segunda-feira, 7 de maio de 2018


Conheça organizações que monitoram países sobre o acordo climático.

Conheça as organizações que monitoram e analisam a atuação de governos de países comprometidos com as mudanças climáticas.

Climate Action Tracker é uma análise científica independente que mede a ação climática governamental em relação ao objetivo globalmente acordado de manter o aquecimento da temperatura medida do planeta bem abaixo de 2 ° C, em relação ao período pré-industrial, e buscar esforços para limitar o aquecimento a 1,5 ° C. http://www.climateactiontracker.org É uma colaboração das seguintes organizações:

Climate Analytics – A Climate Analytics é uma organização sem fins lucrativos com sede em Berlim, Alemanha, com escritórios em Lomé, Togo, e Nova Iorque, EUA, que reúne conhecimentos interdisciplinares nos aspectos científicos e políticos das alterações climáticas. Suas atividades incluem: sintetizar e promover o conhecimento científico na área de ciência, política e impactos das mudanças climáticas; fornecer apoio científico e político aos Países Menos Desenvolvidos e aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento nas negociações internacionais sobre o clima, e acompanhar e analisar a eficácia das políticas climáticas globais em todo o mundo.

Ecofys – Especialistas em Energia – Ecofys, uma empresa Navigant, é uma consultoria internacional líder em energia e clima, focada em energia sustentável para todos. Fundada em 1984, a empresa é uma consultora para governos, corporações, ONGs e fornecedores de energia em todo o mundo. A equipe oferece resultados significativos nos setores de energia e transição climática.

Trabalhando em toda a cadeia de valor da energia, a Ecofys desenvolve soluções e estratégias inovadoras para apoiar seus clientes, possibilitando a transição energética e trabalhando com os desafios da mudança climática. www.ecofys.com.

NewClimate Institute – O NewClimate Institute é um instituto sem fins lucrativos criado em 2014 para apoiar a pesquisa e a implementação de ações contra as mudanças climáticas em todo o mundo, cobrindo as negociações climáticas internacionais, acompanhamento de ações climáticas, clima e desenvolvimento, financiamento climático e mecanismos de mercado de carbono. O NewClimate Institute visa conectar pesquisas atualizadas com os processos de tomada de decisão do mundo real. www.newclimate.org

Fonte: ENVOLVERDE

Ambientalistas do Sea Shepherd são agredidos por caçadores de focas.

O navio do Sea Shepherd, Farley Mowat, no Golfo de St. Lawrence, litoral do Canadá, em oposição ao abate de focas. Nesta campanha, uma equipe da Sea Shepherd foi atacada e agredida violentamente quando estava no gelo tentando salvar os animais. Onze tripulantes foram presos e acusados de documentar o assassinato de focas. A polícia se recusou a fazer acusações contra os caçadores por agressão. O navio segue para o norte, para a região de Labrador, marcando a primeira vez que um navio foi para a frente do litoral de Labrador para se opor ao abate de focas. A tripulação enfrenta, neste momento, fortes tempestades, mas intervém com sucesso na caça. A ong  Sea Shepherd Conservation Society é a mais atuante na preservação da vida marinha e que existe no litoral de diversos países.

Fonte: ENVOLVERDE

Ambientalista foi censurada no Fórum Mundial da Água em painel com Nestlé.

Por Ana Carolina Amaral, jornalista ambiental. Especial Envolverde
Foto de Guilherme Kardel

Minutos antes de subir ao palco com seu discurso em mãos, a ativista ambiental Raquel Rosenberg foi impedida de tomar seu lugar na mesa-redonda “Empregabilidade da juventude e água”, que contou com a presença do CEO da Nestlé, Ulf Mark Schneider, e representantes da Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação. O evento foi organizado pela Nestlé no dia 16 de março, às vésperas do 8º Fórum Mundial da Água, que contou com patrocínio da empresa.

Em um discurso contundente, a ativista relaciona a desigualdade social e nas relações de trabalho à falta de acesso a recursos básicos, incluindo os hídricos. Raquel aponta a desigualdade no acesso aos recursos como raiz da violência, citando a recente morte de seu pai, morto em um assalto. O texto também descreve a realidade de um cearense de 20 que só recebe água encanada por meio período em seu bairro. E ainda traz o entendimento da ONU de que os esforços para melhorar a gestão da água devem ser anteriores à preocupação sobre os empregos.

O convite à ativista havia sido feito por meio da Ashoka, ONG de atuação global que apoia agentes de transformação social. Também veio da ONG a preocupação com os posicionamentos do texto.

Nas semanas anteriores ao evento, e-mails da representante da Ashoka suíça Stefania Avanzini pedem mudanças no texto em nome de uma boa relação com a Nestlé e também com Agência Suíça para o Desenvolvimento e Cooperação – principais patrocinadores da Ashoka. “Editei algumas coisas que a Stefania havia pedido, sem mudar a essência do que eu queria falar; mas quando cheguei no evento, ela me comunicou que eu não falaria, para evitar que os outros membros da mesa ficassem desconfortáveis”, conta Raquel, cujo lugar no palco foi assumido pela representante da Ashoka que havia lhe vetado.

