sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Proibido discutir Belo Sun.

por Anna Beatriz Anjos | Agência Pública – 

Em entrevista, a professora Rosa Acevedo Marin conta como foi a agressão do prefeito de José Porfírio (PA) aos pesquisadores que debatiam Belo Sun no campus da UFPA

Na última quinta-feira (29), pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) se reuniriam no campus de Belém para realizar o seminário “Veias Abertas da Volta Grande do Xingu”. No encontro, apresentariam os resultados de estudo feito com as comunidades afetadas pela hidrelétrica de Belo Monte e que sofrem, neste momento, uma nova ameaça: a instalação, em sua área, do maior projeto de extração de ouro a céu aberto do país, conduzido pela mineradora canadense Belo Sun (leia mais em “À espera de Belo Sun”).

A programação, no entanto, não chegou a acontecer. Dirceu Biancardi (PSDB), prefeito do município de Senador José Porfírio, na região do Xingu, ocupou o auditório acompanhado por um grupo de cerca de 40 pessoas, formado, segundo os presentes no evento, por servidores e moradores da cidade, vereadores e até um deputado estadual, Fernando Coimbra (PSD). Os pesquisadores contam que foram impedidos de expor seus trabalhos enquanto o prefeito e seus apoiadores fizeram falas agressivas em apoio à Belo Sun.

Rosa Acevedo Marin, coordenadora do projeto de pesquisa que seria apresentado na ocasião e professora titular da UFPA, diz ainda que o auditório foi trancado pelo grupo de Biancardi. “Eu quis sair da sala porque a situação estava ultrapassando os limites, mas o prefeito ordenou ao seu grupo o fechamento do auditório e ficamos 40 minutos lá”, explica. Registros do episódio circulam nas redes sociais e motivaram manifestações de repúdio da reitoria da UFPA e da OAB Pará. O Ministério Público Federal também abriu investigação para apurar o que ocorreu no campus da universidade.

Tenho muitos anos de universidade e foi a primeira vez que vi isso – pessoas confundindo a universidade com palanque”, afirma Marin.

O que aconteceu exatamente durante o seminário “As veias abertas da Volta Grande do Xingu”, no último dia 29 de novembro?

Temos um projeto chamado “Nova Cartografia Social dos Povos Tradicionais da Volta Grande do Xingu”. Ele trata tanto dos efeitos da construção da hidrelétrica de Belo Monte como deste outro projeto que é seu irmão-gêmeo, a mineração na área da Volta Grande do Xingu, que obedece ao esquema da grande mineração, da mineração industrial. Neste empreendimento está envolvida uma empresa canadense chamada Belo Sun. Temos uma série de atividades nesse projeto – levantamento de dados, materiais de imprensa – e em trabalho de campo realizamos oficinas de cartografia na Vila da Ressaca, que fica na Volta Grande do Xingu, na Ilha da Fazenda e em quatro travessões do Projeto de Assentamento Ressaca, que é parte de uma gleba chamada Itatá. Nossa proposta nos dias 28 e 29 era primeiro fazer um seminário na Universidade do Estado do Pará [UEPA] com instituições públicas, como a Secretaria do Meio Ambiente e Sustentabilidade [Semas] do estado do Pará, o Ministério Público, Incra, o SPU [Superintendência do Patrimônio da União]. Mas, principalmente, fazer indagações sobre a questão das condicionantes que incidem sobre o projeto de mineração Belo Sun. No segundo dia, faríamos o encontro entre quatro pesquisadores, o Ministério Público Federal e representantes da Cooperativa Mista dos Garimpeiros da Ressaca, Galo, Ouro Verde e Ilha da Fazenda [Coomgrif]. Essa era a previsão, mas houve a chegada de um grupo de 40 pessoas, organizadas pelo prefeito do município de Senador José Porfírio, com um estado bastante agressivo, como se a universidade fosse a resposta às decisões políticas que eles estavam esperando em relação à implantação da Belo Sun. Essas pessoas estavam realmente fora de controle, entraram no seminário durante a primeira rodada de conversa e apresentações, quando começamos a conversar sobre a pesquisa e a forma como estava sendo conduzida. Neste momento eles perderam o controle, pensando que estávamos dispostos a desacreditar o projeto da Belo Sun. Eu quis sair da sala porque a situação estava ultrapassando os limites, mas o prefeito ordenou ao seu grupo o fechamento do auditório e ficamos 40 minutos lá. Depois disso, tentamos recuperar o clima, queríamos continuar conversando e, para a nossa surpresa, as pessoas que estavam acompanhando o prefeito não falaram, quem falou foi ele, um vereador amigo seu e um deputado estadual chamado Fernando Coimbra. Nós não podíamos [falar], e o evento termina dessa forma, sem a realização do seminário, com coerção e insultos aos pesquisadores e pesquisadoras, e, no final, eles tomaram a palavra e ocuparam os lugares onde ficariam os pesquisadores. Depois disso, houve um pequeno intervalo em que a defensora pública Andrea Barretofez uso da palavra para comunicar quais são as ações que está movendo a Defensoria Pública contra o projeto da mineradora Belo Sun. Conseguimos que ela falasse por quinze minutos, depois o prefeito tomou a palavra e falou por mais de vinte minutos, em seguida entrou o vereador, logo após, esse deputado estadual que já mencionei, e o evento terminou assim, com total desrespeito ao que pretendíamos – o seminário foi totalmente inviabilizado, criou-se um clima de tensão muito grande. Nós, pesquisadores, estávamos num grupo de oito: os que conseguiram entrar, porque eles fecharam a porta, e os que estavam do lado de fora não conseguiram ter acesso à sala. O seminário tinha três momentos: o primeiro para os movimentos sociais; o segundo, para os pesquisadores apresentarem seus trabalhos; e o terceiro para o público, em que eles poderiam falar.
A comunidade Vila da Ressaca fica na área de instalação do empreendimento da Belo Sun (Foto: Iuri Barcelos/Agência Pública)

Quais providências a senhora tomou em relação aos ataques que sofreu?

