terça-feira, 13 de março de 2018

Jornalismo de Dados: Jovens se afastam de páginas engajadas e interagem com imprensa tradicional.


Levantamento inédito revela que polarização no Facebook atrai perfis mais velhos do que páginas que usam linguagem mais neutra.

Um levantamento inédito com base em interações entre 1.822 perfis de Facebook e páginas de notícias revelou que há diferenças significativas entre os leitores de páginas engajadas, que lideram a polarização do debate político, e páginas da imprensa tradicional, que costumam adotar um tom mais neutro nas reportagens.

Em especial, a idade dos seguidores é bem diversa: enquanto o maior grupo de leitores de páginas de esquerda tem mais de 50 anos (26,1%), os de direita são um pouco mais jovens: 30% têm entre 41 e 50 anos. Já o maior grupo de leitores de páginas da imprensa tradicional têm de 20 a 30 anos (33,3%). O Facebook não permite usuários com menos de 13 anos.
O estudo foi feito pela Pública em parceria com alunos da ESPM-Rio e o Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai), da Universidade de São Paulo, faz parte do LAB – Laboratório de Inovação em Jornalismo, realizado na Casa Pública, no Rio de Janeiro. O pressuposto é que o ato de “curtir” um post comprova não apenas a leitura da página, mas também concordância com as notícias.

“Os dados são tão contraintuitivos que hesitamos em publicá-los, sobretudo em face das dificuldades metodológicas”, diz o relatório do Gpopai. “No entanto, quando comparamos nossos números com os dados internos de dois grandes sites, um da grande imprensa e outro da esquerda, nos convencemos de que os resultados são consistentes.”

Outra constatação que chama atenção é a quantidade de leitores com educação superior: são 75,8% dos que interagiram com páginas da imprensa tradicional, 67,7% dos que interagiram com páginas de direita e 74,1% dos que interagiram com páginas de esquerda. Do total de usuários de internet no Brasil, apenas 13,1% têm ensino superior, segundo o Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).
Além disso, os leitores de páginas engajadas estão longe da maioria dos usuários da internet. Segundo o Cetic, 54,2% dos usuários têm menos de 30 anos.

Por outro lado, o estudo reforça levantamentos anteriores realizados pelo Gpopai, que tem se debruçado há dez anos sobre o debate político no Brasil.

“Se pegarmos as principais páginas que discutem política no Facebook, elas alcançam 12 milhões de perfis, dentre os 100 milhões de usuários do Facebook no Brasil”, diz o professor Pablo Ortellado, coordenador do grupo. Todos os dias, sua equipe monitora cerca de 5 mil matérias sobre política nacional, dentro do projeto de pesquisa Monitor do Debate Político no Meio Digital.

Trata-se de uma parcela dos usuários, mas que faz bastante barulho. “Não é exatamente uma novidade que tenhamos ‘jornalismo de combate’. O que temos de novo é a combinação de uso de mídias sociais com polarização da sociedade. O problema não é que tenhamos sites engajados, mas que tenhamos uma sociedade tão polarizada que ela só difunde informação de combate. Com isso, temos um rebaixamento muito acentuado da qualidade da informação que circula, já que as mídias sociais já são a segunda fonte de informação dos brasileiros, depois da TV”, analisa Ortellado.

A partir de questionários aplicados durante passeatas em 2016 e 2017, os pesquisadores do Gpopai haviam constatado que a crença em boatos crescia com a idade, assim como a identificação dos manifestantes como o “petistas” e “antipetistas”.

“Isso significa que os mais velhos estão mais polarizados”, explica Ortellado. Para ele, a polarização nas redes está estruturada em torno de um tema: o ódio ou o amor ao PT.

“Se a gente olhar para a realidade brasileira, parece que a polarização tem a ver com o PT. Para quem tem mais de 40 anos e viu o PT nascer, é bem provável que ele tenha sido uma fonte de esperança. Neste grupo, há os que estão satisfeitos com as conquistas e os que estão extremamente frustrados com a sua degeneração e limitações. Essa me parece a explicação mais razoável, já que o PT estrutura a polarização.”

Os dados são relevantes porque o ambiente das notícias falsas é bastante amplo – e há diversos graus de informações enganosas. Segundo classificação da organização First Draft News, da Universidade Harvard, o ambiente online sofre de “poluição informacional”, e há sete tipos de enganos se espalhando na rede: desde manchetes caça-cliques, que não condizem com a reportagem, até republicação de notícias velhas e fora do contexto. Em um ambiente polarizado, esse tipo de informação se prolifera mais rápido.

“As notícias falsas são um dos efeitos de um problema maior que é a polarização política da sociedade. Com uma sociedade polarizada, todo ecossistema de informação é pressionado a atender esse sentimento beligerante da sociedade, rebaixando o padrão editorial, já que matérias que se prestam mais à guerra de informação têm um desempenho melhor. Por isso, vemos essa profusão não apenas de notícias falsas, mas também de outras formas de desinformação.”
Tradução: Projeto Credibilidade (Projor)

Como foi feita a pesquisa

A equipe do Gpopai recolheu, por meio da API do Facebook, identificações de usuários que “curtiram” publicações de páginas de sites relevantes de notícias.

De acordo com a classificação do Monitor, as páginas se dividem em três grandes grupos: imprensa tradicional (páginas de VejaFolha de S.Paulo, G1, UOL Notícias, O GloboEstadão, revista IstoÉExameÉpocaCarta Capital), sites engajados de esquerda (Jornal GGN, Diário do Centro do Mundo, Revista Fórum, Falando Verdades, O Cafezinho, Brasil 247, Mídia Ninja) e sites engajados de direita (Jornalivre, Papo TV, Folha Política, Partido Anti-PT e Anti-PT).
São três “clusters” bem distintos e polarizados, conforme mostra o grafo abaixo:
Os dados foram recolhidos no dia 10 de maio de 2017, quando houve cerca de 2,2 milhões de curtidas por cerca de 880 mil usuários em publicações dessas 22 páginas. Foram sorteados aleatoriamente cerca de 600 usuários de cada um dos grupos. Então, 20 alunos de jornalismo da universidade ESPM-Rio, sob coordenação da professora Mônica Mourão, visitaram esses perfis para anotar informações demográficas sobre cada um dos perfis, como idade, sexo, estado e escolaridade.

