segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Inventário permite transparência às emissões industriais.
O poder do acesso à informação das emissões provoca a disputa entre atividades poluidoras pela adoção de melhores práticas, gerando reduções significativas nas emissões, refletindo em benefício para a sociedade e saúde ambiental. Foto: Shutterstock.

Registro está em fase de implantação. A plataforma que receberá as informações ficará no site do Ibama.

Por Rafaela Ribeiro, do MMA

O Brasil terá, em dois anos, um Inventário Anual de Emissões e Transferência de Poluentes, que dará transparência às emissões e circulação de poluentes em processos industriais no País. Para que isso se concretize, importante passo foi dado na implantação do Registro de Emissões e Transferência de Poluentes (RETP), instrumento declaratório que receberá as informações do setor industrial.

O prazo de regulamentação da instrução normativa que trata do assunto termina julho de 2016 e o registro acaba de ser diagnosticado e atualizado pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA). 

“Fizemos sugestões de aperfeiçoamento e firmamos acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (Ibama) para manter o RETP no Relatório Anual de Atividades Potencialmente Poluidoras (RAPP) do Cadastro Técnico Federal do Ibama”, explicou a gerente de Resíduos Perigosos do MMA, Sabrina Andrade.

Reformulação

Sabrina Andrade ressaltou que o registro permite uma reformulação das políticas públicas para garantir o gerenciamento de riscos e pode ser usado tanto na esfera federal, como municipal e estadual. “Nós esperamos que o RETP permita ao governo que gerencie a geração, a emissão e a transferência de poluentes”, disse. “E também garanta a transparência de informações para o público na gestão da qualidade ambiental.”

Há pelo menos 40 programas já estabelecidos ou em vias de se consolidar no mundo, em países como Estados Unidos, Japão, Noruega, Espanha, México, Chile e Canadá. O programa exige a declaração de 153 poluentes, quando elas ultrapassam os limites estabelecidos, com base no balanço da massa desses poluentes presentes em insumos, emitidas ou transferidas para terceiros em resíduos.

A partir da Instrução Normativa nº 31, de 3 de dezembro de 2009, o RETP foi parcialmente introduzido nos formulários do RAPP, abrindo prazo para implantação gradativa, em que um plano de capacitação seria realizado, até a obrigatoriedade de certificar a prestação de dados para o RETP, conforme último guia do declarante.

Treinamento

Desde 2010, o MMA ofereceu treinamento para mais de 1 mil declarantes (representantes de grandes e médias indústrias que operam no Brasil) e, agora, com o novo acordo de cooperação, que integra a atuação governamental na implantação do programa, foram estabelecidos prazos para atualização do marco regulatório e criação no Portal do RETP das ferramentas de acesso público aos dados declarados pelas atividades potencialmente poluidoras.

Em cada setor industrial, uma grande indústria produzirá, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, um guia que orientará as demais ligadas ao setor a identificar os poluentes e mensurar suas emissões e transferências. “Por exemplo, uma grande empresa como a Honda fará um manual para o setor automotivo que as outras empresas, inclusive menores, podem usar para preencher seu cadastro”, explicou Sabrina.

Direito de saber

A analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente Marília Viotti explicou que o RETP é baseado em princípio criado pela Organização das Nações Unidas (ONU). “A comunidade tem o direito de saber se as indústrias de sua região manipulam produtos tóxicos, se emitem poluentes e quais são as quantidades de poluentes emitidos”, destacou.

Nos últimos 15 anos, o registro assumiu uma importância ainda maior no cenário da sustentabilidade global. Dados que, inicialmente, serviam para prestar informação para a sociedade sobre fontes tóxicas, hoje são usadas globalmente com diferentes propósitos, como avaliar impacto ambiental que ultrapasse fronteiras; avaliar o uso de substâncias químicas; relacionar produção e eficiência; e verificar se programas ambientais diminuem a emissão ou apenas a transferem para outro lugar.