A ausência não foi justificada no microfone por nenhum dos membros do painel, ainda que o público tivesse recebido uma cópia da programação constando o nome da ativista. Na plateia, a ex-ministra do Meio Ambiente Izabella Teixeira pediu a palavra ao fim do painel seguinte e apontou a ausência da juventude na discussão. “Acho incrível que todo mundo está fazendo a discussão para o futuro e não tem ninguém aqui que vai estar nesse futuro”, criticou em sua fala. À reportagem, disse ter sido aplaudida por jovens ao deixar a sala. “Eles disseram que foram representados pela minha fala; mas, embora tivesse notado a ausência da Raquel, estou sabendo por você que ela estava lá e foi impedida de falar. Fico estarrecida, isso é incabível”, conta a ministra.
Conhecida pelo engajamento de jovens no ativismo pelas questões climáticas, Raquel é fundadora da ONG Engajamundo e representou a juventude internacional em discurso na COP-21, Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas de 2015, que chegou ao Acordo de Paris (discurso aqui). Agora, diante da censura, ela mostra preocupação com a falta de diálogo. “Queria ter a oportunidade de conversar sobre as diferentes visões. As grandes corporações precisam se abrir para ouvir as mudanças que querem tratar o problema na raiz, e não apenas as soluções band-aid”, aponta, em referência a inovações paliativas. “A mesa [em que Raquel participaria] ficou discutindo o que fazer com o plástico das garrafinhas, quando a raiz do problema é a fabricação da garrafinha”, exemplifica. 

Segundo ela, a questão hídrica exige mudança de paradigmas e, por isso, “precisa ser discutida junto às empresas, não só no Fórum Alternativo; mas esses espaços não existem e, quando existem, nos vetam em cima da hora”, lamenta.

O discurso da ativista de 28 anos (abaixo, na íntegra) trazia o que os movimentos sociais viriam a defender nos dias seguintes, no Fórum Alternativo Mundial da Água: a abordagem da água como direito humano e não como mercadoria. O embate entre as duas visões dura mais de duas décadas e, em 2010, levou a ONU a reconhecer “o acesso à água de qualidade e a instalações sanitárias” como direito humano. Já as empresas interessadas na exploração do recurso defendem medidas como o controle privado de fontes de água mineral. Durante a 8ª edição do Fórum Mundial da Água, em Brasília, a sede da Nestlé em São Lourenço (MG) foi ocupada por 600 mulheres do MST contra a exploração das fontes adquiridas pela empresa em 1994. Os protestos alegavam que a produção de água engarrafada estaria diminuindo os sais minerais e a vazão da água disponível para a população.

Em nota enviada à reportagem, a assessoria da Nestlé afirma que “nós incorporamos explicitamente o reconhecimento e o respeito pelo direito humano à água por meio das Diretrizes da Nestlé sobre o Direito Humano à Água e ao Saneamento. ” Sobre o evento, a mesma nota diz: “a Ashoka entendeu que o teor da apresentação não estaria alinhado ao tema foco do painel”. A Ashoka não retornou às tentativas de contato da reportagem, mas, segundo Raquel, a ONG teria lhe procurado para checar seu alinhamento com a resposta a ser enviada pela Nestlé.

Fonte: ENVOLVERDE

Discurso censurado no Forum Mundial da Água, por Raquel Rosenberg.

* Raquel Rosenberg

“Muita água corre em pouco lugar/ Quando não/ – e assim geralmente acontece -/ Vem uma gota,/

Forte,/Densa.

E se vaporiza,/ Mal saciando qualquer sede.

Pode ser a cena muda.”

Meu nome é Raquel e gostaria de fazer uma reflexão sobre desigualdade. Esse poema foi escrito pelo meu pai em 1978. Ele foi assassinado dois meses atrás durante um assalto em São Paulo. A desigualdade é causada pela falta de acesso aos recursos naturais e por relações de trabalho desiguais. 

Em um mundo no qual direitos básicos como acesso à água e saneamento são tratados como privilégios, a falta de acesso a esses recursos são a raiz da desigualdade, e a violência é apenas uma de suas consequências.

Quando eu e meus amigos nos demos conta que decisões globais são tomadas a portas fechadas por poucas pessoas, durante a Rio+20 (Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável), decidimos criar o Engajamundo. Para ter certeza de que nossas vozes, como jovens, pudessem ser ouvidas por políticos, diplomatas, empresas e influenciadores.

Água é um direito humano estabelecido pela ONU. Uma das principais mensagens trazidas no no Relatório da ONU sobre Água e Emprego é: “O planejamento a longo prazo e o financiamento efetivo para a melhor gestão da água são necessários antes que oportunidades de emprego aprimoradas, crescimento econômico, entre outros benefícios socioeconômicos relacionados possam ser realizados.”

Então, antes de falar sobre empregos sustentáveis para os jovens, precisamos falar sobre direitos humanos básicos.