Nathalia Bracaglia/ESPM
O estudo foi feito pela Pública em parceria com alunos da ESPM-Rio e o Grupo de Pesquisa em Políticas Públicas para o Acesso à Informação (Gpopai).

“Optamos por uma abordagem um pouco heterodoxa, mas ainda assim útil: quando havia declaração pública de idade, usamos essa informação; quando o perfil não revelava a idade, mas disponibilizava o ano de formação no ensino médio, estimamos o nascimento pelo ano de conclusão do ensino médio menos 18 anos; por fim, quando não tínhamos nenhuma dessas informações, estimamos a idade em faixas de dez anos avaliando a foto do perfil. O método é um pouco impreciso, mas, dado o forte contraste dos resultados nos três grupos investigados, achamos que indicam uma tendência real”, explica o documento do Gpopai.

As interações analisadas foram extraídas antes da mudança de algoritmos que o Facebook realizou em janeiro de 2018 e que teve como consequência a diminuição de alcance de todas as páginas na plataforma.

Jovens desconfiam de imprensa e se preocupam em espalhar fake news

Entrevistados por estudantes da ESPM, quatro jovens que interagiram com páginas de imprensa tradicional explicaram que leem as notícias de maneira crítica.

“Temos sempre que questionar o que estamos vendo e ouvindo e ter cuidado até com a nossa própria opinião”, diz Rafaela dos Santos Gomes, 22 anos. Estudante de mestrado em ciências climáticas na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), ela diz que, quando se trata de política, há grande probabilidade de se deparar com notícias falsas. “A melhor forma de se certificar de que aquela informação é verdadeira é comparar em sites de busca com outros sites jornalísticos”, explica a estudante, que diz seguir jornais “oficiais” locais, nacionais e internacionais para se informar.

Outro entrevistado, Abner Samuel, 20 anos, de Belo Horizonte, garante que busca informações em meios “seguros e de credibilidade”. Para ele, “notícias têm de ser feitas por meios de comunicações formais”. Porém sempre busca entender vários lados da história e chegar à própria conclusão. “É possível concordar com coisas que são explícitas [na grande imprensa], porém sei que muitas delas possuem seu lado tendencioso.”
O desenvolvedor de software Paulo Bordignon, de 21 anos, concorda. “Desconfio, pois ocorre com muita frequência de aparecer matérias com títulos tendenciosos com a única finalidade de ganhar visitas.” Seu método é ler os comentários para entender o que o público diz a respeito de uma notícia. 

Ele segue páginas da Infomoney, Exame, BBC Brasil, Instituto Mises Brasil e Students for Liberty – além de outras páginas sobre liberalismo econômico, com o qual se identifica.

A gaúcha Gabriela, por sua vez, segue a Mídia Ninja – página diametralmente oposta na polarização política. Mas, assim como Paulo, é cuidadosa em acreditar em tudo o que lê. Compartilha poucas coisas, porque acha que alguns conteúdos da página engajada de esquerda são muito “extremistas”.

De fato, todo cuidado é pouco – e não só com as páginas engajadas, avalia Rafaela. “Na grande maioria, eu procuro ler a notícia completa, pois existem certos sites de notícias (G1) que coloca na chamada uma notícia e, quando abro para ver a matéria, o título é completamente diferente, uma forma de jornalismo barato para chamar atenção do leitor”, diz. O mineiro Abner Samuel mostra a mesma preocupação. “Compartilhar notícia na internet é coisa séria, você tem responsabilidade nessa notícia mesmo que de forma parcial”, diz.
Alunos da ESPM-Rio:
Gabriel Barros Gonçalves, Henrique Figueiredo Ferreira, Eliza Cunha Ranieri, Victoria Mancino Correia, João Ricardo Cunha Barbedo, Gabriel Morais, Karoline Mayumi Simões Kina, Caio Garritano Amador, Matheus Barbosa, Melanie Adelaide Fernandes Martins, Letícia Rivoli Menegatti, Raquel Silva Prazeres, Cecília Santos Velihovetche, Bruna Lima Guimarães, Eduarda Pinheiro, Luisa Lins, Leonardo Castelo, Isabelle Rodrigues, Juliana Ramos Lois, João Eduardo Gurgel.
Professores: Mônica Mourão, Vinicius Carvalho e José Brito. 
Gpopai (USP).
Marcio Moretto e Pablo Ortellado.
Esta reportagem faz parte do LAB Fake News, o quinto laboratório de experimentação em jornalismo desenvolvido na Casa Pública, no Rio.

Ao longo de 2018, a Pública vai produzir reportagens e levantamentos sobre a guerra de desinformação nas redes sociais em parceria com pesquisadores, desenvolvedores e estudantes de jornalismo, unindo tecnologia, dados e apuração em campo.

Atualização 12/03/2018 às 11h: Os valores referentes à esquerda e direita estavam invertidos nos infográficos.


SP lançará plataforma digital de controle de venda de agrotóxico.

O Governo do Estado de São Paulo apresentará os dados do levantamento censitário realizado na agropecuária paulista no próximo dia 19, segunda-feira, a partir das 13h, no Palácio dos Bandeirantes, na Capital, durante o “Ato pela Agricultura – alimento, renda e futuro!”, realizado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento. No evento também será lançado o sistema online de acompanhamento da comercialização de agroquímicos.

O Ato também contará com o lançamento de plataforma digital de controle de comercialização de agroquímicos. O controle será executado pela Coordenadoria de Defesa Agropecuária (CDA) da Pasta, por meio do sistema eletrônico Gestão de Defesa Animal e Vegetal (Gedave), para impedir o comércio e o uso de produtos ilegais, que podem causar danos ao meio ambiente e a quem os aplica.

