sábado, 6 de julho de 2019


Atrações da Serra da Capivara são retratadas em websérie.


Último episódio da 3ª temporada da websérie do movimento Pé no Parque estreia nesta quarta-feira (3) com um dos principais destinos turísticos do interior piauiense.

Criado com o objetivo de incentivar o turismo e a valorização das áreas protegidas brasileiras, o movimento Pé no Parque lança nesta quarta-feira (3) o último episódio de sua terceira websérie. A temporada retrata o Parque Nacional Serra da Capivara, localizado no Piauí e conhecido pelos sítios arqueológicos com pinturas rupestres, que retratam cenas do cotidiano dos povos antigos – de aproximadamente 12 mil anos atrás. A série está disponível no canal do Youtube do WikiParques.

Dividido em quatro episódios, o projeto audiovisual mostra as riquezas da fauna e da flora na Caatinga; a trajetória da arqueóloga Niède Guidon, responsável pelas primeiras escavações na Serra da Capivara; e a forma como os atrativos turísticos culturais e naturais geraram emprego e renda aos moradores que vivem no entorno do parque.

No quarto e último episódio, os destaques são as trilhas, mirantes e a observação da fauna, além de um circuito cultural que retrata a vida dos maniçobeiros, que habitavam o interior do parque. “Além da pintura rupestre e da arqueologia, a Serra da Capivara tem muito ecoturismo. Você pode fazer trilhas para chegar em mirantes, vistas panorâmicas ou até mesmo explorar fundos de gargantas e fendas”, destaca Waltércio Torres, um dos guias credenciados do parque.

Entre os principais circuitos turísticos do parque estão: a Pedra Furada, que é um monumento geológico e cartão-postal da Serra da Capivara; o Boqueirão da Pedra Furada, onde estão as pinturas rupestres mais conhecidas; e o Desfiladeiro da Capivara. No roteiro do parque estão também a Serra Branca, onde está o circuito cultural dos Maniçobeiros, grupos tradicionais que viviam da extração de látex; e a Serra Vermelha, onde está o Baixo das Andorinhas, local em que toda tarde os andorinhões descem em revoada para se abrigarem nos paredões do cânion.

As belas paisagens e as histórias retratadas na websérie são uma maneira de valorizar o parque e estimular a visitação. A melhor forma de conservar é conhecer e o turismo é um importante recurso de transformação e desenvolvimento econômico, além de proporcionar o bem-estar”, destaca a diretora-executiva da Fundação Grupo Boticário, Malu Nunes.

O movimento

O Pé no Parque é um movimento conjunto da Associação O Eco, Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza e WikiParques que busca aproximar os brasileiros dos parques nacionais a partir do poder transformador do audiovisual. A primeira ação do movimento é a produção de uma websérie sobre unidades de conservação em diferentes partes do Brasil. As primeiras temporadas trouxeram ao público os parques nacionais de São Joaquim (SC) e Supergüi (PR). Ainda em 2019, outros dois parques de biomas e regiões diferentes deverão ser apresentados em novas temporadas da websérie e ações de mobilização com as comunidades e nas redes sociais.

Episódios:

Episódio 1: “O Parque é nosso”, já disponível
Episódio 2: “Arqueologia e conservação”, já disponível
Episódio 3: “Herdeiros da pré-história”, já disponível
Episódio 4: “Para além das pinturas rupestres”, disponível em 03/07
Acesso aos vídeos no canal do WikiParques no Youtube.

Fonte: ENVOLVERDE

Lançado na Europa mapa do envenenamento de alimentos no Brasil.


Por Ivanir Ferreira, do Jornal da USP –

Em exposição crônica aos agrotóxicos, brasileiro corre mais risco de morte e desenvolvimento de doenças.