Sustentabilidade deve ser transversal, e não somente uma área ou pauta em reunião. Os limites do planeta devem ser considerados antes dos aspectos sociais e econômicos!

Vocês devem olhar para toda a cadeia de produção, os arredores, o futuro dos que trabalham em cada setor. O acesso à água deve ser institucionalizado em políticas públicas. Caso contrário, não será realmente sustentável a longo prazo. E o saneamento básico? Não faz parte da mesma cadeia?

Vandana Shiva é uma de minhas maiores inspirações e ela diz que “deixar os sistemas de água, comida, do clima serem destruídos – essa é a estupidez que nos rege hoje.”

A comida que não é feita por nós não é comida de verdade. Ela é modificada para durar mais, para ter uma cor específica, para sobreviver em climas que não são ideias. Tudo isso causa um dano enorme à nossa saúde e quantidades exorbitantes de resíduos.

Nós vivemos em um sistema doente que faz com que tudo o que é custoso para o planeta, como transgênicos, patentes, royalties e combustíveis fósseis, pareça barato para o consumidor!

Como podemos mudar o paradigma realmente e criar uma nova visão de mundo?

Estamos entrando na era do “lowsumerism”, na qual menos é mais. Cada um de nós é parte da solução deste desafio global.

Empresas são feitas de pessoas. Todos os funcionários têm um papel importante nessa nova configuração global. Não é sobre uma pessoa ou líder tomando a responsabilidade para si. Você pode começar em suas atitudes diárias E na área que você trabalha (ou onde quiser)!

A diversidade nos dá força. Precisamos de mais mulheres, mais negros, mais LGBTs, mais indígenas, mais jovens nessa sala e em todos os espaços onde possamos levar nossas vozes!

O Brasil é uma grande prova de diversidade e abundância. Social, cultural e ambiental. Nós temos quase 1/5 das reservas mundiais de água, mas um dos piores índices de distribuição.

Rodrigo, 20, mora no Ceará, uma das regiões mais secas do Brasil. Ele cresceu numa das maiores favelas do nosso país [Pirambu], e viu durante toda sua infância o mar, contaminado com lixo e esgoto, inundar e destruir casas. Hoje, já vivendo em um bairro chamado de melhor, Rodrigo continua tendo acesso à água somente a partir do período da tarde.

Ele decidiu entrar para a rede do Engaja para mudar esta realidade. Desde o ano passado, como parte da co-criação de nossa Campanha da Água, Rodrigo tem conscientizado outros jovens, planejado ações de ativismo relacionadas ao tema e agora está representando sua comunidade no Fórum Mundial da Água. Mas mais do que tudo, ele está trazendo para Brasília sua própria voz, sente que hoje é escutado e se tornou um exemplo para aqueles que viviam próximos a ele.

Rodrigo é só um dos exemplos do impacto do Engaja. Muito mais do que influenciar a política diretamente, nós estamos mudando a visão dos jovens sobre eles mesmos.

Mudar o mundo não é apenas sobre fazer ativismo, mas também sobre trabalhar com as suas próprias mãos.

A discussão sobre empregos de jovens está anos à frente de onde estamos. Enquanto não temos uma visão global que leva em consideração todos os desafios apresentados aqui, nós não chegaremos a lugar nenhum.

Vamos criar uma grande comunidade! Somos todos parte da ‘família Terra’, tudo está ligado. Não estaríamos brigando ou com medo uns dos outros se compartilhássemos um mesmo propósito.

Precisamos colaborar! Se nossas relações forem baseadas em empatia e compartilhamento, a colaboração inter sectorial virá à tona e a mudança acontecerá de forma fluida, como a água.

Como meu pai costumava dizer “we are all one” – somos todo um.

*Raquel Rosenberg é coordenadora-geral da organização Engajamundo
( Por Ana Carolina Amaral, especial Envolverde)


Fonte: ENVOLVERDE

Evento Mobilidade no Século 21 trata dos desafios do deslocamento.

Diferente do que acontecia no século passado, a Mobilidade do Século XXI vai muito além do automóvel. Naquela época, desejo de dez entre dez jovens, hoje ter um carro já não alcança mais essa unanimidade. Cidades cada vez mais congestionadas e poluídas estão mudando o modo de se entender a locomoção.

Hoje, mobilidade é cada vez mais subentendida como o ato de ir de um ponto A ao B de maneira rápida, segura, cômoda e barata, portanto, isso pode significar o uso de um transporte coletivo como ônibus, metrô ou trem, uma bicicleta, uma caminhada e até mesmo ir de carro.

A nova realidade implica também em pensar com maior cuidado a acessibilidade. A cobrança por calçadas em boas condições, rampas de acesso para cadeirantes e transportes adaptados para pessoas com baixa mobilidade, entre outros, começam a deixar de ser exceção para se tornar norma, apesar de ainda precários e insuficientes.