Os dados constarão no Gedave, permitindo que a Defesa controle o fluxo de produtos dentro do Estado. Essas informações devem ser fornecidas pelos fabricantes, revendedores e pelos produtores. O produtor deverá cadastrar as culturas que desenvolve em sua propriedade. O lojista deve informar qual a quantidade e os tipos de defensivos adquiridos por seu estabelecimento. Quem não informar fica impedido de vender ou comprar.

O Levantamento de Unidades de Produção Agropecuária do Estado de São Paulo (Lupa) é um estudo completo da realidade social, econômica e ambiental da agropecuária paulista realizado pela Coordenadoria de Assistência Técnica Integral (Cati) da Secretaria a cada 10 anos. Os números a serem apresentados no Ato, finalizados neste ano, servirão de base para a construção de iniciativas em prol da produção.

O estudo mensura itens importantes como o número de unidades de produção, área cultivada, população da zona rural, infraestrutura e produção agropecuária. Também fornece informações agrupadas por temas específicos em nível municipal como: tipo de culturas, tipo e número de tratores, número de empregados na propriedade, acesso a bens materiais (como computadores).

O Banco de Dados do Lupa fornece informações sobre mais de 300 mil propriedades rurais, e possibilita a geração de mapas e gráficos com essas informações. Em sua segunda edição, em 2008, o Levantamento alcançou 324.720 unidades produtivas.

Fonte: ENVOLVERDE

Revista Eco 21 traz diversos temas de relevância no segmento ambiental.

A Revista Eco 21, uma das mais conhecidas e respeitadas no segmento de defesa e debate sobre o meio ambiente, está com sua nova edição, a de número 255. Essa edição traz artigos de Lucio Flavio Pinto, Washington Novaes, Silvia Ribeiro entre diversos outros jornalistas e técnicos na questão ambiental, que abordam temas como Amazônia, água, seca na Cidade do Cabo, e a liberação de OGM pelo Brasil. Uma edição fundamental para se entender a situação do Código Florestal e outras questão sobre a política ambiental brasileira.

Fonte: ENVOLVERDE

quarta-feira, 7 de março de 2018


ONU Meio Ambiente quer mobilização para resguardar ambientalistas.
A ONU Meio Ambiente lançou nesta semana em Genebra, a Iniciativa para Direitos Ambientais das Nações Unidas, uma estratégia para combater em todo o mundo as ameaças, intimidações, assédio e assassinatos de ambientalistas. O projeto tem por objetivo esclarecer para o público o que são os direitos ambientais e como defendê-los. Com isso, o organismo das Nações Unidas espera aproximar a sociedade da proteção da natureza.

Outra frente de mobilização será o setor privado. A agência da ONU quer que empresas abandonem uma cultura de conformidade mínima para liderar a promoção dos direitos de todos a um meio ambiente limpo e saudável.

Desde os anos 1970, os direitos ambientais têm se ampliado mais rápido do que qualquer outro direito humano. Cada vez mais, esses direitos são reivindicados e garantidos. Tribunais em pelo menos 44 países já tomaram decisões judiciais que fortalecem o cumprimento do direito constitucional a um meio ambiente saudável.

“Os que lutam para proteger o planeta e as pessoas deveriam ser celebrados como heróis, mas o triste fato é que muitos estão pagando um preço alto com sua segurança e, às vezes, com suas vidas. É nosso dever ficar ao lado dos que estão do lado certo da história. Isso significa defender o mais fundamental e universal de todos os direitos humanos”, afirmou o chefe da ONU Meio Ambiente, Erik Solheim.

Os direitos ambientais estão consagrados em mais de cem constituições. No entanto, em janeiro de 2018, a ONG Global Witness documentou a morte de quase quatro ambientalistas por semana, com o verdadeiro número total de mortes sendo provavelmente bem mais alto. Muitos outros ativistas sofrem abusos, são intimidados e expulsos de suas terras.

Dos 197 ambientalistas mortos em 2017, entre 40 a 50% eram indígenas e de pequenas comunidades. Pelo menos 60% dos crimes ocorreram na América Latina e no Caribe, uma região rica em recursos naturais que, por anos, ocupa o primeiro lugar entre as áreas mais perigosas do mundo para defensores do meio ambiente.

“Violações dos direitos ambientais têm um impacto profundo em uma ampla variedade de direitos humanos, incluindo os direitos à vida, à autodeterminação, a comida, água, saúde, saneamento, moradia e os direitos civis, culturais e políticos”, disse o alto-comissário da ONU para os direitos humanos, Zeid Ra’ad Al Hussein.

O dirigente lembrou que, durante visitas recentes a Papua Nova Guiné e Fiji, “eu fui informado a fundo sobre o impacto das indústrias extrativistas e das mudanças climáticas nos direitos individuais”.

“É crucial que os mais afetados sejam capazes de participar significativamente em (tomadas de) decisões relacionadas a terra e a meio ambiente. Estados têm a responsabilidade de prevenir e punir abusos de direitos cometidos por corporações privadas dentro de seus territórios, e empresas têm a obrigação de evitar infringir os direitos humanos dos outros. Eu espero que essa nova Iniciativa seja capaz de encorajar Estados e empresas a cumprir com suas obrigações”, acrescentou Zeid.

Duas tendências perturbadoras estão fragilizando tanto o Estado de Direito Ambiental, quanto os direitos humanos de participação e reunião. A primeira são os crescentes episódios de assédio, intimidação e homicídio de ambientalistas. De 2002 a 2013, 908 pessoas foram mortas defendendo o meio ambiente e a terra em 35 países. O ritmo dos assassinatos está acelerando. Em 2017, foram 197 mortos.

O segundo desdobramento são as tentativas por alguns países de limitar as atividades das ONGs. De 1993 a 2016, 48 países aprovaram leis que restringiram as atividades de organizações locais que recebiam financiamento estrangeiro. Outras 83 nações adotaram leis que restringiram as atividades de ONGs estrangeiras.

