quinta-feira, 4 de maio de 2017

Mulheres ainda enfrentam desigualdade no acesso a empregos e educação.
Por Redação da ONU Brasil – 

Meninas e mulheres devem ser encorajadas a seguir a carreira que quiserem, afirmou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. A chefe da agência das Nações Unidas alertou que elas ainda enfrentam desigualdades no acesso a empregos dignos e à educação de qualidade, sobretudo porque gastam mais tempo que os homens em tarefas domésticas.

Meninas e mulheres devem ser encorajadas a seguir a carreira que quiserem, afirmou nesta quarta-feira (8), Dia Internacional das Mulheres, a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka. A chefe da agência das Nações Unidas alertou que elas ainda enfrentam desigualdades no acesso a empregos dignos e à educação de qualidade, sobretudo porque gastam mais tempo que os homens em tarefas domésticas.

“Queremos construir para as mulheres um mundo do trabalho diferente. Conforme as meninas cresçam, elas devem ser expostas a um vasto leque de carreiras e encorajadas a fazer escolhas que as levem além dos serviços tradicionais e de cuidado, para profissões na indústria, na arte, no serviço público, na agricultura modera e na ciência”, disse Phumzile.

Mulheres passam até 2,5 vezes mais tempo do que os homens cuidando da casa e de parentes, sem receber nada por isso.
Mulheres nepalesas. Foto: Banco Mundial/Stephan Bachenheimer

“Em muitos casos, essa divisão desigual do trabalho vem às custas do aprendizado dessas mulheres e meninas, de atividades remuneradas, do envolvimento nos esportes ou na liderança de comunidades”, acrescentou a dirigente da agência da ONU.

Para Phumzile, é necessário mudar a forma como crianças são educadas na família, na escola e pelos meios de comunicação. O objetivo deve ser quebrar estereótipos e impedir que os jovens aprendam “que as meninas têm de ser menos, ter menos e sonhar menos que os meninos”.

A chefe da ONU Mulheres lembrou que, no mercado de trabalho, homens ganham em média 23% mais que as mulheres por trabalhos de igual valor. Em certos segmentos populacionais, como negros vivendo nos Estados Unidos, o índice sobre para 40%.


Cobrando mais oportunidades de emprego decente e educação, Phumzile alertou ainda que as disparidades de gênero estão se perpetuando em novos setores. “Atualmente, apenas 18% dos diplomas de graduação em ciências da computação foram concedidos para estudantes mulheres”, afirmou. Apenas 25% da mão de obra das indústrias de tecnologia é feminina.

A dirigente pediu ainda políticas públicas e empresariais para adequar a rotina de trabalho às necessidades de mulheres. Uma recomendação é a instituição da licença trabalhista tanto para mães quanto para pais de recém-nascidos.

Phumzile acrescentou que governos devem estar atentos às vulnerabilidades de mulheres que trabalham no setor informal. “Isso exige implementar políticas macroeconômicas que contribuam para o crescimento inclusivo e acelerem significativamente o progresso para as 770 milhões de pessoas vivendo na pobreza extrema”.

Em 2017, o tema escolhido pela ONU para lembrar o Dia Internacional é “Mulheres no Mundo do Trabalho em Evolução: Um Planeta 50-50 até 2030”. A data será marcada com eventos na sede da ONU em Nova Iorque, onde especialistas, dirigentes da ONU, representantes dos Estados-membros e celebridades se reunirão para celebrar o empoderamento feminino.

Saúde sexual e reprodutiva

Também por ocasião da data, o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, fez um apelo à comunidade internacional para que garanta o acesso de todas as mulheres a serviços de saúde sexual e reprodutiva.

Entre as consequências da persistente desigualdade entre homens e mulheres, estão graves violações dos direitos humanos, alertou o dirigente.

“Tomemos como exemplo o fato de que, todos os anos, dezenas de milhares de meninas são forçadas a se casar — um terço delas, aproximadamente — antes de completarem 15 anos. Ou que uma em cada três mulheres sofrem violência de gênero. Cerca de 200 milhões de mulheres já passaram pela mutilação genital feminina”, alertou o chefe da agência.
Jovem de Burkina Faso recebe métodos contraceptivos em Burkina Faso. Foto: UNFPA

Osotimehin lembrou que “há 225 milhões que, mesmo querendo, não conseguem planejar suas vidas reprodutivas”. “Por isso, estão impossibilitadas de decidir se querem ter filhos ou não e quando tê-los”, afirmou.

Para o chefe do UNFPA, “assegurar o acesso universal ao planejamento reprodutivo voluntário significa colocar as mulheres e meninas mais pobres, marginalizadas e excluídas em primeiro plano”. “Mulheres e meninas que podem fazer escolhas e controlar suas vidas reprodutivas são mais propensas a conseguir melhor educação, trabalhos decentes e tomar decisões com liberdade e informação em todos os âmbitos de suas vidas”, frisou.