Sou servidora pública federal. Esse evento aconteceu em uma universidade púbica federal e é caracterizado como um ato contra a instituição e suas regras – um seminário tem coordenador, regras, programação, uma finalidade. Essa é a primeira questão: o tumulto criado impediu que a programação fosse realizada. Naquele mesmo espaço, ocorreu uma série de ameaças, havia um tom elevado por parte do prefeito e de seus acompanhantes. Isso realmente nos criou um constrangimento muito grande, uma coerção, nós não podíamos falar. Depois, houve outro ato grave, o fechamento da porta, que impediu nossa saída e a entrada dos nossos colegas que estavam lá fora – inclusive, uma pesquisadora precisou ir ao banheiro e foi impedida. Uma professora da universidade teve sua palavra cerceada e as pessoas gritavam para que saísse da sala, chamavam-na de velha. Por último, a ocupação do lugar: era um espaço onde podíamos estar conversando tranquilamente, apresentando nossos trabalhos, e fomos interrompidos pela presença dessas pessoas. Houve não só a violência simbólica, mas também a física, porque pessoas foram fechadas em uma sala, sem condições de sair e obrigadas a ouvir o que ele [o prefeito] estava gritando. Isso caracteriza uma situação muito complicada que nós levamos primeiramente à Polícia Federal. Hoje pela manhã [quinta, dia 30] fui chamada pelo reitor, ele solicitou que seu secretário ouvisse o meu depoimento e os dos colegas, professores e estudantes, que estavam no ato. Pelo menos durante uma hora e meia conversamos sobre esse fato. Essas questões todas circularam rapidamente porque, enquanto estávamos presos na sala, colegas chamaram a imprensa e, quando os jornalistas chegaram, foi o momento em que a porta foi liberada. Tenho muitos anos de universidade e foi a primeira vez que vi isso – pessoas confundindo a universidade com palanque.

Por que o prefeito de Senador José Porfírio se colocou tão veementemente a favor da Belo Sun, na sua opinião?

Boa parte da área do empreendimento da Belo Sun coincide com a área de Senador José Porfírio, um município também muito afetado pela hidrelétrica de Belo Monte que, por uma definição de áreas de influência, não entrou nas compensações da Norte Energia. Pouquíssimas compensações foram feitas na Vila da Ressaca, e depois de muita exigência foi colocado sistema de água e esgoto que não funciona. Então, o grupo político de Senador José Porfírio está esperando [da Belo Sun] compensações financeiras e empregos, por exemplo.
O prefeito de Senador José Porfírio (PA), Dirceu Biancardi, fez fala a favor da mineradora canadense Belo Sun (Foto: Reprodução/Facebook)

Como se deu o projeto de pesquisa “Nova Cartografia Social dos Povos Tradicionais da Volta Grande do Xingu”?

Em função do vínculo que tenho como docente da universidade desde 2012, realizamos um trabalho sobre o Baixão do Tufi, uma área que desapareceu com muita violência após a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Neste ano, estávamos novamente em conversa com a faculdade e movimentos locais para debater essa questão da mineradora Belo Sun e decidimos fazer oficinas de cartografia social. Isso representa a forma como os agentes sociais da Volta Grande do Xingu – garimpeiros, indígenas, assentados, pescadores – encaram os efeitos do projeto, que se somará aos impactos já existentes saudados pela hidrelétrica de Belo Monte. Fizemos trabalho de campo: entrevistamos, filmamos, realizamos oficinas de cartografia e estamos, neste momento, elaborando um boletim sobre os povos e comunidades tradicionais da Volta Grande do Xingu.

Nossa reportagem esteve na região da Volta Grande do Xingu em setembro e constatou que uma parte das comunidades atingidas é a favor da vinda da Belo Sun. De que forma a mineradora consegue angariar apoio?

A empresa oferece muitas vantagens. Isso aconteceu com Belo Monte, mas agora que as casas estão rachadas, que eles [afetados] não têm mais transportes, estão observando a ilusão que é o projeto de desenvolvimento. Lamentavelmente não temos as condições de informação, de crítica para que a pessoa possa produzir uma outra posição da sua vida que não seja essa venda da necessidade, esse tipo de agenciamento. Dizíamos ontem para as pessoas não se enganarem, para não pensarem que o desenvolvimento que eles [empresas] oferecem [vai fazer com que] seus filhos e netos aproveitem algo desse projeto. É esse tipo de reflexão que não chega. O problema é esclarecer as pessoas sobre isso, e esse é o papel da universidade. O que nós pretendíamos era levar essa informação para as pessoas refletirem, quando entra [no auditório] um agente público como um prefeito com aquele tipo de postura.

Que tipos de impactos ambientais e sociais acarretaria a instalação do projeto de extração de ouro pretendido pela Belo Sun na Volta Grande do Xingu?

A primeira coisa, algo que está sendo dito repetidamente mas que eles fazem questão de apagar: a questão dos recursos hídricos que serão trazidos para viabilizar a exploração do empreendimento. Há a questão da área que será desmatada para que seja retirado o minério. Tem também uma questão social extremamente importante: nessa área da Volta Grande do Xingu, dependem do garimpo muitas famílias – na Vila da Ressaca, no Galo, na Ilha da Fazenda. Haverá uma inviabilização da vida dessas famílias. Já os efeitos ambientais ainda são poucos conhecidos. Tem ainda a questão das terras indígenas, a área da mineração é muito próxima à TI Paquiçamba, que será afetada. O depósito do rejeitos dessa exploração mineral é também problemático. Não sabemos o que vai ocorrer com a Bacia do Xingu nessa área. Essas empresas de mineração têm uma forma de atuação cega a qualquer outro debate que não seja a finalidade que desejam atingir. A mineradora Belo Sun diz que é uma indústria moderna, mas sabemos que há outras maneiras técnicas de se fazer esse tipo de exploração.


Fonte: ENVOLVERDE
ODS8 – Profissional capaz de conciliar tecnologia e sustentabilidade será mais valorizado.
A aplicação de novas tecnologias é parte indispensável das estratégias de inovação e governança das empresas, tendo ainda como pano de fundo a sustentabilidade. Por isso, nos próximos anos, a demanda por profissionais capazes de fazer essa conciliação aumentará exponencialmente, nos mais diversos campos de atuação. Contudo, é necessário que haja capacitação para tal. “Não basta apenas o advogado dominar o direito, o publicitário conhecer exatamente seu público-alvo ou o arquiteto ser um excelente projetista. Cada vez mais, explorar as novas ferramentas para alcançar resultados que vão além do lucro exigirá domínio, conhecimento. Não abrir mão da sustentabilidade como parte do seu negócio ”, diz Tereza de Brito Carvalho, coordenadora de MBA do PECE (Programa de Educação Continuada) da Poli USP. Para atender a essa demanda de mercado que o PECE abriu um novo curso MBA para 2018, que é o de Governança e Inovação de Tecnologias Digitais com Sustentabilidade – com certificado de conclusão emitido oficialmente pela USP. As aulas têm previsão de início para fevereiro e os interessados em participar do processo de seleção podem se inscrever por meio do site www.pecepoli.com.br .  