A ONU Meio Ambiente tem trabalhado com direitos humanos e meio ambiente por quase duas décadas, incluindo por meio da identificação de boas práticas; da sensibilização do Judiciário para os direitos ambientais constitucionais; e do apoio às negociações de um instrumento legal na América Latina e no Caribe, com base no Princípio 10 da Declaração do Rio sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento.

O Acordo Latino-Americano e Caribenho sobre Acesso à Informação, Participação Pública e Justiça em temas ambientais foi adotado em San Jose, na Costa Rica, no dia 4 de março. “Esse não é apenas um compromisso renovado com a proteção ambiental”, afirmou o diretor da ONU Meio Ambiente para a região, Leo Heileman. “Isso pode ser uma oportunidade para dar aos direitos ambientais o mesmo peso legal que os direitos humanos (têm) a nível global.”

A Iniciativa para Direitos Ambientais mobilizará governos a fortalecer suas capacidades institucionais para desenvolver e implementar quadros políticos e jurídicos que protejam os direitos ambientais. O projeto também chamará autoridades a auxiliar empresas a entender melhor quais são suas obrigações em termos de direitos ambientais e como avançar para além de uma cultura de conformidade.

A estratégia também quer que os Estados trabalhem com a imprensa para promover os direitos ambientais, inclusive por meio do desenvolvimento e da implementação de um currículo de treinamento para lidar com a mídia.

Outras pautas defendidas pela Iniciativa para Direitos Ambientais são a ampla difusão de informações sobre direitos ambientais, a partir de um novo portal online, e o estabelecimento de redes através das quais ambientalistas poderão se conectar para elaborar e concretizar estratégias de proteção ambiental.

“De muitas maneiras, as Nações Unidas precisam tentar alcançar o ponto em que os países (já) se encontram. Eu estou propondo ao Conselho de Direitos Humanos da ONU que a Organização deve se unir a países no reconhecimento de um direito global a um meio ambiente saudável. Chegou a hora de reconhecer essa interdependência formal entre os direitos humanos e o meio ambiente, não apenas a nível nacional, mas a nível da ONU também”, defendeu o relator especial da ONU para direitos humanos e meio ambiente, John Knox.

A ONU Meio Ambiente pede com urgência que governos priorizem a proteção de ambientalistas do assédio e de ataques. O organismo internacional também solicita que autoridades levem à Justiça, com rapidez e eficiência, os responsáveis por agredir a ameaçar ativistas. Tolerar a intimidação dos defensores do meio ambiente enfraquece direitos humanos básicos e o Estado de Direito Ambiental.
“Assassinatos, violência e ameaças deixam frequentemente de ser noticiados e punidos. Uma maior cobertura jornalística e um apoio legal mais forte, a nível local e nacional, são essenciais para defender os ambientalistas”, avalia o editor global de Meio Ambiente do jornal britânico The Guardian, Jonathan Watts.

A Iniciativa para Direitos Ambientais foi lançada oficialmente nesta terça-feira (6), no Palácio das Nações, em Genebra, em evento com a participação de John Knox, de Jonathan Watts, da cofundadora da Global Witness, Patrick Alley, da presidenta e chefe-executiva da Fundação Bianca Jagger de Direitos Humanos, Bianca Jagger, da vice-alta-comissário da ONU para os direitos humanos, Kate Gilmore, e de Elizabeth Maruma Mrema, uma das mais altas autoridades da ONU em Direito Ambiental.

Bianca Jagger disse que a Iniciativa para Direitos Ambientais das Nações Unidas é “fundamental para lidar com a crescente epidemia de assassinatos de ambientalistas em todo o mundo”.

“Por muitos anos, eu apoiei povos e comunidades indígenas em todo o mundo que são assassinados por protegerem suas florestas e terras da exploração ilegal. A Fundação Bianca Jagger de Direitos Humanos chama governos a acabar com os assassinatos e com a cultura de impunidade, para implementar proteções legais exequíveis e levar os agressores à Justiça”, completou.

Fonte: ONUBR

Fórum discute erradicação da fome a partir do desperdício de alimentos.
Acontecerá em Sorocaba (SP), nos dias 20 e 21 de março, a primeira edição do FARM – Fórum de Ação e Recursos para o Município, o maior Fórum de Segurança Alimentar e Nutricional do mundo.

O FARM é um fórum com forte impacto social, que tem objetivos múltiplos, que vão desde melhorar a quantidade de alimentos e qualidade na produção local, incentivando as boas práticas, até a implantação de Banco de Alimentos, uma ferramenta importantíssima para a erradicação da fome, uma ação praticamente inexistente no Brasil.

Idealizado a partir da união de profissionais como o engenheiro agrônomo e professor Ubaldino Dantas, ex-diretor da EMBRAPA (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), da tecnóloga em Gestão Ambiental Meire Matos e do agente de segurança alimentar e nutricional José Ribas, criadores da CEAB (Cooperativa Educacional Ação Brasil), aliados ao publicitário Marcus Manfredi, da EnjoyBM Marketing, e ao especialista em eventos Matheus Oliveira, da Smart Eventos, o FARM será realizado em todo o Brasil, em diversas etapas que acontecerão ao longo de dois anos.

“A ideia é alcançar todos os municípios brasileiros, envolvendo as autoridades municipais – prefeitos, vice-prefeitos, secretários de abastecimento e agricultura, vereadores e primeiras-damas –, produtores rurais de grande e pequeno portes; cooperativas e sindicatos; distribuidores de alimentos; restaurantes; ongs e, também, a sociedade, que é a maior beneficiada com os projetos apresentados e, posteriormente, colocados em prática”, explica o professor Ubaldino Dantas.

O FARM trará muito conhecimento aos participantes, principalmente no que tange à Segurança Alimentar e Nutricional da região. Por isso, ele será realizado gradativamente, abrangendo determinados municípios, até que se alcance todo o Brasil. “A etapa de Sorocaba abrange 79 municípios e terá palestras voltadas ao público desta região, de maneira que se possa aproveitar o conteúdo em benefício de melhorias locais, dentro dos conceitos de sustentabilidade. Por isso, é tão importante que as prefeituras se mobilizem para participar e que a sociedade cobre essa presença de seus governantes. Não dá para permitir que, num país como o Brasil, haja pessoas passando fome ou necessidade enquanto se desperdiçam R$ 7,1 bilhões em comida ao ano”, diz Marcus Manfredi, publicitário e também idealizador do FARM.