Complexidade

A implantação na indústria terá um custo, a depender da complexidade das metodologias necessárias para medição. O programa não exige obrigatoriedade de medidas diretas de contaminantes. Pode ser utilizada estimativa das emissões, com cálculos de engenharia e fatores de emissão.

Para a empresa é uma excelente oportunidade para conhecer suas emissões e comunicar para a sociedade suas atividades de controle e prevenção. O programa governamental deve promover as empresas com melhores práticas e estimular a eficiência na produção.

O poder do acesso à informação das emissões provoca a disputa entre atividades poluidoras pela adoção de melhores práticas, gerando reduções significativas nas emissões, refletindo em benefício para a sociedade e saúde ambiental.

Saiba mais

O RETP Brasil é um compromisso internacional e tem a missão de disponibilizar informações objetivas e confiáveis de emissões e transferências de poluentes selecionadas, que causam ou têm o potencial de causar danos à saúde humana e ambiental, procedentes de atividades produtivas em organizações privadas ou públicas.

* Editor: Marco Moreira.


Êxito na conferência de Adis-Abeba é vital para desenvolvimento sustentável.
Ban Ki-moon afirmou que a conferência em Adis Abeba foi um êxito. Foto: ONU/Eskinder Debebe.

Avaliação é do secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon; para ele, resultado bem-sucedido na 3ª Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, pode moldar a cooperação internacional para os próximos anos.

Por Laura Gelbert, da Rádio ONU 

O secretário-geral da ONU destacou que um resultado bem-sucedido na conferência da ONU sobre financiamento, em Adis-Abeba, na Etiópia, é vital para a futura agenda de desenvolvimento.

Para Ban Ki-moon, o êxito no encontro também pode moldar a cooperação internacional para os próximos anos. As negociações para um projeto de texto estão em seu estágio final.

Parceria Global

Falando a jornalistas na 3ª Conferência Internacional sobre o Financiamento para o Desenvolvimento, o chefe da ONU disse que o encontro mostra o caminho a ser seguido, “com governos, organizações internacionais, instituições financeiras e comerciais, empresas e sociedade civil, todos trabalhando juntos para o desenvolvimento sustentável”.

Ele afirmou que, juntos, os resultados em Adis-Abeba podem fornecer as bases de uma “parceria global revitalizada para o desenvolvimento sustentável, que não deixe ninguém para trás”.

Ban fez um apelo aos negociadores: que tenham “este objetivo em mente enquanto terminam seu trabalho”. Ele afirmou ainda “estar ansioso em trabalhar com todos os parceiros para aproveitar as oportunidades, nos próximos meses, de construir um mundo de prosperidade e dignidade para todos”.

Agenda de Ação

O projeto do documento final, que será conhecido como Agenda de Ação de Adis-Abeba quando adotado, apresentará um “quadro de financiamento ambicioso” que inclui compromissos políticos concretos em pelo menos seis áreas cruciais.

Entre eles, estão um novo pacto social para investimento de qualidade, um pacote para os países menos desenvolvidos, incluindo um compromisso para aumentar a assistência oficial ao desenvolvimento e um novo Mecanismo de Facilitação de Tecnologia.

O objetivo desse último é abrir novos caminhos para ajudar a facilitar o desenvolvimento, a transferência e a disseminação de tecnologias relevantes para os objetivos de desenvolvimento sustentável.

Mudança Climática

O documento também pede maior cooperação internacional em questões fiscais, para conter os fluxos financeiros ilícitos e integração da igualdade de gênero ao financiamento.

O texto deixa claro ainda que as ações de todos devem ser sustentadas por um forte compromisso de proteger e preservar o planeta.

Ban afirmou que um resultado bem-sucedido é fundamental para criar confiança e impulsionar a “adoção de uma agenda de desenvolvimento pós-2015 ambiciosa, em Nova York, em setembro, e um acordo universal sobre mudança climática, em dezembro, em Paris”.