Fonte: ENVOLVERDE
AGROTÓXICOS ¿Realmente creen que cualquier fauna silvestre sobrevive al bombardeo químico de agricultores año tras año? Por Graciela Vizcay Gomez.


“He escrito extensamente sobre agricultura y especialmente pesticidas por dos razones.Estoy convencido de que la agricultura durante milenios fue civilización. Pero desde fines del siglo XIX la agricultura se vio obligada a industrializarse supuestamente para alimentar al mundo. Las granjas gigantes que cultivaban una sola cosecha sonaron como la campana de la cena de innumerables plagas de insectos. Esto desencadenó una guerra química en la granja”, según un artículo de Evaggelos Vallianatos*, publicado en HuffingtonPost, que hoy les traigo.

La industrialización trajo la violenta metamorfosis de la civilización a una fábrica. Los pesticidas se convirtieron en los pilares de esta fábrica.

En segundo lugar, mi prolongado trabajo para la Agencia de Protección Ambiental de EE. UU. Me convenció de que los pesticidas, como las bombas nucleares, deben ser abolidos. Su historia de guerra y sus efectos son simplemente intolerables.

Un amigo apicultor del Reino Unido, Graham White, me llamó la atención sobre el trabajo del profesor Dave Goulson en la Universidad de Sussex. Goulson llevó a cabo una “Auditoría de Pesticidas” de un solo campo de colza y uno de trigo de invierno.

La auditoría de pesticidas cubrió una temporada, 2012-2013. Reveló que cualquier abeja, mariposa, abejorro, mariquita, lombriz, que se alimente de un campo de colza estaría expuesto a:

SEIS insecticidas,

TRES herbicidas,

NUEVE fungicidas

Además de reguladores de crecimiento de hormona de insectos.

Los efectos nocivos de este cóctel de venenos están deformando y matando a la vida silvestre, aunque los científicos aún no han estudiado las mezclas de tantos venenos que trabajan juntos.

El campo de colza oleaginosa no era inusual. Se recomienda a la mayoría de los agricultores del Reino Unido y de los Estados Unidos que utilicen el mismo cóctel de aerosoles. En el Reino Unido, más de 8,000,000 hectáreas de cultivos herbáceos cada año siguen esta receta química.

El profesor Goulson dice que encontró la evidencia de su auditoría “asombrosa”. Lo encontré escandaloso.

El profesor Goulson analiza la agricultura con los ojos de polinizadores, abejas y abejorros. De hecho, él es el científico preeminente abejorro del Reino Unido.

Goulson se centró en la colza porque cuando florece se convierte en una tienda de alimentos para las abejas melíferas.

Él explica: “La colza se siembra a fines del verano con un aderezo para semillas que contiene el insecticida tiametoxam. Este es un neonicotinoide sistémico, con una toxicidad muy alta para las abejas.”

“Sabemos que la planta lo absorbe y que los niveles detectables estarán en el néctar y el polen recolectados por las abejas en la primavera siguiente.

En noviembre, a pesar de la supuesta protección del neonicotinoide, el cultivo se rocía con otro insecticida, el encantador nombre ‘Gandalf‘ .

“¿Qué daño podría hacer el viejo sabio sabio? Gandalf contiene beta-ciflutrina , un piretroide. Los piretroides son altamente tóxicos para las abejas y otros insectos, pero no debería haber abejas en noviembre, por lo que probablemente esté bien. El siguiente mayo, cuando está floreciendo, el cultivo se rocía con otro piretroide, alfa- cipermetrina .

“Menos de tres semanas después, la cosecha se bombardea con tres piretroides más, todos mezclados, un enfoque real de cinturón y llaves.

¿Por qué usar uno cuando tres harán? La cosecha todavía florece en este punto (era un año tardío), y estaría cubierta en abejorros forrajeros y otros polinizadores. “En el medio, el cultivo también se trata con un aluvión de herbicidas, fungicidas, molusquicidas y fertilizantes: 22 productos químicos diferentes en total. La mayoría de estos pueden tener poca toxicidad para las abejas en sí mismos, pero algunos, como un grupo de fungicidas (los fungicidas DMI), se sabe que actúan de forma sinérgica con neonicotinoides y piretroides, lo que hace que los insecticidas sean mucho más tóxicos para las abejas. En la fecha de aplicación final, cuando el cultivo está en floración, se agrega uno de estos fungicidas (protioconazol) a la mezcla del tanque con los tres piretroides. 

Cualquier alimentación de abejas se expondrá simultáneamente a los tres piretroides, el tiametoxam en el néctar y el polen, y un fungicida que hace que estos insecticidas sean más tóxicos. “No sabemos qué impacto tiene todo esto realmente en ellos”. Las pruebas de seguridad solo exponen a los insectos de prueba a solo un químico a la vez, generalmente por solo 2 días, pero en realidad están crónicamente expuestos a múltiples plaguicidas a lo largo de sus vidas.

 El hecho de que todavía tenemos abejas en tierras de cultivo sugiere que deben ser bastante duras. En términos más generales, no sabemos qué impacto tiene todo esto en otros polinizadores o en la vida silvestre en general. La industria nos diría que todo está bien. También nos dirían (y a los agricultores que aconsejan) que todas estas aplicaciones son partes vitalmente importantes de la producción de cultivos, y que sin ellas la producción de alimentos colapsaría. Tengo mis dudas. Las pruebas de seguridad solo exponen a los insectos de prueba a solo un químico a la vez, generalmente por solo 2 días, pero en realidad están crónicamente expuestos a múltiples plaguicidas a lo largo de sus vidas. El hecho de que todavía tenemos abejas en tierras de cultivo sugiere que deben ser bastante duras. 