Mercado de trabalho

A chefe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), Helen Clark, ressaltou que as mulheres têm 50% menos chances que os homens de ter empregos remunerados em tempo integral.

“As mulheres estão super-representadas no trabalho vulnerável e informal, muitas vezes sem proteção social, e são sub-representadas na gestão do setor corporativo, detendo apenas 22% das posições seniores de liderança nas empresas”, afirmou a dirigente em mensagem para o dia.

Clark destacou ainda que, das 173 economias incluídas no relatório de 2016 do Banco Mundial sobre “Mulheres, Negócios e Direito”, ao menos 155 possuem no mínimo uma lei que discrimina mulheres.

“Ainda existem países onde as mulheres não têm o direito de se divorciar, herdar propriedades, possuir ou alugar terras, ou ter acesso a crédito”, criticou. “Chegou a hora de eliminar as barreiras à igualdade de gênero no mundo do trabalho e em todas as outras esferas.”
Menina em sala de aula na Guatemala. Na América Latina e no Caribe, mais de 78% das mulheres com emprego ocupam postos de setores da economia considerados de baixa produtividade. Foto: Banco Mundial/Maria

Em artigo de opinião publicado para a data mundial, a secretária-executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), Alicia Bárcena, apontou que 78,1% das mulheres empregadas na região atuam em setores definidos como de baixa produtividade. São as áreas da atividade econômica com as piores remunerações, menor contato com novas tecnologias e, em muitos casos, empregos de baixa qualidade.

A chefe do organismo regional lembrou ainda que “uma em cada três mulheres na América Latina e no Caribe ainda não tem uma fonte de renda própria”. “A isso se soma o fato de que 26% das mulheres maiores de 15 anos de idade na região recebem menos de um salário mínimo”, acrescentou.

Para combater a pobreza e a precariedade, Bárcena recomendou “propostas como a renda básica universal ou a regulação e fiscalização do salário mínimo em determinados setores altamente feminizados que hoje não têm amparo legal algum”. Segundo ela, essas “são ferramentas que permitiriam ampliar e melhorar o acesso das mulheres à renda”.

Violência

Em mensagem para o Dia Internacional, a diretora-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), Irina Bokova, lembrou que uma em cada três mulheres está sujeita à violência física na esfera privada.

No meio rural, 90% dos estupros ocorrem precisamente quando as mulheres estão em seu caminho para recolher água ou lenha.

“As mulheres devem exercer suas liberdades e ser capazes de fazer as próprias escolhas, controlar os próprios corpos e as próprias vidas, além de participar de decisões que definem o curso da sociedade, da mesma forma que os homens fazem”, disse Bokova.

A dirigente lembrou as palavras da ativista Gloria Steinem, dizendo que “a história da luta das mulheres pela igualdade não pertence a apenas uma feminista nem a uma organização, mas sim aos esforços coletivos de todos os que se preocupam com direitos humanos”.

Neste 8 de março, o diretor-executivo do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC), Yury Fedotov, afirmou que “a violência bárbara contra mulheres e meninas é uma vergonha compartilhada”, da responsabilidade de todos.

“Seja em casa, no local de trabalho ou em prisões, mulheres devem se sentir seguras. Ninguém deveria viver desesperadamente com medo ou em situações de terror”, alertou o dirigente, que se comprometeu a acabar com a violência de gênero e a empoderar mulheres de todo o mundo.

Secretário-geral da ONU também se pronunciou

Em mensagem para a data, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que “os direitos legais das mulheres — que nunca foram iguais aos dos homens em nenhum continente — estão se esvaindo”.

O dirigente máximo das Nações Unidas afirmou que a desigualdade de gênero tem sido agravada pelo machismo e pela misoginia, erroneamente justificados por valores culturais ou religiosos. 

“Nestes tempos turbulentos, com o mundo mais imprevisível e caótico, os direitos das meninas e mulheres estão sendo reduzidos, restritos e revertidos”, disse.

Confira na íntegra o pronunciamento do chefe da ONU clicando aqui.

Fonte: ONU Brasil
Plataforma Nosotros para freelancers criativos tem inscrições até dia 5.
O marketplace Nosotros promove o “match” entre as características de projetos e freelancers. Com isso, os freelancers ganham acesso a projetos, ferramentas de gestão de projetos e não precisam se preocupar com cobrar pelo serviço.

Ainda restam alguns dias para se inscrever na plataforma Nosotros.cc, um marketplace para profissionais freelancer. Pelo sistema, empresas e agências poderão contratar criativos, designers, redatores e outros profissionais para seus projetos. Um dos grandes diferencias em relação a outras plataformas é a curadoria do profissionais e a possibilidade de formar equipes dentro da plataforma.