Fonte: Rádio ONU

sábado, 1 de agosto de 2015

Inscrições ao prêmio SDSN Amazônia vão até 31 de agosto.
Iniciativa reconhece experiências na Amazônia como soluções aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável . Foto: Rio Amazonas/ Shutterstock.

Por Redação da Envolverde –

Manaus, de julho de 2015 – As inscrições ao Prêmio SDSN Amazônia vão até dia 31 de agosto de 2015. A iniciativa visa identificar e reconhecer as melhores soluções para questões socioambientais relacionadas ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. Os interessados em participar devem enviar um email para premio@sdsn-amazonia.org. Poderão participar da iniciativa as ações realizadas e implementadas por organizações privadas, públicas, acadêmicas e do Terceiro Setor da Amazônia Continental: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Venezuela. O Prêmio SDSN-Amazônia está organizado em cinco categorias: Educação, Mineração, Gestão de Áreas Protegidas, Gestão de Terras Indígenas e Infraestrutura. Mais informações pelo site www.fas-amazonas.org e e-mail premio@sdsn-amazonia.org.

Uma comissão de especialistas nos temas envolvidos julgará os projetos inscritos e indicará dez finalistas e três vencedores em cada categoria, a partir dos critérios de avaliação: clareza, apresentação e profundidade do conteúdo do projeto; adequação do projeto à categoria temática proposta; potencial de replicabilidade do projeto; relevância do projeto para especificidades da Amazônia; originalidade e inovação da iniciativa; formação de redes e parcerias intersetoriais; uso de metodologias participativas; e visão de futuro do projeto.

Além dos prêmios em dinheiro, os vencedores terão suas experiências divulgadas na Plataforma SDSN-Amazônia como exemplos de soluções para os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), que estão sendo definidos pela ONU para vigorarem entre 2015 e 2030. Além disso, serão estimulados, por um ano, a participarem de eventos que disseminem sua solução.

O Prêmio SDSN-Amazônia é realizado pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS) por meio da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia em parceria com o Fundo das Nações Unidas para Infância (UNICEF), Centro Rio+, Vale e Instituto Carmargo Correa. A iniciativa ainda conta com apoio do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Lançada na COP20, em dezembro passado, em Lima, no Peru, a iniciativa da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável para a Amazônia – SDSN Amazônia (sigla em inglês), integra o projeto global da Organização das Nações Unidas (ONU).


Fonte: ENVOLVERDE
Combate ao Desmatamento: dá pra fazer mais.
Desmatamento da Amazônia. Foto: Wilson Dias/ Agência Brasil (21/07/2014).ç

Por André Trigueiro –

Zerar o desmatamento ilegal continua sendo um tema espinhoso para o governo brasileiro. Ao incluir esse assunto na declaração conjunta com o presidente Obama (há pouco mais de 10 dias), a presidente Dilma se comprometeu a zerar o desmatamento ilegal até 2030. Por vias indiretas, avalizou o desmatamento ilegal por mais 15 anos ou pelo menos deixou claro que o governo não tem interesse em combater a ilegalidade num período de tempo mais curto ou não se julga em condições de fazê-lo.

Acrescente-se na lista de hipóteses a que parece ser a mais provável: um governo fraco politicamente não ousaria contrariar os interesses da bancada ruralista – cuja principal liderança encontra-se hoje no exercício da função de ministra da agricultura – que construiu historicamente o discurso de que não há como produzir mais alimentos sem expandir a fronteira agrícola na direção das florestas.

Anunciou-se também, para 2030, a meta de restaurar e reflorestar 12 milhões de hectares de florestas (120 mil km²), o que pode ser entendido como um objetivo conservador se confrontado com o Código Florestal. Alguns estudos indicam que se o Código for cumprido à risca, e os proprietários rurais recuperarem nos termos da lei o que foi desmatado, será possível revegetar aproximadamente o dobro da área anunciada hoje. Será que o próprio governo reconhece problemas no cumprimento da lei?