En términos más generales, no sabemos qué impacto tiene todo esto en otros polinizadores o en la vida silvestre en general. La industria nos diría que todo está bien. También nos dirían (y a los agricultores que aconsejan) que todas estas aplicaciones son partes vitalmente importantes de la producción de cultivos, y que sin ellas la producción de alimentos colapsaría. Tengo mis dudas. Las pruebas de seguridad solo exponen a los insectos de prueba a solo un químico a la vez, generalmente por solo 2 días, pero en realidad están crónicamente expuestos a múltiples plaguicidas a lo largo de sus vidas. El hecho de que todavía tenemos abejas en tierras de cultivo sugiere que deben ser bastante duras. En términos más generales, no sabemos qué impacto tiene todo esto en otros polinizadores o en la vida silvestre en general. La industria nos diría que todo está bien. 

También nos dirían (y a los agricultores que aconsejan) que todas estas aplicaciones son partes vitalmente importantes de la producción de cultivos, y que sin ellas la producción de alimentos colapsaría. Tengo mis dudas. El hecho de que todavía tenemos abejas en tierras de cultivo sugiere que deben ser bastante duras. 

En términos más generales, no sabemos qué impacto tiene todo esto en otros polinizadores o en la vida silvestre en general. La industria nos diría que todo está bien. También nos dirían (y a los agricultores que aconsejan) que todas estas aplicaciones son partes vitalmente importantes de la producción de cultivos, y que sin ellas la producción de alimentos colapsaría. Tengo mis dudas. El hecho de que todavía tenemos abejas en tierras de cultivo sugiere que deben ser bastante duras. En términos más generales, no sabemos qué impacto tiene todo esto en otros polinizadores o en la vida silvestre en general. La industria nos diría que todo está bien. También nos dirían (y a los agricultores que aconsejan) que todas estas aplicaciones son partes vitalmente importantes de la producción de cultivos, y que sin ellas la producción de alimentos colapsaría. Tengo mis dudas.

“¿Es así como realmente queremos ver el campo manejado?

“¿Realmente queremos comer alimentos producidos de esta manera?

“¿Realmente creemos que CUALQUIER insecto, biota del suelo, aves o mamíferos puede sobrevivir a esta barrera química, año tras año tras año?”

Mi respuesta es no. Goulson tiene razón. Las mezclas de plaguicidas son mortales para los polinizadores y otros animales salvajes, especialmente cuando el mismo aluvión de productos químicos llega a los cultivos año tras año tras año. Los pesticidas no pertenecen al campo ni a la comida. No le gustaría alimentar a sus hijos con este alimento rociado.

Es poco probable que la industria química, como la industria tabacalera, recobre sus sentidos. Manipula la política y la ciencia para mantener su imperio de veneno. Mientras tenga el apoyo de los gobernantes del Reino Unido, América u otros países, los pesticidas y las grandes granjas industrializadas reinarán supremas; la comida y el agua potable se contaminarán y la vida silvestre será envenenada.

Probablemente hay muchos científicos como Goulson que saben por qué los pesticidas están matando a la vida silvestre y hacen que la Inglaterra rural y la América rural no sean aptas para la habitación humana y la producción de alimentos. Estos científicos deberían hablar con sus colegas, incluidos los médicos, y, juntos, deberían decir que ya es suficiente. Sus cartas deben llegar a funcionarios de la ONU, primeros ministros, presidentes, editores de periódicos y políticos.

Los apicultores necesitan levantarse para salvar a sus abejas y al mundo natural. Han visto el declive o la destrucción de sus medios de vida. Probablemente saben más sobre los terribles neonicotinoides y otros químicos que envenenan abejas e insectos. Lleva esa información y conocimiento a la plaza pública. Trabajar con agricultores orgánicos, cocineros, maestros y ambientalistas para detener la próxima era oscura de las neurotoxinas y el silencio.-

Zero Biocidas.

*Historiador y estratega ambiental

Educado en zoología e historia en la Universidad de Illinois, recibió una licenciatura en zoología y una maestría en historia griega medieval. Obtuvo un doctorado en historia europeo-griega en la Universidad de Wisconsin. Hizo estudios posdoctorales en la historia de la ciencia en Harvard. Trabajó en Capitol Hill durante 2 años y en la Agencia de Protección Ambiental de los EE. UU. Durante 25 años. Es autor de cientos de artículos y 6 libros, incluido “Poison Spring”, con Mckay Jenkings.


Fonte: ZERO BIOCIDAS

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

ODS8 – Faturamento das empresas do turismo cresce 4,3%.
Pesquisa trimestral do MTur mostra que 66% do setor pretende realizar novos investimentos ainda este ano e aponta o aumento de 4,3% no faturamento médio das empresas do setor de turismo no terceiro trimestre do ano, na comparação com o mesmo período de 2016. A expansão da receita, assim como a perspectiva de realização de novos investimentos no período de outubro a dezembro, foi verificada pelo Ministério do Turismo. Os aumentos mais expressivos ocorreram nos segmentos de parques e atrações turísticas (11,4%), transporte aéreo (11,2%), operadoras de turismo (10,3%) e agências de viagens (9,3%). Resultados que as empresas atribuem ainda à sazonalidade e aos investimentos realizados anteriormente. Em menor escala, com percentuais abaixo de 2%, houve majoração de receita também entre as organizadoras de eventos, meios de hospedagem e nas empresas de turismo receptivo.


Fonte: ENVOLVERDE
ODS15 – Parceria com Instituto Pró-Carnívoros para a conservação do lobo-guará.
A AES Tietê, em parceria com o Instituto Pró-Carnívoros, iniciará um projeto de monitoramento do lobo-guará nos reservatórios das usinas hidrelétricas de Caconde, Limoeiro, Euclides da Cunha e Mogi-Guaçu, localizadas no interior do estado de São Paulo e pertencentes à empresa. O projeto será trabalhado em três eixos principais: pesquisa, educomunicação e conservação. O objetivo do projeto é avaliar os riscos à sobrevivência do animal, que está cada vez mais ameaçado de extinção. Por meio do projeto, será possível traçar estratégias direcionadas à conservação e ao manejo da espécie. “Como todo carnívoro de grande porte, o lobo-guará está sujeito a uma grande diversidade de ameaças; conhecê-las e se aproximar das comunidades locais, é a estratégia mais viável para se obter sucesso na manutenção de populações silvestres em longo prazo”, explica Tatiane Rech, responsável pelo projeto na AES Tietê.