Após o “match”, os freelancers ganham acesso a projetos, ferramentas de gestão de projetos e não precisam se preocupar com cobrar pelo serviço. “Ficamos responsáveis pela parte mais burocrática de organização das tarefas de todo o grupo envolvido, o que muitas vezes toma um tempo precioso do trabalho”, afirma Daniela Sostisso, uma das sócias da startup.

Depois de alguns meses de incubação e mentorias no Google Campus em São Paulo, a meta agora é colocar a plataforma em outra escala, selecionando 600 profissionais a partir de uma curadoria de 2 mil currículos. As inscrições vão até 5 de maio.

Segundo Rodrigo Allgayer, sócio fundador da iniciativa, o formulário é o grande segredo do negócio.“Quanto mais informações os profissionais fornecerem, inclusive sobre seus hobbies e interesses pessoais, mais apurada será a criação de um perfil com base em algoritmos de afinidade”, conta Rodrigo.

O cadastro para os freelancers é gratuito e os candidatos passarão pela avaliação de curadores especialistas antes de serem aprovados para integrarem a base. Allgayer, no mercado a 15 anos, já foi diretor de criação em grandes agências, nas quais criou importantes projetos para marcas como Fiat, Whirpool, J&J, McDonalds, Ambev e Goodyear.

Daniela, também passou por grandes agências em quase 20 anos de carreira, atuando na gestão de contas e projetos para marcas como Perdigão, Sadia, Massey Ferguson, Asics, Batavo, Seara, Gillete, Wella, Ace, Ariel, Neve e outros.

Os curadores são um time multidisciplinar e espalhado geográficamente, dentro da proposta da Nosotros: Leonardo Schneider – Design Manager na GE em Houston (EUA); Vinicius Malinoski – Head of Creative da Google Brasil; Gustavo Portela – Art Director em Lima (Peru); Mariana Gutheil – Especialista em Design Thinking e CoFounder da NoOne em Porto Alegre; André Takeda – Creative Director na Fox (Argentina), Giovana Fazio – Head of Art (Argentina) e Gabriel Klein – Creative Head na Vice Brasil.

Para saber mais sobre o formulário de cadastro e todas as informações sobre a plataforma, acesse www.nosotros.cc.


Fonte: ENVOLVERDE

terça-feira, 2 de maio de 2017

Mudança climática pode afetar espécies vegetais marinhas e prejudicar cadeia alimentar.
Alteração nas águas causada por dióxido de carbono (CO2) pode afetar espécies vegetais marinhas e prejudicar cadeia alimentar.

Por Júlio Bernardes, do Jornal da USP.

Amostras de espécies vegetais marinhas (fitoplâncton) analisadas em pesquisa do Instituto Oceanográfico (IO) da USP mostram os efeitos futuros das mudanças climáticas nos oceanos. O trabalho do pesquisador Marius Müller revela que o aumento das emissões antropogênicas (feitas pela atividade humana) de dióxido de carbono (CO2), torna as águas menos alcalinas e prejudica a calcificação de fitoplâncton, podendo interferir na cadeia alimentar marinha. Ao mesmo tempo, o estudo traz indícios do aumento da fotossíntese das algas, o que pode ampliar a absorção de CO2 do oceano e reduzir os efeitos do aquecimento global.

Em parceria com pesquisadores da Universidade da Tasmânia (Austrália), Müller coletou amostras de fitoplâncton calcificado na região do Oceano Austral, cujas águas banham a Antártida. “A importância do fitoplâncton é pouco conhecida. Por exemplo, é ele o responsável pela produção da metade do oxigênio que a população da Terra respira”, destaca. “O fitoplâncton também é importante por ser a base da cadeia alimentar no ambiente marinho, assegurando a sobrevivência de diversas espécies de animais.”
Calcificação de fitoplâncton no estágio atual dos oceanos (esq.) e na simulação da redução da alcalinidade das águas (dir.) – Imagem: cedida pelo pesquisador.

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Depois da coleta das amostras, foram isoladas em laboratório algas da espécie Emiliana huxleyi. “São algas microscópicas, com 5 a 10 micrômetros de diâmetro cada uma, que produzem placas de carbonato de cálcio”, conta o pesquisador. “Quando elas florescem na superfície do oceano em grande quantidade, formam uma grande faixa de cor leitosa, que pode ser vista em imagens de satélite.”

Mudanças climáticas

As algas foram cultivadas e submetidas a experimentos que simulam as condições futuras dos oceanos. “Um dos fenômenos estudados foi a queda do pH das águas, causada pelo aumento das emissões de dióxido de carbono (CO2) devido à atividade humana”, relata Müller. Em contato com a água, o CO2 reage e forma o ácido carbônico, que diminui o pH das águas oceânicas, tornando-a menos alcalina. “Também foram verificados os efeitos da diminuição de nutrientes no crescimento e no desenvolvimento do fitoplâncton.”
Amostra de fitoplâncton no banco de microrganismos do Departamento de Oceanografia Biológica do IO – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens.