2030 também foi o prazo estimado para que a nossa matriz energética seja composta de 28% a 33% por fontes limpas e renováveis além da geração hidráulica. De acordo com o Observatório do Clima, o Brasil conta hoje com aproximadamente 29% de fontes limpas e renováveis além da hidroeletricidade, o que significa um avanço tímido, bastante conservador. A energia eólica (que em poucos anos de investimentos já responde por 5% da matriz) continua em franca expansão a um custo baixo, enquanto a energia solar atraiu 382 projetos para o leilão da EPE (Empresa de Pesquisa Energética) marcado para o próximo mês de agosto, quando serão ofertados 12.528 megawatts (MW), valor superior ao que deve ser gerado pela usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, com capacidade instalada de 11.000 MW.

Parece que estamos com o pé no freio. Que as excelentes oportunidades de negócio da economia de baixo carbono ainda causam alguma desconfiança no atual governo. Ou que ainda não nos sentimos preparados – embora tenhamos todos os recursos ao nosso alcance – para sermos protagonistas e não coadjuvantes dessa história.

* André Trigueiro é jornalista com pós-graduação em Gestão Ambiental pela Coppe-UFRJ onde hoje leciona a disciplina geopolítica ambiental, professor e criador do curso de Jornalismo Ambiental da PUC-RJ, autor do livro Mundo Sustentável – Abrindo Espaço na Mídia para um Planeta em Transformação, coordenador editorial e um dos autores dos livros Meio Ambiente no Século XXI, e Espiritismo e Ecologia, lançado na Bienal Internacional do Livro, no Rio de Janeiro, pela Editora FEB, em 2009. É apresentador do Jornal das Dez e editor chefe do programa Cidades e Soluções, da Globo News. É também comentarista da Rádio CBN e colaborador voluntário da Rádio Rio de Janeiro.


Capacitação em recursos hídricos.
O objetivo dos cursos é estimular a conservação e o uso sustentável da água, além da participação cidadã na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Foto: Shutterstock.

Por Raylton Alves, da ANA –

Estão abertas as inscrições para 7 mil vagas em cursos gratuitos, na modalidade de ensino a distância (EaD), oferecidos pela Agência Nacional de Águas (ANA). As inscrições podem ser realizadas por este link até o próximo dia 21 ou antes desta data, caso todas as vagas sejam preenchidas. Esta é a maior quantidade de oportunidades já oferecidas de uma só vez pela instituição. Há capacitações sobre:
– Água e Floresta: Uso Sustentável da Caatinga;
– Codificação de Bacias pelo Método Otto Pfafstetter;
– Comitê de Bacia: O que É e o que Faz?;
– Comitê de Bacia: Práticas e Procedimentos;
– Estruturação da Gestão Ambiental Municipal;
– Gestão Integrada de Recursos Hídricos no Nordeste;
– Lei das Águas;
– Monitoramento da Qualidade da Água de Rios e Reservatórios.

Os interessados podem se inscrever em até dois cursos simultaneamente e receberão a confirmação de matrícula no primeiro dia de cada capacitação. A seleção será feita por ordem de inscrição. Os alunos que conseguirem 60% de aproveitamento nas avaliações terão direito a um certificado, sendo que o tempo de duração das atividades pode ser menor que o previsto, conforme o desempenho de cada um. Para facilitar a aprendizagem, os conteúdos são estruturados através de uma navegação sequencial entre módulos.

Oferecido pela ANA e pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), o curso Água e Floresta: Uso Sustentável da Caatinga, tem duração de dez horas. As turmas acontecem de 3 a 9 de agosto e de 10 a 16 de agosto, cada uma com 500 vagas. A capacitação visa a apresentar noções básicas sobre práticas sustentáveis de uso dos recursos florestais da Caatinga e sua relação com a água.