Fonte: ENVOLVERDE

ODS15 – Instituto Mamirauá lança jogos para celulares smartphones.


A paca, o tucano e o macaco-de-cheiro são algumas das estrelas do jogo “Animais Dispersores da Floresta Amazônica”. Lançado como aplicativo na plataforma Google Play, este jogo da memória conta como as sementes são espalhadas e povoam as florestas, com a importante ajuda dos animais.

O jogo é uma criação do Instituto Mamirauá e pode ser baixado gratuitamente para celulares Android. Os usuários do também poderão ter de graça em seus smartphones o aplicativo “Amazônia – a várzea e a floresta de terra firme”. Os aplicativos são um convite do Instituto Mamirauá ao grande público, incluindo os aficionados por jogos virtuais, a conhecerem mais sobre a Amazônia e como conservá-la.

Fonte: ENVOLVERDE

Prefácio a Uberização: A Nova Onda do Trabalho Precarizado Editora Elefante.
por Ricardo Abramovay* – 

A explosão da cultura digital durante o Século XXI revigorou os mais importantes ideais emancipatórios, combalidos pela queda do muro de Berlim. As pessoas e as comunidades passariam a dispor dos meios técnicos que lhes permitiriam estabelecer comunicação direta umas com as outras. 

A informação, os bens e os serviços poderiam ser oferecidos de forma eficiente sem que as condições objetivas de sua produção estivessem nas mãos de grandes empresas. O mantra da teoria microeconômica segundo o qual eficiência supõe concentração de recursos parecia desmentido pela comunicação em rede e, mais ainda, pelo surgimento dos smartphones e de equipamentos como as impressoras em três dimensões e as máquinas de corte a laser. Dispositivos eletrônicos com um poder cada vez maior estavam nas mãos das pessoas e operavam em rede. A oposição entre o pinguim e o Leviathã, no título do importante livro de Yochai Benkler, apontava para a importância cada vez maior dos “commons”, de tudo aquilo que operava para ampliar o domínio da esfera pública não só sobre a vida social, mas sobre a própria relação entre sociedade e natureza. Jeremy Rifkin foi além, vinculando a abundância trazida pela revolução digital ao próprio fim do capitalismo. A sharing economy, cujas expressões mais emblemáticas são a Wikipédia e os softwares livres, exprimiria a capacidade humana de cooperação, não apenas entre pessoas que se conhecem, num círculo limitado por laços de parentesco e amizade, mas de forma anônima, impessoal e massificada. As bases materiais para a transição do reino da necessidade para o de liberdade pareciam asseguradas.

Não demorou muito para ficar claro que esta narrativa edificante subestimava a mais importante transformação do capitalismo do Século XXI: a emergência da empresa-plataforma. O aumento na capacidade de processar, coletar, armazenar e analisar dados foi de tal magnitude que seu custo, que era de onze dólares por gigabyte em 2000 caiu para US$ 0,02 em 2016. Esta foi uma das bases objetivas não só para que Google e Facebook estivessem entre as mais poderosas empresas do mundo, mas também para que um conjunto cada vez mais amplo de bens e serviços fossem oferecidos não mais por empresas ou conglomerados especializados, mas por plataformas que, a custo quase zero, tinham o poder de conectar imediatamente consumidores e varejistas, reduzindo os custos envolvidos em suas transações.

A Amazon, assim, deixa de ser uma livraria e uma loja de discos e passa a promover a ligação entre milhares de fabricantes e comerciantes a consumidores de todo o mundo. E o poder da Amazon aumenta à medida que ela consegue ampliar o alcance de sua rede. Quanto mais gente comprar e vender por meio de sua plataforma, maior será a dificuldade de que surjam concorrentes capazes de enfrentar o seu poder. O mesmo ocorre com a Netflix ou com o mecanismo de busca do Google. É a lógica do “vencedor leva tudo” em que quem não estiver dentro da rede terá dificuldade para obter os benefícios que ela propicia.

O poder das empresas-plataforma

O mais impressionante é que estas empresas-plataforma estão entre as mais valiosas e poderosas do mundo atual, sem que, para isso, precisem deter patrimônio, propriedades, estoques, almoxarifado, frota de caminhões, máquinas ou custosas instalações. A Walmart, por exemplo, possui mais de 150 centros de distribuição, uma frota de seis mil caminhões que rodam 700 milhões de milhas anualmente para levar produtos a 4.500 lojas só nos Estados Unidos. Seus ativos em 2016 valiam US$ 180 bilhões. Com tudo isso, a Walmart vale menos que a chinesa Alibaba que vendeu um trilhão de dólares em 2016 e que atende mensalmente um público maior que a população norte-americana.

O livro de Tom Slee tem o mérito de desmistificar a aura de esperança com que a sharing economy foi encarada em seus primórdios. Ele é inspirado, como diz o autor na conclusão, por um sentimento de traição: muito longe de exprimir a cooperação direta entre indivíduos, o suposto compartilhamento deu lugar à formação de gigantes corporativos cujo funcionamento é regido por algoritmos opacos que em nada se aproximam da utopia cooperativista estampada em suas versões originais. O livro apoia-se numa sólida pesquisa empírica mostrando consequências sociais desastrosas das corporações digitais. Sob a retórica do compartilhamento escondem-se a acumulação de fortunas impressionantes, a erosão de muitas comunidades, a precarização do trabalho e o consumismo.

O AirBnb, por exemplo, acabou por estimular que, em cidades turísticas importantes, como Barcelona, Paris e Amsterdã, as pessoas vendessem seus domicílios a empresas que operavam como se fossem indivíduos. Ao mesmo tempo, em muitas destas cidades o turismo se expandiu muito além dos limites da rede hoteleira. No verão de 2014, mostra Slee, o bairro parisiense do Marais recebeu 66 mil visitantes, mais que os 64 mil habitantes que ali residem de forma permanente. O resultado é que as regiões centrais das cidades atingidas, cujo atrativo era exatamente o de conciliar a beleza arquitetônica com o cotidiano de quem ali vivia, corriam o risco de serem convertidas em cenários de Disneylândia. Não é à toa que várias prefeituras impuseram regulamentações limitando o poder destes novos protagonistas da degradação urbana.

