribui para que a degradação seja ainda mais acentuada em algumas regiões. “Há locais, por exemplo, aqui onde estou agora, em Petrolina — que é no extremo oeste de Pernambuco —, em que chove 450 a 500 milímetros por ano. O grande problema é essa irregularidade das chuvas: elas caem de forma muito concentrada, chove muito em pouco tempo, ou seja, os 500 milímetros se concentram em apenas dois, três meses e, às vezes, 20%, 30% da chuva do ano cai em apenas um dia”.

No Brasil, as Áreas Susceptíveis à Desertificação (ASD’s) compreendem cerca de 1.340.863 Km2 (16% do território brasileiro), abrangendo 1.488 municípios (27% do total), incluindo territórios dos nove estados do Nordeste, e de dois do Sudeste (parte de Minas Gerais e do Espírito Santo). Mais de 30 milhões de pessoas (17% da população brasileira) são atingidas pelo processo. O processo ocorre nas áreas Semiáridas, Subúmidas Secas e em Áreas do Entorno, nas quais a razão entre a precipitação anual e evapotranspiração potencial está compreendida entre 0,05 e 0,65.

As áreas mais críticas estão nos Núcleos de Desertificação, cujos solos já estão degradados de forma extremamente grave, um processo de desertificação praticamente irreversível. São eles: Gilbués (PI), Seridó (RN/PB), Irauçuba (CE), Cabrobó (PE), Cariris Velhos (PB) e Sertão do São Francisco (BA).

Fonte: ENVOLVERDE

Campanha quer Cerrado e Caatinga com patrimônios nacionais.

O Cerrado chegou a cobrir dois milhões de quilômetros quadrados, abrangendo 20% do território nacional. Hoje, metade está de pé. Ofuscado pela fama internacional da Amazônia, o Cerrado ficou esquecido – e está ameaçado.

O seu ritmo de desmatamento é mais rápido que o do vizinho – foram 9,4 mil quilômetros quadrados perdidos de Cerrado em 2015, contra 6,2 mil de floresta amazônica, segundo o Ministério do Meio Ambiente. Serviu especialmente para dar lugar a pastos e plantações. O Cerrado está na última fronteira do agronegócio brasileiro, nos estados do Norte e Nordeste, enquanto sua proteção continua fraca – apenas 7,5% do bioma está em áreas protegidas.

Projeto Colabora sobre o Cerrado e Caatinga, coordenado pelo ambientalista Pedro Piauí, criou um abaixo assinado no Change.org para transformar ambos os biomas e perfis vegetais em patrimônios nacionais. Até o momento o documento tem 183 mil assinaturas.


Fonte: ENVOLVERDE