Com carga de 20 horas, o curso Codificação de Bacias Hidrográficas pelo Método de Otto Pfafstetter é voltado para integrantes do Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos (Singreh), órgãos ambientais e afins. A capacitação tem o objetivo de propiciar um maior entendimento sobre a codificação oficial de bacias hidrográficas do Brasil: o Método Otto Pfafstetter. As duas turmas acontecerão de 21 de julho a 2 de agosto e de 3 a 16 de agosto.

Previsto para acontecer de 21 de julho a 2 de agosto com carga de 20 horas, o curso Comitê de Bacia: o que É e o que Faz? oferece 500 vagas. A capacitação busca ensinar as atribuições e responsabilidades desses colegiados, além de incentivar a participação da sociedade na gestão da água. Também com 500 vagas e 20 horas de carga, o tema Comitê de Bacia: Práticas e Procedimentos terá suas atividades entre 3 e 16 de agosto com foco no funcionamento da estrutura organizacional desses colegiados, visando a melhorar o processo de gestão de recursos hídricos.

O curso Estruturação da Gestão Ambiental Municipal, oferecido pela ANA em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA), tem carga de 40 horas e oferece 1000 vagas. O objetivo da capacitação é apresentar linhas gerais para o fortalecimento do Sistema Nacional de Meio Ambiente e sua inter-relação com os demais instrumentos e atores da gestão municipal, entre os quais a Política Nacional de Recursos Hídricos. Neste caso, as atividades acontecem entre 21 de julho e 16 de agosto.

Também há duas turmas para o curso Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos no Nordeste com um total de 1000 vagas e carga de dez horas. As atividades acontecem de 21 a 26 de julho e de 27 de julho a 2 de agosto. A capacitação aborda o gerenciamento de recursos hídricos no Nordeste, considerando as peculiaridades da região no que diz respeito à disponibilidade hídrica.

Com 1600 vagas, o curso Lei das Águas tem carga de 20 horas e acontecerá em duas turmas de 21 de julho a 2 de agosto e de 3 a 16 de agosto. A capacitação aborda a Política Nacional de Recursos Hídricos e os conceitos básicos relacionados à gestão das águas e ensina os alunos a identificarem formas de atuação responsável para o uso e gestão do recurso.

Para o curso Monitoramento da Qualidade da Água de Rios e Reservatórios, a ANA oferece 1000 vagas para os interessados no tema. A capacitação está prevista para o período de 21 de julho a 16 de agosto, com carga de 40 horas. O objetivo é promover a reflexão sobre conceitos e ferramentas de monitoramento de qualidade da água em atendimento à Política Nacional de Recursos Hídricos e demais normas legais e institucionais sobre o tema.

Capacitação

A ANA realiza capacitações para as entidades que compõem o Sistema Nacional de Gerenciamento de Recursos Hídricos e para toda a sociedade brasileira. O objetivo dos cursos é estimular a conservação e o uso sustentável da água, além da participação cidadã na implementação da Política Nacional de Recursos Hídricos. Em 2014, a Agência capacitou mais de 22 mil pessoas. Para 2015, a expectativa é bater este recorde com mais de 33 mil alunos. Saiba mais no Portal da Capacitação da ANA: e assista à animação sobre os cursos realizados pela Agência.


Cada dólar que há no mundo conta.
A resposta à pergunta “quanto dinheiro é preciso para alcançar os novos ODS?” é – que rufem os tambores – cada dólar existente no mundo. Foto: Bindalfrodo/cc by 2.0.

Paul Ladd e Pedro Conceição*

Nações Unidas, 14/7/2015 – Desde ontem, e até o dia 16, Adis Abeba, capital da Etiópia, é a sede da Terceira Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento (FpD), enquanto na comunidade internacional ganha força a pergunta sobre quanto nos custará alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).

A dúvida soa razoável à primeira vista, e flui naturalmente da experiência com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), estabelecidos em 2000 e que vencem este ano, quando serão substituídos pelos ODS.

A grande aposta dos ODM era que os países pobres se concentrariam na redução da pobreza e na melhoria do governo, em troca da ajuda oficial ao desenvolvimento (AOD) que se somaria aos recursos mobilizados pelos próprios países em desenvolvimento.