A ideia de que se eu precisar de algo posso contar com a ajuda dos outros e que isso vai gerar sentimentos e práticas de reciprocidade acabou se convertendo na oferta generalizada de trabalhos mal pagos e sem qualquer segurança previdenciária. Num ambiente em que os sindicatos estão cada vez mais fracos e os direitos trabalhistas sob aberta contestação, os resultados são devastadores. A utopia de que a relação peer to peer ampliaria o bem-estar, reduziria o desperdício e traria significado humano para as relações econômicas, tão fortemente cultivada pelo discurso do Vale do Silício, transformou-se no seu contrário, como mostra de forma documentada e inteligente Tom Slee. E o curioso é que a tão badalada sharing economy inclui gigantes digitais como Uber, Lyft e Task Rabit, mas nunca as cooperativas do sistema espanhol Mondragón, as inúmeras iniciativas de gestão comunitária de recursos ecossistêmicos comuns ou o que na América Latina se conhece como economia solidária.

Vetores de concentração de renda

Este livro é uma importante denúncia contra o cinismo dos que se apresentam ao grande público como promotores da cooperação social e do uso parcimonioso dos recursos, mas que na verdade estão entre os mais importantes vetores da concentração de renda, da desregulamentação generalizada e da perda de autonomia dos indivíduos e das comunidades no mundo atual. Um dos capítulos mais interessantes deste livro é o que trata da confiança. A resposta do Vale do Silício aos estudos que mostravam a erosão da confiança na sociedade norte-americana a partir dos anos 1980 consistiu em enaltecer os sistemas digitais de que atribuem reputação ao comportamento dos indivíduos e permitem, supostamente, que todos saibam quem é confiável. Slee mostra que estes sistemas são altamente distorcidos e que em hipótese nenhuma eles poderiam substituir o sentimento de identidade e pertencimento comunitário que formam a base real de qualquer democracia.

Uma das mais dramáticas consequências do capitalismo de plataforma, é a drástica redução da responsabilidade socioambiental corporativa. Slee cita diversos exemplos em que, embora as plataformas sejam as maiores beneficiárias das operações comerciais que intermediam, elas renunciam a qualquer responsabilidade sobre suas consequências. E os gigantes digitais que hoje aparecem como expressão emblemática do capitalismo de plataforma insistem na narrativa de que são simples intermediários e que a responsabilidade pela relação comercial entre os que oferecem os bens e os serviços e os que os demandam não lhes cabe.

O livro de Tom Slee não é uma condenação ou uma expressão de ceticismo diante do fenômeno da cooperação social. É claro que a vida social depende do fato de os indivíduos e as organizações, nas mais variadas dimensões de suas vidas (inclusive na economia) compartilharem não apenas bens e serviços, mas sobretudo informação e conhecimento. As inúmeras práticas de ajuda mútua, que vão desde o cuidado com as crianças dos vizinhos até a formação de sistemas informais de microfinanças são generalizadas no mundo todo. Além disso, no interior da cultura digital há várias plataformas em que o compartilhamento se realiza, de fato, entre pessoas ou entre empresas, sem que isso abra caminho à concentraçãoo de fortunas e de poder que marca a face hoje mais visível e à qual Tom Slee dedica mais atenção da sharing economy. Parte crescente da inovação tecnológica contemporânea apoia-se em práticas pertencentes ao knowledge commons. Da mesma forma que ocorre com inúmeras situações de recursos naturais geridos por comunidades como pertencentes a todos (e cujo estudo respondeu pelo prêmio Nobel de Economia a Elinor Ostrom), há um vasto campo de “commons” cuja administração não é centralizada num punhado de empresas altamente lucrativas.

É claro que o avanço cada vez maior da conectividade e dos meios para que ela chegue ao maior número de pessoas pode ser benéfico. Mas a distância entre conexão e bem-estar social será tanto maior quanto mais poderosos forem os gigantes digitais que determinam as regras sob as quais o maior bem comum criado pela inteligência humana, a internet, funciona. Contrariamente à crença dos protagonistas dominantes da sharing economy, a revolução digital só vai melhorar a vida das sociedades contemporâneas se ela se apoiar em real abertura, em participação transparente e em redução das desigualdades. O livro de Tom Slee é uma contribuição fundamental nesta direção.
  • Ricardo Abramovay é professor titular do Departamento de Economia da FEA. Autor de “Muito Além da Economia Verde” (Ed. Planeta Sustentável, SP, 2012). Coautor de Lixo Zero: Gestão de Resíduos Sólidos para uma Sociedade Mais Próspera.


Fonte: ENVOLVERDE
Paradoxo na economia: “a gente sabe o que funciona e estamos fazendo exatamente o contrário”.

por Marco Weissheimer, do portal Sul 21 – 

“Estamos destruindo o planeta em proveito de uma minoria, enquanto os recursos necessários ao desenvolvimento sustentável e equilibrado são esterilizados pelo sistema financeiro mundial. (…) Quando oito indivíduos são donos de mais riqueza do que a metade da população mundial, enquanto 800 milhões de pessoas passam fome, achar que o sistema está dando certo é prova de cegueira mental avançada”. Essa é uma das teses centrais do novo livro do economista Ladislau Dowbor, “A era do capital improdutivo. A nova arquitetura do poder: dominação financeira, seqüestro da democracia e destruição do planeta” (Outras Palavras/Autonomia Literária), que analisa a captura dos processos produtivos e políticos da sociedade mundial pelo capital financeiro.

Na avaliação do professor titular de Pós-Graduação da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), o neoliberalismo repousa sobre “balelas” e a concentração de renda e de riqueza no planeta atingiu níveis obscenos. Em entrevista ao Sul21, Dowbor fala sobre o seu novo livro e sobre os desdobramentos dessa hegemonia do capital especulativo no Brasil. O déficit no Brasil, defende o economista, não foi criado por gastos públicos, mas sim pelo desvio dos gastos públicos para os bancos no serviço da dívida pública:
“Muito curiosamente, o teto de gastos paralisa as atividades próprias do Estado em educação, saúde, segurança, etc., mas libera a continuidade da transferência de recursos públicos para os bancos. O Brasil tem, hoje, cerca de 60 milhões de adultos que estão negativados. Essas pessoas não conseguem pagar suas contas relativas a comprar anteriores e, muito menos, efetuar novas compras. E as empresas também estão endividadas. Esse sistema é absolutamente inviável”.
Sul21: O que é, exatamente, o capital improdutivo, conceito central do teu novo livro?