Fonte: ENVOLVERDE

O Brasil desperdiça mais de R$ 7 bi de alimentos só em supermercados.
Segundo evantamento da ABRAS – Associação Brasileira de Supermercados, 2% de todo o faturamento do setor, estimado em R$ 338,7 bilhões em 2016, vai para o lixo, algo em torno de R$ 7,1 bilhões. Lidera esse ranking negativo o desperdício com frutas, verduras e legumes, mas, também há muita perda de itens de padaria, comida pronta e carnes.

Conforme a FAO – órgão da ONU (Organização das Nações Unidas) para a Alimentação e Agricultura, até 30% de tudo o que é produzido não chega às mesas, um dado que comprova que o aumento da eficiência na distribuição dos alimentos poderia deixar o Brasil numa posição muito mais confortável em relação à fome e à miséria.

“O Brasil precisa de estratégias estruturais que evitem o desperdício e estabeleçam ações eficazes no combate a fome. O FARM é uma iniciativa que tem todo o apoio da FAO”, disse Alan Bojanic, representante da FAO para o Brasil, no evento de lançamento do FARM. Também apoia o FARM o Governo do Estado de São Paulo.

Fonte: ENVOLVERDE

Embrapa desenvolve tecnologia barata para desinfecção do solo.
Já se sabe há bastante tempo que a energia solar pode ser usada para eliminação de organismos nocivos no solo. A novidade é que pesquisadores baratearam a tecnologia tornando-a viável também a pequenos produtores. É o que a Embrapa Rondônia conseguiu ao desenvolver um equipamento chamado ‘Solarizador’, alternativa sustentável e de baixo custo para a esterilização de solos para uso como substrato na produção de mudas. Com ele é possível produzir mudas sem nematoides, uma das maiores preocupações dos produtores de todo o País. A técnica já é adotada por países como Estados Unidos, Israel e Holanda.

O equipamento elimina os principais organismos que causam doenças nas plantas e ainda mantém os que são benéficos, que são termotolerantes, e que podem impedir a reinfestação. Tudo isso sem riscos ambientais e para a saúde dos produtores, de fácil produção e manutenção. Essas são as vantagens do equipamento, quando comparado a outros sistemas tradicionais de desinfestação, como autoclaves, fornos à lenha ou aplicação de químicos, que não são tão eficientes e causam danos ao meio ambiente.

O Solarizador é uma adaptação do Coletor Solar, desenvolvido pela Embrapa Meio Ambiente e pelo Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A nova proposta, de acordo com o pesquisador da Embrapa Rondônia José Roberto Vieira Júnior, foi desenvolvida em função das dificuldades em se obter parte dos materiais necessários para construção do Coletor Solar. “Buscamos manter a eficiência, com algumas das características originais, mas adaptando o equipamento às condições e disponibilidades de recursos locais”, explica o cientista.

Segundo ele, o custo médio para a produção do Solarizador, com pequenas variações em cada região, fica em torno de 500 reais. “Não conseguimos encontrar tubos de ferro fundido ou aço na espessura original descrita no projeto original do Coletor Solar por menos de 500 reais a peça e o equipamento leva até seis tubos de 150 mm, o que tornaria o equipamento caro demais para construir nas condições locais. Também substituímos o plástico de cima por vidro, uma vez que o primeiro rasgava demais durante uso. Embora a eficiência diminua em relação ao original, ele funcionou muito bem com vidro de 3 milímetros (de espessura)”, garante Vieira.

Na prática, o solo é aquecido por meio da radiação solar, utilizando-se do efeito estufa promovido pelo equipamento. A radiação atravessa uma superfície transparente, convertendo-se em energia calorífica na superfície do solo, que é utilizada principalmente no processo de evaporação da água ali armazenada, gerando vapores de temperaturas a partir de 50ºC. Essa temperatura é suficiente para eliminar a grande maioria dos nematoides, vermes de solo que provocam danos ao sistema radicular das plantas e que, para sobreviver, precisam de temperaturas inferiores a 40ºC.

Fonte: EMBRAPA

Construtora derruba bosque com 430 árvores para fazer estacionamento.
Um bosque com cerca de 8,4 mil metros quadrados, no centro de São José dos Campos, que abriga cerca de 430 árvores, 274 delas nativas da Mata Atlântica está sendo colocado no chão para se tornar um estacionamento. E isso com licença da Cetesb. O local é um antigo convento de freiras e foi vendido para a Construtora Marcondes Cesar. O local fica na avenida Tívoli, em meio a uma ilha de calor. As informações são do portal de noticias Meon.

A região, que era uma das mais arborizadas da cidade, passa por uma continua depredação de seu patrimônio vegetal, com inúmeras árvores sendo cortadas e sem substituição. Existe uma crescente ilha de calor na região que está próxima a Via Dutra, uma das maiores fontes poluidoras da atmosfera em seu trajeto,  além de ter um grande hospital e diversas clínicas médicas instaladas na avenida.

A Construtora Marcondes Cesar adquiriu a área para construir prédios de apartamentos, entretanto a região fica no cone de aproximação das aeronaves no aeroporto local. São José dos Campos é tida como a cidade que abriga o maior número de pesquisadores sobre as mudanças e extremos climáticos no país, sendo sede do INPE, do Cemaden, ITA, além de diversas universidades e faculdades com cursos relacionados ao assunto. Mesmo com os alertas constantes sobre as alterações no microclima local, a Cetesb concedeu a licença de desmatamento.