Essa lógica, caracterizada por “tapar os buracos” levou a exercícios expansivos nos custos dos ODM, estimativas sobre a rapidez com que os Estados poderiam melhorar sua arrecadação fiscal e campanhas para aumentar a ajuda.

Muitos governos responderam, e se conseguiu numerosas coisas boas com a AOD, como ampliação dos programas de vacinação, mais meninos e meninas com assistência escolar, água potável para mais gente, e diversos outros êxitos que não são tão quantificáveis, como o fortalecimento gradual das capacidades institucionais.

Mas, como agora nos deslocamos para uma agenda de desenvolvimento diferente, mais ambiciosa, complexa, integrada e universal, também é necessária a reforma radical de nossa lógica sobre o financiamento.

Enquanto para alguns países continuará sendo importante “tapar os buracos”, sobretudo para aqueles com bases tributáveis muito baixas e desafios com fundos insuficientes, como algumas enfermidades transmissíveis, para a maioria o desafio terá a ver antes de tudo com a formação dos recursos existentes.

Assim, a resposta à pergunta “quanto dinheiro é necessário para alcançar os novos ODS?” é – que rufem os tambores – cada dólar que há no mundo.

Isso significa que cada dólar que gastamos como consumidores deverá funcionar a favor da consecução dos ODS e não contra eles. Isso inclui o gasto que dedicamos ao vestuário, comida e viagens.

Tudo o que compramos tem pequenos impactos nos ODS. Por exemplo, quando adquirimos uma camisa, também estamos “comprando” os resíduos ambientais que foram utilizados para a fabricação dessa peça de roupa, bem como as normas trabalhistas.

Mas não basta a ação voluntária dos consumidores. As empresas também terão que desempenhar seu papel.

Algumas começam a mudar seus modelos de negócios ao perceberem que a construção de uma companhia sustentável exigirá um mundo sustentável. Outras participam mediante investimentos que repercutem no desenvolvimento.

Mas, além dessas ações voluntárias, os governos deverão desempenhar e redobrar o papel fundamental da criação dos adequados incentivos e regulamentações para alinhar as ações de todos os consumidores, empresas e investidores.

O alinhamento do financiamento privado seria a grande conquista, mas a reforma na maneira como gastamos o dinheiro público também exigirá uma revisão profunda. O exemplo clássico é a energia. Se continuarmos dando subsídios às energias não renováveis, estaremos operando de maneira intencional e consciente contra os objetivos.

Em todo o mundo, calcula-se que os subsídios energéticos alcançarão US$ 5 trilhões este ano, aproximando-se de 20% do produto interno bruto (PIB) de alguns países, e em sua grande maioria se destinam aos combustíveis fósseis.

A reforma dos subsídios energéticos aumentaria a receita pública no mundo em US$ 3 trilhões ao ano, baixaria as emissões de dióxido de carbono em 20% e reduziria pela metade as mortes prematuras causadas pela contaminação do ar.

Às vezes, os incentivos, a regulamentação e a reforma fiscal são vistos como uma imposição de custos. Os que se veem diretamente afetados chamam a atenção para esses custos, enquanto é dada menos atenção aos benefícios que geram para toda a sociedade no longo prazo.

E muitas ineficiências que são evidentes poderiam liberar outros bilhões em ganhos. Por exemplo, o avanço da igualdade de gênero também beneficiaria diretamente os ODS e geraria benefícios econômicos.

Argumentar que o alinhamento do financiamento existente com o desenvolvimento sustentável é mais importante do que arrecadar cada vez mais dinheiro não deve ser interpretado como um apoio ao movimento contra a ajuda. Bem instrumentada, a ajuda tem seu lugar.

Os doadores devem cumprir seu compromisso e destinar 0,7% de seu PIB à AOD, e avançar com maior rapidez em seus compromissos.