Ladislau Dowbor: Nós devemos distinguir o investimento, produtor de bens e serviços, que desenvolve atividades econômicas, da aplicação financeira. São dois campos distintos. No Brasil, se confunde, voluntariamente, investimento e aplicação financeira. Quando você compra títulos do Tesouro, faz especulações sobre moedas ou compra ações poderá até ganhar bastante dinheiro, movimentar um monte de papeis, sem que, com isso, apareça sequer um par de sapatos, uma bicicleta ou uma escola a mais no país. Você não gerou nada. Se você ganhou bastante, está se apropriando do que outra pessoa perdeu. Se você previu que o dólar ia subir, comprou na baixa e ele subiu, quem te vendeu perdeu dinheiro.

Toda essa esfera de aplicações financeiras é essencialmente especulativa, não contribuindo para o processo produtivo. O que contribui para o processo produtivo é o investimento que financia atividades que geram bens, serviços, empregos, impostos e que fazem a economia girar. Falamos de capital improdutivo quando passa a render mais você aplicar em papeis do que investir em alguma coisa. No mundo, hoje, o PIB correspondente à produção de bens e serviços aumenta em média algo entre 2 e 2,5% ao ano, enquanto que o rendimento dos papeis aumenta cerca de 7% ao ano. A explicação é muito simples. O dinheiro vai para onde rende mais. Gerou-se um sistema em que você ganha mais dinheiro simplesmente teclando no computador do que efetivamente produzindo. Isso é a expansão do capital improdutivo.

Há uma segunda questão importante. O capital especulativo e as aplicações financeiras passam a funcionar em um processo de progressão geométrica. Um bilionário que aplica seu dinheiro a 5% ao ano ganhará 137 mil dólares por dia. Ele não consegue gastar tudo e esse dinheiro é reaplicado, fazendo com que, a cada dia, o juro sobre o estoque de recursos aumente. Temos aí uma expansão que, em termos financeiros, se chama efeito bola de neve. Esse efeito faz com que grandes fortunas passam a ter muito mais dinheiro do que conseguem gastar sem precisar desenvolver nenhuma atividade de produção concreta de bens e serviços. Ou seja, ele não está sendo útil para a sociedade.

Harvey (David Harvey) tem razão. Esse capital deixa de ser capital e passa a ser patrimônio, pois não entra no processo produtivo como um elemento dinamizador. Isso deforma radicalmente a economia. 

Conforme cálculo feito pelo IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), quando você faz uma transferência de renda por meio de um programa como o Bolsa Família, para cada real investido ele vai gerar R$ 1,78 de aumento do PIB. Isso acontece porque você colocou o dinheiro na mão de alguém que não vai fazer aplicação financeira ou comprar letras do Tesouro, mas sim que vai consumir. Esse consumo vai incrementar a atividade do comerciante, que vai encomendar mais do produtor, o que vai gerar mais emprego, em um efeito econômico multiplicador. O essencial da deformação que vivemos é esse deslocamento da forma de remuneração do capital produtivo relativamente à sua apropriação pelo sistema financeiro.
“Temos uma expansão das capacidades de produzir, mas não da produção efetivamente”. (Foto: Maia Rubim/Sul21).

Sul21: Enquanto isso, produtos seguem sendo produzidos. Não deixamos de produzir sapatos, automóveis, roupas e tudo mais. Há um capital produtivo que segue participando da produção. 

Como ele se relaciona com o capital improdutivo e como um sistema com essas características pode sobreviver? Se aplicar no sistema financeiro é mais rentável, porque um produtor de calçados seguirá fabricando calçados?

Ladislau Dowbor: Nas últimas décadas, tivemos avanços tecnológicos fenomenais. Hoje produzimos automóveis com muito mais rapidez e menor custo, utilizando inclusive robôs e coisas do gênero. Na agricultura, temos a expansão da chamada agricultura de precisão, onde a aplicação de novas tecnologias também permite um aumento de produtividade fantástico. Ou seja, nós temos uma expansão das capacidades de produzir, mas não da produção efetivamente porque esta vai depender do destino final do produto. Um empresário, se não tem para quem vender, por mais que os sapatos que ele produz sejam úteis, ele fecha.

Então, o equilíbrio de remuneração das diversas atividades é vital para uma economia funcionar. Se você tem um dos atores que se apropria de muito mais renda do que os outros, acaba travando o processo como um todo. É muito interessante pegar o exemplo da reconstrução da Europa após a Segunda Guerra Mundial. A Europa criou o Estado de Bem Estar, passando a remunerar os trabalhadores proporcionalmente ao aumento da produtividade. Na Alemanha, por exemplo, todo aumento da produtividade de uma empresa é revertido automaticamente em aumento de salário. E o aumento da produção gera mais mercado. Há um equilíbrio no conjunto do sistema.

Por outro lado, os impostos gerados neste processo são utilizados como salário indireto. Na Alemanha, você tem escola pública gratuita, universidade pública e gratuita. Há escolas privadas, mas, mesmo nestas, o professor é pago pelo Estado. Isso é considerado um investimento nas pessoas. 

Esse salário indireto é extremamente importante. As pessoas não vivem só com sua renda que entra no bolso. O canadense tem um salário inferior ao americano, mas ele tem a creche, a escola e o hospital de graça, tem piscinas em todas as escolas. Ou seja, o imposto, ao contrário do que ocorre no Brasil, onde ele é chamado de gasto, é transformado em salário indireto, em um investimento nas pessoas.

Esse modelo gera bem estar e é muito mais produtivo do que planos de saúde e coisas do gênero. 