Temas como mobilidade e acessibilidade, portanto, representam desafios civilizatórios relevantes na busca por um mundo mais justo, equilibrado e sustentável. O evento acontece na Unibes Cultural no dia 23 de maio, em São Paulo.

Fonte: ENVOLVERDE

sexta-feira, 4 de maio de 2018


Relatório de publicação científica mostra cenário caótico para 2050.

O relatório “The Lancet Countdown: Tracking Progress on Health and Climate Change” , estudo multidisciplinar desenvolvido em 2015 e publicado em 2016 pela revista científica The Lancet, como apoio da OMS, Banco Mundial e Nações Unidas aponta um cenário aterrador para a o planeta e as consequência à humanidade. Nas grandes cidades do planeta, as inundações severas se duplicarão em 2050 enquanto 4 bilhões de pessoas sofrerão com problemas de acesso a água. Nessa data, dobrará o número de mortes decorrentes do ar poluído em boa parte dos países em desenvolvimento. As populações urbanas expostas aos furacões chegarão a 680 milhões de pessoas. Mais de 1 bilhão de pessoas padecerá com as ondas de calor (em 2015 foram 175 milhões), sendo particularmente letais para crianças pequenas e idosos, que constituirão grande parte da população em alguns países.em 2050 haverá mais quilos de plástico que de peixes no mar. Em 2048, grande parte da população mundial não terá mais alimentos de origem marinha selvagem, segundo um estudo publicado na Science.

Fonte: ENVOLVERDE

Alemanha recebe nova negociação do clima sem boas perspectivas.

Representantes de 190 países estão reunidos em Bonn para uma nova rodada de negociações sobre o acordo climático de Paris. Destes, 23 foram avaliados pelo Climate Action Tracker (CAT), incluindo o Brasil. A análise, que se concentrou nos maiores emissores de gases de efeito estufa, mostra que embora alguns progressos tenham sido feitos desde a última conferência do clima, em novembro do ano passado, as políticas da maioria dos governos ainda não estão no caminho para cumprir os compromissos assumidos sob o Acordo de Paris – muitos dos quais estão longe de manter o aquecimento dentro do limite acordado de 1,5° C.

No caso do Brasil, a análise mostra uma inflexão na curva do desmatamento e das emissões resultantes. O notável progresso na sua desaceleração, observado desde 2005, deu lugar a uma aceleração no desmatamento e nas emissões. O desmatamento total aumentou quase 30% em 2016 em relação a 2015, com mais de 50% na região amazônica. Isso vai na direção oposta aos compromissos do Brasil sob o Acordo de Paris, que incluem uma meta de zerar o desmatamento ilegal na Amazônia brasileira até 2030. As primeiras estimativas para 2017 dão esperança de que pelo menos na Amazônia o desmatamento tenha voltado a diminuir, mas a incerteza sobre outras regiões e a observação de mais incêndios são motivo de preocupação.

Cortes orçamentários de 50% para o Ministério do Meio Ambiente, 70% para autoridades de monitoramento do desmatamento e outras áreas levantam questões preocupantes em relação à capacidade do governo de monitorar adequadamente o desmatamento, e isso tem sido visto no aumento do desmatamento. Não apenas o governo reduziu a capacidade de fiscalização das autoridades, mas também começou a reverter as políticas de uso da terra já em vigor, regularizando mais práticas ilegais de apropriação de terras e removendo a proteção das florestas nacionais.

Dado o papel fundamental do setor de uso da terra e mudanças no uso da terra (LULUCF) nas metas nacionalmente determinadas (NDC) do Brasil e a enorme importância de suas florestas para serviços ambientais, biodiversidade e seqüestro de carbono, o governo brasileiro precisa urgentemente fortalecer a ação de mitigação neste setor – em vez de enfraquecê-lo.

Fonte: ENVOLVERDE

Energias renováveis surpreendem e avançam em vários países.

No novo encontro do clima em Bonn pelo menos uma notícia boa para o meio ambiente, as energias renováveis oriundas do vento e do sol estão se desenvolvendo tão rapidamente que o Climate Action Tracker teve que rever suas projeções de emissões para os Estados Unidos em 2030 (apesar dos esforços da atual presidência na direção oposta) e para o Chile (onde os baixos custos recorde de renováveis abriram o caminho para a adoção de um plano para eliminar o carvão). A Argentina apresentou novos cenários energéticos que, se implementados, resultariam em emissões significativamente menores.

Há também algumas novas políticas de impacto que foram anunciadas, mas ainda não implementadas (nem quantificadas pelo CAT). Um exemplo é o anúncio do novo governo da Nova Zelândia de que alcançará o zero carbono líquido até 2050 e que apresentará uma Lei do Carbono Zero.

Um número crescente de países está se afastando do carvão, com a nova “Powering Past Coal Alliance” de mais de 20 países, com o objetivo de eliminar gradualmente seu uso. Um de seus membros, o Reino Unido, reduziu a participação do carvão na geração de eletricidade de cerca de 40% para 7% em três anos. A Alemanha, principal usuária de carvão da Europa, acaba de iniciar um processo para elaborar um prazo de eliminação gradual.