Os resultados do estudo apontam que a mudança no pH da água e a limitação de nutrientes afetam a formação das placas de carbonato de cálcio. “Elas se deterioram e, em alguns casos, até não chegam a se formar, ou seja, não há calcificação”, ressalta o pesquisador. “Isso pode afetar a cadeia alimentar marinha, hipótese que precisa ser verificada por novas pesquisas.”
A pesquisa também mostrou que, quando é simulado o aumento das emissões, o efeito relativo do CO2 no desenvolvimento do fitoplâncton é o mesmo com nutrientes suficientes ou limitados. “Na verdade, é possível supor que com mais CO2 na água, as algas fazem mais fotossíntese, o que auxilia no crescimento do fitoplâncton”, observa Müller. “Isso pode aumentar a capacidade de absorção de CO2 do oceano, incluindo o de origem antropogênica.”

A pesquisa foi orientada pelos professores Frederico Brandini, do IO, e Gustaaf Hallengraeff, da Universidade da Tasmânia. O estudo teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio do programa Ciência sem Fronteiras e do Australian Research Council (ARC). Os resultados dos experimentos são descritos em artigo publicado pela revista científica The ISME Journal, editada pela International Society for Microbial Ecology (ISME) e que integra o Nature Publishing Group, sediado no Reino Unido.


Fonte: EcoDebate
Pesquisa da USP em Ribeirão Preto produz plástico 100% biodegradável com resíduos da agroindústria.
Produto é barato, não compete com mercado de alimentos e contém antioxidantes, permitindo acondicionar hortifrútis.

Do Jornal da USP.

Filme plástico produzido pela equipe da USP em Ribeirão Preto com resíduos de babaçu – Foto: Divulgação/FFCLRP.


Pesquisas da USP em Ribeirão Preto avançam na busca de plástico 100% biodegradável e competitivo com o plástico comum. Testes que reúnem na fórmula resíduos agroindustriais resultaram num produto com qualidades técnicas e econômicas promissoras.

A boa nova saiu dos laboratórios do Departamento de Química da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) da USP. A química Bianca Chieregato Maniglia desenvolveu filmes plásticos biodegradáveis a partir de matrizes de amido presentes em resíduos agroindustriais de cúrcuma, babaçu e urucum.

O fato do novo material ser totalmente desenvolvido a partir de descartes da agroindústria faz toda diferença. Ao mesmo tempo, recicla resíduos; é biodegradável; é produzido com fontes renováveis que não se esgotam como o petróleo (de onde sai o plástico comum) e cultivadas em qualquer lugar do mundo. Bianca lembra de mais predicados de seu produto: matéria-prima barata, que não compete com o mercado alimentício e ainda “contém composição interessante com a presença de ativos antioxidantes”.

Essa fórmula com compostos antioxidantes, lembra a pesquisadora, pode ser ainda mais interessante no desenvolvimento de “embalagens ativas”.

Uma embalagem ativa interage com o produto que envolve, sendo capaz de melhorar a qualidade e segurança para acondicionamento de frutas e legumes frescos.

Os estudos parecem indicar o caminho certo para a obtenção de um plástico, ou pelo menos um filme plástico, totalmente biodegradável. Os pesquisadores da FFCLRP conseguiram produzir filmes plásticos com boa aparência, boas propriedades mecânicas, funcionais e ativas, o que os torna mais eficientes na conservação de hortifrútis. O grupo de pesquisa também tem trabalhado com a aplicação de aditivos como a palha de soja tratada, outro resíduo agroindustrial, para melhorar as propriedades destes filmes. A meta é o ganho de maior resistência mecânica e menor capacidade de absorver e reter água.

Bianca, porém, acredita que ainda demande mais pesquisa e teste para os 100% biodegradáveis chegarem ao mercado. Em perspectiva mais recente, comenta, “esse tipo de plástico deve atuar como alternativa ao comum”. Apesar de não substituir o tipo comum, pode ser aplicado a diversos tipos do produto, como já ocorre nas misturas de matérias-primas renováveis com polímeros não renováveis, formando as chamadas “blendas”. “Temos as boas propriedades dos plásticos comuns com parcial biodegradabilidade”, comenta.

Plásticos (não tão) “verdes”

O plástico comum, que é produzido com derivado do petróleo (matéria-prima não renovável, cuja composição não é metabolizada por microrganismos), leva até 500 anos para desaparecer.

Já o plástico biodegradável desenvolvido na USP é feito de material biológico, e por isso é atacado, na natureza, por outros agentes biológicos – bactérias, fungos e algas – e se transformam em água, CO2 e matéria orgânica. Ele se degrada em no máximo 120 dias.