Um ousado trabalho de geografia que mapeou o nível de envenenamento dos alimentos produzidos no Brasil foi lançado em maio, em Berlim, na Alemanha, país que contraditoriamente sedia as maiores empresas agroquímicas do mundo. Quem estava presente no lançamento do atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia ficou perplexo com a informação sobre o elevado índice de resíduos agrotóxicos permitidos em alimentos, na água potável, e que, potencialmente, contamina o solo, provoca doenças e mata pessoas. A obra, que já foi publicada no Brasil, é de autoria da geógrafa Larissa Mies Bombardi, da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.
O Brasil é campeão mundial no uso de pesticidas na agricultura, alternando a posição dependendo da ocasião apenas com os Estados Unidos. O feijão, a base da alimentação brasileira, tem um nível permitido de resíduo de malationa (inseticida) que é 400 vezes maior do que aquele permitido pela União Europeia; na água potável brasileira permite-se 5 mil vezes mais resíduo de glifosato (herbicida); na soja, 200 vezes mais resíduos de glifosato, de acordo com o estudo, que é rico em imagens, gráficos e infográficos. “E como se não bastasse o Brasil liderar este perverso ranking, tramita no Congresso nacional leis que flexibilizam as atuais regras para registro, produção, comercialização e utilização de agrotóxicos”, relata Larissa.

A pesquisadora explica que o lançamento do atlas na Europa se deu pelo fato de a Alemanha sediar a Bayer/Monsanto e a Basf, indústrias agroquímicas que respondem por cerca de 34% do mercado mundial de agrotóxicos. A Monsanto, recentemente incorporada ao grupo Bayer, é a líder mundial de vendas do glifosato, cujos subprodutos têm sido associados a inúmeras doenças, incluindo o câncer e o Alzheimer. “Queríamos promover discussão sobre a contradição de sediarem indústrias que controlam toda a cadeia alimentar agrícola – das sementes, agrotóxicos e fertilizantes – e serem rigorosos quanto ao uso de mais de um terço dos pesticidas que são permitidos no Brasil. Eles são corresponsáveis pelos problemas gerados à população porque vendem e exportam substâncias sabidamente perigosas, porém, proibidas em seu território”, diz.
Geógrafa Larissa Bombardi, autora da pesquisa que deu origem ao atlas da Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil – Foto: Cecília Bastos / USP Imagens.

Intoxicação e suicídios

Segundo a geógrafa, as perdas não se limitam à contaminação de alimentos e dos cursos d’água. O atlas traz informações de que, depois de extensa exposição aos agrotóxicos, ocorrem também casos de mortes e suicídios associados ao contato ou à ingestão dessas substâncias.

Entre 2007 e 2014, o Ministério da Saúde teve cerca de 25 mil ocorrências de intoxicações por agrotóxicos. O atlas mapeia as regiões mais afetadas: dos Estados brasileiros, durante o período da pesquisa, o Paraná ficou em primeiro lugar, com mais de 3.700 casos de intoxicação. São Paulo e Minas Gerais ficaram na segunda colocação, com 2 mil. Das 3.723 intoxicações registradas no Paraná, 1.631 casos eram de tentativas de suicídio, ou seja, 40% do total. Em São Paulo e Minas gerais o porcentual foi o mesmo. No Ceará, houve 1.086 casos notificados, dos quais 861 correspondiam a tentativas de suicídio, cerca de 79,2%. Os mapas de faixa etária mostram que 20% da população afetada era composta de crianças e jovens com idade até 19 anos. Segundo Larissa, no Brasil, há relação direta entre o uso de agrotóxicos e o agronegócio. Em 2015, soja, milho e cana de açúcar consumiram 72% dos pesticidas comercializados no País.

Atlas: Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, de Larissa Mies Bombardi – Laboratório de Geografia Agrária da FFLCH – USP, São Paulo, 2017.

O atlas Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia, em português, foi lançado no Brasil em 2017 e traz um conjunto de mais de 150 imagens entre mapas, gráficos e infográficos que abordam a realidade do uso de agrotóxicos no Brasil e os impactos diretos deste uso no País. A pesquisa que deu origem à publicação teve o financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Em Berlim, o lançamento aconteceu na sede do ENSSER (European Network of Scientists for Social and Environmental Responsability), rede europeia sem fins lucrativos que reúne cientistas ativistas responsáveis ambiental e socialmente, em Glasgow, Escócia. O suporte financeiro para o lançamento do atlas na Europa foi da FFLCH e da Pró-Reitoria de Pesquisa da USP.