Fora do âmbito das políticas nacionais, a navegação internacional reconheceu pela primeira vez a necessidade de eliminar completamente as emissões dos gases de efeito estufa e estabeleceu como meta reduzir suas emissões em pelo menos 50% até 2050 em comparação com 2008.

Fonte: ENVOLVERDE

Grandes economias insistem em se manter atreladas ao uso do carvão.

Enquanto parte dos integrantes do Acordo de Paris comemorara o avanço das energias limpas, há um temor literalmente no ar, pois grandes economias ainda se mantém firmes com o uso do carvão. Entre os que continuam com a expansão do carvão térmico estão o Japão, a Indonésia, as Filipinas e a Turquia, que ainda estão prosseguindo com planos de construção de usinas de carvão, o que elevará as emissões e os riscos de ativos ociosos significativos. Embora a China esteja parando a construção de usinas a carvão em algumas províncias devido a excesso de capacidade, o carvão continua a responder por cerca de dois terços da geração de eletricidade, e novas usinas foram autorizadas. O uso total de carvão na China aumentou novamente no ano passado após um declínio que vinha desde 2013. Dentro da União Europeia, a Polônia, anfitriã deste ano da conferência sobre o clima, continua a depender fortemente do carvão e está sozinha na expansão do planejamento da UE.

Governos que decidiram eliminar o carvão, mas precisam de mais etapas para a implementação de suas intenções, incluem a Coréia do Sul, que anunciou sua intenção de fechar várias usinas antigas de carvão antes do previsto e reconsidera as novas usinas que buscam licenças ou estão em construção, mas ainda não conseguiu implementar totalmente essas aspirações. Outros países, como o Chile e a Alemanha, deram um primeiro passo e decidiram iniciar um processo para estabelecer cronogramas de eliminação progressiva. Nos dois países, quase metade da eletricidade ainda é gerada pelo carvão atualmente.

Há governos que ainda se concentram em um futuro movido a carvão, enquanto a realidade é renovável: o uso continuado do carvão parece ainda estar firme nos planos governamentais dos Estados Unidos e da Austrália, apesar dos sinais claros de que a energia renovável está ganhando terreno devido à competitividade em termos de custo – e é altamente provável que continue a fazê-lo.

Fonte: ENVOLVERDE

Conheça organizações que monitoram países sobre o acordo climático.


Conheça as organizações que monitoram e analisam a atuação de governos de países comprometidos com as mudanças climáticas.

Climate Action Tracker é uma análise científica independente que mede a ação climática governamental em relação ao objetivo globalmente acordado de manter o aquecimento da temperatura medida do planeta bem abaixo de 2 ° C, em relação ao período pré-industrial, e buscar esforços para limitar o aquecimento a 1,5 ° C. http://www.climateactiontracker.org É uma colaboração das seguintes organizações:

Climate Analytics – A Climate Analytics é uma organização sem fins lucrativos com sede em Berlim, Alemanha, com escritórios em Lomé, Togo, e Nova Iorque, EUA, que reúne conhecimentos interdisciplinares nos aspectos científicos e políticos das alterações climáticas. Suas atividades incluem: sintetizar e promover o conhecimento científico na área de ciência, política e impactos das mudanças climáticas; fornecer apoio científico e político aos Países Menos Desenvolvidos e aos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento nas negociações internacionais sobre o clima, e acompanhar e analisar a eficácia das políticas climáticas globais em todo o mundo. www.climateanalytics.org

Ecofys – Especialistas em Energia – Ecofys, uma empresa Navigant, é uma consultoria internacional líder em energia e clima, focada em energia sustentável para todos. Fundada em 1984, a empresa é uma consultora para governos, corporações, ONGs e fornecedores de energia em todo o mundo. A equipe oferece resultados significativos nos setores de energia e transição climática. Trabalhando em toda a cadeia de valor da energia, a Ecofys desenvolve soluções e estratégias inovadoras para apoiar seus clientes, possibilitando a transição energética e trabalhando com os desafios da mudança climática. www.ecofys.com.

NewClimate Institute – O NewClimate Institute é um instituto sem fins lucrativos criado em 2014 para apoiar a pesquisa e a implementação de ações contra as mudanças climáticas em todo o mundo, cobrindo as negociações climáticas internacionais, acompanhamento de ações climáticas, clima e desenvolvimento, financiamento climático e mecanismos de mercado de carbono. O NewClimate Institute visa conectar pesquisas atualizadas com os processos de tomada de decisão do mundo real. www.newclimate.org

Fonte: ENVOLVERDE

terça-feira, 1 de maio de 2018


Biocarvão usado como fertilizante na agricultura ajuda o meio ambiente.

Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP revelou como realizar mitigação de impactos ambientais, como a emissão de gases de efeito estufa, e recuperar águas residuárias ocasionadas pela elevada concentração de fósforo, entre outras aplicações, utilizando biochar (biocarvão), que é caracterizado como um produto de pirólise (queima) com material orgânico.