Quando você faz saúde pública, por exemplo, se concentra em evitar as doenças. Já o sistema privado de saúde está interessado na doença. Ele é a indústria da doença. Se você vai em países como Suécia, França, Alemanha ou Canadá, verá um sistema de saúde que está preocupado com a qualidade da água, com a ausência de agrotóxicos nos alimentos e com a diminuição de emissão de gases pelos veículos nas cidades, para citar apenas essas três coisas. Ou seja, está preocupado com o conjunto dos elementos que geram a doença. O resultado é muito interessante. No Canadá, por exemplo, você gasta 3.400 dólares/ano por pessoa em saúde. Nos Estados Unidos, é mais do dobro disso. No entanto, a saúde média da população do Canadá é incomparavelmente superior. É simplesmente mais produtivo.

Quando você canaliza os recursos de maneira adequada, consegue-se esse tipo de resultado. Destinar recursos para a saúde pública, para a pequena e media empresa, para reforçar o salário mínimo e dinamizar o consumo de bens simples: tudo isso é organização econômica e social que chamamos de governança. O governo é a máquina administrativa. Governança é fazer o conjunto funcionar.

No caso do Brasil, quando um dos grupos sociais, como o setor financeiro, se torna muito mais poderoso do que os milhões de pequenos e médios produtores e passa a apropriar dos recursos destes, por meio de juros, e do próprio governo, por meio de leis que, por exemplo, os isentam de impostos, temos uma deformação sistêmica e o processo trava.

Além do que ocorreu na Europa, podemos citar o exemplo do New Deal, nos Estados Unidos, ou o que foi feito na Coréia do Sul. Todos eles se basearam em não enriquecer os ricos, mas em desenvolver salário direto forte para a população, o que gera demanda para as empresas, e impostos elevados, mas orientados para investimentos em infraestruturas que barateiam os processos produtivos e em políticas nas áreas de educação, saúde e cultura. Esse investimento nas pessoas aumenta a produtividade do sistema como um todo. O paradoxo é esse: a gente sabe o que funciona e estamos fazendo exatamente o contrário.

Sul21: No seu livro você aponta que esse processo de deformação sistêmica da economia mundial anda de mãos dadas com o fenômeno da captura da esfera da política pelo sistema financeiro. Esse diagnóstico parece apontar para um cenário bastante sombrio quanto ao futuro da democracia, não?
“Temos um endividamento generalizado dos governos no mundo com os grandes bancos”. (Foto: Maia Rubim/Sul21).

 Ladislau Dowbor: Você veja o desastre hoje nos Estados Unidos. Donald Trump se elegeu dizendo que a Hillary Clinton era ligada ao sistema financeiro. Eleito, quem ele nomeou para chefiar a sua equipe econômica? O presidente do Goldman Sachs, o maior banco mundial. No Brasil, em nome da resolução de problemas econômicos, tivemos um Joaquim Levy na Fazenda e hoje temos um banqueiro comandando o Banco Central e um banqueiro no Ministério da Fazenda. Na França, tivemos o peso do sistema financeiro depositado na candidatura de Macron.

Temos, de modo geral, um endividamento generalizado dos governos no mundo que os colocam numa relação de dependência com os grandes bancos, donos da dívida. Há uma mudança dos equilíbrios políticos no planeta. Estávamos acostumados com a ideia de que, numa democracia, você elege pessoas que representam os anseios da população. No entanto, hoje, há um desgarramento entre o processo político da eleição e o processo econômico. Não basta a democracia política. Se você não tem também democracia econômica, o sistema simplesmente não funciona. Escrevi um livro chamado “Democracia econômica”, já publicado em várias línguas, que ajuda a entender esse processo (Conheça as obras de Ladislau Dowbor, disponíveis em sua página).

Voltando ao argumento central: onde o sistema funciona? Ele funciona quando se tem uma forte organização dos fluxos dos recursos financeiros para reforçar a capacidade de compra das populações e a capacidade do Estado fazer investimentos em infraestrutura e fazer políticas sociais. Esse processo dinamiza as atividades, aumenta o volume de impostos tanto pelo consumo quanto pela atividade empresarial e pelos empregos gerados. Esses impostos fecham a conta sem gerar um déficit. 

O déficit no Brasil não foi criado por gastos públicos, mas sim pelo desvio dos gastos públicos para os bancos no serviço da dívida pública. Muito curiosamente, o teto de gastos paralisa as atividades próprias do Estado em educação, saúde, segurança, etc., mas libera a continuidade da transferência de recursos públicos para os bancos.

Sul21: Apesar da crise de 2007-2008, o neoliberalismo segue sendo hegemônico e parece estar apoiado em algumas ideias que se enraizaram no senso comum. Em uma das primeiras edições do Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, o economista Francisco Louçã disse que a esquerda precisava ter algumas ideias fortes para enfrentar a força ideológica do neoliberalismo. Que ideias poderiam ser estas, na sua opinião?
(Foto: Maia Rubim/Sul21)

 Ladislau Dowbor: O neoliberalismo navega nos conceitos da eficiência e da competitividade. Isso é uma balela. Ele está, na verdade, drenando a capacidade produtiva da sociedade ao se apoderar de recursos que poderiam ser investidos nas empresas e nas pessoas. O Brasil tem, hoje, cerca de 60 milhões de adultos que estão negativados. Essas pessoas não conseguem pagar suas contas relativas a comprar anteriores e, muito menos, efetuar novas compras. As empresas também estão endividadas.

A ideia que embasa o funcionamento desse sistema é simples. Se você vai comprar um fogão em uma loja, encontrará um preço a vista – 420 reais digamos – e um preço a prazo que é o dobro disso. Esse fogão saiu da fábrica a 200 reais, pagou 40% de imposto e tem o ganho da loja que o está vendendo por 420. Mas, na verdade, eles querem vender a 840 reais. A grande massa da população, enganada pela prestação que cabe no bolso e pelo juro apresentado ao mês, acaba pagando 840 reais por esse fogão. O cidadão que não tem capacidade de comprar a vista vai pagar 840 reais por um fogão de 200.

Esse sistema é absolutamente inviável, pois esteriliza a capacidade de reinvestimento da empresa, que está ganhando muito pouco, e a capacidade de compra da população. No meio desse processo, há um intermediário que tem um ganho imenso. É uma economia de intermediários não produtivos.

Buscar um novo equilíbrio significa taxar fortemente o capital improdutivo e reduzir os impostos sobre o consumo. Não é preciso aumentar a carga tributária. Basta começar a cobrar dos improdutivos e desonerar as atividades que dinamizam a economia.


Fonte: ENVOLVERDE