Mas, se a conferência de Adis Abeba só se concentra na mobilização por mais dinheiro e não fizer algo para melhorar a forma como se gasta esse dinheiro, então teremos perdido a ocasião, e, sem dúvida, não cumpriremos os grandiosos objetivos que nos propusemos. Por esse motivo é que cada dólar conta.

* Paul Ladd é diretor da Equipe Pós-2015 do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Pedro Conceição é diretor de Política Estratégica do Pnud.


Fonte: ENVOLVERDE
Brasileiro tem interesse, mas baixo nível de informação sobre ciência.
A pesquisa apontou que uma parcela muito pequena da população consegue lembrar o nome de algum cientista brasileiro importante. Foto: Shutterstock.

Por Elton Alisson, de São Carlos, da Agência Fapesp –

Os brasileiros apresentam atitudes positivas em relação à ciência e tecnologia (C&T) e manifestam ter grande interesse por esses temas.

O acesso à informação científica e tecnológica, contudo, especialmente nas camadas sociais de menor escolaridade e renda no Brasil, ainda é bastante limitado.

As constatações são da quarta edição da pesquisa “Percepção pública da ciência, tecnologia e inovação no Brasil, 2015”, realizada pelo Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) e o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

Os principais resultados da pesquisa foram apresentados nesta segunda-feira (13/07) durante a 67ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Aberta no dia 12, a reunião ocorre até o próximo sábado (18/07) no campus da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

“A pesquisa apresenta um panorama estatisticamente robusto da percepção que a sociedade brasileira tem sobre ciência e tecnologia”, disse Mariano Laplane, presidente do CGEE.

“Os brasileiros manifestam ter curiosidade, respeito e uma enorme expectativa de que a ciência e a tecnologia possam melhorar suas condições de vida. É importante, entretanto, que, além dessa curiosidade, a sociedade brasileira também tome mais conhecimento do avanço e dos êxitos da ciência brasileira”, apontou.

A pesquisa ouviu 1.962 brasileiros de todas as regiões do país, com 16 anos ou mais, estratificados por gênero, faixa etária, escolaridade e renda.

De acordo com o estudo, 61% dos entrevistados demonstraram interesse ou muito interesse por C&T. O índice é comparável ao de países que realizaram pesquisas de percepção pública semelhantes, comparam os autores do estudo.

Na União Europeia, por exemplo, 53% dos participantes de uma pesquisa realizada em 2013 afirmaram ter interesse por assuntos relacionados à C&T.

No Brasil, o tema é o quinto que mais atrai a atenção da população, atrás de Medicina e Saúde (78%), Meio Ambiente (78%), Religião (75%) e Economia (68%), e maior do que em Arte e Cultura (57%), Esportes (56%), Moda (34%) e Política (27%).

Embora a atitude dos brasileiros seja positiva e o interesse por C&T seja alto, o acesso à informação é baixo, indica a pesquisa.

A TV é o principal meio de comunicação usado por 21% dos entrevistados para adquirir informações sobre C&T. Por outro lado, a maioria declarou informar-se nunca ou quase nunca sobre esse tema em outros meios de comunicação, como jornais, revistas, livros, rádio e conversas com amigos.

No entanto, mais que dobrou o uso da internet e das redes sociais como fonte de informação sobre C&T especialmente por jovens, saltando de 23% em 2006 para 48%, e se aproximando da TV, apontou a pesquisa.

Os entrevistados declararam utilizar sites de instituições de pesquisa, seguidos de sites de jornais e revistas, além do Facebook, Wikipedia e blogs, como fonte de informação sobre C&T.

“O baixo nível de informação sobre C&T da sociedade brasileira representa um desafio para a comunidade científica, para o governo e também para a mídia”, avaliou Laplane.

“Estamos constatando com preocupação que, nos últimos anos, o espaço dos cadernos de ciência e tecnologia dos principais jornais do país estão encolhendo e, em alguns casos, desaparecendo. Além disso, o pouco conteúdo que está sendo transmitido para a sociedade sobre grandes conquistas da ciência, na grande maioria das vezes, faz referência a avanços em outros lugares do mundo e, raramente, de exemplos brasileiros”, afirmou.