No estudo, os biochars foram compostos com dejeto de galinha e palha de cana-de-açúcar, transformando um material que antes se caracterizava como problema ambiental em solução para questões como a crescente emissão de gases de efeito estufa. Sarah Vieira Novais, responsável pelo projeto, lembra que “a agricultura é justamente um dos grandes contribuintes para este impacto”.

Os benefícios de se pirolisar tais materiais orgânicos são mais bem vistos no solo arenoso, sendo a produção de biocarvão, a partir dos resíduos, uma forma ambientalmente segura de deposição desses materiais. Sarah destaca que “ambos os biochars não teriam capacidade de adsorção [retenção] do fósforo sem passar por modificação química”. Para conferir tal propriedade ao biocarvão, permitindo seus diferentes usos, foi realizado um processo denominado dopagem, utilizando magnésio ou alumínio.

Dessa forma, a aplicação dos biochairs em águas eutrofizadas ou residuárias se mostrou viável, não só em razão da adsorção de fósforo, mas também de sulfatos e, em menor proporção, nitratos e cloretos.

Assim, os biochars de dejeto de galinha e palha de cana-de-açúcar se mostram excelentes para a recuperação de águas e posterior reúso na agricultura, celebra a pesquisadora. “Com os resultados positivos, constatamos o potencial do biochar como mitigador de gases de efeito estufa, recuperador de águas e um potencial fertilizante de liberação lenta no reúso de fósforo”, resume ela.

A tese de Sarah Vieira Novais, vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Solos e Nutrição de Plantas da Esalq, sob orientação do professor Carlos Eduardo Pellegrino Cerri, foi defendida em janeiro deste ano.

Fonte: ENVOLVERDE

Resíduos líquidos industriais viram combustível para energia limpa.

Os tratamentos tradicionais dos efluentes de processos industriais, ou seja, dos resíduos líquidos resultantes, ocorrem principalmente por meio da remoção de poluentes para, em seguida, despejá-los em cursos d’água. A busca por alternativas mais sustentáveis que essa, lançando mão de avanços tecnológicos, é o foco do trabalho de Vitor Cano, doutorando da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da USP. Mais do que tratar os resíduos, sua pesquisa pretende obter energia a partir deles.

Seu trabalho – desenvolvido em parte na Columbia University, em Nova York, Estados Unidos – é voltado para a concepção e operação de um sistema bioeletroquímico denominado Célula a Combustível Microbiana (CCM), conhecida na literatura internacional como microbial fuel cell.

Basicamente, trata-se de um reator biológico composto de bactérias capazes de consumir a matéria orgânica em sua respiração, mas com a diferença de que elas podem transferir os elétrons gerados no processo para fora da célula. Dessa forma, é possível capturar esses elétrons em um eletrodo, gerando assim uma corrente elétrica.

“É uma tecnologia muito recente e promissora, pois permite a geração direta de eletricidade a partir de resíduos orgânicos, como efluentes industriais. Em outras palavras, é possível tratar efluentes industriais e, em vez de gastar energia, gerar eletricidade”, explica o estudante da pós-graduação em Sustentabilidade da EACH, que está no Departamento de Engenharia Ambiental da universidade norte-americana desde outubro de 2017, no grupo de pesquisa coordenado pelo professor Kartik Chandran.

Segundo Vitor Cano, a etapa da pesquisa que ele realiza na Columbia University busca aprimorar ainda mais as possibilidades dessa tecnologia. “Estou adaptando a célula a combustível microbiana para usar não apenas a matéria orgânica como combustível, mas também o nitrogênio presente nas águas residuárias. Com isso, reduzimos a carga orgânica dos efluentes industriais e possibilitamos um novo método para o tratamento em termos de carga de nitrogênio, com a vantagem de gerar energia renovável.”

Fonte: ENVOLVERDE

Látex ajuda na recuperação dos ossos, mostra estudo.

Lesões em crânios de ratos ganharam novos vasos sanguíneos e boa reestruturação óssea após tratamento com o látex. Os experimentos utilizaram a F1, uma fração da proteína do látex natural (extraído da Hevea brasiliensis, a seringueira), e mostram o estímulo de fatores de crescimento para a recuperação óssea.

O achado é parte de estudo realizado por pesquisadores da USP em Ribeirão Preto e da Unesp em Araçatuba e publicado na edição de fevereiro da revista Biomedical Material. Os resultados confirmam os benefícios da proteína do látex já relatados com tecidos moles em experimentos anteriores, como a formação de vasos sanguíneos, adesão celular e formação de matriz extracelular. 

Mas esses são os primeiros relatos desses efeitos sobre os ossos.

Os pesquisadores analisaram a evolução de defeitos provocados por cirurgias em 112 calvárias (ossos da calota craniana) de ratos de laboratório. Esses ossos foram separados em grupos que receberam enxertos de osso (autólogos, autógenos e xenógenos – do próprio animal, da mesma espécie e de outra espécie) e também aqueles com enxertos mais a proteína F1.