No último dia 26 de fevereiro, os moradores da região foram surpreendidos com o barulho das motosserras derrubando as árvores, segundo a reportagem do portal Meon. Na placa instalada no acesso à área verde identifica a empresa Fênix Ltda., que pertence ao grupo Marcondes Cesar, como responsável pelos trabalhos no local. Além de informar a supressão de 274 árvores adultas nativas e 156 árvores exóticas, a placa informa que haverá compensação ambiental por meio do plantio de 2.740 mudas de espécies nativas e conservação das mesmas por, no mínimo, seis meses. Entretando não explica nada sobre a fauna residente no local, que abriga desde uma variedade imensa de pássaros, até esquilos, gambás e outros pequenos mamíferos.

Fonte: ENVOLVERDE

sexta-feira, 2 de março de 2018


Como vai Mariana quase mil dias depois da tragédia?
Por Neuza Árbocz, especial para a Envolverde –

Após dois anos e meio do rompimento da barragem do Fundão, região se torna um exemplo mundial de recuperação, com amplo envolvimento da população atingida.

Na era atual é impossível separar o dia a dia do uso intenso de metais. Ferro, aço e alumínio, por exemplo, estão em todos os meios de transporte, nas estruturas das casas e prédios, nos artefatos hospitalares, máquinas, ferramentas, computadores e utensílios domésticos. A demanda por minérios que servem ao nosso conforto, bem estar e diversão é incessante.

A mineração, contudo, enfrenta grandes dilemas em seu modus operandi, que pedem uma revisão profunda de suas práticas.

As condicionantes exigidas – entre elas, a conservação de extensas áreas naturais que, do contrário, já teriam sucumbido à extração predatória, à expansão urbana ou ao agrobusiness – não se provaram suficientes face aos riscos representados por este setor. Um dos maiores é a deposição diária de toneladas de rejeitos do beneficiamento de minérios em barragens ou bacias artificiais. A cidade de Mariana, em Minas Gerais que o diga. Tornou-se símbolo nacional da luta dos atingidos por desastres da mineração após o rompimento, em novembro de 2015, da barragem do Fundão da Samarco, em suas terras. Milhões de metros cúbicos de lama ferrosa avançaram ruidosamente sobre distritos e bairros e inundaram 650 km do Rio Doce até sua foz, no litoral do Espírito Santo.

O fato escancarou uma série de falhas tanto da operação – entre elas a falta de um sistema de sirenes para dar o alerta em caso de acidentes e de pontos intermediários de contenção – quanto dos governos locais que permitiram casas construídas junto ao leito do rio em áreas de preservação permanente, desmatamento das margens para sua ocupação com gado e o despejo diário de toneladas de esgoto sem tratamento ao longo do rio por municípios com milhares de habitantes. Para se ter uma ideia, até mesmo Governador Valadares, a maior cidade às margens do rio Doce, jogava em 2015 todo tipo de dejetos nas suas águas, inclusive o esgoto in natura de seus 277 mil habitantes.
Passado o profundo choque que comoveu o país, a região se transforma. Atualmente, boa parte da população local deseja a retomada das atividades da mineradora, antes fornecedora para 19 países e responsável por milhares de empregos diretos e indiretos, geradores de maior dinamismo econômico nos mais de 40 municípios envolvidos na tragédia. Contribuem para esta disposição as ações em curso, iniciadas imediatamente após o rompimento e sustentadas por um arranjo inédito de governança para a tomada de decisões.

Estas, até agora, tornaram a bacia do Rio Doce a mais monitorada do país, com 92 pontos de coleta de dados sobre a qualidade da água, incluindo estações medidoras para análises mensais e trimestrais, além de 22 automáticas, que realizam análises de hora em hora. Desde o acidente, com o envolvimento de 217 proprietários rurais, foram cercadas e protegidas 511 nascentes e mais 500 estão em processo de escolha – parte das 5 mil que serão recuperadas em dez anos. Há 101 afluentes reabilitados e R$ 500 milhões provisionados para tratamento de esgoto aos municípios impactados, além de 47 mil hectares em processo de restauração florestal.

Mesmo sem a sentença judicial final, foram investidos, até o momento, R$ 3,2 bilhões em ações de reparação e compensação, realizados 23 mil cadastros e pagos R$ 700 milhões em indenizações e auxílios financeiros. Uma equipe de arqueólogos foi contratada para escavar as áreas submersas na lama e resgatou 2,5 mil bens e fragmentos culturais sacros, conservados agora em um centro técnico climatizado e protegido com segurança máxima.

Este é um caso excepcional no Brasil, onde é comum verbas indenizatórias se perderem em um cipoal de entraves para sua movimentação entre instituições e órgãos oficiais e não chegarem aos que mais precisam. Vale conhecer como esta solução foi construída.

Salvaguarda das indenizações
“Ao sobrevoar a área atingida soube que as consequências durariam muitos anos”, relembra Izabella Teixeira, ministra do Meio Ambiente em 2015. A Samarco se adiantou e proveu apoio imediato aos atingidos com indenizações financeiras prévias, alojamento em hotéis até que escolhessem uma casa similar a que possuíam para locar enquanto aguardam as sentenças judiciais e os reassentamentos (casas estas entregues totalmente mobiliadas e equipadas), renda provisória para quem teve atividades paralisadas e pagamentos a quem ficou sem água encanada, entre outras medidas. Enquanto isso, sabia que haveria multas vultuosas a honrar. “Na ocasião, avaliamos entre R$ 12 a 20 bilhões de reais o valor que a mineradora deveria investir nas reparações. A disputa de que órgão ou órgãos gerenciariam este recurso logo começou”, conta a ex-integrante do governo federal.

O impasse foi resolvido com uma ideia dada por Sebastião Salgado e sua esposa Lélia. O casal, famoso por seus projetos no campo da fotografia, reúne também uma sólida experiência em restauração ambiental através do Instituto Terra, criado por eles em 1998, em Minas Gerais. “Eles sugeriram a criação de um Fundo com o montante da indenização, que só poderia ser acessado para fins da reparação dos danos causados. Se haveria um fundo, deveria existir uma entidade responsável por movimentá-lo e a proposta amadureceu para a criação de uma Fundação”, esclarece Izabella que, inspirada pela sua participação na definição dos ODS – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, junto à ONU, reforçou a necessidade de garantir uma ampla participação da população em todo o processo.