Entre 2000 e 2010, o Brasil aumentou em 200% o consumo de agrotóxicos. A soja foi a cultura que mais consumiu pesticidas.
Mapa de intoxicação por agrotóxicos de uso agrícola (2007-2014).
Mais informações: Larissa Mies Bombardi, larissab@usp.br ou pelo telefone (11) 3091-3769. Atlas versão em portuguêsAtlas versão inglês.


Reduzir o consumo diário de carne faz bem para a nossa saúde.


por Patrícia Kalil –

Um cardápio bastante possível: começar o dia reforçado com misto-quente no café da manhã; na hora do almoço, um prato de picadinho e batata servido com arroz branco; no lanche da tarde, uma esfiha de carne, um quibe fritinho na hora ou um enroladinho de presunto e queijo; na hora de jantar, outro lanche com frios ou uma pizza portuguesa. O que chama atenção é que, sem nos darmos conta, a carne vermelha esteve presente em todas as refeições, do café da manhã ao jantar.

Alguns anos atrás, fui diagnosticada com o nível de colesterol muito elevado para minha idade e para meu tipo físico. Para não receitar um medicamento que eu teria que usar para o resto da vida, o médico pediu para eu tentar fazer uma experiência: reduzir o consumo de carne vermelha e fazer uma hora de caminhada por dia. Por redução do consumo de carne, ele explicou, “você pode comer carne, só tenta não comer em toda refeição. Vamos ver se a mudança afetará o resultado do seu próximo exame. Ovo está liberado”. Parecia um pedido bastante razoável e aceitei o desafio.

A primeira decisão que tomei foi que não viraria radical. Por mais que tenha muitos amigos veganos, tenho dificuldade em recusar comida em algumas situações. Por exemplo, quando estava começando a nova dieta, tive que morar seis meses em Moçambique. Logo que cheguei em Beira, a família que me recebeu preparou um cozido de carne. Além de adorar experimentar pratos tradicionais locais, tenho realmente dificuldade em rejeitar comida quando me é oferecida.

Dito isso, o meu desafio pessoal era saber decidir quando a proposta era especial: o cozido na África, uma feijoada ou churrasco com amigos, um charutinho de folha de uva feito por minha avó libanesa, um cordeiro assado por meu pai, um cozido de panela feito por minha sogra. Isso tudo me parecia ok comer. Eu precisava, então, ficar atenta para cortar nas outras ocasiões, que dependiam exclusivamente de mim. Por exemplo, ao almoçar em um quilo ou mesmo ao sair pra jantar com amigos onde cada um poderia escolher seu próprio prato. Nessas situações, eu sabia, a escolha de controlar meu colesterol estava na minha mão. Comecei a dieta e também a andar diariamente. Quando refiz meus exames, o nível do colesterol estava moderado. Vi, como o médico falou, que era possível controlar a gordura ruim no meu sangue sem medicamento. Desde então, esse assunto sempre me despertou interesse.

Cabeça de boi ou cabeça de gente

Médicos argumentam que o consumo excessivo de carne piora doenças crônicas e cardiovasculares, como também causa alguns tipos de câncer. Cientistas apontam que a média de consumo de carne por pessoa também não é praticável com o crescimento da população global, trazendo prejuízos para os recursos hídricos, florestais e também para o clima. Atualmente, a ONU também pede redução para evitar crise alimentar e 16 países da Comissão EAT-Lancet indicam cada vez mais o consumo de alimentos de origem vegetal para futuro.

Se cada um dos quase 8 bilhões de terráqueos comessem carne nas três refeições do dia, teríamos que aumentar a produção e aceitar a transformação das florestas em pasto. O problema disso, como a própria FAO alerta, é que os ganhos do setor pecuário são de curto prazo e os prejuízos são de longo alcance para toda a sociedade: toneladas de rejeitos contaminam os cursos d’água e o próprio solo, além de ser uma das grandes fontes geradoras de gases de efeito estufa. O cocô e o pum da vaca esquentam o planeta.