Após avaliações, realizadas por diferentes métodos, observaram maior quantidade de neoformação óssea – tecido novo – nos grupos que receberam os enxertos autólogos e autógenos e também naqueles que receberam os mesmos enxertos acrescidos da proteína do látex.

Contudo, chamou a atenção dos cientistas o aumento da MMP-9 (metaloproteinase de Matriz 9, enzima relacionada ao processo de reparo celular) nos tecidos tratados com o látex, principalmente nos exames realizados na primeira fase das análises, ocorrida na quarta semana pós-implante.

Segundo João Paulo Mardegan Issa, professor da Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (Forp) da USP e um dos responsáveis pelo estudo, esses dados confirmam o que outras pesquisas já haviam encontrado sobre essa enzima. Durante uma resposta inflamatória, “a MMP-9 está ativa no tecido lesado e este evento se relaciona com a reparação das áreas de cicatrizes no osso, otimizado com o uso da F1”.

Apesar da F1 apresentar propriedades importantes para o reparo de tecidos do organismo animal – como a de formação de novos vasos sanguíneos, a adesão celular e da matriz extracelular, novos experimentos devem ser realizados até que o látex da seringueira possa ser utilizado no reparo ósseo de humanos. O professor comenta que ainda precisam “esclarecer os efeitos desta proteína nessa restauração do osso, especialmente envolvendo o uso de outros modelos animais experimentais e períodos de tempos de recuperação”.

Fonte: ENVOLVERDE

Instituto Biológico de SP mostra como conter pragas em flores.

Os visitantes da Agrishow, que vai de 30 de abril até 04 de maio, buscam além de informações sobre máquinas e implementos, tecnologias que os ajudem no dia a dia da propriedade. Pensando em atender, principalmente, os pequenos produtores, o Instituto Biológico (IB-APTA), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, levará à Agrishow suas tecnologias para controle biológico de pragas e doenças, que serão expostas no espaço Vitrine Tecnológica para Pequena Propriedade. Uma delas será o controle biológico do ácaro-rajado em plantas ornamentais, como rosas, orquídeas e gérberas. Os trabalhos do IB garantem controle efetivo da praga, com o uso mínimo de defensivos agrícolas.

As pesquisas do IB possibilitaram a redução de até 70% de acaricidas para o cultivo de gérberas e crisântemos e até mesmo a eliminação do uso dos produtos em rosas e orquídeas.

As pesquisas do IB envolveram os floricultores da região de Arujá, um dos principais polos de floricultores do Estado. Os produtores enfrentavam problemas para controlar o ácaro-rajado. O uso constante de acaricidas estava selecionando os ácaros resistentes, diminuindo drasticamente os efeitos do produto.

“Com aplicação exclusiva de produtos químicos, alguns produtores estavam obtendo níveis de controle abaixo de 20% para diversos acaricidas. Com a adoção de estratégia de manejo, incluindo o controle biológico, proposta pelo IB, é possível chegar ao controle efetivo da praga, acima de 80% de eficácia, com o uso mínimo de acaricidas”, explica Mário Eidi Sato, pesquisador do IB.

Fonte: ENVOLVEDE

Frutas pouco conhecidas têm alto poder anti-inflamatório e antioxidante.



Maria Fernanda Ziegler | Agência FAPESP – As frutas conhecidas como bacupari-mirim, araçá-piranga, cereja-do-rio-grande, grumixama e ubajaí ainda não ganharam fama, nem espaço nos supermercados. Se depender de suas propriedades bioativas, em questão de tempo elas poderão estar não só disputando espaço nas gôndolas como ganhando posição no ranking dos alimentos da moda.

Além dos valores nutricionais, as cinco frutas nativas da Mata Atlântica têm elevadas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias. Foi o que verificou uma pesquisa desenvolvida na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e a Universidade de La Frontera, no Chile.

“Não havia muito conhecimento científico sobre as propriedades dessas frutas nativas. Agora, com os resultados do nosso estudo, a ideia é fazer com que elas sejam produzidas por agricultura familiar, ganhem escala e cheguem aos supermercados. Quem sabe elas não se tornam um novo açaí?”, disse Severino Matias Alencar, do Departamento de Agroindústria, Alimentos e Nutrição da Esalq, se referindo ao sucesso comercial da fruta amazônica com grande quantidade de antioxidantes e que hoje tem a polpa exportada pelo Brasil para vários países.

O trabalho, com apoio da FAPESP, teve resultados publicados na revista PLOS ONE.

No estudo foram avaliados os compostos fenólicos – estruturas químicas que podem ter efeitos preventivos ou curativos – e os mecanismos anti-inflamatórios e antioxidantes do extrato de folhas, sementes e polpa de quatro frutas do gênero Eugenia e uma do gênero Garcinia: araçá-piranga (E. leitonii), cereja-do-rio-grande (E. involucrata), grumixama (E. brasiliensis), ubajaí (E. myrcianthes) e bacupari-mirim (Garcinia brasiliensis), todas típicas da Mata Atlântica.