Atualmente, existem no mercado outros tipos de plástico biodegradável. São feitos a partir de fontes renováveis – milho, mandioca, beterraba e cana-de-açúcar. Porém, estas fontes servem como matérias-primas para produzir um composto (ácido láctico) do qual se pode sintetizar o polímero (PLA – ácido polilático). “Devido ao fato destes plásticos não serem produzidos com polímeros naturais, como proteína e carboidratos, por exemplo, o material apresenta estrutura mais complexa e só se biodegrada corretamente em usinas de compostagem, onde há condições adequadas de luz, umidade e temperatura, além da quantidade correta de microrganismos”, lembra Bianca.

Alguns plásticos biodegradáveis já comercializados e os chamados plásticos “verdes” também apresentam problemas para o meio ambiente – Foto: Mayke Toscano/Gcom-MT


Além de caros, os plásticos produzidos por fontes renováveis hoje comercializados ainda deixam a desejar em relação a algumas propriedades mecânicas e funcionais se comparados aos plásticos produzidos com fontes não renováveis, e também demandam outros custos para não poluírem o meio ambiente.

Outro plástico muito divulgado na busca por maior sustentabilidade é o “plástico verde”. No entanto, a pesquisadora faz um alerta sobre este tipo de plástico. É feito de cana-de-açúcar, mas não é biodegradável. A partir da cana, é produzido o polietileno igual ao obtido do petróleo, assim o tempo de decomposição do plástico verde é o mesmo do plástico comum. “Vai continuar a causar problemas nas cidades e na natureza.”

Bianca defende que a aceitação e demanda por plásticos biodegradáveis dependam mais de consciência ambiental, legislação e vontade política que de fatores econômicos. Avalia que, em perspectiva global, quando se incluem custos indiretos, como geração de lixo, poluição e outros impactos à saúde e meio ambiente, “os biodegradáveis assumem posições economicamente mais favoráveis”.

Falando em economia, os custos de produção desses materiais podem ficar bem menores que os atuais. E isso se deve à utilização dos resíduos agroindustriais, como o produto agora desenvolvido na USP, cujos componentes não competem no mercado com a indústria de alimentos.

Os resultados desse estudo foram apresentados em março deste ano à FFCLRP na tese de doutorado de Bianca, que trabalhou sob orientação da professora Delia Rita Tapia Blácido.

Por Rita Stella e Paulo Henrique Moreno, de Ribeirão Preto


Fonte: EcoDebate
É possível um mundo sustentado por 100% de energia renovável até 2050? artigo de José Eustáquio Diniz Alves.
Se você construiu castelos no ar, não pense que desperdiçou seu trabalho;
eles estão onde deveriam estar. Agora construa os alicerces”
Duzentos anos do nascimento de Henry Thoreau (1817-1862)
Existe um sonho na praça que vai acirrar o debate entre os tecnófilos e os tecnofóbicos. O mundo pode ser abastecido 100% pelas energias renováveis até 2050. A lógica para tal revolução energética adviria dos altos custos ambientais da energia fóssil e da possibilidade do custo das energias renováveis (solar, eólica, geotérmica, ondas, etc.) permanecer abaixo do custo de produção dos combustíveis fósseis. Nesta situação, o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis e as próprias forças do mercado promoveriam a substituição das fontes geradoras de altos níveis de dióxido de carbono para as fontes de baixa geração de carbono.

Artigo de Thomas Overton, no site Power Mag (03/01/17), mostra que o boom das energias renováveis, impulsionado pela queda dramática dos custos, levou alguns especialistas e figuras políticas a começar a falar seriamente sobre o que outrora era ficção científica: um mundo totalmente alimentado por geração de energia renovável. Ele questiona se é realmente viável ou econômico viabilizar tal projeto. O gráfico abaixo mostra que o preço da energia solar caiu 100 vezes de 1911 a 2013 (e continua caindo). Desta forma, uma série de estudos sugere que é – embora com algumas ressalvas importantes.

O artigo relembra que, em 1950, a ideia de alimentar um país inteiro com energia solar era ficção científica. Mas em 2017, muitos especialistas e políticos estão falando que é um objetivo inteiramente viável. Diversos municípios em todo o mundo fizeram da meta de 100% renovável​​uma questão de lei. Grandes corporações como Google, Apple e Amazon declararam intenções de atender todas as suas necessidades de energia a partir de fontes renováveis. Até alguns países como a Dinamarca estão alvejando a geração 100% renovável. O tratado climático da COP21, o Acordo de Paris, estabeleceu uma meta de 100% de renováveis ​​em todo o mundo até 2050, no conceito “equivalente a 100% renovável”.