No Brasil, já temos mais cabeças de gado do que cabeça de gente, com 218 milhões de bovinos versus 208 milhões de brasileiros. Segundo informações do IBGE, em Goías, há três vezes mais gado que pessoas. O problema então passa a ser social e político: queremos um governo que cuide dos brasileiros mais que de bovinos, mas parece que estamos permitindo que bois tenham mais força política que nós todos juntos. A força da bancada ruralista no Congresso só evidencia esse fato (44% da Câmara, 39,5% do Senado). Quando lutamos pelo fim do desmatamento ilegal ou por proteção dos mananciais, vamos lembrar que a redução do consumo diário de carne é além de uma questão importante para a nossa saúde, um ato político em defesa do meio ambiente.

Fonte: ENVOLVERDE

Cientistas brasileiros reescrevem a história do gênero humano.


por Herton Escobar do Jornal da USP

Ferramentas de pedra lascada descobertas na Jordânia sugerem que o primeiro hominídeo a deixar a África foi o “Homo habilis”, 500 mil anos antes do que se pensava.

A já complicada e sempre polêmica história da evolução humana acaba de ganhar uma nova versão, escrita por cientistas brasileiros. A espécie que teria saído da África pela primeira vez teria sido o Homo habilis, e não o Homo erectus; e isso teria acontecido 500 mil anos antes do que se pensava — o que permitiria explicar diversos mistérios relacionados à história dos hominídeos no Cáucaso, na China e na Indonésia.

A nova narrativa, apresentada no Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo (IEA-USP), é baseada em evidências arqueológicas desenterradas pelos pesquisadores no vale do rio Zarqa, na Jordânia, próximo à capital Amã. Eles descobriram centenas de ferramentas de pedra lascada com 1,9 milhão a 2,5 milhões de anos de idade, claramente produzidas por mãos humanas.

O problema é que, segundo a teoria que predomina hoje sobre a evolução e dispersão do gênero homo(linhagem que deu origem aos seres humanos modernos), o primeiro hominídeo a deixar a África foi o Homo erectus, entre 2 milhões e 1,8 milhão de anos atrás. Então, quem teria produzido aquelas ferramentas no Oriente Médio, meio milhão de anos antes?
Fotos e desenhos de ferramentas líticas, de 2,45 milhões de anos – Foto: Fabio Parenti
Pedras lascadas coletadas na Jordânia – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens

O trabalho não chega a cravar um nome no papel, mas o pesquisador Walter Neves tem opinião convicta sobre o assunto: “Foi o Homo habilis”, profere ele. A datação dos artefatos jordanianos foi confirmada por três técnicas diferentes, e o Homo habilis era a única espécie de hominídeo (do gênero homo) que já vagava pela África naquela época, 2,5 milhões de anos atrás. Sendo assim, é o principal e único suspeito. O nome “homem habilidoso” refere-se justamente à sua associação pioneira com a produção de utensílios de pedra lascada.

“Acho que geramos a data precisa de saída dos hominídeos da África”, avalia Neves, professor aposentado do Instituto de Biociências da USP e pesquisador do IEA. O novo cronograma se encaixa perfeitamente — no tempo e no espaço — com o de outra descoberta recente, feita por outros estudiosos, que encontraram ferramentas líticas de 2,4 milhões de anos na Argélia, no norte da África, próximo à “porta de saída” para o Oriente Médio.

Segundo os pesquisadores, não há dúvidas sobre a idade dos artefatos da Jordânia nem sobre o fato de que eles foram produzidos por hominídeos (e não por processos naturais). “Há evidências muito claras de lascamento intencional”, disse o arqueólogo Fabio Parenti, do Departamento de Antropologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR), um dos líderes da pesquisa, que escava na região desde a década de 1990. As peças são principalmente núcleos e lascas de pedra, características da chamada “indústria olduvaiensi”, que nossos ancestrais mais primitivos do gênero homo usavam para quebrar objetos e cortar as carcaças de animais dos quais se alimentavam.

“Não encontramos fósseis porque essa região da Jordânia não conserva bem fósseis, mas achamos as ferramentas desses hominídeos”, explica Neves. “Os resultados não poderiam ser mais convergentes.”