Como elas são espécies difíceis de serem encontradas e algumas estão em risco de extinção, as plantas foram fornecidas por dois sítios localizados no interior de São Paulo. As duas propriedades comercializam as plantas com o objetivo de preservação da coleção. Um dos produtores possui a maior coleção de frutas nativas do Brasil, somando mais de 1,3 mil espécies plantadas.

“Começamos nosso estudo prospectando as propriedades bioativas das frutas, pois sabíamos que elas poderiam ter boa quantidade de antioxidantes, assim como são as chamadas ‘berries’ americanas, como o mirtilo, a amora e o próprio morango, muito conhecidas pela ciência. Mas nossas frutas nativas se mostraram ainda melhores”, disse Alencar.

De acordo com o estudo, as espécies do gênero Eugenia têm um vasto potencial econômico e farmacológico evidenciado não só pelo número de publicações científicas, mas também pela exploração comercial de suas frutas comestíveis, madeira, óleos essenciais e uso como plantas ornamentais.

Elas são exemplos de alimentos funcionais, que, além das vitaminas e valores nutricionais, têm propriedades bioativas como o combate aos radicais livres – átomos instáveis e altamente reativos no organismo que se ligam a outros átomos, provocando danos como envelhecimento celular ou doenças.

“O organismo tem naturalmente antirradicais livres, que neutralizam e eliminam os radicais livres do corpo, sem causar dano. Porém, fatores como idade, estresse e alimentação podem promover um desequilíbrio nessa neutralização natural. Nesses casos, é preciso contar com elementos exógenos, ingerindo alimentos que tenham agentes antioxidantes como os flavonoides, as antocianinas do araçá-piranga e das outras frutas do gênero Eugenia”, disse Pedro Rosalen, da Faculdade de Odontologia da Unicamp em Piracicaba.

O pesquisador ressalta que há cerca de 400 espécies pertencentes ao gênero Eugenia distribuídas pelo Brasil, incluindo várias espécies endêmicas. “Temos uma imensidão de frutas nativas com compostos bioativos que trariam benefícios para a saúde da população. É preciso estudá-las”, disse.

Alencar é um dos pesquisadores do projeto “Bioprospecção de novas moléculas anti-inflamatórias de produtos naturais nativos brasileiros”, coordenado pelo professor Rosalen, também autor do artigo publicado na PLOS ONE.

Campeão contra inflamação

As frutas estudadas no projeto com elevada atividade antioxidante para serem usadas em indústrias de alimentos e farmacêuticas também tiveram pesquisadas as capacidades anti-inflamatórias. A grande estrela foi a araçá-piranga, como demonstraram em artigo publicado no Journal of Functional Foods.

“A araçá-piranga, espécie ameaçada de extinção, teve a melhor atividade anti-inflamatória em comparação com a de outras frutas do gênero Eugenia”, disse Rosalen. “O mecanismo de ação também é muito interessante, pois ocorre de forma espontânea e logo no começo da inflamação, impedindo uma via específica do processo inflamatório. Ela age também no endotélio dos vasos sanguíneos, evitando que os leucócitos transmigrem para o tecido agredido, reduzindo a exacerbação do processo inflamatório”

Rosalen destaca que os antioxidantes não têm como função única combater o envelhecimento ou a morte celular, mas a prevenção de doenças mediadas por processo inflamatório crônico. “A ação oxidante dos radicais livres também significa o surgimento de doenças inflamatórias dependentes, como diabetes, câncer, artrite, obesidade, doença de Alzheimer”, disse.

“Não percebemos muitas dessas lesões provocadas pelos radicais livres. São as inflamações silenciosas. Por isso, é importante a ação de sustâncias antioxidantes, que podem neutralizar os radicais livres”, disse Rosalen.

As pesquisas colaborativas, apoiadas pela FAPESP e pela Universidad de La Frontera, também permitiram ampliar o conhecimento sobre espécies nativas do Chile. Em um dos estudos, os autores demonstraram a atividade antioxidante e vasodilatadora da murtilla (Ugni molinae), uma fruta nativa do país.

No estudo publicado na Oxidative Medicine and Cellular Longevity, os pesquisadores destacam que o uso de preparações alimentares obtidas a partir de frutas e folhas da murtilla pode ter efeitos benéficos na prevenção e, possivelmente, no tratamento de sintomas de doenças cardiovasculares.

Alencar destaca que conhecer melhor as propriedades pode se mostrar uma boa alternativa para estimular a produção das frutas nativas.

“Antes do projeto com a Universidad de La Frontera, eu e o professor Pedro Rosalen já estudávamos as frutas nativas, pois acreditamos que elas podem revelar ótimas soluções alimentares para a sociedade”, disse.

O artigo Antioxidant and Anti-Inflammatory Activities of Unexplored Brazilian Native Fruits, de Juliana Infante, Pedro Luiz Rosalen, Josy Goldoni Lazarini, Marcelo Franchin e Severino Matias de Alencar (https://doi.org/10.1371/journal.pone.0152974), pode ser lido em http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0152974.