Diversos trabalhos acadêmicos publicados tratam da meta “100% renovável”. O professor Mark Jacobson e o pesquisador Mark Delucchi escreveram uma série de estudos detalhando como o mundo e os EUA poderiam satisfazer todas as necessidades energéticas com uma combinação de geração hidrelétrica, geotérmica, eólica e solar. Eles descrevem como uma estimativa de 20,6 TW da demanda mundial total de energia em 2050 poderia ser fornecida por cerca de 52,1 TW de capacidade renovável mais ganhos de armazenamento e eficiência energética:

2,5 milhões de turbinas eólicas de 5 MW (mistura 60/40 de on- e off-shore) (37%)
409.000 geradores de onda de 0,75 MW (0,5%)
935 usinas geotérmicas de 100 MW (0,7%)
1.058 usinas hidrelétricas de 1,3 GW (4%)
30.000 turbinas de maré de 1 MW (0,06%)
1,8 bilhões de sistemas residenciais fotovoltaicos (PV) de telhado residencial de 5 kW (15%)
75 milhões de sistemas fotovoltaicos comerciais de 100 kW (12%)
250.000 usinas fotovoltaicas de 50 MW (21%)
21.500 centrais de 100 MW de energia solar concentrada (CSP em inglês) com armazenamento térmico (10%)
13.000 CSP de 100 MW

A combinação de tecnologias que os autores chamam de “vento, água, e solar” (ou WWS em inglês) poderia fornecer o mix energético necessário. A lista acima inclui recursos já existentes, particularmente hidroelétricos. A estimativa pressupõe avanços em eficiência energética, redução da demanda e redução do consumo de energia em um mundo sem combustíveis fósseis. Sob este cenário, o mundo alcançaria 80% de fontes renováveis ​​até 2030 e cerca de 95% até 2040.

O roteiro para a transição para 100% de energia renovável global prevê um mundo alimentado quase inteiramente por energia solar e eólica, com pequenas quantidades de energia hidrelétrica e geotérmica. Mas existem gargalos em termos de recursos naturais. Um dos quais é a disponibilidade de neodímio (Nd) necessária para geradores de turbinas eólicas, pois a produção mundial de Nd precisaria ser quintuplicada para atender à demanda, algo que talvez não seja viável. O mesmo acontece com o Lítio que é um recurso escasso e pode não ser suficiente para as baterias caseiras e dos carros elétricos. A reciclagem destes materiais teria que ser de uma eficiência além do que é conhecido hoje.

Quanto custaria tudo isso? Segundo Thomas Overton, custaria muito. Em valores de 2013, o custo estimado é de US$ 125 trilhões, mais do que o PIB mundial atual. Mas se argumenta que grande parte desse dinheiro seria gasto de qualquer maneira em outros recursos energéticos fósseis. O principal beneficiário seria evitar impactos na saúde e ao desastre das mudanças climáticas. Ainda segundo o artigo, embora a maioria dos estudos recomendem uma variedade de políticas para apoiar a transição, a questão de saber se tal programa é politicamente e socialmente viável permanece aberta.

Artigo de David Roberts (Vox, 07/04/2017) diz que há razões para ceticismo e para otimismo em relação à meta de 100% energia renovável até 2050. Para o caso dos EUA, o vento e a energia solar geram um pouco mais de 5% da eletricidade (Nuclear gera 20 por cento). A luta para passar de 5% para 60% deverá ser épica. As barreiras políticas e sociais devem retardar esse crescimento do que qualquer limitação técnica, especialmente a curto e médio prazo. Os especialistas em energia entrevistados pela REN21, acreditarem que a previsão de 100% das energias renováveis é uma hipótese “razoável e realista”, mas eles não esperem que isso aconteça em meados do século.

Contudo, mesmo que os 100% de energia renovável na rede elétrica sejam alcançados, a mudança da matriz energética é apenas um dos elementos para evitar a degradação do meio ambiente. Pode ser que 2050 já seja uma data muito remota para evitar o colapso ambiental e o agravamento da crise ecológica até um ponto de não retorno. As necessidades de transformação do modelo “Extrai-Produz-Descarta” e o aumento da entropia requerem uma grande transformação da forma de produção e consumo do mundo. As mudanças requeridas são gigantescas. Mas, certamente, a mudança da matriz energética é uma necessidade indispensável e inadiável na busca de qualquer solução para salvar o Planeta.