Especialista em evolução humana, e popularmente conhecido como “pai da Luzia” — por conta de seu trabalho com o fóssil mineiro que se tornou símbolo do povoamento das Américas —, Neves é um dos seis autores do trabalho que será publicado neste sábado, 6 de julho, na revista Quarternary Science Reviews. Ele e Parenti assinam o estudo com o geólogo Giancarlo Scardia, da Universidade Estadual Paulista (Unesp – Rio Claro), e o geoarqueólogo Astolfo Araújo, do Museu de Arqueologia e Etnologia da USP, além de colaboradores nos Estados Unidos e na Alemanha, que contribuíram com parte das análises.
Pesquisadores escavam um afloramento vertical no Vale do Zarqa – Foto: Astolfo Araújo.

Neves acredita que as ferramentas foram produzidas por uma população de Homo habilis recém-saída da África, em rota para a região do Cáucaso, onde mais tarde o Homo habilis daria origem ao Homo erectus — uma espécie maior, mais inteligente e mais moderna de hominídeo, considerada por muitos como a precursora do homem moderno (Homo sapiens).

Os famosos fósseis de Dmanisi, na República da Geórgia, segundo Neves, seriam de uma forma transitória de hominídeo, com características tanto de Homo habilis quanto de Homo erectus; o que explicaria a grande variabilidade morfológica dos crânios encontrados ali, com 1,8 milhão de anos de idade. Essa diversidade já é discutida há anos pela comunidade científica internacional, levando alguns pesquisadores a propor que Homo erectus e Homo habilis não eram espécies diferentes, mas, na verdade, variações de uma mesma linhagem; com uma variabilidade anatômica equivalente à que existe, ainda hoje, entre os chimpanzés.
“Acho que nossa pesquisa vai encerrar de vez essa discussão”, disse Neves. A variabilidade dos crânios de Dmanisi, segundo ele, “é exatamente o que se esperaria de uma espécie transitória”.

Nesse caso, então, o Homo erectus teria evoluído primeiramente no Cáucaso, e só depois migrado para dentro da África, onde seus fósseis mais antigos datam, também, e só começam a aparecer por volta de 1,8 milhão de anos atrás.

“O grande desbravador”

Além da diversidade de Dmanisi, uma saída precoce do Homo habilis da África também ajudaria a explicar a descoberta recente de artefatos de pedra lascada em Shangchen, no leste da China, com 2,1 milhões de anos — ou seja, anteriores ao Homo erectus. Neves acredita que elas, também, tenham sido produzidas pelo Homo habilis — o que significaria que o Homo habilis não só foi o primeiro a sair da África, como o primeiro a ocupar a Eurásia.

“O grande desbravador foi o habilis”, afirma Neves. O Homo habilis era bem menor do que o Homo erectus, tanto em estatura (1,20 m x 1,75 m) quanto em volume cerebral (650 cm3 x 850 cm3), mas já era bípede e perfeitamente capaz de caminhar longas distâncias, garante Neves.

Mais audacioso ainda, ele sugere que o Homo habilis — e não o Homo erectus — foi a espécie que deu origem ao Homo floresiensis, um hominídeo pigmeu que viveu até bem recentemente (20 mil anos atrás) na Ilha de Flores, na Indonésia. Apelidado de Hobbit, ele tinha pouco mais de 1 metro de altura e um cérebro equivalente em tamanho ao de um chimpanzé.

Pesquisadores debatem há anos, intensamente, se o Homo floresiensis era uma espécie portadora de microcefalia ou outra malformação genética, ou apenas uma versão reduzida de um Homo erectus — encolhida pelo chamado “efeito ilha”, um processo evolutivo que tende a reduzir o tamanho de espécies que vivem restritas a ambientes insulares.

Para Neves, a hipótese do Homo habilis faz mais sentido, porque se tratava de uma espécie já naturalmente menor. “Seria muito mais fácil para a evolução espremer um Homo habilis no formato de um floresiensis do que um Homo erectus”, diz.
Professor Walter Neves fala sobre a descoberta de pedra lascada que indica mudanças na história evolutiva dos humanos – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens.