Assim, foi planejado um Conselho Curador popular que aprovaria as ações da Fundação, que seriam fiscalizadas também pelos órgãos técnicos e governamentais e definidas por um Comitê Interfederativo (CIF).  Em março de 2016, foi firmado um Termo de Transação e de Ajuste de Conduta (TTAC) entre a empresa e os governos federal e dos Estados de Minas Gerais e Espírito Santo. Com ele, criou-se a Fundação Renova, determinou-se a composição do Comitê Interfederativo com 14 instâncias governamentais e instituições, respaldado por Câmaras Técnicas, além de 41 programas de reparação e reconstrução e o sistema de fiscalização e governança.

“Ainda restava o dilema da escolha de quem comandaria a nova Fundação. A escolha não podia ser política”, recorda Izabella. Buscou-se no mercado um nome neutro, independente, com capacidade de gestão e interlocução com a população para comandá-la e o convite foi feito ao biólogo e administrador de empresas Roberto Waack, experiente na área ambiental e de sustentabilidade.

Ainda em 2016, a Renova assumiu toda a ação em campo, com orçamento de R$ 2 bilhões no seu primeiro ano de existência; R$ 1,2 bilhão anual para 2017 e 2018; entre R$ 800 milhões e R$ 1,6 bilhão anuais de 2019 a 2021, de acordo com o andamento dos projetos. Os valores para o período de 2022 a 2030 ainda serão definidos de acordo com as realizações executadas, acrescidos de R$ 240 milhões anuais para ações compensatórias.

“Temos um triângulo exato: o CIF que define as ações; a Renova que as executa e as empresas que as pagam”, detalha Andrea Azevedo, diretora de Relações Institucionais da Renova. Andrea explica que o Ministério Público ainda realiza ajustes nesta formação e defende que pessoas civis impactadas também integrem o Comitê Interfederativo, respaldados por Câmaras Técnicas, e não apenas o Conselho Curador da Fundação. “Apoiamos esta recomendação; quanto mais participação da população, melhor”.

Instâncias do Ministério Público também debatem se os valores calculados até o momento estariam corretos. Mas a Renova não paralisa as ações à espera dessas definições. O CIF lhe impõe prazos, ela debate os planos de ação com as comunidades, executa e presta contas. “Priorizamos o diálogo com a sociedade para que seja possível transpor barreiras e identificar as melhores formas de desenvolver os trabalhos, sejam eles de revegetação, conservação do patrimônio cultural ou o Programa de Indenizações Mediada (PIM)”, diz Waack.

Os programas se dividem em duas frentes: socioambiental e socioeconômica, e três grandes eixos: Terra e Água; Pessoas e Comunidades e Reconstrução e Infraestrutura. Os impactos sofridos e as reparações já executadas e as por vir podem ser conferidas em detalhes no site da Fundação.

Dar a outra face

A determinação da equipe em trabalhar e servir os que tanto sofreram, assim como ajudar a restaurar este trecho do Brasil, famoso por seus produtos e a peculiar cultura regional, esbarra em obstáculos imprevistos. Que haveria dor, ressentimento e traumas era esperado. Toda pessoa que se dispõe a atuar na Renova sabe disso e está preparada para ouvir com empatia não só pleitos, mas também acusações, mesmo que indevidas, por aqueles que a tomam como um braço estendido das mineradoras.

“Somos cobrados de como a mineração atuará, daqui para frente. Mas este não é nosso papel”, esclarece Andrea Azevedo. “Também há muita ansiedade pela reconstrução de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, em Mariana e Gesteira, em Barra Longa, os distritos destruídos pela lama. Dizem: levou 10 minutos para sumir com nossas casas e, em mais de dois anos, nada ainda? Eles têm razão. 

Mas não podemos agir sem o consenso dos envolvidos e o aval de cada órgão que compõe o Comitê Interfederativo”, continua a executiva. A escolha do local para os novos assentamentos demorou a ganhar uma maioria junto às famílias beneficiárias e, no caso de Gesteira, por exemplo, a obra não iniciou pois o proprietário do terreno escolhido desistiu de vendê-lo em cima da hora. “O desenho para a reconstrução de Bento foi refeito 17 vezes. Agora, finalmente, as famílias reconhecem nele seu modo de vida e seus laços de vizinhança. O local também está definido, com a aprovação de 92% das 190 famílias do subdistrito”, diz Patrícia Bernardes, que atua nas Relações Institucionais da Renova.
Estes percalços eram esperados. Um ponto além do imaginado foi enfrentarem sabotagem aos esforços em curso. A recomposição e revegetação das margens, que visa 800 hectares na primeira etapa, por exemplo, foi aceita pela maior parte dos proprietários rurais que permitiram as cercas para proteção das áreas. O programa também leva aos que quiserem, apoio técnico para melhorar a lavoura e o gado, regularizar o Cadastro Rural e ampliar as opções de renda com desenvolvimento sustentável. Alguns proprietários de terras junto ao rio se negam a participar e isto é compreendido. 

Contudo, outros chegam ao extremo de enviar contratados para semear braquiária sobre as áreas em recuperação, uma planta invasora que inibe a recomposição da mata ciliar.

Assim como a mineração desperta, ao mesmo tempo, fascínio e ódio; a Renova também enfrenta sentimentos exacerbados, ao aplicar a legislação ambiental em seu trabalho de reconstrução e estimular  a  transformação dos modos de produção mais usuais em modelos sustentáveis.

A  Fundação mantém canais de Comunicação abertos para um diálogo constante. Estes, inclusive, acolhem pedidos de indenização até hoje, de quem teve qualquer prejuízo com o rompimento da barragem. “Muitos têm dificuldade de comprovar lucro cessante, por exemplo”, comenta Andrea. 