Referência:

ALVES, JED. Energia renovável: um salto na evolução? Ecodebate, RJ, 29/01/2010

ALVES, JED. Energia renovável com baixa emissão de carbono, RJ, Cadernos Adenauer 3, 2014

ALVES, JED. 100% energia renovável, Rio de Janeiro, Cidadania & Meio Ambiente, n. 54, v. X, p. 6-10, 2015. (2177-630X) http://pdf.ecodebate.com.br/rcman54.pdf

Thomas Overton. A 100% Renewable Grid: Pipe Dream or Holy Grail?, PowerMag, 03/01/2017

David Roberts. Is 100% renewable energy realistic? Here’s what we know. Vox, 07/04/2017

José Eustáquio Diniz Alves, Colunista do Portal EcoDebate, é Doutor em demografia e professor titular do mestrado e doutorado em População, Território e Estatísticas Públicas da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE; Apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal. E-mail: jed_alves@yahoo.com.br


Fonte: EcoDebate
PIB Verde e Fundo de Meio Ambiente na pauta do Congresso.
Efraim Neto*, “De Olho no Congresso” especial para a Envolverde – 

Apesar de ser mais uma semana atípica para os parlamentares, com outro feriado na semana e com o maremoto provocado pela lista do Procurador-Geral da República Rodrigo Janot, as atividades nas Comissões da Câmara do Deputados e do Senado Federal serão intensas. Entre outras coisas, na terça-feira será analisado o projeto do PIB Verde e uma alteração no Fundo Nacional de Meio Ambiente.

Confira as matérias legislativas sobre meio ambiente e sustentabilidade debatidas nessa semana no Congresso Nacional.

Terça-feira, 18 de abril

Às 10h, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados realiza audiência pública para debater a realização do Censo Agropecuário 2017. O último levantamento foi realizado em 2007, baseado em dados de 2006. Para esse ano, o IBGE estima o custo do Censo em R$ 1,6 bilhão, e o orçamento da União dispõe de apenas R$ 505 milhões. Confira os participantes.

Também às 10h, a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Federal (CAE) do Senado Federal analisa o PLC 38/2015, que estabelece o PIB-Verde, em cujo cálculo é considerado o patrimônio ecológico nacional. Após ter parecer favorável na Comissão de Meio Ambiente (CMA), os membros da Comissão avaliam o conteúdo do relatório do Senador Flecha Ribeiro, que apresenta posição favorável ao projeto.

Outros dois temas em debate na CAE são: a) o PLS 578/2015, que altera a redação do § 2º do art. 5º da Lei nº 7.797, de 10 de julho de 1989, que cria o Fundo Nacional de Meio Ambiente e dá outras providências, para incluir como prioritárias as aplicações de recursos financeiros na Caatinga, para o qual o Senador Davi Alcolumbre apresenta relatório pela aprovação do projeto com a Emenda nº 1-CAE; b) o PLS 640/2015, altera a Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, que dispõe sobre o novo Código Florestal brasileiro, para autorizar a apresentação do Cadastro Ambiental Rural – CAR em substituição ao Ato Declaratório Ambiental – ADA, para o qual o Senador Paulo Rocha apresenta relatório pela aprovação do projeto e da emenda nº 1-CMA-CRA nos termos da subemenda da CRA.

Às 14h30, na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados, os parlamentares avaliam a PEC 187/2016, que acrescenta o §8º ao art. 231 da Constituição Federal de 1988, a fim de permitir às comunidades indígenas praticar atividades agropecuárias e florestais em suas terras, bem como, comercializar aquilo que foi produzido e gerenciar sua renda.

Quarta-feira, 19 de abril

Às 09h30, a Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) avalia: a) o PL 1862/2007, que dispõe sobre a etiquetagem de produtos nacionais ou estrangeiros, alertando o consumidor sobre os graus de impacto ambiental; b) o PL 4908/2016, que altera a Lei nº 11.105, de 2005 (Lei de Biossegurança), no que diz respeito aos rótulos de produtos alimentares com organismos geneticamente modificados – OGM ou seus derivados; c) o PL 5290/2016, que torna obrigatória a declaração de emprego de água nas embalagens e rótulos de produtos alimentícios.

No mesmo horário, a Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural (CAPADR) da Câmara dos Deputados analisa o REQ 361/2017 CAPADR, onde o Deputado Jerônimo Goergen (PP-RS) requer a realização de audiência pública nesta Comissão, convidando os Excelentíssimos Srs. Evaristo Eduardo de Miranda – pesquisador da Embrapa, Sr. José Sarney Filho – Ministro do Meio Ambiente, Sr. Aldo Rebelo – Relator do Projeto de Lei n. 12.651/12 – e o Sr. Blairo Maggi – Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, para discutir os 5 anos de aprovação do Código Florestal e sua aplicação, dentre outros temas correlacionados ao assunto”.

A CAPADR ainda debate o PL 4131/2015, que altera a Lei nº 11.284, de 2 de março de 2006, dispondo sobre a gestão de florestas públicas para a produção sustentável, para fins de conceder compensação financeira a produtores rurais da Amazônia Legal e das regiões abrangidas pelo Cerrado, pela manutenção de áreas cobertas por florestas.

A Comissão de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio e Serviços (CDEICS) da Câmara dos Deputados analisa o PL 2433/2011, que acrescenta o § 9º ao art. 33 da Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010 – que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos e dá outras providências – a exigência que fabricantes e importadores coloquem texto informativo em rótulos e embalagens de produtos geradores de resíduos sólidos sobre a importância de sua entrega em postos de coleta específicos.