A pesquisa apontou que uma parcela muito pequena da população consegue lembrar o nome de algum cientista brasileiro importante ou de alguma instituição de pesquisa nacional.

O desconhecimento entre os jovens é particularmente significativo, mas mesmo entre pessoas com título superior a porcentagem de entrevistados que souberam mencionar um cientista brasileiro foi muito baixa.

“Temos que valorizar os prêmios e as conquistas dos cientistas brasileiros sem pudor e ter mais ‘celebridades’ da ciência, a exemplo do Artur Ávila [o primeiro matemático formado no Hemisfério Sul que recebeu a medalha Fields, considerada a distinção máxima na área]”, disse Jacob Palis, presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

“Isso é importante para a difusão da ciência brasileira e para atrair a atenção de crianças e jovens para a ciência”, avaliou.

Atitudes positivas

A pesquisa também indicou que os brasileiros veem a ciência como geradora de resultados aplicáveis às suas vidas e capaz de solucionar problemas relacionados à saúde e às mudanças climáticas, por exemplo.

A grande maioria dos entrevistados (73%) declarou acreditar que a C&T traz mais benefícios que malefícios para a população, sendo essencial para a indústria e ajudando a diminuir as desigualdades sociais.

Comparados os resultados com outras enquetes internacionais, o Brasil se destaca como um dos países mais otimistas quanto aos benefícios das atividades de pesquisa e desenvolvimento (P&D), afirmam os autores da pesquisa.

A China possui um índice igual ao brasileiro (73%). Já nos Estados Unidos esse índice atinge 67%, na Espanha 64%, seguida pela Itália com 46% e a França com 43%.

Apesar da visão otimista, a postura dos brasileiros é crítica, aponta a pesquisa. A maioria dos participantes expressou preocupação em relação a aspectos éticos, políticos e ao controle social da C&T.

A maioria dos entrevistados considera que é necessário estabelecer padrões éticos sobre o trabalho dos cientistas, que esses profissionais devem expor publicamente os riscos decorrentes de suas pesquisas e que deveria haver maior participação da população nas grandes decisões sobre os rumos da C&T no país.

“A pesquisa mostra que o brasileiro não é ignorante em relação à ciência e tecnologia. Ele não tem informação, mas tem um posicionamento crítico e percebe que a ciência, por si só, não resolve todos os problemas”, disse Ildeu Moreira, consultor do estudo e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), à Agência FAPESP.

A grande maioria dos entrevistados (78%) também apoia a ideia de que devem ser feitos maiores investimentos públicos em C&T no país e só 3% defendem que deveriam diminuir.

Na Argentina, a porcentagem dos que defendem mais recursos para a C&T alcança 63%. Já na Suécia, Espanha e França esse índice atinge 40%, e 25% na Alemanha e no Reino Unido, comparam os autores do estudo.

“A pesquisa revela as virtudes e deficiências das ações de divulgação científica no Brasil”, avaliou José Aldo Rebelo, ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação. “Precisamos ter uma política de popularização da ciência no país que ajude a formar uma mentalidade científica da população como condição para o exercício da vida democrática”, avaliou.

Segundo os autores, a pesquisa foi realizada em conformidade com os padrões adotados em estudos semelhantes feitos não só em países desenvolvidos, como os Estados Unidos e nações da União Europeia, como também na América Latina.

No Brasil, além do MCTI, a FAPESP e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig) financiaram estudos semelhantes recentemente.

“Essas pesquisas possibilitam obtermos um universo de informações extremamente ricas para avaliarmos o posicionamento do Brasil em comparação com outros países em relação à ciência e tecnologia e também verificarmos as transformações de atitudes da população em relação a esses temas ao longo do tempo”, disse Laplane.

Os dados do estudo podem ser acessados aqui.