“No caso de pescadores, vemos pessoas com as marcas de linha de pesca nas mãos, mas que não possuem documento algum que ateste a profissão”. A equipe validou com o CIF e o Conselho Curador, 17 formas de reconhecer esta atividade. Uma matrícula em escola em que a profissão do pai ou da mãe foi declarada como pesca, no ano do acidente, por exemplo, vale. Este empenho traz a sobrecarga de excessos de pedidos para serem verificados e validados. “Preferimos enfrentar uma alta demanda, do que correr o risco de deixar alguém de fora”, explica a diretora.

É com essa disposição que a Fundação  acaba sendo uma mediadora entre o Brasil oficial e o país da informalidade; o Brasil solidário e o Brasil do individualismo, daqueles que ainda não aceitam ou entendem a validade de regras coletivas.

A catástrofe foi tão grande e o vale do rio Doce já era tão degradado, que a expectativa com relação à Fundação Renova era muito alta“, registrou Sebastião Salgado. ”

É possível que estejamos trabalhando em um dos maiores projetos de recuperação de água do planeta. 

A experiência do vale do rio Doce poderá ser usada em outras regiões do Brasil e no mundo inteiro”. 

Salgado, parceiro das ações de recuperação de nascentes com seu Instituto Terra avalia que a recuperação do rio levará de 20 a 30 anos.

Desastre em novembro de 2015
  • 39,2 MILHÕES DE M³ de rejeito espalhados em direção ao Rio Doce
  • 670 QUILÔMETROS impactados entre Minas Gerais e Espírito Santo
  • 40 MUNICÍPIOS atingidos
Ações executadas até fevereiro de 2018
  • R$ 3,2 bilhões em ações de reparação e compensação
  • mais de 23 mil cadastros realizados
  • 2,5 mil bens e fragmentos culturais sacros resgatados e conservados
  • R$ 500 milhões provisionados para tratamento de esgoto dos municípios impactados
  • 47 mil ha em processo de restauração florestal
  • 511 nascentes cercadas e outras 500 em processo de escolha – parte das 5 mil que serão recuperadas em 10 anos
  • 700 milhões em indenizações e auxílios financeiros pagos
  • 92 pontos de coleta de dados sobre a água ao longo da Bacia do Doce
  • 22 estações automáticas de monitoramento de água ao longo da Bacia – a mais monitorada do Brasil
  • 101 afluentes impactados reabilitados
Fonte: ENVOLVERDE

Fazenda da Toca é a primeira empresa brasileira em ovo caipira orgânico.
A Fazenda da Toca é a primeira empresa brasileira a produzir ovo caipira orgânico reconhecido pelo instituto Certified Humane Brasil. A certificação garante que as galinhas poedeiras são criadas segundo os princípios exigidos pela instituição para o bem-estar animal, com práticas mais humanas e responsáveis.

“Naturalmente, o selo Certified Humane sempre esteve em nosso radar. É uma certificação importante, além de muito conhecida e difundida em nosso meio. A busca pelo aprimoramento constante de nosso manejo e o reconhecimento externo de nossas práticas voltadas ao bem-estar animal são as principais razões que nos levam a querer fazer parte do programa”, afirma o diretor-geral da Fazenda da Toca, Fernando Bicaletto.

A Certified Humane Brasil é pioneira na certificação do sistema de produção de ovo caipira no Brasil. O instituto passou a oferecer o selo de bem-estar animal para este sistema de criação no final do ano passado, sendo mais uma opção para os produtores de galinhas poedeiras, junto às criações free range e pastoreio, que exigem que as aves tenham acesso livre ao ambiente externo.

Segundo o diretor geral da Certified Humane para a América Latina, Luiz Mazzon, a certificação de ovo caipira é uma forma de controle do consumidor, que pode ter a certeza de que aquele produto é realmente proveniente de uma granja que tem o bem-estar animal como princípio na criação das galinhas. Além disso, o selo Certified Humane é uma forma de retrair o uso desenfreado da definição “caipira” em tantas embalagens de ovos nos supermercados brasileiros.

A Fazenda da Toca é uma propriedade de 2.300 hectares localizada em Itirapina, a 200 km da capital de São Paulo, e dedica-se à produção e comercialização de polpas de frutas e ovos, tudo 100% orgânico, tornando-se referência no Brasil e no mundo na disseminação de um estilo de vida mais sustentável. “O que consideramos único é o nosso propósito de cocriar e conectar iniciativas que regeneram os sistemas”, comenta Bicaletto.

As aves da propriedade – da espécie Lohmann Brown – são criadas livres de gaiolas e têm acesso às áreas externas, o que permite que expressem o seu comportamento natural. “O respeito ao bem-estar animal é um dos principais pilares da produção de ovos da Fazenda”, afirma Bicaletto.

Fonte: ENVOLVERDE

Desastres naturais atingem 19 municípios brasileiros.
A Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil, do Ministério da Integração Nacional, reconheceu a situação de emergência em 19 municípios atingidos por desastres naturais, dez deles prejudicados pelo longo período sem chuvas, nove por chuvas intensas. A portaria foi publicada na edição de hoje (1º) do Diário Oficial da União. O reconhecimento federal acompanha os decretos municipais de emergência, que têm vigência de 180 dias. As cidades afetadas pelo prolongado período de estiagem estão na Bahia (Macururé), no Piauí (Caracol), em Minas Gerais (Bonito de Minas, Botumirim e Porteirinha) e no Rio Grande do Sul (Turuçu, Cerrito, Bagé e Candiota). Na cidade de Ichu, na Bahia, a população convive com a seca e o desequilíbrio hidrológico já é grave. Os municípios de Capinópolis (MG), Comodoro e Guarantã do Norte (MT), Marema (SC) e Monteiro Lobato (SP) sofreram os impactos de chuvas intensas no início deste ano. No Pará, as cidades de Água Azul do Norte, Itupiranga e Pau D’Arco enfrentaram enxurradas e alagamentos em fevereiro. Mesma situação de Presidente Nereu (SC), que foi atingido por chuvas intensas em um curto período de tempo, ocasionando enxurradas, deslizamentos de terras e destruição de pontes.

Fonte: ENVOLVERDE