Reconstruir a história da evolução humana é como tentar reescrever o roteiro de um filme baseado apenas em um trailer, ou narrar a história de um livro com base apenas em algumas folhas, sem saber exatamente quem são os personagens, de onde eles vêm, como eles se relacionam ou o que cada um faz. As evidências são poucas e difíceis de serem encontradas, o que faz da paleoantropologia (o estudo da evolução humana com base em fósseis) um do campos mais competitivos, polêmicos e espetaculares da ciência.
Afloramento no Vale do Zarqa, Jordânia, em 2014. A formação escavada é conhecida como Dawqara. – Foto: cedida pelo pesquisador .

Ceticismo

Os pesquisadores não têm dúvida que o trabalho e suas implicações para o estudo da evolução humana serão recebidos com “muito ceticismo” pela comunidade científica internacional. “Vamos ser destroçados”, declarou Neves, com a tranquilidade de quem já está calejado nesse tipo de coisa. “Com certeza vamos encontrar ceticismo, mas faz parte da ciência”, disse Scardia, primeiro autor do trabalho e responsável pela datação do material. “Temos muita confiança nos nossos resultados.”

O natural seria que uma descoberta desse porte fosse publicada numa revista de maior impacto, como Natureou Science. Só não foi, segundo Neves, porque os editores dessas revistas “não acreditam que possa haver vida inteligente abaixo do Equador”, pelo menos no que diz respeito à paleoantropologia — uma área na qual o Brasil não tem tradição de pesquisa internacional.

“Não queria me aposentar antes de botar o Brasil no mapa da paleoantropologia mundial”, desabafa o sempre polêmico e aguerrido Neves. “Engulam ou não, o Brasil está no mapa agora.”

A pesquisa foi financiada principalmente pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e pela Wenner-Gren Foundation for Anthropological Research, de Nova York.
Réplicas de crânios de hominídeos expostos em coletiva de imprensa no IEA. Foto: Cecília

Bastos/USP Imagens (Jornal da USP)

terça-feira, 25 de junho de 2019

Farsa de AUDIÊNCIA PÚBLICA e como deve ser uma audiência de verdade.

Neste vídeo veremos uma FARSA de audiência pública ocorrida na Câmara de Vereadores, no Município de Nova Iguaçu no Estado do Rio de Janeiro, e aprenderemos como realizar uma audiência pública de verdade. 

Abaixo, os link das informações utilizadas nesta matéria: 



EL PAÍS - 

IFDM 2018 - 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Áudios “vazados”.

Neste vídeo, abordaremos os áudios vazados de forma criminosa, entre o Juiz a época Sérgio Moro e o Procurador da República Deltan Dallagnol; e a publicização de áudio conseguido de forma legal, entre o CRIMINOSO Lula da Silva e seus cúmplices.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Viaduto da Posse; anos de abandono em uma reforma inacabada.

Viaduto da Posse; anos de abandono em uma reforma inacabada! Recursos públicos jogados no LIXO, em reforma que deixa para o cidadão, armadilharas e ferragens expostas de um viaduto importantíssimo no Município de Nova Iguaçu no Estado do Rio de Janeiro. 

Link de vídeo publicado em 8 de abriu de 2013, com matéria sobre o VIADUTO DA POSSE em Nova Iguaçu/RJ - https://www.youtube.com/watch?v=q_CYA25vmhI


sábado, 15 de junho de 2019

Bruno Guimarães Buhler Policial Civil da CORE – MORTO ou EXECUTADO

Segundo denúncias que acompanham o áudio neste vídeo, o  policial civil Bruno Guimarães Buhler da CORE, não teria sido MORTO por traficantes do Jacarezinho, e sim executado pelos próprios colegas após ter feito áudio com tom de revolta, e publicado no grupo da corporação.

quinta-feira, 13 de junho de 2019

STF Brasil = CIRCO DOS HORRORES.

STF Brasil = CIRCO DOS HORRORES, com ingressos caros e espetáculos nada agradáveis.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Dr. Tibau - Unidade pré-hospitalar Nova Iguaçu/RJ


Unidade pré-hospitalar José Miller, conhecida como Dr. Tibau, realizava consultas de psiquiatria. Demolida em 2006 pela Prefeitura de Nova Iguaçu/RJ com a promessa de reconstrução, permanece inexistente até os dias de hoje. O espaço que ocupava; lixo, entulho e muito mato, além é claro do descaso público.