No Senado Federal, a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) aprecia o PLS 173/2011, no qual autoriza o Poder Executivo a criar a Secretaria Nacional dos Povos Indígenas. Outra matéria de importância em análise é o PLS 750/2011, que dispõe sobre a Política de Gestão e Proteção do Bioma Pantanal e dá outras providências. Ambos os projetos deverão ser aprovados na Comissão e seguirão para apreciação no Plenário.

Às 14h, a Comissão de Agricultura e Reforma Agrária (CRA) do Senado Federal debate com Paulo Rabello de Castro, presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), questões relacionadas ao Censo Agropecuário 2017. Já às 14h30, a Comissão Mista permanente sobre Mudanças Climáticas (CMMC) realiza audiência pública para debater a crise hídrica na região do Vale do São Francisco e a situação do reservatório da barragem de Sobradinho. Confira os participantes.

Por fim, às 16h, em Sessão Deliberativa da Câmara dos Deputados será discutida, em primeiro turno, a PEC nº 504-A, de 2010, que altera o § 4º do art. 225 da Constituição Federal, para incluir o Cerrado e a Caatinga entre os biomas considerados patrimônio nacional, medida que pode auxiliar na conservação dos biomas. Atualmente, segundo a Constituição, são patrimônio nacional a Amazônia, a Mata Atlântica, a Serra do Mar, o Pantanal e a Zona Costeira.

*Efraim Neto é jornalista, atua na área de serviços de comunicação e jornalismo em Brasília e é conselheiro do Instituto Envolverde.


Fonte: Envolverde
Fábrica de móveis na Amazônia ajuda a preservar floresta.
Cooperativa reaproveita madeira e galhos da Floresta Nacional de Tapajós, com apoio da Fundação BB, em parceria com o Fundo Amazônia

Fábrica moveleira, instalada no final de março na região metropolitana de Santarém (PA), foi estruturada com investimento social de R$ 447 mil por meio de parceria entre a Fundação Banco do Brasil e o Fundo Amazônia – gerido pelo Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Com a estruturação da unidade será ampliado o reaproveitamento da madeira extraída na Unidade de Conservação da Floresta Nacional do Tapajós.

A movelaria da Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona) utiliza matéria prima, extraída via manejo florestal comunitário, em conformidade com a avaliação do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMBio). Esse projeto foi selecionado por meio do edital Ecoforte Extrativismo, que tem o objetivo de reduzir o desmatamento, manter a sociobiodiversidade e gerar renda para as populações tradicionais.

Graças ao aproveitamento de galhos de árvores, será possível a diminuição dos impactos ambientais na floresta. Um estudo desenvolvido por pesquisadores da Universidade do Oeste do Pará (Ufopa) elaborou novo método de quantificação, extração e beneficiamento dos ramos para utilização no setor moveleiro, garantindo a extração sustentável da madeira na reserva.
Trabalhadores da Coomflona buscando matérias-primas na floresta – Foto: IEB

O projeto firmado entre a Cooperativa Mista da Flona do Tapajós (Coomflona) e a Fundação Banco do Brasil possibilitou a compra de um caminhão baú, maquinário e equipamentos para estruturação da unidade produtiva de móveis. O veículo, as máquinas e os equipamentos proporcionarão a ampliação da capacidade produtiva e redução dos custos operacionais. A fábrica funciona em um galpão de 250 metros quadrados com 10 máquinas, que beneficiam a madeira na construção do mobiliário sustentável.

Madeira Certificada

O engenheiro ambiental Ângelo Ricardo Sousa, responsável técnico do projeto, afirmou que um dos desafios da cooperativa é a competição com os móveis produzidos a partir de madeira ilegal. A fábrica da Coomflona utiliza somente madeira certificada pela FSC – Forest Stewardship Council, reconhecimento internacional de produtos madeireiros e não madeireiros resultantes de bom manejo florestal.

Além da preservação da floresta, outro benefício da utilização da madeira certificada é o apoio na divulgação dos produtos beneficiados. O engenheiro destacou que tanto a FSC Brasil, como outros parceiros locais se empenharão na promoção de vendas e propaganda dos móveis produzidos pelo projeto.

O mercado brasileiro de móveis ocupa atualmente o quinto lugar no ranking mundial posicionado atrás da China, Estados Unidos, Alemanha e Itália. A indústria moveleira nacional atingiu em 2015 o faturamento de R$ 35,74 bilhões, de acordo com publicação da Associação das Indústrias de Móveis do Estado do Rio Grande do Sul e dados do IEMI – Inteligência de Mercado. Grande parte da produção é feita em pequenas fábricas localizadas em 11 polos distribuídos no sul e sudeste brasileiro. Existem atualmente mais de 17 mil unidades produtivas destinadas à fabricação de móveis.


Fonte: ENVOLVERDE